Entenda Melhor | A Torre Negra: O Trailer em Detalhes

A Torre Negra é o nome “guarda-chuva” de uma série de sete romances épicos de fantasia escritos por Stephen King entre 1982 (na verdade, o primeiro volume saiu em capítulos, ainda na década de 70) e 2004 baseado originalmente no poema Childe Roland à Torre Negra Chegou, de Robert Browning e fortemente galgado em obras clássicas de fantasia, notadamente no legado de J.R.R. Tolkien e nas lendas arturianas, além de faroestes. Em 2012, King lançou um 8º romance, que, cronologicamente, se passa entre os volumes quatro e cinco e a série conta, ainda com um conto.

Em linhas gerais, a saga acompanha o Pistoleiro Roland Deschain em um mundo fictício, que deseja chegar à misteriosa Torre Negra. Ao longo de seu tortuoso caminho e por intermédio de estranhas portas, ele passa a ser acompanhado em sua jornada por um grupo de pessoas de diferentes épocas vindas de nossa realidade. A obra referencia e é referenciada em diversos outros livros de Stephen King, de certa forma costurando e dando forma a um universo compartilhado.

A produção cinematográfica da obra sempre foi uma desejo de diversas produtoras e, depois de muitos atrasos e falsos começos, ela finalmente acontecerá, chegando às telonas do Brasil em 27 de julho de 2017, dirigido por Nikolaj Arcel, tendo Idris Elba como o Pistoleiro,  Matthew McConaughey como o Homem de Preto e Tom Taylor como Jake Chambers. Como fazemos com todos os grandes lançamentos, analisamos o trailer recém-lançado, mas é importante que os leitores tenham algo em mente: usamos conhecimento dos livros para fazer especulações, pelo que haverá comentários que poderão ser considerados spoilers aos olhos dos mais puristas. Tomamos o cuidado de não fazer grandes revelações, mas, caso o leitor queira ir completamente virgem ao cinema (o que, hoje em dia, é bem complicado), é melhor pular este artigo.

Vamos conferir o trailer novamente?

Agora vamos lá para a análise!

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Logo de cara, o trailer começa no Mundo Médio (não, não é coincidência alguma esse nome, bem parecido com a Terra Média, de Tolkien), em que vemos uma espécie de fortaleza à direita e uma cidade ou vilarejo à esquerda. Para quem conhece os livros, já fica mais do que evidente que a escolha do roteiro de Akiva Goldsman, Jeff Pinkner, Anders Thomas Jensen e Nikolaj Arcel é beber de  uma fonte maior, provavelmente um pouquinho de cada volume, sem contar uma história só por filme. Afinal de contas, o primeiro livro – O Pistoleiro – tem uma história cheia de mistérios, mas muito objetiva em que vemos o Pistoleiro perseguir o Homem de Preto e, no processo, conhecer Jake Chambers. O escopo é maior aqui, valendo lembrar que este filme é, apenas, o primeiro de um projeto de vários filmes e séries de TV complementares.

Que lugar é esse? Bem, pode ser Tull, a cidadezinha que vemos no primeiro livro, ainda que ela fique no meio do deserto e não se pareça muito com o que vemos nesse quadro. Mas pode ser Algul Siento, importante localização que aparece mais para o final da saga literária. Mas nada impede que seja também um vilarejo do grupo religioso Manni que aparece nos Livros 5 e 6. Acho pouco provável que seja Gilead, o reino natal de Roland Deschain, que pode parecer um pistoleiro, mas é uma espécie de príncipe, na verdade, o último da linhagem de Arthur Eld (basicamente o Rei Arthur do Mundo Médio).

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E aqui está o Pistoleiro em si. Roland Deschain em toda sua glória, paramentando exatamente como deveria estar, só faltando um chapéu de cowboy. Só pela narração de Elba, que menciona “milhares de gerações”, já podemos perceber a antiguidade da missão de Roland e o peso da história pregressa por trás de tudo.

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E, quando a palavra “trevas” é dita, Matthew McConaughey aparece como o Homem de Preto (ele tem vários outros nomes, mas não vou enumerá-los aqui). Muita gente reclamou da escalação de Idris Elba como o Pistoleiro – a maioria sem razão, mas vários argumentando que isso poderia afetar a linha narrativa de um dos companheiros do Pistoleiro, uma mulher negra cuja história de preconceito é abordada nos romances -, mas quem eu acho realmente estranho é McConaughey como o principal vilão desse filme. Mas não porque ele não é um grande ator, por ele o é. A questão, aqui, é como o Homem de Preto é um personagem ameaçador nos livros justamente pelo que ele não faz. Aqui, certamente por exigência de um confronto mais claro para fins da adaptação, já notamos um Homem de Preto um tanto mais histriônico e presente.

