Entenda Melhor | Batman – Principais Sagas e Vilões

Como poderíamos começar a falar sobre Batman? Bem, primeiramente não são todos que conseguem perceber o quão complexada é a figura do “Morcegão”… Então vamos para o começo de tudo. Criado em 1939, por Bob Kane e (o esquecido por muitos) Bill Finger, Batman teve sua primeira aparição em Detective Comis #27, o herói já demonstrava ser bem sombrio, tanto quanto nos dias de hoje e com pouca preocupação em deixar um vilão vivo. Era de fato uma criação que despertou a atenção do jovem público desta época. Recaia na imaginação de muitos a ideia do sombrio vigilante, um herói que vestia como simbolo uma criatura por muitos, horripilante.

Infelizmente, a DC Comics (na época National Periodical) foi alterando seu herói de pouco a pouco… Logo seu uniforme e suas características psicológicas eram modificadas, pareciam ser moldadas com base na “sátira consentida” série televisiva da década de 60. Talvez uma tentaiva de quebrar o lado “dark” do Homem Morcego tentando deixar mais próximo do escoteiro azulão da editora (Super-Homem).

Foi a partir deste ponto que Batman aparece com seu primeiro discípulo: Dick Grayson, mais conhecido como Robin. Na série estreada por Adam West (Batman) e Burt Ward (Robin) a dupla dinâmica ficou bem famosa. Nela e nos gibis da época, Batman seguia uma linha menos sombria e mais “cômica”, as vezes com histórias de pouco sentido, bem fracas. Não precisava ser vidente para perceber que não daria certo e o personagem voltava a ter um tom mais sombrio sem sair da ética que conhecemos até hoje.

Capa do encadernado da obra Batman Ano Um – Relançamento em 2011

O leitor deve estar pensando…”Batman não é uma figura complexada, e sim cheia de problemas para com seu desenvolvimento como personagem”. Caso o leitor pense assim, peço para que reconsidere. O que falei nos trechos acima foi um rápido resumo da origem do herói. Se a personagem for bem analisada por suas obras, poderá se ver a grande evolução que houve ao decorrer do tempo, nas ideias e conceitos.

Comecemos por Batman: Ano um de Frank Miller e David Mazzucchelli (mesma dupla que criou a Saga A Queda de Murdock para a Marvel Comics). Nesta revista é re-contada, de excelente maneira, o primeiro ano de atuação de Bruce Wayne como Batman, e por incrível que pareça, o vilão central da trama não é uma pessoa ou um grupo de super vilões, mas sim a sociedade má formada de Gotham City, um desafio de exterminar ou minimizar toda a corrupção que paira sobre a cidade, desafiando não só os mafiosos, como policiais e políticos.

Além da ótima narração de Bruce Wayne, o leitor acompanha a narração de Jim Gordon (futuro Comissário Gordon). Vemos então uma comparação de ideias entre as personagens, cada uma seguindo linha de ética aparentemente inquebrável, e que estão determinados a tornar Gotham City uma cidade mais limpa, mesmo que no começo não saibam muito bem como. Para quem não sabia, o famoso comissário bigodudo, James “Jim” Gordon fora transferido junto com sua mulher (grávida, na época) para Gotham, ao lado de policiais corruptos, com o objetivo de sustentar sua nova família sem sair de seus “bons conceitos”, evitando se igualar a seus colegas de trabalho que partilham da laia corrupta. Vale lembrar que este é o recomeço pós Crise nas Infinitas Terras da DC Comics, cada personagem teve sua origem recontada.

Caso o leitor não tenha visto este pequeno conto de origem do Homem Morcego, saiba que pode baixar a adaptação animada deste conto e se deliciar tanto quanto ter as páginas sendo folheadas em mãos.

Adiantando um pouco, podemos falar também da polêmica Graphic Novel A Piada Mortal de Alan Moore, que em 1989 ganhou os mais importantes prêmios da Indústria de Quadrinhos, o “Will Eisner Awards” e o “Harvey Award”. Um grande clássico que nunca foi deixado de lado, pois muitas vezes é relembrado em HQs de hoje.

O leitor deve ser perguntar o por quê de tanta importância… Então, vamos lá. A história se desenrola no relacionamento entre o Cavaleiro de Gotham e o Príncipe do Crime, o Coringa. O autor consegue aproximar a personagem do Coringa para o leitor, deixando-o mais humano, contando em partes, um pouco do seu passado (que até então era um mistério) e dando o motivo para que ele tenha se tornado o maior vilão do Batman. Uma difícil tarefa e com a arte de Bolland, a concretização desta obra faz ela parecer muito mais realista do que outras do morcegão, não só em pontos de vista ilustrativos mas também nas ações e pensamentos dos personagens, moldados a cada ato que ocorre em suas vidas.

Nosso herói se vê em uma encruzilhada, tentando se reconciliar com o vilão, chegando aos extremos da linha de seus conceitos. Moore consegue nos mostrar como um dia ruim pode tornar o mais são dos homens, em um louco. Mortes, um possível abuso sexual, e um enigimático final, deixado para que o leitor pense e rempense por dias… Teria o Cavaleiro das Trevas ultrapassado as linhas de ética e moral que o impedem de se tornar um anti-herói?

