Entenda Melhor | Blade Runner 2049 – O Teaser Trailer em Detalhes

A continuação do clássico cult sci-fi Blade Runner é uma realidade! Gostem ou não, ela está aí na esquina, chegando 35 anos depois aos cinemas, mesmo sem ninguém ter pedido. Mas há um alento! Seu diretor é o fantástico canadense Denis Villeneuve que, até agora, só tem maravilhas em seu ainda curto currículo como Incêndios, Os Suspeitos e sua primeira incursão no sci-fi, A Chegada.

O teaser foi lançado, dando-nos um primeiro vislumbre do que vem por aí. E o melhor é que ele não entrega absolutamente nada da história, cuja sinopse oficial é simplesmente assim (tradução do autor):

Trinta anos depois dos eventos do primeiro filme, um novo blade runner, o Oficial K (Ryan Gosling) do Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD), descobre um segredo há muito enterrado que tem o potencial de mergulhar o que resta da sociedade no caos. A descoberta de K o leva em uma busca para encontrar Rick Deckard (Harrison Ford), um ex-blade runner do LAPD que está desaparecido há 30 anos.

Confiram o breve teaser novamente aqui:

Agora que tal irmos de quadro em quadro revisitando o universo criado por Philip K. Dick na literatura e por Ridley Scott no cinema?

A velha futura Los Angeles

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Fumaça, letreiros, contra-luz, fotografia noturna, um pouco de neve(?) no chão e uma silhueta vestindo um sobretudo. Sim, estamos mesmo de volta ao Blade Runner que conhecemos. Nada como iniciar o trailer com algo extremamente familiar para deixar os corações dos fãs mais calmos com o que antes parecia uma heresia impensável.

Mas ao mesmo tempo, esses segundos iniciais talvez estabeleçam uma Los Angeles ainda mais sombria que a de 2019. Afinal, 30 anos se passaram e posso garantir que esse mundo aí não melhorou (ops, o nosso também não!) e a escuridão opressiva na cidade grande será quase que um personagem em si mesmo como foi no filme anterior. Só faltou a chuva, ainda que a aparente neve esteja lá para compensar.

E, como marca registrada da versão cinematográfica original do primeiro filme, ouvimos a narração de Harrison Ford retirada diretamente da obra de 1982 e devidamente editada para parecerem frases contínuas: “Os replicantes são como qualquer outra máquina. São um benefício ou um perigo. Se são um benefício, não é problema meu.”

Repare como o teaser de 1:20 foi bem montado e ele explica logo para leigos o conceito dos “replicantes” sem fazer muito esforço. Agora fica a pergunta: será que veremos essas “máquinas” no dia-a-dia de Los Angeles, sendo usadas como tais? Afinal, os únicos que vimos no filme original são os quatro que Deckard persegue e Rachael, que não pode ser equiparada a “qualquer outra máquina”. Ah, claro, Deckard também possível é um replicante. Ou será que não?

Candidatos a replicantes no novo filme: Dave Bautista e Jared Leto. Será?

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O frame acima é a primeira vez na mitologia do personagem que potencialmente vemos além de Los Angeles, nas terras desérticas que em tese cercam a cidade (sim, sei perfeitamente que Deckard e Rachael são vistos ao final da versão original do filme indo em direção à uma verdejante floresta, mas convenhamos que esse final simplesmente não combina com o filme). Temos Gosling no centro do meticuloso quadro nessa cor vermelha alaranjada ao mesmo tempo belíssima e aterradora, cortesia de ninguém menos do que Roger Deakins, um dos maiores diretores de fotografia vivos.

O ex-diretor

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Como não poderia deixar de ser, Ridley Scott não abandonou seu bebê completamente e senta na cadeira de produtor executivo. Considerando os filmes recentes do diretor, espero que coloquem a cadeira dele bem longe do set, algo como lá do outro lado da rua do estúdio, no Starbucks mais próximo… E tirem o wi-fi dele, claro!

Brincadeiras (ou não) à parte, aqui ouvimos a primeira nota do que parece ser a clássica trilha de Vangelis reaproveitada no teaser. Tomara que pelo menos a música tema faça parte integrante do filme, cuja trilha ficará ao encargo do excelente Jóhann Jóhannsson, de A Chegada!

