Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Massacre of St Bartholomew’s Eve (Arco #22)

estrelas 3

Equipe: 1º Doutor, Steven
Espaço-tempo: França, 21 – 24 de agosto de 1572 / Londres, 25 de março de 1965

Depois de ter perdido Katarina e Sara, mortas em The Dalek’s Master Plan, o 1º Doutor viajava agora apenas com Steve. Após a vitória contra o Daleks no Arco #21 e a solene despedida feita a Sara, era de se esperar uma história que apresentasse algo mais animador ou menos ameaçador para equilibrar um pouco, trazer alguma alegria para os pobres viajantes da TARDIS. Mas eles não tem sossego.

A nave se materializa na França, em agosto de 1572, mês em cujo final acontece o famoso “Massacre da Noite de São Bartolomeu”, uma briga que teve seu início no dia 24 de agosto mas que se estendeu por vários meses e por vários lugares da França, opondo católicos e “protestantes”, que se digladiavam até a morte.

Os eventos históricos em torno desse acontecimento, da morte em nome da fé, não são tão complicados. Vamos então a eles. Carlos IX foi rei da França de 1560 a 1574. Quando o massacre da noite de S. Bartolomeu aconteceu, ele tinha apenas 22 anos, o que o tornava vulnerável politicamente. Quem governava a França na verdade era a Rainha-Mãe, a infame Catarina de Médici. O rei Carlos tinha uma irmã, Marguerite de Valois, que por um acordo político que tinha como objetivo diminuir as contantes brigas religiosas, casa-se com Henrique de Navarra, um protestante (na época os protestantes na França eram chamados de huguenotes).

Essa tentativa, todavia, não durou muito tempo. Uma movimentação dentro da própria casa real, instigada por Catarina de Médici, tinha como objetivo acabar com os huguenotes. O resultado… bem, foi o sangrento evento iniciado do Dia de S. Bartolomeu.

A TARDIS volta à França em mais um momento de crise. Não nos esqueçamos que o Doutor, sua neta Susan, Ian e Barbara já tinham estado lá uma vez, no período mais sangrento da Revolução Francesa, O Reinado do Terror. Mas ao passo que o arco na França revolucionária foi bastante divertido, este aqui teve uma abordagem bastante burocrática, com foco demasiadamente preocupado em uma desnecessária veracidade histórica, deixando de lado a verdadeira motivação do Doutor e sua “investigação”, que era a visita a Charles Preslin, um boticário e pesquisador/cientista da época.

O final do arco traz uma genuína surpresa: a chegada de Dodo Chaplet à TARDIS, por acidente. Embora tenha achado muito abrupta a aceitação da garota e o fato de ela não ter se espantado em nada com a TARDIS ser maior por dentro ou não fazer nenhum comentário espantoso sobre nada de dentro da nave, sua aparição trouxe um belo final para o plot. Steven, que havia ameaçado deixar o Doutor – há momentos em que eu gosto muito de Steven, mas ele consegue ser terrivelmente chato e certinho, o que torna insuportáveis alguns de seus julgamentos morais –, volta avisando que alguns policiais vinham em direção à cabine e eles se desmaterializam, já com Dodo dentro da nave.

Um destaque aqui vai para a reflexão do Time Lord, que relembra os companions que o deixaram (Susan, Ian, Barbara, Vicki) e lamenta a partida de Steven. Susan volta a ser relembrada logo em seguida, com o Doutor fazendo uma comparação física entre Dodo e ela.

Burocrático e desnecessariamente chateante, O Massacre da Noite de São Bartolomeu poderia ter ido por um outro caminho. Nem o Doutor interpretando dois papeis chama tanto a atenção do espectador assim, e isso se deve ao fato de que na tentativa de entender toda a complicada abordagem história que os roteiristas deram ao fato, acaba-se perdendo até o verdadeiro objetivo da série. O arco não chega a ser ruim, mas é sisudo e terrivelmente didático quando não era pra ser.

The Massacre of St Bartholomew’s Eve (Arco #22) – 3ª Temporada

Roteiro: John Lucarotti, Donald Tosh
Direção: Paddy Russell
Elenco principal: William Hartnell, Jackie Lane, Peter Purves, Eric Thompson, David Weston

Audiência média: 6,42 milhões

4 Episódios (exibidos entre 05 e 26 de fevereiro de 1966):

1. – War of God
2. – The Sea Beggar
3. – Priest of Death
4. – Bell of Doom

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.