Editorial | Retrospectiva: O Plano Crítico em 2017

O Plano Crítico tem uma dívida. Ou várias, para dizer a verdade. E isso é difícil de admitir, ao mesmo tempo que é libertador.

Não contém spoilers, mas contém muito agradecimento a todos que importam.

I

A primeira delas é com nossos próprios redatores. Afinal, cada um de nós escreve para o site por prazer, para ter seus textos lidos por uma gama cada vez maior de leitores, para ter um espaço livre onde se expressar sobre suas paixões nas mais variadas artes, de filmes a quadrinhos, de séries de TV a literatura, de games a música e, também, claro, sob absolutamente qualquer coisa em nossas mais variadas colunas que abordam de nossa “capacidade” poética, passando por rabugices e reclamações e chegando até mesmo a um texto épico sobre um querido personagem de ópera espacial.

Como leitores mais atentos notarão, nem todos aqueles que estavam aqui no começo do ano continuam conosco. Faz parte do processo de crescimento. Afinal, nem todo quer criar conteúdo original denso e com constância tendo “só” elogios de leitores como “pagamento”. No entanto, da mesma forma que uns saíram, outros se juntaram a nós e outros ainda intensificaram seus esforços por acreditar no que temos aqui.

Aos que saíram, vão nossos desejos de que encontrem o que procuram. Aos que ficaram e aos que redobraram esforços, fica nosso profundo agradecimento. Aos que se juntaram agora – bem-vindos! ⁃ fica a esperança de que encontrarão o apoio que precisam por aqui.

II

Nossa outra dívida é com nossas famílias. Sim, escrever uma crítica responsável ou um artigo opinativo de conteúdo que possa ser visto como valioso por nossos leitores toma tempo. Tempo de pesquisa, tempo de análise, tempo para rever o objeto da crítica, tempo para redigir o material. E o tempo empregado no site é tempo subtraído do convívio familiar. O Plano Critico tem, na data de publicação do presente artigo, 7.722 publicações disponíveis, sendo que nenhuma delas – com exceção de listas de ganhadores de premiações importantes – é algum tipo de notícia crua. Nosso conteúdo é original e opinativo e assim queremos continuar produzindo. Fica, então, o agradecimento aos nossos familiares pela paciência em nós aguentar teclando feito loucos madrugada a dentro (e, por favor, parem de perguntar quantas estrelas damos a determinado filme, pois as estrelas são o de menos!).

Com 49 mil curtidas no Facebook, 3.227 seguidores no Twitter, 12.8 mil seguidores no Instagram e um total de 68.784 comentários em nossos artigos, o site vem crescendo mais do que satisfatoriamente. Na verdade, o eufemismo não cabe aqui. Satisfatório é pouco, muito pouco. Nosso crescimento é realmente surpreendente, muito superior ao que poderíamos imaginar quando inauguramos o que chamamos de “versão final” do site em 2013, depois que uma versão beta, digamos assim, foi ao ar como um pouco mais do que um blog um ano antes.

III

E é nesse ponto que a dívida que realmente importa vem à tona: aquela com vocês, nossos fiéis leitores. Sim, temos a mais plena consciência do nível de breguice que é fazer esse tipo de agradecimento, mas tenham uma coisa em mente: ele é sincero. Sem vocês, nosso trabalho diário – fazemos das tripas coração para entregar, no mínimo, quatro textos diários de conteúdo original – seria completamente em vão. Sem vocês, seria como jogar palavras ao vento, sem que elas ecoem ou ressonem em ninguém. Sem vocês, não teríamos qualquer razão para ter a quantidade de críticas que temos abrangendo tanto lançamentos esperados como obras obscuras das mais diversas artes. Sem vocês, basicamente o Plano Crítico não existiria.

Mas esse “vocês” não vem sem qualificação. Se temos orgulho de dizer que temos um site com conteúdo que é raro de se ver por aí – perdoem-nos a pouca modéstia -, temos mais orgulho ainda de bradar aos quatro ventos que temos um público leitor absolutamente inestimável. Cada crítica que fazemos é alvo de comentários inteligentes, às vezes até mesmo de fenomenais mini-críticas que nos dão visões que antes não tínhamos dessa ou aquela obra.