Planeta dos Macacos?

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E voltamos ao deserto. Agora vemos talvez restos de uma cidade? Algum evento cataclísmico aconteceu, mas não parece ser algo recente. O que interessa mesmo é a natureza fantasmagórica da cabeçorra de concreto e o sentimento de isolamento de K nesse deserto laranja. E eu já falei que a fotografia de Deakins é sensacional?

O diretor atual

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E, então, o nome que me dá esperança que essa desnecessária sequência será no mínimo boa: Denis Villeneuve. Se tem a assinatura dele, tem meu dinheiro e, provavelmente, mais de uma vez no cinema, além do Blu-Ray mais tarde. Sim, ele é bom assim.

Tyrell Corporation?

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Que estrutura é essa? O esconderijo de Deckard? Será que estamos vendo efetivamente o mesmo prédio ou é apenas um efeito da montagem? O que é realmente interessante é prédio ao fundo no segundo frame, que lembra bastante o prédio da corporação Tyrell, fabricante original dos replicantes. Será o mesmo prédio do filme original depois de algum cataclismo? Ou é só outro prédio da empresa em local há muito abandonado? E o que são aquelas letras no que parece ser em coreano no terceiro frame?

O piano, olha o piano!

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E K – o nome, claro, é uma homenagem à inicial do meio de Philip K. Dick – vem das sombrar procurar Deckard com uma música fantasmagórica na trilha.

Mas o mais relevante aqui é o piano. Lembram da versão final do diretor de Blade Runner, aquela que nos dá fortes pistas de que Deckard, na verdade, é também um replicante? Pois bem, lá há uma sequência de sonho com Deckard sentado ao piano, em que ele vê o famoso unicórnio correndo pela floresta.

Estou viajando na referência? Olha, acho que não. Percebam o tamanho desse teaser e tudo o que ele não diz. A presença do piano simplesmente não pode ser aleatória.

Han Solo está de volta!

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“Eu já tive seu emprego. Eu era bom nisso.”

E com essas frases, Deckard, envelhecido, entra triunfalmente no teaser, ainda que isso não signifique que ele diga isso nesse exato momento, pois apenas ouvimos a voz e não vemos ele falando. E é ótimo que não mantiveram Harrison Ford escondido, pois até o padeiro aqui da esquina sabia que ele apareceria no filme. Resta saber o quão proeminente será seu papel e o que seu envelhecimento significa exatamente. Será ele um humano normal ou um replicante sem data de expiração cujas partes orgânicas envelhecem normalmente?

E repararam que a arma é o mesmo modelo que ele usa em 2019, no primeiro filme? Ou seja, ele realmente deve ter ficado 30 anos escondido.

Agora, o que K quis dizer com “as coisas eram mais simples então”? O que aconteceu nesse intervalo de 30 anos? Será que é uma alusão ao que fez K procurá-lo? Ou será que o filme mergulhará mais nos detalhes da guerra Terminus que é mencionada do livro e que ficou ostensivamente de fora do original? Hmmm, veremos…

Só uma última coisa: considerando que Harrison Ford viverá Indiana Jones novamente em 2019, podemos dizer que ele reviveu seus três mais icônicos personagens em apenas uma década! Incrível, não?

Logotipo clássico

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Gostei de terem mantido o logotipo original, mas não sei se gosto do 2049. Sei lá… Parece mais um letreiro que diz “olha, suas bestas, esse filme se passa 30 anos depois do outro, ok?”. E a música de Vangelis vem novamente com toda a força, ainda que eu sinceramente desconfie que já é Jóhann Jóhannsson “falando”, mesmo considerando que ainda falta um bom tempo para o lançamento do filme.

De volta à Los Angeles

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Los Angeles novamente da maneira mais próxima que lembramos da versão original de 2019, com muita sombra e muito neon, fechando o teaser como ele começou. E a data, claro. Aqui no Brasil será um dia antes: 05 de outubro de 2017. Já compraram os ingressos?

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Gostaram do teaser? O que mais vocês viram? Comentem!

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.