Entenda Melhor | A Cena Pós-Créditos de Thor 2

*Se não ficou claro pelo título, o artigo que segue é cheio de SPOILERS dos filmes da Marvel em geral e em especial da cena pós-créditos de Thor 2. Leiam por sua conta e risco!

Atualização: se quiserem saber detalhes dos easter eggs e cenas pós-créditos de Capitão América 2: O Soldado Invernal, cliquem aqui.

O projeto cinematográfico da Marvel vem se utilizando do artifício das cenas pós-créditos para trazer coesão a seu universo em filme. Tem sido assim desde Homem de Ferro, em 2008 (em que a famosa cena com Tony Stark sendo informado da iniciativa “Vingadores” por um Nick Fury nas sombras enlouqueceu o mundo), passando por diversas outras de grande importância e culminando com a breve aparição de Thanos no final de Os Vingadores.

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Thanos na cena pós-créditos de Os Vingadores

No entanto, com a crescente confiança do estúdio em seus produtos, as cenas têm indubitavelmente se tornado mais herméticas e compreensíveis apenas por quem acompanha os quadrinhos. Antes do aparecimento de Thanos, as cenas eram, todas elas, mais palatáveis e com o objetivo de ligar uma narrativa à outra (era o martelo de Thor em uma cena, a possessão do Dr. Erik Selvig por Loki em outra). Thanos foi a primeira cena em que os que não eram versados nos quadrinhos se entreolharam e perguntaram coletivamente “quem raios é esse cara?”. Com o bafafá internético sobre o assunto, hoje todo mundo mais ou menos sabe que Thanos é um dos grande vilões dos quadrinhos Marvel e que sua presença – direta ou não – será sentida durante a chamada Fase 2 do projeto cinematográfico Marvel, que é a que estamos vivendo agora e que começou com Homem de Ferro 3.

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Thanos e a Manopla do Infinito – reparem as joias coloridas!

Só que no terceiro Homem de Ferro, a cena pós créditos – uma das melhores de todos os  filmes da Marvel (sim, é uma das melhores mesmo, galera!) – não tem nenhuma relação com arcos maiores e apenas serve de encapsulamento para o próprio filme. Acontece que, em Thor 2, o que a Marvel fez foi jogar algo cujas implicações são absolutamente ininteligíveis para quem nunca leu os quadrinhos. Arriscaria dizer que mesmo os leitores esporádicos ficaram com dúvidas e tiveram que “dar uma pesquisa” nos alfarrábios da rede.

Para quem não se lembra, vale recapitular a cena objeto desse artigo, que não é a lá do finalzinhho, mas sim a que fica no meio dos créditos (a final é completamente irrelevante para fins de continuidade): Lady Sif (Jaimie Alexander) e Volstagg (Ray Stevenson), parceiros de Thor, vão até um lugar onde vemos diversos displays transparentes com objetos e seres vivos e entregam para um homem de cabelos brancos que mais parece um cafetão, o tal Éter, a arma destruidora de universos que Malekith (Christopher Eccleston) tenta usar em seu plano. O fulano, vivido por um quase irreconhecível Benicio del Toro, é o vilão chamado de O Colecionador (The Collector, no original). Sif e Volstagg explicam que estão entregando o Éter a ele, pois Odin assim pediu, já que não é bom deixar duas Joias do Infinito (Infinity Stones ou Gems) em um lugar só, uma vez que o Tesseract está em Asgard. A cena termina com o Colecionador dizendo sinistramente que “já tenho uma, faltam cinco”. Essa curta sequência é cheia de implicações para o futuro Marvel no cinema e, assim, fiz um FAQ bem breve para esclarecer tudinho:

(1) Mas quem diabos é O Colecionador?

benicio the collector

Cara de um, focinho do outro…

Nos quadrinhos (vide foto acima e a que abre esse artigo), o Colecionador é um vilão de média importância que tem como hábito, obviamente, colecionar coisas e pessoas. Sem entrar em muitos detalhes para não fazer os olhos de quem não gosta de quadrinhos revirarem, ele é um alienígena milenar, parte dos Elders of the Universe e de enorme poder. Suas razões para colecionar coisas e pessoas oscilam entre a obsessão e o altruísmo, mas fica evidente que o Colecionador, no cinema, será alguém que age por pura vilania. Afinal, ninguém se vestiria daquela maneira se não fosse para ser vilão, não é mesmo?

É interessante saber que, mesmo nos quadrinhos, o Colecionador foi efetivamente um dos donos de uma Joia do Infinito, mas sem saber de seu poder, até que Thanos a toma dele para seus propósitos extremamente maléficos. Assim, a amarração entre narrativas já começa a ficar clara.

