Entenda Melhor | Deadpool 2 – Referências, Easter-Eggs e a Cena Pós-Créditos

Ele está de volta! Após o hit inesperado que foi o seu filme de estreia, o Mercenário Tagarela protagoniza agora uma sequência explosiva (o que me lembra inclusive uma certa cena, que por sua vez me lembra do seguinte: SPOILERS violentos são esperados para a matéria, então caso você não tenha assistido, vai lá e volte mais tarde, que o texto vai estar aqui te esperando tranquilo e sem tarifa adicional!), e nós aqui do Plano Crítico estamos prontos para sermos as vozes internas na sua cabeça que te guiarão pelos detalhes que compõem essa aventura!

Lembrando que para aquecer seus conhecimentos em deadpoologia, você pode querer dar uma espiada:

Caso os sulcos da pele de Wade já te sejam tão familiares quanto a palma da sua mão, é hora de partir para os detalhes da película!

I. Quem é Quem na Fila do Pão

Deadpool 2 traz não só as caras já conhecidas da primeira aventura de Wade nas telonas, mas também figuras novas – algumas que vieram pra ficar e outras… menos duradouras! Vamos dar uma passada rápida pelas adições Entenda Melhoe ver quem é quem?

1. Cable

OK, duh! Você já deve ter ouvido falar que esse cara estaria no filme. Em todo caso, vale resgatar algumas curiosidades a respeito dessa nova versão de sua estreia. No geral, trata-se de uma adaptção bastante fiel ao material original – o que, convenhamos, não é lá muito comum em se tratando dos mutunas. Nos quadrinhos, o personagem surge de uma forma tão repentina e sem cerimônia quanto no filme, e em um contexto que também envolve Russell Collins sendo mantido prisioneiro por um órgão de caça aos mutantes.

Porém, a diferença é que enquanto nos quadrinhos Cable visa resgatar Russell e sua namorada Skids dos malfeitores da Força Federal, no filme a intenção do cara é assassinar Rusty para prevenir seus terríveis feitos vilanescos futuros.  Assim como no filme, nos quadrinhos sua identidade verdadeira como filho de Ciclope não seria nem mesmo ensaiada ao longo de suas primeiras aparições, acontecendo apenas quase três anos após sua estreia. Saiba mais sobre a primeira aparição do personagem em nossa crítica do arco.

2. Dominó

Dominó teve um histórico um tanto enrolado na sua estreia nas HQs. Em suas primeiras aparições, não se tratava efetivamente dela mas sim da Mímica (a própria Vanessa, que nos quadrinhos possui poderes de metamorfose) se passando por ela em uma missão do Sr. Tolliver (talvez o filho futurístico do Cable – nem queira saber!) que mirava infiltrar a X-Force de Cable para assassiná-lo. Porém de qualquer forma a verdadeira Dominó também tinha motivos para querer o mal de Nathan, já que ele a havia abandonado, junto de todo restante de seu grupo de mercenários chamado Matilha, para se virar sozinhos em uma bela roubada após uma missão que visava o arqui-inimigo dele próprio, Conflyto.

Nathan, quando muita gente quer te matar talvez você esteja fazendo algo de errado, meu caro… Neena, no entanto, uma pessoa normalmente otimista (quem não seria, com a sorte que ela tem!?), consegue encontrar o perdão em seu coração e volta a trabalhar ao lado de Cable, Deadpool e sua turma por várias outras vezes, ajudando com seus super apelativos poderes de boa sorte, postos pra bom uso no manejo de armas dos mais variados tipos.

3. Russell Collins

Como vimos, Russell “Rusty” Collins esteve presente na primeira aparição de Cable tanto nos quadrinhos quanto nos filmes. Nas HQs, Rusty teve uma história muito semelhante à da versão de Pyro na trilogia original dos filmes dos X-Men. O mutante foi brevemente um aluno do primeiro X-Factor, que contava com a formação dos cinco X-Men originais. Sempre de temperamento difícil, ele chegou a abandonar a equipe após um acidente em uma sessão de treinamento.