Mas um aspecto o leitor que não conhece os livros precisa saber: ele é a quintessência do vilão de Stephen King. Ele aparece em outros romances do autor e é mencionado em tantos outros. Como mencionei logo no começo, há um “Kingverse” tendo a saga A Torre Negra como elemento de união.

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O Pistoleiro fazendo o que ele faz melhor: atirando com suas duas pistolas. E esse bicho aí não vai gostar muito de receber as balas enviadas na direção dele. Que bicho é esse? Muito sinceramente, pode ser qualquer coisa, inclusive o Demônio do Portal, ainda que Akiva Goldsman tenha dito algumas vezes que criou vários monstros para o filme que não necessariamente existem nos livros.

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No entanto, antes que consigamos entender algo, o trailer nos mostra Jake Chambers acordando assustando por causa de um terremoto. Mas ele não está no Mundo Médio e sim no mundo normal mesmo, mais especificamente Nova York. Como assim terremotos em Nova York? Simples (ou complicado): esses tremores só são sentidos por Jake, como reflexos das tentativas constantes dos vilões em derrubar a Torre Negra no Mundo Médio. Nós chegaremos lá mais para a frente, mas, quando a torre aparece no trailer, reparem nos “raios” que saem dela. O objetivo dos vilões é justamente derrubar um de cada vez e a cada um que cai, um tremor acontece. O que é a Torre Negra? Bem, digamos que seja uma espécie de nexo de realidade, que reúne todo o multiverso junto.

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Jake, vocês já repararam, não é um garoto “normal”. Ele vai ao psicólogo para tratar de “visões” que ele tem de uma torre, o Homem de Preto e o Pistoleiro, algo que ele transpõe para desenhos.

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Esse frame, para mim, representa a primeira frase do primeiro livro da série: “O Homem de Preto fugia pelo deserto e o Pistoleiro ia atrás”. Se não for isso, ficarei triste, muito triste, pois não tem nada mais icônico na literatura fantástica moderna do que esse começo simples, mas cheio de significado.

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Essa parede de desenhos de Jake é uma tomada mais distante da mesma imagem mais acima. Reparem, à direita, a torre quebrando e, à esquerda em cima, o que parece ser um dos portais que permitem o transporte entre o Mundo Médio e Nova York.

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Reconhecem a imagem na foto? Pensem aí com calma…

Vou dar uma pista: durante o inverno, o lugar fecha e só o zelador e sua família ficam por lá…

Sim, é o Hotel Overlook de O Iluminado! Outra obra de King. Não disse que tudo está conectado?

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Esse simpático casarão é a cada em Dutch Hill, que só aparece na saga no terceiro livro, As Terras Devastadas. Mais uma clara indicação de que o filme é uma amálgama que toma elementos emprestados de diversos volumes. O que é essa casa? Bem, na saga, trata-se de um lugar onde Jake precisa ir para, bem, passar em um teste. No filme, ela parece ter outra função…

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E essa função parece ser a de portal dimensional que leva Jake para…

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o Mundo Médio, ainda que, no livro, esse momento aconteça de forma completamente diferente (mas é uma adaptação, eu sei!).  Eu só queria saber se não haverá portas de verdade no filme, pois é assim que os portais se materializam nos livros, dando uma pegada old school à narrativa. Aqui, parece algo saído de Doctor Who

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E Jake e Roland se encontram pela primeira vez, iniciando a formação do que chama ka-tet, um grupo ligado pelo mesmo ka, ou objetivo, ou força vital, classifiquem como quiserem. Assim como na saga, o primeiro membro é mesmo Jake que Rolando encontra substancialmente da forma como vimos no trailer.

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Ser um Pistoleiro no Mundo Médio não é só empunhar uma pistola e sair atirando. Há uma arte milenar que Roland aprende a duras penas desde muito jovem. Portanto, ainda que o personagem, no livro, tenha sido moldado de forma a parecer Clint Eastwood, as habilidades de um Pistoleiro – Roland é o último no Mundo Médio – vão muito além das que os personagens de Eastwood somados e multiplicados por 10 jamais chegaram a ter. Daí esse fantástico cinto carregado de balas já dentro de tambores.

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Momento típico de A Sociedade do Anel, não? Afinal, como disse, Tolkien foi mesmo a fonte inspiradora de A Torre Negra. Esses dois aí e os outros dois (três se contarmos não-humanos) que devem aparecer em futuros filmes e série andarão pacas…

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A Torre Negra sendo destruída, provavelmente em uma visão de Roland ou de Jake.

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Uma explicação bem didática da função da Torre: ela protege os mundos dos dois personagens e, se ela cair, o inferno se seguirá. Pesado, hein?

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De novo a Torre se despedaçando… Ok, já entendemos gente, vamos seguir em frente? Ah, mas espera aí: repararam nos raios que saem da Torre Negra? São esses aí que eu mencionei mais acima que os vilões derrubam um a um, gerando os tais terremotos.

