Entenda Melhor | Comics Code

Para um cinéfilo, uma das maiores vergonhas do cinema, ao lado da “caça às bruxas” de Joseph McCarthy, foi o Código Hays. Em vigor nos Estados Unidos de 1934 a 1967, o tal código foi uma dolorosa pedra no sapato da sétima arte, tendo direcionado a visão de muitos filmes para um caminho fácil, política e religiosamente correto. Mas essa vergonha sobre a censura cinematográfica parece brincadeira perto daquela que um fã de quadrinhos sente quando fala-se do Comics Code, a verdadeira maldição para as HQs ocidentais.

Estabelecido em 1954 pela Comics Magazine Association of America (CMAA), o Comics Code foi fruto daquelas bizarrices político-religiosas que tanto macularam a nossa história e a arte em nossa civilização. Com o objetivo de preservar a juventude do contato com histórias de horror, de apelo sexual, crimes, vícios, adultério e afins, o código punha correntes e severas restrições às editoras, obrigando-as a publicarem gibis fofuxos, com “histórias saudáveis”, traços harmoniosos e concepção geral ingênua. O grande mal foi que essas regras acabaram sendo copiadas em maior ou menor grau por outros países do Ocidente, popularizando assim o aura de infantilidade relacionada aos gibis, algo que, vergonhosamente, prevalece até hoje.

O código derrubou uma série de editores, além de incentivar uma indústria que tinha os Archies como padrão. Dentre os editores que foram obrigados a se afastar do ramo estavam o polêmico e odiado Bill Gaines da EC Comics, que causava furor na ala militar americana com o seu antibelicismo, e Lev Gleason, que distribuía a Crime Does not Pay, criada por Charles Biro e Bob Wood.

Mesmo tendo perdido a sua força nos anos 1970, o código só foi realmente rejeitado no final de 2011. Seus impactos na indústria dos quadrinhos ocidentais foi arrasador. Talvez essa percepção só tenha vindo de fato com a chegada dos mangás japoneses e todos os seus temas polêmicos e tabus (para nós), algo que jamais se imaginaria publicar por essas bandas. E ainda tem gente que diz que a “invasão nipônica” foi “um grande mal” para “nós” e que “devemos nos livrar deles”. Como se vê, há gosto e opinião para tudo.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.