E os debates e conversas? Nossa, não temos palavras para agradecer as trocas que temos por aqui. E trocas de conteúdo, educadas e densas, mesmo na discordância extrema e inconciliável. Acho que não seria pouco dizer que este é o ponto alto de nosso trabalho aqui: atrair leitores do mais alto gabarito que vêm com suas opiniões e aceitam debater em um nível elevado de civilidade. Há exceções? Claro, mas isso faz parte do processo e nós mesmos por vezes nos “esquentamos” nas respostas. É nossa paixão, afinal de contas.

Assim, caríssimos leitores, é que gostaríamos de fechar o ano de 2017 com um baita de um agradecimento a cada um de vocês, tanto aqueles que participam praticamente diariamente, quanto aqueles que aparecem às vezes é também aqueles que ficam silenciosos, mas sempre nos prestigiando (sabemos que vocês estão por aí!). Fica um MUITO OBRIGADO de coração de cada um de nós aqui no Plano Crítico por esse presente – sim, presente! – que vocês nos dão.

IV

Mas nada disso importa se não cultivarmos o respeito que vocês, leitores, têm por nós. As memórias e a retrospectiva servem com auxiliares que acima de tudo nos ajudam a seguir em frente e perceber o quão incrível toda a nossa trajetória é. No meio de tantos Entenda Melhor (vale lembrar a vez que Luiz Santiago tentou explicar Twin Peaks, com críticas de todos os episódios de seu retorno, além de demais textos incríveis) e Fora de Plano (conseguimos desconstruir o pensamento de que assistir filme dublado é valorizar a língua portuguesa com esses argumentos), diversos projetos ambiciosos surgiram, atrelados ou não a novos lançamentos.

Mas mesmo que ir ao cinema já não seja a experiência mais agradável do mundo, os lançamentos mais aguardados de 2017 foram todos criticados por nossos excelentes redatores, que se esforçaram ao máximo para entregar todos os textos na data combinada. E toda essa loucura frenética começa logo em janeiro na estreia das obras cotadas ao Oscar. De Estrelas Além do Tempo a Até o Último Homem, fomos precisos em entregar para vocês todos os indicados a 88ª edição da cerimônia de cinema mais aguardada para todas, como pode ser conferido aqui. Um parênteses mais do que merecido a maior e mais desagradável gafe da história da apresentação e ao excelente vencedor – o de verdade, pelo menos – Moonlight: Sob a Luz do Luar.

2017 também foi um ano de despedidas. No âmbito da ficção, Peter Capaldi deixou o seriado Doctor Who em um especial de Natal. Doctor Who, aliás, é o nosso especial mais incrível – palavras de Luiz Santiago – e merece ser conferido novamente clicando aqui. Por outro lado, na dura e finita realidade, como não se lembrar da carta de amor à vida e à carreira de Harry Dean Stanton? Ou não se emocionar ainda mais com O Homem Elefante, agora que John Hurt, o eterno Olivaras, nos deixou? Por falar nessa obra excepcional de David Lynch, o Plano Crítico tem o orgulho de anunciar que toda a sua filmografia fora completa. Aos poucos, nada sobrará para aquele que é o nosso maior orgulho, a extensa coleção de textos que temos no Catálogos. Se bem que estamos precisando de um especial para o magnífico Steven Spielberg, não é verdade? 2018 promete ser ainda mais grandioso, ainda mais porque finalmente completaremos os especiais do Ingmar Bergman e do Michelangelo Antonioni. Mas, ter que dizer adeus para as incríveis atuações de Daniel Day Lewis, também revisitado por nós em toda a sua belíssima filmografia, nunca será fácil.

