Entenda Melhor | Demolidor – Aniversário de 50 Anos: Parte Dois

Na primeira parte desse Entenda Melhor, tratamos do que podemos chamar do nascimento do Demolidor, em 1964, até sua quase “morte editorial” no finalzinho da década 70. O herói estava mal das pernas lá por esse período, com vendas caindo vertiginosamente, a periodicidade apenas bimestral como no começo de sua vida em quadrinhos e não havia muito mais o que fazer. Ou havia?

Entra, então, Frank Miller para lidar com o herói. É isso que trataremos nessa segunda e penúltima parte do Entenda Melhor em homenagem aos 50 anos de Matt Murdock, o Demolidor, além de toda a história editorial pós-Miller, até os dias atuais com Mark Waid no comando.

A primeira Era Frank Miller (1980 – 1983)

Basicamente forçando a saída de Roger McKenzie da Marvel, Frank Miller, então só artista na revista Demolidor, assume as rédeas completas do personagem, quase que como a última esperança para o herói cego. McKenzie, porém, já havia começado uma jornada para Matt Murdock que simplesmente não teria volta: a de tornar o personagem mais torturado e, portanto, sombrio.

Frank Miller dobrou, triplicou, não… quadruplicou a aposta de McKenzie e retrabalhou o Demolidor completamente em um dos movimentos mais arriscados que se tem notícia nos quadrinhos – e que ele viria a fazer novamente com o Batman em O Cavaleiro das Trevas, em 1986, ainda que, sob muitos aspectos, em menor escala.

Daredevil 2 - 168 - Elektra final

Demolidor #168 – Primeira aparição de Elektra, com direito até a erro de digitação do nome dela na capa…

O caminho para as “trevas” não foi apenas uma mudança de tom. Miller foi além e retrabalhou o conceito do herói, introduzindo retcons atrás de retcons. Para quem não está acostumado com o jargão de quadrinhos (ainda que o retcon também seja usado largamente em outras artes), essa palavra é um acrônimo de retroactive continuity ou, em português, “continuidade retroativa” e significa, simplesmente, a inserção de elementos novos e/ou a modificação do passado de algum personagem retroativamente. Frank Miller fez os dois – inseriu e modificou elementos – sem se preocupar em enraivecer fãs ardorosos ou mesmo de macular a imagem do herói.

A escala do que ele fez é muito raro de se fazer mesmo hoje em dia. Sim, universos novos podem ser criados (o universo Ultimate da Marvel é o exemplo mais gritante disso) e sim, todo um passado de continuidade complicada de uma editora inteira pode ser trocado por um “presente” mais simples, como é o caso do projeto Os Novos 52 da DC. Mas Miller, arrisco dizer, foi muito além. Ele trocou os pneus do carro com ele andando, sem nem diminuir a marcha. O pai dedicado de Murdock tornou-se um atormentado pugilista que abusava do filho quando criança, o Mercenário passou a ser um louco homicida com uma vontade só, trucidar com o Demolidor, Elektra, uma ninja, aparece na vida de Murdock como um amor há muito tempo enterrado e o próprio Demolidor é transformado em um ninja que havia treinado sob a batuta de Stick, líder do clã Chaste e que tem como inimigo o clã The Hand. O Rei do Crime, clássico inimigo do Homem-Aranha é simplesmente removido de seu status como tal e colocado em rota de colisão com Matt Murdock.

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Stick enfiando porrada em Murdock… Velho folgado…

Em suma, Frank Miller reescreveu o Demolidor completamente, mantendo, apenas com a mesma aparência física que antes. De resto, o Demolidor da década de 80, que é o Demolidor que hoje conhecemos, mas que já tinha 17 anos de vida, é um novo herói com o mesmo nome e o mesmo uniforme. Afinal de contas, foi um absoluto choque ver aquele herói tranquilo de anos anteriores fazer roleta russa com o Mercenário que ele mesmo, logo antes, havia transformado em tetraplégico, não?

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Demolidor é mau como o Pica-Pau: faz roleta russa até com tetraplégico!

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Um dos momentos mais chocantes da Nona Arte

No entanto, Miller não reescreveu o Demolidor apenas pelo esporte de reescrever. Ele o fez para dar estofo ao passado de Murdock, para explicar melhor como ele pode ser tão bom em acrobacias assim e para, claro, fazer o que ele faz de melhor com seus personagens: derrubá-lo no chão para reerguê-lo magistralmente. Reparem na inserção de Elektra no jogo. Miller criou um personagem riquíssimo, fundindo seu passado com o do Demolidor com o único objetivo de, 13 números depois dela aparecer pela primeira vez, matá-la sem piedade em uma das mortes mais chocantes e violentas dos quadrinhos. Tudo, claro, meticulosamente planejado desde o começo para enlouquecer nosso personagem favorito.