Acabou capturado junto de sua crush, a morlock chamada Skids, disparando a crise que uniu Cable aos Novos Mutantes no combate contra a Frente de Libertação Mutante e a Força Federal. Acabou tendo um futuro trágico nos quadrinhos: semelhante ao que ocorre na linha do tempo original de sua contraparte cinematográfica, Russell acabou indo para o lado supervilanesco da Força. Após sofrer uma lavagem cerebral de Conflyto, sendo salvo e curado por Magneto, Collins decide de livre e espontânea vontade entrar para os Acólitos do Mestre do Magnetismo. Os mesmos Acólitos que, pouco tempo depois, seriam mortos por um Holocausto sobrevivente da Era do Apocalipse!

4. Fanático

Fazendo sua estreia em Uncanny X-Men #12, o Fanático guarda a honra de ser o primeiro vilão a acionar o seguro bilionário da Mansão Xavier (embora o Blob tenha anteriormente conseguido causar algum estrago a se levar em conta). Na verdade, tratava-se de um conflito familiar, já que nos quadrinhos sua identidade é Cain Marko, o irmão adotivo de Xavier que busca vingança por antigos problemas fraternais.

Nos quadrinhos, ao contrário da versão retratada no filme onde ao que tudo indica trata-se de um mutante, o figurão recebe seus poderes ao se tornar, via posse de um rubi mágico, o avatar terreno da destruição do demônio místico Cyttorak – o mesmo que fornece as resistentes Faixas Escarlates usadas pelo Doutor Estranho contra Thanos em um certo filminho bacana aí.

A seleção de edições favoritas de Wade com o ídolo mostra uma preferência por histórias que exploram o lado místico do personagem. Thor #411 faz parte do evento Atos de Vingança, com um combate entre o personagem titular e o Fanático manipulado pelo vilão da trama, Loki, e é mais conhecida por ser a edição que traz a primeira aparição dos Novos Guerreiros (aguardando isso ser um nome tão conhecido quanto Guardiões da Galáxia – é só questão de tempo!). Já X-Men Unlimited #12 é uma edição bem mais underground, e traz o vilão novamente preso dentro do Rubi de Cyttorak, desta vez em meio ao caos do evento Massacre Marvel.

5. Zeitgeist

O vomitador de ácido interpretado pelo mais novo PennywiseBill Skarsgård, surgiu na edição da X-Force dos quadrinhos onde Peter Milligan e Mike Allred chegaram chutando o balde e transformando a revista em algo totalmente diferente do que era antes, preparando o terreno para o surgimento dos X-Táticos. Apesar do codinome inspirado, o cara infelizmente é tão pé frio nos quadrinhos quanto foi no cinema, morrendo  em ambos logo na sua primeira aparição – apesar de ser apresentado como o cultuado líder da equipe nas HQs! Mais sobre o episódio na seção IV!

6. Shatterstar

Esse é tão farofeiro que nem merece imagem. Shatterstar é mais uma das criações brilhantes de Fabian Nicieza em conjunto com o Deus dos Quadrinhos, Rob Liefeld (o Osamu Tezuka do ocidente). Vindo do Mojoverso do 5000 anos no futuro, sua principal contribuição foi trazer uma revolução futurística no ramo da cutelaria muito avançada para nossas mentes arcaicas compreenderem: espadas com duas lâminas paralelas. Porque uma lâmina apenas não é extremo o suficiente para os anos 1990!

Membro da primeira X-Force, o cara participou de várias missões cheias de músculos e anatomia duvidosa. Temos até algumas histórias interessantes com ele, como o arco que envolve seu misterioso sósia Benjamin Russel, e, principalmente, já nos anos 2000, a participação dele no brilhante X-Factor de Peter David. Mas é mais divertido não levar ele a sério – coisa que Deadpool 2 entendeu muito bem!

7. Vanisher

Telford Porter é um vilão bem mequetrefe dos quadrinhos, mas que ao menos pode se vangloriar de ser o segundo vilão mais antigo dos X-Men, atrás apenas de Magneto. Estreando em Uncanny X-Men #2seu poder nas HQs não é o de ficar invisível, mas sim de desaparecer no sentido de se teletransportar para qualquer lugar instantaneamente. Longe de ser um Brad Pitt tanto em beleza quanto em estilo, o figura também já fez parte da X-Force nos quadrinhos, na fase roteirizada por Craig Kyle e Christopher Yost. Menos cooperativo do que sua versão invisível e silenciosa, o cara só participava da equipe porque Elixir, um outro membro do grupo, havia implantado um tumor em seu cérebro o qual controlava o crescimento com seus poderes. Vida difícil!