Para deixar toda essa barra menos pesada, nunca é tarde para nos deliciarmos com as provações de Robin Williams em Amor Além da Vida ou as conquistas de uma professora em Escritores da Liberdade. Sim, temos muita coisa boa nesse mundo e sem sombra de dúvidas uma dessas coisas é a música e o poder que musicais têm em nos alegrar. La La Land, apesar da derrota no Oscar, foi um brinde aos tolos que ousam sonhar e deu margem para cobrirmos grandes obras do cinema como Grease: Nos Tempos da Brilhantina e Cantando na Chuva. Por falar em edificação, o Plano Natalino de 2018 trouxe A Felicidade Não Se Compra para o Plano Crítico e não poderíamos estar mais chorosos diante da lembrança provida pelo texto de Leonardo Campos. Um agradecimento importantíssimo, no caso, à esperança e todas as coisas boas no mundo que há de triunfar perante o mal. Afinal, como aponta o texto brilhante de Marcelo SobrinhoA Vida é Bela.

O ano do Plano Crítico, assim sendo, não seria nada sem o calendário de lançamentos cinematográficos que foi 2017. E que ano vivenciamos meus amigos! Apesar de não terem sido sucessos estrondosos de bilheteria, Blade Runner 2049 e Planeta dos Macacos: A Guerra (que inclusive é uma franquia bem explorada por nossos redatores, de acordo com esse link aqui) nos entregaram ficções científicas excepcionais. Christopher Nolan, por outro lado, investiu pesado no cinema de guerra, e, assim como fomos todos agraciados com Dunkirk, agraciamos vocês com um ranking desse diretor famoso pelo amor que seus fãs nutrem por ele. Outrossim, nos catálogos tivemos o prazer de envolver nossos leitores com textos de filmes como Platoon e Apocalipse Now, duas das maiores sobre o Vietnã. No meio de tantas explosões e descrença, as mulheres ganharam seu espaço com textos sobre os filmes de Sofia Coppola, anterior a O Estranho Que Nós Amamos, e Kathryn Bigelow, anterior a Detroit em Rebelião. Que elas façam ainda mais sucesso e ganhem o prestígio que merecem por completo como iguais em 2018!

Outro diretor que recebeu um especial merecido foi Darren Aronofsky, que dividiu crítica e público com o perturbador Mãe!, um filme difícil de digerir, mas impossível recebe-lo com indiferença. Divisivo também foi Star Wars: Os Últimos Jedi, que conseguiu o amor da crítica, mas o ódio do público. Até rendeu um Fora de Plano sobre a jornada de Luke Skywalker, feito pelo sempre sensacional Anthonio Delbon, um dos comandantes à frente de nossa sessão de Literatura. Na contramão do trabalho de Aronofsky, Edgar Wright foi unânime ao transformar Em Ritmo de Fuga no longa mais estiloso do ano.

Mas se há alguém que recebeu um merecido destaque em 2017 essa pessoa foi Stephen King. Quatro filmes baseados na obra de King foram lançados e todos receberam crítica de nossa equipe, seja o excelente It – A Coisa (que só não é o melhor filme de palhaço do ano por causa do sensacional Bingo: O Rei das Manhãs) ou o fraquíssimo A Torre Negra, que não honra em nada o universo criado nos livros. Porém, não nos contentamos apenas com os lançamentos. Nossa admiração pelo escritor e a vontade de entregar um material de qualidade para os leitores é tanta que fizemos um especial com todos os filmes inspirados na obra de King, desde os famosos O Iluminado e Carrie – A Estranha, até os desconhecidos Voo Noturno e Trocas Macabras. Ademais, também trouxemos várias críticas de livros de King, como o conhecido O Nevoeiro, ou o perturbador e pouco falado Charlie the Choo-Choo.

Das quatro estreias baseadas nos livros do King, duas foram produzidas pela Netflix. Tratam-se dos satisfatórios 1922 e Jogo Perigoso, que por mais que não sejam obras marcantes, honram o trabalho do autor. Falando em Netflix, e o serviço de streaming se consolidou em 2017 como produtor de conteúdo. Para os fãs da Marvel, tivemos Defensores e O Justiceiro. Ambas não tão boas quanto poderiam ter sido. Aos admiradores de conteúdos mais autênticos, foram lançados o excepcionais OkjaAmerican Vandal. Além disso, tivemos uma das estreias mais esperadas do ano, a segunda temporada de Stranger Things, e fomos surpreendidos por 13 Reasons Why, que surgiu sem muito alarde, mas trouxe vários debates sobre temas importantes, como depressão e suicídio. Fora tudo isso, dos destaques pessoais de nossos amigos redatores, Fernando Campos gostaria de se lembrar do seu texto de A Última Tentação de Cristo.