Com todo o esforço de Miller tanto nos roteiros quanto nos desenhos, além da inestimável ajuda de Klaus Janson também nos desenhos, que ficou ao lado de Miller por todos esses anos, o Demolidor, ao entrar nas trevas psicológicas, saiu das trevas editorais e alcançou novamente seu posto bem merecido dentre as mais importantes publicações da Marvel nos anos 80.

Um breve hiato (quase) sem Miller (1983 – 1986)

No #191, em fevereiro de 1983, Frank Miller larga o Demolidor e segue sua carreira com uma criação própria para a DC – a magnífica minissérie em 6 edições Ronin – que pavimentou seu caminho de sucesso nessa editora também. O trabalho de continuar o Demolidor ficou nas mãos de Denny O’Neil, o editor responsável pela demissão de Roger McKenzie anos antes e que abriu as portas integralmente para Miller.

O’Neill continua com a tendência dark do Demolidor, mas retira dele o peso psicológico das tentativas de assassinato que ele cometeu com o Mercenário. Foram, porém, números pouco marcantes em geral na carreira do Demolidor, com Frank Miller voltando brevemente para escrever um número – #219 – junto com Sal Buscema. Mas foi mesmo apenas um número. De duradouro mesmo, nessa fase, só o aparecimento de David Mazzucchelli na arte, já que ele faria par com Miller no aclamado arco A Queda de Murdock (Born Again).

A segunda Era Frank Miller (1986)

Em circunstâncias normais, não dá para realmente chamar de “era” um arco com apenas sete números, mas a importância e a aclamação d’A Queda de Murdock na história dos quadrinhos Marvel é tão grande, que não há outra forma de fazer jus ao fenômeno. Juntamente com Mazzucchelli, Miller faz, talvez, o arco definitivo da carreira do Demolidor, voltando a literalmente pegar pesado com o herói.

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O começo da queda de Murdock. E que queda…

Nessa memorável narrativa, o Rei do Crime descobre a identidade secreta do Demolidor (na segunda vez em que essa muleta narrativa é usada na série, e não seria a última) e, no lugar de simplesmente matar Matt Murdock, decide infernizar sua vida, destruindo todos e tudo que ele ama antes de acabar com o herói. Miller não facilita e até as circunstâncias da revelação da identidade carrega um peso que é raro de se encontrar em quadrinhos mainstream: Karen Page, ex-secretária e ex-namorada de Murdock, que havia anos abandonara seu emprego para perseguir a carreira de atriz, volta para Nova Iorque drogada e tendo participado de filmes pornográficos. Ela literalmente vende a identidade secreta de Murdock por uma dose de heroína e a informação, claro, cai nas enormes mãos de Wilson Fisk, o Rei do Crime.

É difícil lembrar de uma narrativa tão sombria em relação a um herói tão importante de uma grande editora. Há diversos exemplos de momentos sombrios em relação a vários heróis (como o assassinato de Alex DeWitt, namorada do Lanterna Verde Kyle Rainer, que a encontra dentro da geladeira, cortesia de Gail Simone), mas nunca de maneira tão ampla e tão bem trabalhada. O Demolidor vai para o fundo do poço de sua reputação, de suas finanças e, principalmente, de sua sanidade.

Trabalhando com simbologia cristã, sentimentos de culpa, discussões morais profundas e mais uma infinidade de outros elementos que, nos dias de hoje, são raros de se encontrar simultaneamente em uma história mainstream, Miller, com a fantástica arte de David Mazzucchelli levam o Demolidor ao proverbial fundo do poço, o que, ao mesmo tempo, significou o ponto alto da carreira editorial do herói cego mais famoso dos quadrinhos. Um feito e tanto!

A Era Ann Nocenti (1987 – 1991)

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Primeira aparição de Mary Tifóide – ô mulher para dar trabalho para o Demolidor…

Entre o final da segunda era Frank Miller e Ann Nocenti (basicamente pelo final do ano de 1986), a revista do Demolidor pulou de roteirista em roteirista. Quando chegou a Nocenti, a coisa parou e ela acabou se tornando a mais longeva escritora do herói até hoje (será que Mark Waid, o atual escritor, consegue passar o recorde dela? ).