8. Bedlam

“Achou que eu estava brincando?” Surgido numa fase bem posterior da primeira revista da X-Force, Jesse Aaronson acabou órfão após seu irmão sacana ter levado o pai à loucura e subsequente morte. Bedlam foi salvo por uma equipe misteriosa de apoio aos mutantes, treinando o uso de seus poderes de manipulação de campos elétricos. Unindo-se à X-Force após ser responsável pela captura de Dominó, que o ajudava a buscar pelo irmão, ele acabou recebendo treinamento pessoal de Pete Wisdom quando a equipe se tornou um time de spec-ops. O mutante permaneceu na equipe até o pessoal do Zeitgeist roubar a revista sem a menor explicação (apenas para morrerem quase todos na primeira aparição, pô Zeitgeist!).

9. Black Tom Cassidy

Frequente parceiro de Fanático nos quadrinhos (embora eles acabem não se encontrando no filme), Black Tom Cassidy é o primo de Sean Cassidy, o Banshee. Por ter sido uma espécie de segundo pai da sobrinha Theresa, o cara figurou por vezes nos quadrinhos de Deadpool como uma espécie de sogro supervilanesco, já que Wade na época arrastava a maior asa pela jovem ruiva. O trambiqueiro apareceu nos quadrinhos normalmente visando vinganças mesquinhas contra Sean e sua família de mutantes, ajudado quase sempre pelo Fanático – cujos motivos, como vimos, são muito parecidos.

Nas HQs, seus poderes são de conduzir energia através de materiais vegetais, principalmente madeira. Após ser gravemente ferido por Cable, Black Tom passa por um tratamento experimental com célular vegetais misturadas com células do próprio Deadpool. O resultado desastroso foi que o cara meio que se transformou numa árvore – o que não o impediu de destruir a Mansão Xavier logo em seguida!

10. Yukio

Embora muitos fãs tenham especulado, com base nos trailers, que Yukio era na verdade Noriko Ashida (a personagem de cabelo azul à esquerda, que apareceu no segundo volume de Novos Mutantes antes de estrelar uma nova revista na fase Academia X), a revelação de seu nome acabou dissociando as duas personagens. Assim como a namorada da Míssil Adolescente Megassônico, a codinome Faísca dos quadrinhos tem descendência japonesa, cabelos tingidos de cores vibrantes e poderes de manipulação de eletricidade. Então você me pergunta: por que não são o mesmo personagem? E eu te respondo: Deus sabe.

12. Peter

Este é o Peter.

II. No Cinema com Deadpool

Com o primeiro filme já tendo trazido uma boa cota de referências cinematográficas variadas, era de se esperar algo semelhante para esse retorno. Preocupado com sua promessa no início do filme, Wade tem o cuidado de embasar suas referências e reflexões apenas em filmes para toda a família como Jogos Mortais A Centopeia Humana. Ainda bem!

