Crítica | Thor: Deus do Trovão #2 a 5 – Marvel NOW!

primeiro número de Thor: Deus do Trovão, no projeto Marvel NOW!, apresentou uma nova e genial linha narrativa para o filho de Odin: mostrava um Thor jovem em 893 d.C, o Thor atual e um Thor milhares de anos no futuro enfrentando Gorr, um serial-killer de imortais. A oportunidade de se mostrar, ao mesmo tempo, três Thors em diferentes graus de amadurecimento me fisgou na hora. Vemos o Thor jovem atuando de maneira irresponsável, como se não houvesse o amanhã. O Thor atual todos nós conhecemos: heroico e nobre. O Thor do futuro, barbado como Odin, sem um olho e sem um braço (em um toque bacana, vemos o braço mágico/cibernético do Destruidor encaixando-se no braço de Thor), sente-se cansado e derrotado, querendo mesmo morrer.

thor issue 2

O segundo número do arco muito apropriadamente intitulado The God Butcher (algo como O Assassino de Deuses) foca quase que exclusivamente em Thor jovem, durante sua primeira batalha com Gorr. O ataque é violento e Thor confia que ganhará a luta facilmente. Mas Gorr demonstra ser um ser muito mais poderoso que imaginado e a maré logo muda. A caracterização do Thor de cabeça quente por Jason Aaron é perfeita. Ainda sem seu fiel martelo Mjölnir, Thor bate antes e pergunta depois, sem, na verdade, querer receber resposta. Ele adora ser venerado pelos vikings e vive na esbórnia. O quadro pintado por Aaron é negro, com um final desesperançoso.

THOR issue 3

No terceiro número, o Thor do presente vai visitar a Cidade da Omnipotência, construída há 12 bilhões de anos pelos primeiros deuses, para pesquisar sobre deuses que tenha desaparecido. O que ele encontra o estarrece: há um hall inteiro na gigantesca biblioteca dedicado a esse tema. Preocupado, o deus então passa a ler sobre diversos desaparecimentos de seus irmãos e vai a cada um dos lugares sagrados onde eles deveriam viver somente para encontrá-los mortinhos da silva. Essa chacina de deuses deve causar estranhamento a qualquer um que leia a narrativa de Aaron. Afinal de contas, não seriam os deuses imortais? Como é que Gorr, então, consegue matá-los? Mas essa dúvida paira apenas por um momento em nossa cabeça, já que lembramos que, no mínimo, os deuses envelhecem e, se envelhecem, provavelmente também podem morrer. Como Gorr faz isso são outros quinhentos, mas Aaron não tem pressa de chegar nesse ponto. Muito ao contrário, aliás. Ele vai, aos poucos, desvelando um processo investigativo interessante, extremamente expansivo e bem convincente ou, pelo menos, dentro da lógica que sustenta a existência de um deus asgardiano.

Mas então, Jason Aaron escorrega e quase me faz perder o interesse por sua criação. Querendo achar uma caverna onde há centenas de anos lutou contra Gorr, Thor pede ajuda ao Homem de Ferro. Não é que eu não goste do Vingador Dourado, mas sua presença em um épico dessa natureza funciona quase como uma maneira de se quebrar a suspensão da descrença e retirar o leitor da narrativa. Ainda que estejamos lidando com o Thor atual, que é um Vingador e, portanto, tem seus colegas para pedir ajuda, essa muleta era desnecessária. O deus nórdico poderia muito bem ter simplesmente se lembrado onde era a caverna de forma que a presença de Tony Stark se tornasse completamente desnecessária. Só que o Homem de Ferro, da mesma forma que aparece, desaparece completamente desse primeiro arco, o que é uma excelente notícia.

Thor issue 4

No quarto número, a história começa com o Thor do futuro, cansado de lutar sozinho por Asgard (ele é o último deus vivo), se entregando para a morte em uma batalha contra os monstros que auxiliam Gorr. No entanto, ele descobre que a coisa não será tão simples: Gorr não quer sua morte e sim que ele viva sofrendo. Corta então para o Thor atual, na caverna em que ele lutou pela primeira vez com Gorr, encontrando-se com Shadrak, um deus que lá se esconde do assassino, depois de ter tido suas pálpebras cortadas para ser obrigado a ver todo o seu panteão ser chacinado. Shadrak conta que, na verdade, Thor foi o responsável pela determinação de Gorr em acabar com todos os deuses e os dois, então, retornam para a Cidade da Omnipotência para pesquisar mais. A ação passa a se dividir entre os dias de hoje na cidade divina e no passado, com Thor jovem sendo torturado por Gorr na fatídica caverna, apenas para acabar no futuro, em um excitante cliffhanger.

Thor issue 5

Se há um defeito no arco The God Butcher é que seu quinto número não acabar com a história. O final surpresa do número anterior é explicado e resolvido e já assinala uma possível resolução para todos os problemas se o leitor prestar atenção. No entanto, não aprendemos muito mais sobre Gorr do que já sabíamos. Nas últimas páginas, no futuro, vemos que os planos de Gorr talvez sejam muito mais complexos do que simplesmente matar todos os deuses e nós ficamos livres para conjecturar, já que o final é completamente aberto, com a promessa de que, no próximo número, aprenderemos sobre a origem do monstro assassino.

A dinâmica da narrativa de Jason Aaron, mesmo com seus tropeços, como a inclusão do Homem de Ferro, funciona muito bem. Ele tem um vasto material para trabalhar e introduz um vilão intrigante que, se tem um defeito, talvez seja conseguir matar muito facilmente os deuses. Mas talvez até isso tenha uma explicação razoável.

De toda forma, porém, acompanhando o texto, temos a belíssima arte de Esad Ribic que consegue não só criar três Thors distintos como, também, mostrar Gorr de maneira diferente nas três linhas temporais. Além disso, seus traços variam levemente de uma época para a outra, sempre deixado claro onde estamos, mesmo que não olhemos para Thor. Sua imaginação para criar deuses distintos também parece não ter fim, ainda que todos sejam humanóides, o que é improvável, mas que facilita nossa identificação. Seu pincel parece criar verdadeiras obra de arte a cada página. Ele não ousa muito na estrutura de quadros, nem faz uso de splash pages, mas o detalhe de cada guerreiro viking está lá, assim como paisagens estranhamente bonitas.

Mal posso esperar pelo próximo número!

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.