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Nos livros, há lugares em que as realidades quase se tocam, sendo separadas por uma espécie de camada fina. Não é dessa cor, mas pode ser que esse seja um desses lugares que são perigosos, pois funcionam como canto da sereia, atraindo pessoas para armadilhas. A cor deve ter alguma relação com o Rei Rubro, que é mencionado mais adiante no trailer.

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O Homem de Preto achando que é John Wayne ao final de Rastros de Ódio

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E agora é ele de novo achando que é Blondie em Três Homens em Conflito

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Enquanto o vilão só fica fazendo poses de poderoso, de quem está por cima da cocada preta, o Pistoleiro e Jake só encontram problemas. Há um quê de Luther nessa imagem, com Elba cabisbaixo, mas certo do que precisa fazer que sai de baixo…

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Mais bicho feio, mas esses aí podem ser os Taheen, seres que podem assumir diversas formas e que funcionam como minions do Homem de Preto. Ainda que eles, nos livros, tenha cabeças de animais, creio que a adaptação, aqui, torne as coisas mais palatáveis, pois acreditem: as criações de King são estranhas demais… No entanto, confesso que logo de cara achei que eram os Tusken Raiders, mas aí percebi que estava na franquia errada.

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A morte sempre vence… É, não deixa de ser verdade…

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Um vilarejo sendo atacado pelas criaturas que mencionei assim, que podem ser os Taheen. A vila pode ser dos Manni,que também abordei acima, mas realmente pode ser qualquer lugar.

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Reparem bem aqui: uma torre medieval? Não, não. É um prédio tomado pela natureza… Hummm, o que isso pode significar, hein?

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Mais uma referência a uma obra de Stephen King. Repararam no braço enterrado segurando balões e o letreiro onde se pode ler Pennywise? Sim, acertaram, é de It, a Coisa. Digo e repito: tudo está interligado…

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Aqui uma rara visão da Torre Negra sem estar sendo destruída. Dá para perfeitamente ver os raios que a mantém em pé, não é?

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Aqui, o diálogo é ótimo, com Roland perguntando se, no mundo de Jake, há balas e armas e ele respondendo que Roland gostará muito de lá. Nem um pouquinho uma crítica social sobre desarmamento, não é? Mas o fato é que essa facilidade em se encontrar armas e balas é o que parece convencer Roland a vir para nosso mundo. Viu como é bom ter armas e balas de fácil acesso a todos?

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E, com isso, um portal (será o mesmo que vimos antes, de Dutch Hill?) se abre e pronto, Roland vai conhecer a Big Apple, algo que só acontece no segundo livro da série. Ah, no frame seguinte, não capturado aqui, vemos o Homem de Preto passando a mão em uma parede onde está escrito, em vermelho, Todos Salvem o Rei Rubro. Quem é o Rei Rubro? Bem, deixe-me dizer que, assim como o Homem de Preto, ele é referenciado em um caminho de livros de King e que, aqui, ele é o grande vilão acima de todos os demais. Se ele aparecerá nesse filme? Sinceramente duvido, mas tudo é possível.

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A casa em Dutch Hill é, como disse, perigosa pacas…

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Será que esses homens aí são Taheen na forma humana? Com a ação se passando em dois mundos, será necessário arrumar vilões descartáveis nas duas pontas, mas, na de cá, por razões óbvias, eles precisarão ser humanoides. Portanto, essa é uma possibilidade forte.

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A importância dessa imagem é pelo pedaço do que parece ser uma esfera no canto direito. Trata-se de um objeto mágico importantíssimo nos livros, com cada esfera representando um raio da Torre Negra.

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E, claro, estamos em Hollywood acima de tudo e, por isso, precisamos de cenas de ação épicas.

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E Roland começa seu clássico mantra da série de livros na excelente montagem que encerra o trailer:

“Eu não miro com a minha mão.”

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“Aquele que mira com a mão esqueceu o rosto do seu pai. Eu miro com o meu olho.”

Viram o pai dele aqui? Trata-se de Steven Deschain, vivido por Dennis Haybsert.

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“Eu não atiro com a minha mão.”

O Homem de Preto usando sua magia.

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“Eu atiro com a minha mente.”

Olha como o sujeito carregou as pistolas!!!

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Eu não mato com a minha arma.

Menino mentiroso…

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Eu mato com o meu coração.

Com uma mira dessas, quem precisa das balas inteligentes de Runaway – Fora de Controle (sim, cavei lá do fundo de minha mente essa). Mas sério, eu não disse que ser um Pistoleiro no Mundo Médio é muito mais do que ser um cara que atira bem? Pois essa tomada mostra toda a habilidade de Roland Deschain!

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E o trailer chega a seu fim, com o título do primeiro filme que funcionará como um guarda-chuva dos livros da saga de King, mas com a esperança de ser o pontapé de uma franquia bem sucedida.

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E aí, o que acharam do trailer? Viram outras coisas? Erramos algo? Comentem livremente aí embaixo!

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.