  • Deadpool (2016)  e Logan (2017): Como não poderia deixar de ser, o filme traz várias referências ao próprio predecessor. Wade comenta o belo desempenho de bilheteria e a recepção de sua estreia nas telonas, a forma como acabou influenciando Logan a se arriscar com uma classificação etária mais restrita (inclusive com uma bela figura/caixinha de música homenageando a cena final do último filme do Carcaju) e faz menção em vários momentos à eterna rivalidade com Hugh Jackman, que vem desde seu filme anterior. Também temos algumas piadas que fazem referência a piadas do filme anterior, como o fato de que a cura para a cegueira está realmente escondida junto de um monte de cocaína em um oco do chão na casa da Al Cega (ele bem que avisou!), e várias da piadas na interação com Vanessa, que espelham algumas das presentes no filme anterior (como é o caso da referência a Star Wars).
  • De Volta ao Jogo (2014): Assim como no filme anterior, os créditos iniciais são apresenteados de forma escrachada, apenas com menções indiretas (quando muito!) aos creditados. Responsável por co-dirigir o filme, David Leitch apresenta-se em seu crédito diretorial aqui como “Um dos caras que mataram o cachorro de John Wick”.
  • Bambi (1942), O Rei Leão (1994), Jogos Mortais 7 (2010): Essa curiosa seleção é apontada por Wade como ilustrativa do fato de que todo filme para a família começa com um assassinato violento. Fico imaginando que tipo de infância teve o sujeito…
  • A Paixão de Cristo (2004): Wade se gaba por dividir com Jesus o ranking de bilheteria de filmes com rate R (para audiências maduras). No lucro doméstico, Wade fica em segundo lugar, logo atrás do drama messiânico de Mel Gibson.
  • Entrevista com o Vampiro (1994): Inspiração máxima do taxista aspirante a mercenário Dopinder, a adaptação noventista de Anne Rice parece ter tido um papel decisivo na perda do resto de sanidade que ainda sobrava ao pobre rapaz.
  • Batman v Superman (2016): Wade tenta justificar um de seus atrasos para Vanessa, dizendo que estava se esbofeteando com um cara até descobrirem que as mães deles tinham o mesmo nome. Você sabe qual nome é, e aposto que sabia dessa – mas aqui a gente faz como o protagonista e, na dúvida, peca pelo excesso, mesmo!
  • Jamaica Abaixo de Zero (1993) e A Centopeia Humana (2009): Apesar de terem bem pouco em comum, ambos os filmes são citados por Wade para ilustrar o figurativo (ou nem tanto) “fundo do poço” no qual todo herói inevitavelmente chega. Assista a ambos e veja se você entende o que ele quis dizer!
  • Star Wars: Wade continua com dificuldades em compreender o enredo e as diferenças entre Guerra nas Estrelas O Império Contra-Ataca – ou ao menos é o que parece, pela reação já sem paciência de Vanessa frente às declarações absurdas do cara. Você tentou, Vanessa!
  • Yentl (1983): O drama dirigido, roteirizado e estrelado por Barbra Streisand (madrasta do multitarefa Josh Brolin) é uma escolha, digamos, inusitada de filme pornô. Aparentemente trata-se de uma tara compartilhada por Wade e Vanessa. Que bom que eles tem um ao outro! Né!? Né…?
  • O Exterminador do Futuro: Além de uma icônica recarregada de escopeta com uma mão só, Wade também chama Cable de John Connor. Embora em termos de narrativa Cable esteja mais para Exterminador, provavelmente trata-se de uma alusão ao visual do John Connor adulto do segundo filme.
  • Batman: Na cena em que Cable se pergunta, levemente surpreso, quem afinal de contas é Wade, acaba recebendo a resposta que um capanga definitivamente mais apavorado recebeu de Michael Keaton em Batman (1989). Tornando-se  um lugar comum referenciado em várias versões do personagem, a fala transpassa universos e chega aqui na tentativa (fracassada) de Wade de import algum respeito. “I’m Batman!” (Indicação do leitor Ricardo)
  • Frozen (2013): Wade fica indignado com o fato de que “Do You Wanna Build a Snowman” parece plagiar descaradamente a canção “Papa, Can You Hear Me?” de seu pornozão favorito. A ideia o atormenta a tal ponto que ele chega a recitar a musiquinha grudenta como suas últimas palavras.
  • Digam o que Quiserem (1989): A cena em que Wade faz sua serenata com “boombox” para amolecer o coração de Colossus é uma recriação do momento em que Lloyd tenta fazer o mesmo por Diane. (Indicado pelo leitor Vinicius O. Rocha)
  • X-Men Origens: Wolverine (2009): A cena em que o Deadpool se usa de suas katanas (que, como veremos mais à frente, têm nome!) para cortar uma rajada de balas no ar é uma referência direta a uma das melhores cenas do filme (não que a competição seja lá muito acirrada!). E, é claro, na cena pós-créditos, temos a vingança definitiva de Ryan Reynolds contra o atentado que foi feito ao personagem neste filme terrível.
  • Universo Cinematográfico DC: Uma pena os trailers terem entregado a piada em que Deadpool pergunta se Cable veio do Universo DC, mediante o clima pesado e soturno do personagem e suas ameaças de violência extrema. Temos também a já citada farpa contra Batman v Superman.
  • Universo Cinematográfico Marvel: Deadpool faz várias referenciazinhas leves aos personagens do UCM, em especial chamando Dominó de Viúva Negra Negra, Cable de Soldado Invernal e de Thanos (é muito amor para um apelido só), além é claro de comparar um “bolo de câncer com um arco e flecha” com o pobre Gavião Arqueiro.
  • Universo Cinematográfico Mutante: Afinal de contas, os filmes do mercenário se passam no mesmo universo dos filmes da Fox? Se sim, em qual das inúmeras linhas do tempo? Desta vez, respondendo (ou não) finalmente aos questionamentos de Wade a respeito do fato de que a Mansão Xavier está sempre vazia, vemos uma breve aparição de Tempestade, Ciclope, Fera, Mercúrio e Professor X. O grupo aparentemente faz o que fazem sempre que Piotr insiste em chamar Wade para a mansão: evitar o cara a todo custo! (Indicação do leitor Vinicius O. Rocha)

