Crítica | Doctor Who – Série Clássica: The Web Planet (Arco #13)

estrelas 1,5

Equipe: 1º Doutor, Ian, Barbara e Vicki
Espaço-tempo: Planeta Vortis, c. 20.000

O título deste texto deveria ser “Uma nota de pesar sobre o pior arco da 2ª Temporada de Doctor Who”, e se assim fosse, tudo já teria sido dito, cabendo a cada whovian comprovar por si mesmo o infindável desfile de bizarrices que estes seis episódios de The Web Planet representam.

O primeiro mal sinal surgiu no cliffhanger que se seguiu o término de Os Romanos. Para mim, foi o gancho de episódio mais confuso da série até o momento, mas como era apenas um cliffhanger, imaginei que as coisas nesse novo local de materialização da TARDIS seriam fantásticas. Meu otimismo ainda permaneceu no primeiro episódio. Não se tratava de algo brilhante, mas a caracterização do planeta, os mistérios insolúveis e a potente situação de ameaça me animaram.

Com efeito, The Web Planet, o episódio de abertura do arco homônimo, foi um evento no Reino Unido e mesmo para a história sessentista da série. Visto por 13,5 milhões de pessoas, o episódio carrega o título de maior público de um único capítulo de Doctor Who nos anos 1960. Mal sabiam os espectadores que as coisas começariam a desandar na semana seguinte, e já na terceira parte do arco, estaria despencando pelo abismo do nonsense.

A história inicial é repleta de possibilidades e promete trazer uma intricada sequência de acontecimentos. A TARDIS foi “puxada” para um planeta de nome Vortis e após se materializar, começa a apresentar um comportamento estranho. Barbara começa a agir sob uma força externa que a manipulava por seu bracelete de ouro, um presente recebido de Nero. Ian perde sua caneta de ouro e sente que está sendo observado por alguém ou alguma coisa. Uma grande pirâmide é encontrada por Ian e o Doutor, e por fim, a TARDIS desaparece. Ora, todo um grande mistério poderia facilmente ser desenvolvido a partir desses fatos e já teríamos uma curiosa história pela frente, mas Bill Strutton, o roteirista, resolveu manifestar sua loucura trazendo um sem-número de elementos para a trama e dando nós cada vez mais cegos no desenvolvimento da história.

Aparecem então os Zarbi (formigas e larvas). Descobrimos muito rapidamente que eles são influenciados por uma força que habita o centro do planeta, a força Animus. Até o fim do arco aparecem também os Menoptra e os Optera (borboletas e larvas), aliados dos viajantes da TARDIS. Com tantas criaturas, o roteiro caminha para uma tentativa de contextualizá-las satisfatoriamente, mas não é preciso muito para perceber que isso é terrivelmente difícil. As motivações de cada uma das criaturas (exceto os Zarbi, que são dominados pela força Animus) mostram-se diferentes, e para piorar, foram estabelecidas três frentes narrativas, a primeira, a resolução dos problemas no planeta Vortis; a segunda, os desdobramentos em torno da força Animus, e a terceira, como relacionar e finalizar a história junto ao pessoal da TARDIS.

Ainda mais disparatada foi a ideia de adicionar no roteiro uma mitologia para as criaturas e uma frente de guerra num planeta vizinho. Na tentativa de realizar uma história inteligente, Bill Strutton brinca de megalomania televisiva e estraga toda a diversão. Eu só terminei o arco porque precisava escrever sore ele, mas após o terceiro episódio estava completamente desmotivado para continuar assistindo.

Mas em relação a caracterização das criaturas, a história é outra. Os figurinos dos Menoptra e também a sua coreografia pessoal são excelentes. Apenas nos dois últimos episódios esses maneirismos se tornam estranhos, porque ultrapassam a linha do aceitável, bem como as situações de perigo que essas borboletas engraçadas se metem, tentando dominar os Zarbi. Os Optera também possuem um figurino e caraterização brilhantes, mas a coreografia pessoal é ridícula, porque acabam parecendo pulgões que hora andam, hora pulam. No caso dos Zarbi, as formigas são até aceitáveis, mas a larvas são péssimas, e o tenebroso barulho que eles produzem piora ainda mais a situação.

O desfecho dos acontecimentos consegue ultrapassar em estupidez o desenvolvimento da história. Todos os atores são diminuídos em seus trabalhos (inclusive Hartnell, o brilhante Doutor) em detrimento das criaturas. Ian e Barbara parecem outras pessoas ao término do último episódio, especialmente Ian, que geralmente é muito simpático e aqui parece um poço de apatia. Vicki tem o seu pior aproveitamento desde que apareceu e o Doutor termina a história de maneira vaga. Nem é preciso dizer que o arco termina sem cliffhanger. Definitivamente este é um capítulo da história clássica de Doctor Who que eu gostaria apagar por completo da minha memória. Nunca, em toda minha vida, eu desejei ter pelo menos um Silence perto de mim…

The Web Planet (Arco #13) – 2ª Temporada

Roteiro: Bill Strutton
Direção: Richard Martin
Elenco principal: William Hartnell, Jacqueline Hill, Maureen O’Brien, William Russell, Jocelyn Birdsall, Arthur Blake, Jolyon Booth, Roslyn de Winter, Arne Gordon, Martin Jarvis, Ian Thompson

Audiência média: 12,50 milhões.

6 Episódios (exibidos entre 13 de fevereiro e 20 de março de 1965)

1. – The Web Planet
2. – The Zarbi
3. – Escape to Danger
4. – Crater of Needles
5. – Invasion
6. – The Centre

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.