Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Keys of Marinus (Arco #5)

_E você, meu jovem…

_ Sim, o que eu posso fazer, Doutor?

_ Confie em mim.

estrelas 3

Equipe: 1º Doutor, Susan, Ian e Barbara
Espaço-tempo: Planeta Marinus (também chamado de Planeta 14) – tempo indeterminado

Apesar de Terry Nation ser o responsável pelo lendário roteiro com os primeiros Daleks de DW, seu trabalho em The Keys of Marinus deixa um pouco a desejar. É claro que ele não é o único responsável pela fraqueza geral da história, mas como roteirista, poderia muito bem ter providenciado situações menos complicadas de se representar com poucos recursos, como era o caso de Doctor Who.

A TARDIS dessa vez se materializa em um planeta montanhoso com mares de ácido e praias de vidro. Marinus parece ser um lugar interessante, apesar de medonho, mas o Doutor e seus companheiros logo descobrirão que há muito mais complicações naquele lugar. Arbitan (o guardião da Consciência de Marinus, um supercomputador usado para ser um perfeito juiz e criador de um bom comportamento moral em todo o planeta) precisa das micro-chaves da máquina para fazê-la funcionar novamente. Após o encontro com o Doutor, Arbitan força-o a buscar as peças, dando início a uma longa e arriscada jornada do Time Lord e seus companions pelo planeta.

No sentido narrativo, Terry Nation leva alguns pontos pela densidade e criatividade geral da história. A ideia da hipnose para um episódio como The Velvet Web e a tensão jurídica de Sentence of Death, um ótimo episódio de tribunal, são pontos altos do arco e merecem ser destacados. Mas o autor criou armadilhas que acabaram tirando o charme dos maus efeitos especiais de Doctor Who e criou situações que só poderiam ser representadas com um quê de tosquice, como as paredes engolidoras, a morte de um Voord em The Sea of Death, e a floresta viva em The Screaming Jungle.

Por outro lado, o roteirista deu continuidade ao tema do deslocamento constante, como vimos no arco anterior, Marco Polo. Susan, Ian, Barbara e o Doutor fazem uma verdadeira expedição pelo planeta Marinus, visitando a hipnótica cidade de Morphoton e diversos lugares da cidade de Millenius e arredores. Ian ainda com sua roupa chinesa, acaba sendo o que mais sofre em todo o arco, sendo o alvo de uma acusação indevida na reta final da história.

O desfecho do arco é regular, mas diante de todos os fatos, era impossível que fosse melhor. O plano do líder Voord, Yartek, é desmantelado pela esperteza de Ian; e Sabetha e Altos ficam juntos. Tecnicamente falando não foi um desfecho ruim, mas nada muito digno de efusivos aplausos.

Algo a ser destacado aqui é a presença de Kala, a primeira vilã da série, e também as sugestões imagéticas de que Vasor, o ganancioso homem da cabana no meio do nada, queria violentar Susan, quando estiveram sós. Apesar da BBC ter cortado alguns takes dessa sequência, é impossível não depreender as intenções do homem.

Por fim, Terry Nation erra ao deixar deixar o final do arco sem cliffhanger para o episódio seguinte. Ainda bem que ele conseguiu acertar muitos pontos no desenrolar da aventura em Marinus, caso contrário, seriam seis episódios desperdiçados e muito descontentamento whovian para responder.

The Keys of Marinus (Arco #5) – 1ª Temporada

Roteiro: Terry Nation
Direção: John Gorrie
Elenco principal: William Hartnell, Carole Ann Ford, Jacqueline Hill, William Russell, George Coulouris, Stephen Dartnell, Robin Phillips, Donald Pickering, Katharine Schofield, Edmund Warwick

Audiência média: 9,07 milhões

6 Episódios (exibidos entre 11 de abril e 16 de maio de 1964)
1. – The Sea of Death
2. – The Velvet Web
3. – The Screaming Jungle
4. – The Snows of Terror
5. – Sentence of Death
6. – The Keys of Marinus

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.