 

III. “Som na Caixa!” 

Nem só de cinema vive a cultura pop de um mercenário suicida. Assim como no filme anterior, a música ocupa um lugar central e embala alguns dos momentos mais memoráveis do filme:

Barbra Streisand – Papa Can You Hear Me? / Kristen Bell, Agatha Lee Monn & Katie Lopez – Do You Wanna Build a Snowman?

E aí, rolou plágio ou não? A ideia de inserir a neura a respeito do assunto em Wade surgiu do próprio Ryan Reynolds, que declarou em entrevista ter percebido a semelhança das músicas após assistir a Yentl e Frozen, um depois do outro, na TV a cabo.

a-ha – Take on Me

O single imortal da banda norueguesa surge em dois momentos-chave da trama, sendo responsável por embalar algumas das sequências mais emotivas do enredo, herdando o lugar que foi de “Careless Whisper” no filme anterior como tema romântico principal. Mais interessante do que isso é que o filme traz ainda uma referência visual ao videoclipe icônico da música, que traz um casal separado por uma parede invisível, que divide dois mundos tal qual acontece nas visões de quase-morte de Wade.

Se formos levar em conta que, na história do clipe, a protagonista é tragada para dentro de uma HQ – com direito a uma literal “quebra da quarta parede” lá pelas tantas, quando a gangue de motoqueiros persegue os pombinhos – temos aí ainda mais uma ligação insuspeita entre a canção e Deadpool!

Enquanto que na sequência que precede o ataque mortal ao apartamento do casal podemos ouvir no rádio a versão do single de 1985, a cena climática em que Wade consegue finalmente se aproximar de Vanessa traz a versão acústica lançada recentemente no álbum MTV Unplugged – Summer Solstice, de 2017. 

Peter Gabriel – In Your Eyes

OK, “Careless Whisper” foi o tema romântico do primeiro filme, “Take on Me” do segundo, muito legal. Mas o tema romântico da franquia tem que ser o do melhor casal, é claro! Falamos aqui obviamente de Deadpool e Colossus. Da mesma forma que prometeu e cumpriu para Vanessa no primeiro filme, Wade leva uma bela serenata via smartphone (com capinha de boom-box) para tentar amolecer o coração de aço soviético — e o resultado é um levá-lo às lágrimas em questão de segundos. Pudera!

AC/DC – Thunderstruck

A música que acompanha o glorioso salto de paraquedas da X-Force traça um paralelo da cena com uma sequência semelhante em Homem de Ferro 2, onde Tony Stark desce pelos ares ao som de Shoot to Thrill, outra da banda australiana.

Enya – Only Time

O som fino da cantora irlandesa dá um inusitado toque new age para o momento em que, durante a perseguição ao comboio de segurança, os excrementos vão de encontro ao dispositivo mecânico que converte energia de rotação em aumento de pressão do ar. (Indicação do leitor HIT)

 

IV. Dos Quadrinhos Para as Telonas

1. A Filha do Cable

As motivações da vinda de Cable para o presente no filme, longe de serem a bagunça que temos nas HQs, são bem simples: trata-se de parar Russell Collins antes que ele se torne o supervilão responsável por assassinar sua filha Hope. A referência aqui é à Hope Summers (traduzida inexplicavelmente para Esperança Summers nos quadrinhos nacionais – onde já se viu traduzir nome?), o bebê messias que foi o primeiro a nascer após o Dia-M. Nascida no presente, a bebê é levada por Cable para o futuro distante para protegê-la de todos os oponentes que buscam eliminá-la, como visto no arco Complexo de Messias.