Mas o Plano Crítico não é feito apenas de textos de filmes e séries de TV (mas por falar em série de TV, vocês acompanharam as críticas de todos os episódios lançados esse ano de The Walking Dead e Game of Thrones?). Nos quadrinhos, por exemplo, cobrimos muito material relacionado ao Homem-Aranha (vale a pena destacar os ótimos compilados do Amigão da Vizinhança feitos pelo Gabriel Carvalho) e a Liga da Justiça. Dois especiais completos para vocês. Nem mesmo Mark Millar ficou de fora, com o Millarworld parecendo bem mais pequeno do que é. Em outro plano, Handerson Ornelas trouxe muita música para nós e se a gente queria dançar ele conseguiu fazer isso com os leitores no texto fenomenal de “Villains”, do Queens of The Stone Age. E o que dizer dessa revisitação a toda a discografia da princesinha do Pop, Britney Spears? Mandou muito bem, Leonardo Campos.

Para finalizar, não podemos esquecer dos super-heróis, importantíssimos para nós, tendo em vista o quanto amamos, assim como vocês, esses personagens. Tanto pela Marvel quanto pela DC tivemos críticas, com spoilers e sem spoilers, dos lançamentos de 2017. Thor Ragnarok veio acompanhado de textos maravilhosos dos quadrinhos do herói, alguns feitos pelo nosso Giba Hoffman, e Mulher-Maravilha teve a honra de ser precedida por um especial completo no Plano Crítico. Nesse meio tempo aliás demos adeus ao Logan de Hugh Jackman. Mais uma despedida, mesmo que seja no âmbito ficcional. O mais incrível de tudo, entretanto, foi esse índice do Universo Cinematográfico DC, com texto para tudo. Ritter Fan disse que ainda não se recuperou diante do fato de ter assistido a Supergirl e olha que não estamos falando da série de TV, e sim dessa obra-prima. Com a morte de Adam West, porém, nunca é tarde para nós apreciarmos aquele Batman mágico dos anos 60. Santo agradecimento, Batman!

A retrospectiva de 2017 enfim se encerra com um memorando do quanto vocês, leitores, foram incríveis, participando de nossos textos com um entusiasmo infinito. As críticas de Agents of S.H.I.E.L.D. e The Flash não seriam as mesmas sem a presença de vocês. No meio de tanta gratidão, cedo um espaço para lembarmos-nos do especial do diretor Terrence Malick, no qual Rafael Oliveira se esforçou demasiadamente, tornando-o realidade definitiva para todos nós. Antigo da casa, Rafael retornou em definitivo para nós e ainda prestou homenagem ao aniversário de Titanic, além de encabeçar outro especial, o do M. Night Shyamalan, anterior ao lançamento de Fragmentado. Com esse memorando do que aconteceu, toda a equipe do Plano Crítico fica ainda mais empolgada de fazer um 2018 tão incrível quanto 2017 e contamos, portanto, com os vossos apoios nos universos, galáxias e mares que desbravaremos juntos. Novamente, um MUITO OBRIGADO a todos.

V

Encerrando um ano com as promessas que fazemos a vocês e relembrando nossas conquistas, esperamos que nossas dívidas tenham sido pagas e que vocês, assim como nós, estejam orgulhosos de participarem de um projeto tão legal quanto o Plano Crítico.

Boas Festas e um Feliz 2018 para vocês e suas respectivas famílias e que possamos continuar nesse processo simbiótico por anos a fio. Obrigado e obrigado!

⁃ Ritter Fan, Luiz Santiago e Equipe do Plano Crítico

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.