Capa do encadernado da obra A Piada Mortal – Relançamento em 2008

Voltando para Frank Miller, em um de seus outros trabalhos com Batman, criou a magnífica história O Retorno do Cavaleiro das Trevas. Onde em um futuro alternativo, Bruce Wayne (com mais de 50 anos) aposentou o manto do morcego e os heróis foram praticamente extintos, só restando em atividade o Homem de Aço (um Super-Homem que é usado pelo governo dos EUA para missões secretas e de crises mundiais). Esta HQ mostra o elo psicológico que os principais vilões do Batman possuem com ele, de tal forma que, quando Bruce Wayne, sente que deve usar o manto novamente e aparece nos noticiários, o Coringa (que estava catatônico, aparentemente inofensivo) e o Duas Caras (parecendo estar livre de sua psicopatia e curado fisicamente através de operações plásticas) voltam a cometer crimes, só por terem visto a imagem de seu antigo inimigo. Com a volta de Batman à ativa, o Governo americano coloca o Homem de Aço no encalço do herói mascarado, protagonizando uma luta épica entre os dois personagens na conclusão deste conto.

A partir destas e outras HQs importantes na história do morcego, vemos o quão a sua figura é complexa… Desde uma criança que perdeu seus pais, seguido por sua sede de justiça que o fez criar muitos inimigos, alguns, antigos amigos… E a cada personagem que aparece na vida do vigilante de Gotham vemos um traço de distúrbios psicológicos, como por exemplo em Harvey Dent, o Duas-Caras, um promotor de justiça honesto com tendências a dupla-personalidade, algo que se desenvolvel completamente após ter seu rosto desfigurado pela metade. Mas ele não é o único com esse problema…

E o herói? Bem, dissemos ao longo do texto que Bruce Wayne veste o manto de Batman para perseguir os vilões em Gotham, uma maneira de causar o medo naqueles que o provocam nos cidadãos de Gotham City, porém, também podemos ver de outra maneira. Bruce Wayne morreu junto com seus pais, o que nasceu neste fatídico dia, foi BATMAN. Um ser destinado a lutar até o fim, seguindo seu código de ética, fingindo ser, nas horas vagas, um playboy, filantropo, mulherengo… Uma máscara, uma carcaça.

Mas… por quê um ajudante? Pra quê criar uma “Dupla Dinâmica”? Essa é a pergunta de muitas pessoas ante a formação da famosa dupla Batman & Robin. Pode ser que não fosse a ideia original de Bob Kane na época, porém, ao longo do tempo, percebeu-se que Batman ensinou tudo que sabia a Dick Grayson, Jason Todd e Tim Drake para que esses, futuramente, seguissem o caminho de seu mentor, vestindo o manto, prosseguindo com o legado do morcego.

Para encerrar esse pequeno texto, falaremos sobre A Queda do Morcego. Na década de 90, a icônica DC Comics matou o Super-Homem, arrancou uma das mãos do Aquaman, transformou Hal Jordan num vilão e quebrou literalmente, o Batman! Com a chegada de um novo vilão à Gotham City, chamado Bane, (o vilão central do terceiro longa do Batman de Christopher Nolan), que conseguiu libertar os psicóticos prisioneiros do Asilo Arkham, Batman se manteve ocupado, desgastou-se ao máximo para deter todos os insanos seres que outrora estavam presos e acabou se tornando uma presa fácil para o antagonista desta saga.

Um dos maiores erros cometido por Batman mostrados na HQ foi sua teimosia e persistência em combater o crime, sem poder descansar… Uma saga que mostrou um vilão de mente estratégica e corpo atlético perfeito. O vilão estudou o Cavaleiro das Trevas e fez ele mesmo se destruir. No final desta saga, Bane quebra a coluna de Batman, deixando-o paralítico. Por um tempo, Bruce Wayne passou o manto para Azrael (já que Dick Grayson era o Asa Noturna, membro dos Titãs, Jason Todd estava dado como morto e Tim Drake era jovem demais para o cargo), um agente treinado por um grupo secreto, que teve sua mente “apagada” em uma lavagem cerebral, até então, aparentava ser um pacato homem, todavia, possuia escondido em sua mente tanto conhecimento quanto Bruce Wayne, e a ideia era dispertar todo esse potencial. Não passou muito tempo e Azrael começou a perder o controle, ficando instável, deixando de lado sua preocupação em deter um vilão na maneira clássica, partindo para o lado anti-herói. Wayne consegue sair da cadeira de rodas e pegar o manto de volta, claro, com uma batalha entre o novo e velho Batman.

Ética, moral, psicologia, sociedade, corrupção e muita ação, são algumas das referências que podemos observar no Homem Morcego.

Finalizando, deixo à vocês a dúvida para com o terceiro filme: Bane destruirá o Cavaleiro de Gotham? Leiam. Pesquisem mais. Não deixem de mergulhar no sombrio universo do Homem Morcego!

ERIK BLAZ. . . .Tudo começou quando o meu pai Odin me baniu de Asgard para Midgard... Então eu fui mordido por um vampiro, quando me atacaram com kriptonita e para piorar a situação, vendi minha alma para Malebolgia (em troca de algumas HQs), enquanto meus dons mutantes de controlar o clima surgem pouco antes de ser o escolhido para portar um anel energético e obter a Equação Anti-Vida e assim, salvar todo o multiverso! Mas também possuo uma paixão pela Arte em suas mais diferentes formas e gêneros...Desenho, Pintura, Gravura, Montagens, Teatro... E claro, um louco por histórias em quadrinho e filmes antigos, sem falar na arte de comer muito e dormir pra caramba :'D