Na série mensal de Cable roteirizada por Duane Swierczysnki, iniciando no arco Bebê em Guerraacompanhamos a viagem pós-apocalíptica para proteger o bebê de seu mais fanático oponente: Lucas Bishop. Ao longo do tempo, vemos Esperança se tornar efetivamente a filha adotiva do soldado calejado, sendo que pode-se dizer que a relação dos dois transformou o personagem de maneira marcante.

2. Rusty Collins ou Sammy Paré?

A versão de Russell que temos no filme não traz só características de sua contraparte nos quadrinhos. Especificamente no que se refere à sua relação com Fanático, e até mesmo pensando-se nos seus traços de personalidade, o personagem empresta um pouco de um obscurso garoto mutante chamado Sammy Paré, criado na fase de Chuck Austen (oof, pobrezinho…) nos roteiros de Uncanny X-Men.

Vítima de bullying e perseguição entre os colegas, Sammy encontra no Fanático (que na época estava reformado e morando na mansão, fazendo parte dos X-Men) o amigo forte que sempre sonhou ter. Se para o Fanático o final dessa história não é tão terrível quanto sua sina no filme, não podemos dizer que Sammy tem o mesmo final feliz de Russell, infelizmente… E a culpa é toda do outro amigo de Cain Marko, a arvorezona mal-intencionada conhecida como Black Tom Cassidy.

3. Uniforme dos X-Men

No arco Eu Quero Que Você Me Queira, da segunda mensal do Mercenário Tagarela, Deadpool tenta vender seu peixe em meio a um grupo de X-Men bastante ressabiado em relação à sua presença – nada muito diferente do que acontece no filme, excedendo o fato de que lá a iniciativa vem de Colossus. O uniforme que aparece no filme lembra uma versão precária do design de Paco Medina para a história.

4. Uniforme da X-Force

Após ser queimado por Rusty, perto do final do filme, o uniforme chamuscado de Deadpool passa a lembrar bastante a bela versão vista quando ele fez parte da Fabulosa X-Force.

5. A Morte da X-Force

A sequência absurda em que o time recém criado da X-Force acaba totalmente massacrado em sua primeira missão pode ser vista como um paralelo e referência à edição seminal X-Force #116. Com Peter Milligan e Mike Allred tomando conta do cambaleante título, na onda da chamada “NuMarvel”, a dupla trouxe uma equipe novíssima de personagens zero-bala, incluindo aí o líder da equipe e destaque da capa acima, Zeitgeist. Repleta de personaliades e poderes fantásticos, a equipe é formada por verdadeiras celebridades que estrelam um reality show mutante e são adoradas pelo público.

E todos morrem ali, na sua primeira aparição mesmo, incluindo o metido a bonzão do Zeitgeist. Quer dizer, quase todos: restam vivos a Garota Vai Nessa (única veterana sobrevivente), o calouro Anarquista e o câmera do programa, o misterioso ser conhecido apenas como Doop. A X-Force de Wade sai perdendo, já que nem para ter seus 15 minutos de fama o pobre grupo de azarados não serviu. Culpa do pé frio do Zeitgeist, só pode!

6. Deadpool e a Morte

O Deadpool é tão sem noção, que ele se propõe a ser fura-olho do Thanos. Ao longo do tempo, nos quadrinhos, o Mercenário teve mais interesses românticos do que os já citados Mímica, Siryn e Colossus. Um desses interesses é a própria Morte — ela mesma. Nesse sentido, as cenas em que vemos Wade conversando e tentando alcançar Vanessa podem ser lidas como paralelo aos encontros metafísicos do cara com a Morte. Voltar a se reunir com Vanessa, afinal de contas, seria abraçar o grande amor do Titã Louco…

7. Nada de matar criancinhas!

Em A Solução Apolíptica vemos um dilema ético semelhante ao enfrentado por Cable no filme: é certo matar um En Sabah Nur criança para evitar o surgimento de um Apocalipse adulto reponsável pela ruína da humanidade? Fantomex age por instinto e a equipe acaba concordado que sim, era o melhor a fazer afinal de contas. De todos os membros da X-Force envolvidos no caso, Deadpool é o que mais se revolta com a situação, ficando chocado com o ocorrido e, posteriormente, batendo boca com a equipe em Nação Deathlok. Quando a bússola moral de sua equipe é o Deadpool, algo vai muito mal! Na discussão, Wolverine manda-o calar a boca, uma vez que está ali só pelo dinheiro, ao que Warren revela em seguida que Wade não descontou nenhum dos gordos cheques que recebeu pelo trabalho com a equipe em mais de um ano. “Fuck you, Wolverine!

