Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Edge of Destruction (Arco #3)

estrelas 4,5

Equipe: 1º Doutor, Susan, Ian e Barbara
Espaço-tempo: Universo, 13.73 bilhões a.C. (Big Bang)

É de conhecimento geral que Doctor Who foi criada como uma série temporária, apenas para uma adequação de horários na BBC, enquanto um outro programa aguardava a estreia. No início, foram encomendados 13 episódios para os criadores da série, e após a exibição do último deles, a diretoria da emissora iria analisar a audiência e a recepção da crítica para ver o que faria com o show. Se contarmos os dois primeiros arcos da temporada, teremos 11 episódios, faltando apenas dois para a finalização de Doctor Who, em sua concepção original.

Para preencher a obrigação dos 13 primeiros capítulos encomendados, foram escritos essas duas maravilhosas pérolas da primeira fase da série, uma dupla de episódios que formam o arco The Edge of Destruction, também conhecido como Inside the Spaceship. Consta também que os episódios foram escritos às pressas porque a BBC já tinha manifestado interesse em dar continuidade à saga do Doutor, mas o roteiro do próximo arco, Marco Polo, ainda não estava pronto, logo, se a série não entrasse em hiato, o que se seguiria à história dos Daleks (arco #2)?

Os dois episódios que o compõem The Edge of Destruction formam uma espécie de “momento teatral” do início da série, onde não existe inimigo algum e todo o espaço que os quatro protagonistas possui é o interior da TARDIS. Embora o primeiro capítulo seja um tanto irregular, a sua sequência, The Brink of Disaster, apaga todos os pecados do roteiro e os exageros na atuação cometidos anteriormente. Além de um excelente desfecho para a história, o cliffhanger é bem construído, não fugindo da atmosfera de paz que marca o desfecho da trama, mas apresentando a possibilidade de perigo no futuro.

Ao sair do planeta Skaro, no final do arco dos Daleks, a TARDIS acaba sofrendo mais uma falha em seu equipamento, o que a levará para a origem do Universo. Por conta dos recursos financeiros escassos, não foi possível à produção fazer nenhuma demonstração do Big Bang, mas temos certeza de que a nave se encontrava num momento de poderosa explosão de energia, como nos indica esta fala do Doutor:

Eu sei… Eu sei! Eu disse que precisaria da força de todo um sistema solar para tirar a energia da minha nave. Nós estamos bem no início de um novo Sistema Solar. Lá fora, os átomos estão se colidindo constantemente. Se fundindo, coagulando. Em um minuto, pequenos pedaços de matéria são criados. E então o processo se repete sucessivamente, até que a poeira se forme. Poeira, então, se transforma em algo sólido. O nascimento de um sol e seus planetas!

Num primeiro momento, o espectador passa por uma confusão de sentimentos e percepções. Não há como não rir do cabelo de Susan, ou ficar espantado com o lado psicótico que ela desenvolve quando é nocauteada pela energia da TARDIS. E essa é uma das coisas mais geniais do episódio: a exploração de lugares e funções da máquina, até então não apresentados. Um dos mais interessantes é a capacidade que a nave tem em guardar em sua memória todas as suas viagens, por isso que a vemos mostrar uma sequência de sua passagem pelo Planeta Quinnis, do 4º Universo, do qual Susan e o Doutor afirmam lembrar-se.

O desfecho da história mostra que o lado ranzinza e zangado do 1º Doutor só encobre um coração enorme e uma bondade muito grande. Particularmente gosto muito do diálogo final dele com Barbara, e no modo como a sua confiança e relação pessoal com seus companheiros começa a apresentar sensíveis transformações.

The Edge of Destruction (Arco #3) – 1ª Temporada

Roteiro: David Whitaker
Diretor: Frank Cox, Richard Martin
Elenco: William Hartnell, William Russell, Jacqueline Hill, Carole Ann Ford

Audiência média: 10,15 milhões

2 Episódios (exibidos entre 8 e 15 de fevereiro de 1964):
1. – The Edge of Destruction
2. – The Brink of Disaster

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.