Apesar desse tempo todo sob a batuta de Nocenti, sua era foi curiosamente vazia de grandes arroubos de criatividade. Talvez essa afirmação seja injusta, pois é inevitável comparar seu trabalho com o que Frank Miller fez antes, mas Nocenti pouco fez em termos de história, limitando-se a fazer Murdock voltar a trabalhar com Foggy Nelson em uma ONG de advocacia que os dois criam e a introduzir uma nova e mortal inimiga, Mary Tifoide. Mas Nocenti tem o mérito indiscutível de ter conseguido manter o interesse pelo Demolidor ao longo de todo o tempo a frente do título, apesar das constantes mudanças de artistas até um certo descanso quando John Romita Jr. (vulgo Romitinha, para os íntimos) começa a desenhar o personagem no # 250 e indo até o # 282.

Os movimentados anos 90

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Retcon em cima de retcon em cima de retcon…

Depois da saída de Nocenti, em 1991, D.G. Chichester passa a escrever o título sem perder um batimento cardíaco sequer, pois ele continua exatamente de onde a roteirista anterior parou. Se, por um lado, isso demonstrava perfeita continuidade da série, de outro mostrava um certo “cansaço criativo”. Mas isso não impediu que, com o arco “Os Últimos Ritos”, englobando os números # 297 a # 300 e que tratava, agora, da “queda do Rei do Crime”, a crítica aplaudisse o trabalho. Era uma espécie de catarse aos leitores ver Wilson Fisk, finalmente, desmascarado pelo Demolidor.

Em 1993, Frank Miller (sempre ele!) volta, dessa vez ao lado de Romitinha, para recontar a origem do herói na minissérie em cinco edições intitulada simplesmente de Demolidor: O Homem Sem Medo. Os números, vendidos separadamente da continuidade do herói, mas se aprofundando no passado do Demolidor, alterando-o ainda mais (afinal, Miller já tinha mexido tanto que um pouco mais não faria diferença), foram aclamados pela crítica e funcionam, literalmente, como o “Ano Um” de Batman funcionara pelas mãos de Miller em 1987. Vemos mais de Stick, vemos mais de seu treinamento, vemos mais de Elektra e vemos mais ninjas, bem mais. Com isso, Miller e Romitinha nos entregaram a mais “definitiva” (enquanto dure) história de origem do herói cego.

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O cara não é à prova de balas. Até faz sentido uma armadura, vai…

Mas, continuando o trabalho de Chichester, vemos, finalmente, a volta de Elektra (mortos não ficam mortos muito tempo nos quadrinhos, não é mesmo?) e uma mudança radical no uniforme do herói, que passa a ser uma espécie de armadura (!!!). Lembrem-se que os anos 90 foram pródigos nas modificações radicais de uniformes de diversos heróis da Marvel, nenhum – a não ser o “uniforme negro do Aranha – com alguma relevância. Mas, por incrível que pareça, a armadura de Matt Murdock foi usada relativamente durante um caminhão de tempo (do #319 até o #325, no arco Fall from Grace), até ser destruído.

Seguiram-se diversos escritores na série, alguns tornando o tom pesado bem mais leve, mas sem muito sucesso. O título, então, é cancelado no número #380, em outubro de 1998, com mais um roteiro de Chichester. Mas claro, tudo não passava de um estratagema, hoje irritamente muito comum, de “zerar um título” para trazer mais leitores. Assim, não demora nem um mês e o Demolidor volta às bancas no #1 do volume 2, sob o selo Marvel Knights, com roteiro do diretor e roteirista Kevin Smith e desenhos de Joe Quesada, que foi editor-chefe da Marvel até 2011. Smith mexe com temas religiosos em seu arco, mas ele é substituído em seguida por David Mack, que também faz a arte.

Da Era Brian Michael Bendis até Mark Waid,
passando por Jeph Loeb e Ed Brubaker (2000 a 2011)

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O impressionante desenho de Maleev.

Nos 11 anos que se seguiram, o Demolidor passou pela mão de grande nomes da Marvel, tanto do lado do roteiro, como do lado da arte. O primeiro desses grandes nomes – ainda que muita gente não goste dele – foi o hoje quase onipresente Brian Michael Bendis, que começa a escrever o herói a partir do #16 do Volume 2, ainda sob o selo Marvel Knights. Wake Up é um arco curto (até o #19) que aborda a vida do Demolidor sobre o ponto de vista de Ben Ulrich, o repórter criado para a série anos antes.