8. Bea Arthur

Lendo as HQs de Deadpool, uma das muitas obsessões de Wade que rapidamente ficará clara para o leitor é aquela que ele nutre pela artista multifacetada Bea Arthur. Nos filmes, pelo jeito a coisa também não é muito diferente, já que as duas katanas do personagem receberam esse belo batismo em homenagem.

9. Alpha Flight

Na cena em que Wade serenata a música de Peter Gabriel para Colossus, no topo do taxi vemos um anúncio da Alpha Flight, conhecida por aqui como Tropa Alfa. A equipe de super-heróis canadenses foi criada por Chris Claremont e John Byrne conforme a dupla explorava o passado de Wolverine, aparecendo aqui como parte da fixação de Wade pelo Canadá. E a quem pertencem os direitos cinematográficos desses caras atualmente?

10. Gerry Duggan

Na perseguição ao carro-forte, em determinado momento é dito que o veículo segue pela Gerry Duggan Parkway, homenagem ao roteirista Gerry Duggan, que recentemente encerrou sua fase frente ao título de Deadpool, a qual se iniciou com o irreverente arco Meus Queridos Presidentes.

11. Orfanato Essex

Novamente temos o name-drop de Essex em um filme mutante da Fox, após a cena pós-créditos de X-Men: Apocalipse. A ligação de Nathaniel Essex, o supervilão Sr. Sinistro, com as atividades macabras do Diretor não ficam muito claras, mas podemos imaginar que algum tipo de pesquisa terrível se escondia por detrás da fachada já horripilante o suficiente do local. Vale lembrar que, nos quadrinhos, Scott Summers cresceu em um orfanato que era monitorado por Essex.

12. O Dia-M

Por todo o orfanato de Russell, vemos vários cartazes espalhados que anunciam um evento chamado “O Dia-M”. Provavelmente alguma das loucuras espirituais do Diretor, a referência do nome do evento aqui é do ponto decisivo da cronologia mutante nos anos 2000. Ao final de Dinastia M, uma Feiticeira Escarlate totalmente fora de controle acaba proferindo três palavras fatídicas que exterminaram 99% dos genes-X da população mutante de todo o mundo, tornando-os forçosamente humanos (o que, por sua vez, acabou matando muita gente no processo). Estaria o abominável Diretor preparando algo do tipo?

13. Deadpool de Volta no Tempo

Na divertidíssima cena pós-creditos (ou de “meio de créditos”, como preferir), vemos Wade utilizar-se do dispositivo temporal para corrigir várias das falhas da linha cronológica. Nas HQs, uma das viagens do tempo mais marcantes do personagem acontece já na primeira mensal do personagem, em Deadpool #11, edição que pode ser considerada uma das melhores do personagem. Na trama, vemos Deadpool e Al Cega sendo transportados para o passado distante – mais especificamente, para a revista The Amazing Spider-Man #47onde acabam se disfarçando de Peter Parker e Tia May, e interagindo com os eventos da história da forma que você deve imaginar.

Por mais absurda que seja, essa divertida aventura tem efeitos canônicos e explica inclusive a origem de certas características de certos personagens. O que de certa maneira nos leva à seguinte questão: afinal de contas, Vanessa está viva ou morreu??

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Com isso chegamos ao fim da nossa lista! Ou será que não? Vale lembrar que assim como na cabeça do Deadpool, aqui sempre tem espaço para mais uma voz! Então não pense duas vezes antes de sugerir alguma adição à lista!

GIBA HOFFMANN . . Graduado em Ciências Mutantes pelo Instituto Xavier Para Estudos Avançados, realizou trabalho de pesquisa em Historiografia Mutagênica sob orientação do Prof. Charles Xavier. Mestrado interrompido em Transmutação Humana sob orientação do Prof. Doutor Van Hohenheim. Doutorado em Transcendência Dimensional de Cômodos sob orientação do Professor Doutor John Smith. Atualmente realiza curso por correspondência (escrita) sobre Combate a Vampiros com o uso de Stand, pelo Instituto Speedwagon.