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Benicio del Toro como O Cafetão, digo O Colecionador

É também importante entender que O Colecionador será um personagem chave no vindouro Guardiões da Galáxia, filme de um super-grupo espacial formado por um humano, dois assassinos verdes, uma árvore antropomórfica membro da realeza de seu planeta e um guaxinim falante (sim, é isso mesmo que você acabou de ler, mas confie em mim quando eu digo que o potencial desse filme é grande!) que será lançado em agosto de 2014. É provável que outra Joia do Infinto (são seis no total como del Toro deixa claro na cena que descrevi) faça parte da trama, no mínimo como um MacGuffin.

(2) Tá bom, entendi, mas você só fala das Joias do Infinito sem explicar o que são! Explica logo!

Ok, as Joias do Infinito – às vezes chamadas de Pedras ou Gemas do Infinito e até de Gemas da Alma (Soul Gems era o nome original) – são literalmente pedras coloridas, cada uma com um enorme poder primordial do universo. São elas as joias do Espaço (púrpura), Mente (azul), Alma (verde), Realidade (amarelo), Tempo (laranja) e Poder (vermelho). Nos quadrinhos, uma sétima joia acabou sendo adicionada mais tarde (Ego, na cor dourada, mas ela, provavelmente, não será levada em consideração nos filmes, já que há menção expressa a seis joias).

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Bonitinhas, mas nada ordinárias!

Apesar de elas serem originalmente joias mesmo, no universo cinematográfico Marvel elas aparentemente serão objetos muito poderosos, chamadas de joias ou pedras (ou gemas) apenas por conveniência narrativa. A primeira delas foi apresentada em Capitão América: O Primeiro Vingador, e era o objeto de desejo do Caveira Vermelha. É o Cubo Cósmico, chamado de Tesseract, no filme. Sua cor azul dá a entender que seria a pedra da Mente, mas isso não está claro e pouco deve interessar, creio eu. Basta saber que o objeto é tremendamente poderoso e ponto final. Como todo mundo percebeu, das mãos do Caveira, o Tesseract passa para Loki que o usa para abrir um buraco dimensional em Os Vingadores pelo qual passa o exército extraterrestre de Thanos.  Ao final, o Tesseract é levado para Asgard e isso é reiterado em Thor 2.

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O Cubo Mágico…

Em Thor 2, somos apresentados ao todo poderoso Éter, na cor vermelha, arma do juízo final de Malekith e a que Sif e Volstagg se referem como sendo outra joia do infinito. Ou seja, já sabemos onde duas das seis joias se encontram.

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Gosma vermelha super-poderosa.

A reunião de todas elas na Manopla do Infinito, objeto já mostrado de relance na sala de tesouros de Asgard no primeiro Thor, dá ao seu detentor o controle do Universo, algo que Thanos almeja conseguir (quem não gostaria, não é?). Isso, porém, conforme já foi revelado aqui e ali, só deve acontecer na Fase 3 do projeto cinematográfico da Marvel, ou seja, depois de Os Vingadores 2 – A Era de Ultron, que será lançado em 2015. Ou seja, há muito chão para percorrermos ainda, o que faz sentido considerando a envergadura de um vilão como Thanos que, nos quadrinhos, já dizimou bilhões de seres vivos para literalmente dar de presente suas respectivas almas para sua amante, ninguém menos do que a própria Morte (pois é, o cara não é mole não…).

The Infinity Gauntlet 3

Manopla (nome bonito para luva) do Infinito que aparece de relance no primeiro Thor.

(3) Mas então quer dizer que Thanos não volta tão cedo? Achei o queixudo roxo tão charmoso!

Em tese, não. Mas sua presença será sentida em Guardiões da Galáxia com certeza e talvez em Capitão América 2, ambos grandes lançamentos da Marvel para o ano que vem. Em Guardiões, podemos esperar uma presença mais constante do Colecionador e das Joias do Infinito, essas últimas nem que sejam menções. Mas a expectativa é que outra arma superpoderosa apareça e seja considerada a terceira joia. Não há, porém, muitos detalhes ainda.

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Não, Ronan não é de Pandora…

Imagina-se, por exemplo, que o vilão principal de Guardiões da Galáxia, Ronan, O Acusador, vivido por Lee Pace, queira recolher mais joias a mando de Thanos e os Guardiões tentarão impedir (antes que os fanboys mandem feitiços do Olho de Agamoto na minha direção, sei que nos quadrinhos Ronan não tem ligação com Thanos, mas parece que, no filme em questão, eles serão próximos). Como o filme já foi descrito como o Star Wars da Marvel, então poderemos esperar muitas situações intergalácticas sem regras preestabelecidas, o que aumentará a liberdade do diretor e roteirista James Gunn, tornando mais fácil aceitarmos coisas descoladas da realidade e bem sci-fi/fantasia.

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Os Guardiões em arte do filme. Vai dizer que não são bacanas!

Acharam confuso ou agora conseguiram entender melhor a importância dessa cena para os filmes da Marvel?

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.