Segue-se Bob Gale por alguns números, até que na edição #26, Bendis volta, dessa vez ao lado do sensacional artista Alex Maleev e os dois ficam a frente do título por impressionantes quatro anos em um linha editorial que muitos consideram como tão sensacional quanto as de Frank Miller. Vemos novamente a identidade secreta do Demolidor ser revelada e o Rei do Crime ressurgindo na vida do herói.

Em 2001, entre o primeiro e segundo passeios de Bendis pelo Demolidor, Jeph Loeb escreve e Tim Sale desenha o aclamado Demolidor: Amarelo, em 2001, recontando mais uma vez a origem do herói, como parte do projeto das “cores” da Marvel. O traço de Sale e a abordagem reverencial, mas inteligente de Loeb, usando-se de cartas escritas por Karen Page, trazem um frescor gigantesco ao cânon do Demolidor, sem invencionices ou mais retcons.

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O uniforme circense amarelo nunca foi tão sensacional como no traço de Tim Sale.

Mas voltando à continuidade normal, Ed Brubaker, o sensacional roteirista que tirou o Capitão América do marasmo, pega o título em 2006, no #82 do Volume 2, já sem o selo Marvel Knights e colocado o Punho de Ferro como o “novo Demolidor” por um tempo. Ele continua capitaneando o herói até o número #119, quando a Marvel reverte à numeração normal, para comemorar a 500ª edição do personagem. O trabalho de Brubaker é laureado como um dos melhores da carreira do autor e, em 2009, Andy Diggle passa a escrever a série.

Nem perderemos muito tempo falando de Diggle, pois ele coloca o Demolidor no forçadíssimo crossover Terra das Sombras, de 2010, que transforma o herói em um vilão literalmente tomado por um demônio (repararam: Daredevil possuído por um demônio, ha, ha, ha…) que comanda o clã The Hand. A única coisa boa dessa série foi ver o Demolidor com uniforme preto que ficou bem interessante. O resultado de Terra das Sombras foi a substituição do Demolidor pelo Pantera Negra, só que com roupa de Demolidor e uma alteração de título que não faz sentido nenhum, Pantera Negra: O Homem Sem Medo (WTF???).

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– Eu sou o Batman! Não, peraí…

A Era Mark Waid (2011 – presente)
*capítulo de autoria do editor-chefe Luiz Santiago

O Volume 3 das histórias do Demolidor, publicado nos Estados Unios entre julho de 2011 (edição #1) e fevereiro de 2014 (edição #36), teve Mark Waid à frente como roteirista e arrancou elogios da crítica e do público – além de prêmios Eisner e um novo fôlego de vendas para o herói.

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Demolidor no Carnaval, pelos traços dos Rivera e roteiro de Waid

Waid pegou o Demolidor das mãos de Andy Diggle, que cometeu o horrendo arco Terra das Sombras. Quando anunciado pela Marvel, é claro que houve um efusivo ânimo dos fãs, mas poucos acreditavam que o autor conseguisse levantar o moral do ‘diabo destemido’ como fez dali para frente.

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Capa de Daredevil #1, de março de 2014, já com a tag All-New Marvel Now. Cronologia zerada mais uma vez!

O escritor procurou retomar elementos clássicos essenciais do Homem Sem Medo e fazer desse herói urbano não mais (ou apenas) um personagem prioritariamente sombrio, mas alguém que conseguisse ver a vida além das trevas, especialmente depois de passar pelo genial inferno criado por Frank Miller nos anos 80.

Waid passa a visitar constantemente os demônios do passado do herói, mas não deixa que eles assombrem mortalmente o Murdock da atualidade. Para o autor, o tempo curou as feridas do advogado cego e transformou o herói em alguém sisudo e ainda mais introspectivo, mas capaz de começar uma conversa através de ironias, fazer piadas nervosas em momentos de tensão e vislumbrar algum vestígio de esperança quando necessário.

Diante da reformulação feita pela Casa das Ideias em 2011 – o projeto Marvel Now! – ficou estabelecido que ao fim do arco central do Demolidor de Waid, a revista seria cancelada no Vol.3 e retomada com o mesmo autor no Vol. 4, já com a tag All-New Mavel Now!, o que aconteceu em meados de Março deste ano (2014) e trouxe a visão de Waid para o novo começo da jornada do Homem Sem Medo.

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Bom, com isso, acabamos com a  abordagem do lado editorial do Demolidor. No próximo Entenda Melhor, a ser publicado em uma semana, veremos o herói em outras mídias. Preparem-se para ter suas retinas queimadas pelas imagens que verão!

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.