Entenda Melhor | Batman – Aniversário de 75 Anos: Parte Dois

Batman está completando vigorosos 75 anos desde sua criação. Assim, não poderíamos deixar de homenageá-lo com este Entenda Melhor, dividido em diversas partes. Na primeira, abordamos sua criação, a polêmica dos créditos de Bill Finger, os elementos que ajudaram na criação da versão final do personagem e sua evolução editorial até o começo dos anos 60.

Nessa segunda parte, continuaremos abordando a evolução do personagem em diversas mídias até meados dos anos 80.

Batman contras as Onomatopeias Assassinas

Olhando hoje em dia, com o sucesso de Batman em literalmente todas as mídias e com diversos títulos solo com o personagem e outros tantos com a bat-família, é difícil imaginar uma época em que o Homem Morcego teve problemas para vender revistas. Mas a época de vacas (ou seriam morcegos?) magras aconteceu sim para Batman.

Apesar de ter sobrevivido à difícil década de 50, notória por ter acabado com a indústria de quadrinhos americana, as revistas Detective Comics e Batman começaram a declinar em vendas a partir da metade da década de 60. A situação chegou a ser tão periclitante que a DC Comics chegou a pensar seriamente em matar o personagem e não matar como uma jogada de marketing, somente para revivê-lo pouco tempo depois como é prática padrão na indústria atualmente. Era matar de vez, cancelar os títulos.

Entra, então, Julius Schwartz como novo editor dos títulos com Batman encarregado da difícil missão de impedir a morte do personagem. E, diferente do que todos têm em mente quando se menciona em uma mesma frase “década de 60” e “Batman”, Schwartz tratou de emprestar um pouco mais de seriedade aos títulos, eliminando da equação personagens coadjuvantes como Ace, Batcão (sim, havia um Batcão!), Batwoman e o Bat-Mirim. Até mesmo Alfred foi morto. Além disso, Schwartz trouxe para o navio afundando Carmine Infantino e entregou para ele a tarefa de redesenhar o uniforme do Batman. Com isso, o Homem Morcego acabou ganhando seu visual mais famoso até agora (será?), com o escudo do morcego com um fundo amarelo (Detective Comics # 327). E, de brinde, Schwartz determinou a volta das histórias mais detetivescas do herói. Nada mal, não é mesmo?

mosaico dc 327 infantino

Batman com uma pistola??? Santo Sacrilégio, Batman!

Mas não tem jeito: a década de 60 ficou mesmo marcada pelo Batman camp vivido por Adam West, com seu sidekick Robin vivido por Burt Ward. Mas como a DC Comics chegou lá?

Bom, para começar, Batman e Robin já era veteranos da televisão, com duas séries indo ao ar na década de 40. A primeira, simplesmente intitulada Batman, foi ao ar em 1943 e a segunda, intitulada Batman e Robin, em 1949. Ambas foram grande sucesso em suas respectivas épocas e estavam sendo reprisadas, com enorme repercussão, no Playboy Club, de Chicago.

mosaico batman 1943 1949

Tentem segurar o riso… A de cima é a série de 1943 e a de baixo a de 1949.

Um executivo da ABC, que foi à uma festinha lá no Playboy Club, gostou do que viu e aproximou-se da ABC para sugerir uma nova série com o personagem. Segue um certo vai e volta de direitos, já que eles estavam nas mãos da Ed Graham Productions e não da DC Comics, que acabou recomprando os direitos quando reparou no aumento do interesse pela série e a produção caiu no colo da Fox (lembrem-se: àquela época, a DC Comics não fazia parte do grupo Warner). A Fox, por sua vez, encomendou a produção pela Greenway Productions, comandada por William Dozier.

Acontece que Dozier não fazia a menor ideia de quem era Batman e, ao “estudar” o assunto, concluiu que uma série com base em um personagem que se veste de morcego e que tem um parceiro com roupa colorida só poderia ser feita se fosse uma comédia camp. Agora imaginem vocês a cara dos executivos da Fox e ABC, co-produtoras da série, que esperavam algo razoavelmente sério, quando deram de cara na série multi-colorida e histérica – lisérgica mesmo – que Dozier acabou criando? Deve ter sido um momento histórico sensacional para ser uma mosquinha na parede para ouvir a conversa que se seguiu.

Mas o fato é que a série, que foi ao ar entre 12 de janeiro de 1966 e 14 de março de 1968, com 120 episódios no total, foi um absoluto sucesso de público, com um filme lançado no cinema entre a primeira e segunda temporadas. E o mais irônico de tudo isso é que os quadrinhos, logo antes da série, estavam indo justamente para o lado oposto, como mencionamos mais acima. Santo Azar, Batman!

mosaico batman series

Batman, O Cavaleiro das Risadas

Mas a série acabou cancelada em 1968 em razão de uma audiência que rapidamente entrou em declínio e, apesar de ter marcado uma época, dificultando a volta de Batman ao panteão dos grandes heróis, a grande verdade é que logo no ano seguinte dois importantes artistas entraram para o time criativo de Batman nos quadrinhos: Dennis O’Neil e Neal Adams. Schwartz continuava com editor e, trazendo O’Neil e Adams para a bordo, seu objetivo era um só, resgatar a seriedade do Morcego. O resultado foi Detective Comics #395, com a lenta retomada do herói sombrio que hoje nos é tão familiar.

mosaico dc 395

Se tem túmulo, quer dizer que o negócio é serio mesmo!

Ao longo da década de 70, a colaboração de O’Neil e Adams continuou firme e forte, mas diversos outros escritores e desenhistas também contribuíram para a continuidade das aventuras do Homem Morcego com tom mais pesado e sério. Steve Englehart, Gil Kane, Frank Robbins, Frank Giacoia, Dick Giordano, Don Heck trabalham incríveis arcos narrativos para o morcegão como The Dead Yet Live, Daughter of the Demon, Night of the Stalker, The Laughing Fish, The Joker’s Five Way Revenge!, Strange Apparitions e todas as histórias originais da dupla O’Neil e Adams com o personagem que criaram, Ra’s al Ghul. 

mosaico ras

Ra’s al Ghul e Batman, descamisados, lutando no deserto: clássico dos clássicos

O problema é que todo esse esforço foi em vão. As vendas de Batman não melhoraram. Ao contrário. Começaram a declinar, apesar de, até hoje em dia, vários arcos setentistas estarem facilmente entre os melhores já feitos com o personagem.

E esse caminho de queda continuou até 1985, quando as vendas das revistas Batman e Detective Comics chegaram ao ponto mais baixo de todos os tempos, novamente ameaçando a manutenção do personagem no panteão da DC Comics. Denis O’Neil, agora, era editor e ele trouxe um nome conhecido dos quadrinhos à época, especialmente por ter salvo o Demolidor, da editora rival, do cancelamento. Seu nome? Ora, Frank Miller, claro!

Mas isso fica para outro dia!

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Se quiserem saber mais sobre a evolução de Batman, especialmente o que Frank Miller fez com ele, então sintonizem aqui, nesse bat-site, nesse mesmo bat-horário em alguns dias, que traremos a parte três desse bat-Entenda Melhor.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.