Entenda Melhor | Doctor Who: The Last Day

estrelas 4

The Last Day foi lançado com o mesmo propósito de The Night of the Doctor, ou seja, servir de pré-sequência para o Especial de 50 anos da série. Em apenas 4 minutos, Steven Moffat nos mostra um dos momentos mais importantes do calendário da Time War e da própria mitologia de Doctor, que nesse ponto, como sabemos, ainda está engatinhando no quesito “informações”.

O minisode se passa em uma cidade de Gallifrey nunca antes mostrada na série: Arcadia. O 10º Doutor chegou a citar a cidade para Rose em Doomsday (2ª Temporada), dizendo que estava lá no dia da queda, durante a Time War, mas fora isso não tivemos mais informações precisas sobre o local. É importante lembrar que Arcadia não é a mesma coisa que o Capitólio de Gallifrey, a imagem mais frequentemente vista do planeta do Doutor. Abaixo, temos duas versões do Capitólio, uma que representa os tempos de paz e outra os tempos de guerra, mostradas respectivamente em The Name of the Doctor (7ª Temporada) e no trailer do Especial de 50 anos, The Day of the Doctor.

Enquanto sempre vemos imagens do Capitólio destruído, não vemos, nem nesse The Last Day, os escombros de Arcadia – embora a gente imagine como tenha ficado a cidade e a tirar pelo que o 10º Doutor comentou a respeito, não sobrou muita coisa. De forma bastante irônica, durante a Time War, Arcadia era conhecida como “o lugar mais seguro de Gallifrey”. Toda essa segurança mostrada no título da cidade se devia ao desenvolvimento de uma tecnologia capaz de escanear o céu à procura dos mínimos corpos estranhos possíveis. A ideia das trincheiras aéreas era que nada passasse pelo céu da cidade sem antes ser identificado. 

O roteiro desse minisode explora o dia em que os Daleks, de alguma forma, conseguiram driblar a tecnologia gallifreyana e entrar em Arcadia.

Antes do ataque, porém, vemos cenas do primeiro dia de trabalho de um soldado com uma headcam no elmo. Um outro companheiro lhe dá as instruções sobre o dispositivo, fala das alucinações e “não premonições”, como também sobre o funcionamento dos uploads dos dados cerebrais para as famílias, caso o soldado morresse (bizarro, isso, não? Mas ao mesmo tempo genial! Me lembrou um pouco Silence in the Library). E sobre as tais alucinações: é natural que mesmo um Time Lord tivesse efeitos colaterais tendo uma pequena parte do seu cérebro transformada em um disco rígido. Para fazer o upload dos dados cerebrais, o processo dessa headcam era claramente invasivo, o que explica os tais efeitos psíquicos. Porém, há uma ironia moffatiana no roteiro, já que o soldado treinador diz para o novato que o que ele teria NÃO ERAM PREMONIÇÕES e sim ALUCINAÇÕES, todavia, a gente sabe que foi exatamente o contrário: a gritaria quando os Daleks invadem o céu de Arcadia fala por si só.

No melhor estilo Master Chief, de Halo, boa parte do episódio é visto sob a perspectiva desse soldado de primeira viagem.

     

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Soldados em Gallifrey?

Pois é. Soldados (e até Exército) em Gallifrey. Já não é novidade que os Time Lords se tornaram uma raça bem diferente daquela que normalmente acreditamos que eram. A Time War mudou todas as coisas, e isso também não é algo tão novo assim, já que sabemos os planos dos Daleks, caso vencessem essa guerra. Os Time Lords apenas fizeram de tudo para que isso não acontecesse, uma espécie de plot à la Dreadstar: A Odisseia da Metamorfose, com quem a Time War e o próprio genocídio cometido pelo War Doctor guarda muitas semelhanças. Também é válido dizer que os Time Lords não lutavam apenas por eles, mas por toda a forma de vida do Universo, que poderia ser morta ou escravizada, coisas que vimos acontecer ao longo dos anos da história dos Daleks.

Um burburinho desinformado na internet levantou a hipótese de que esses soldados em The Last Day não eram Time Lords, todavia, isso é completamente impossível. Não pelo fato de serem gallifreyanos, uma vez que a gente sabe que nem todo mundo que nasce em Gallifrey é Time Lord/Lady, haja visto as mulheres da Irmandade de Karn (que tiveram um importante papel na vida do 8º Doutor, em The Night of the Dcotor), que são naturais de Gallifrey, mas não são Time Ladies.

Bom, então como é possível afirmar que eles são Time Lords? Pelo uniforme que eles estão usando. Se observarem bem os ombros dos soldados vocês verão um símbolo, o Selo de Rassilon, a marca dos Time Lords (especialmente em tempos de guerra/conflito, já que foi criado durante uma situação desse tipo).

Selo de Rassilon

Rassilon?

Rassilon é comumente chamado de “o primeiro Time Lord”, a pessoa que descobriu a viagem no tempo, por isso é considerado o fundador dessa civilização, juntamente com Omega, um outro Time Lord primordial. A importância de ambos data da antiga guerra contra os Vampiros (“Old Ones” originados no Pré-Universo, assim como a força Animus que vemos em The Web Planet e Prisioneiros do Tempo #1), evento que pode ser visto em State of Decay (1980), uma aventura do 4º Doutor ao lado de Romana, Adric e K9.

Rassilon ficou biruta com o passar do tempo, obcecado pela importância política que recebeu e pelo próprio poder e considerável “supremacia” dos Time Lords, daí a sua recusa e uso do lema “vitória a qualquer preço” quando liderou seu povo durante a Time War. Ele apareceu pela primeira ver na série clássica, em The Five Doctors (1983), e o seu retorno em The End of Time (Especial do 10º Doutor) nos diz bastante coisa sobre sua personalidade ensandecida e colérica nesse ponto da História do planeta; basta apenas lembrarmos de um pequeno trecho de seu discurso:

E o Doutor, onde estava?

Bom, é difícil falar com precisão sobre isso, já que existem várias citações e referências um pouco contrastantes a respeito. O que podemos dizer com certeza é que o 10º Doutor viu a queda de Arcadia (e não vejo por que ele iria mentir com uma coisa séria e triste como essa).

Também sabemos que a Time War estava em andamento quando os acontecimentos desse minisode se deram, mas não temos muita certeza QUAL é esse momento da Time War.

Se formos levar em consideração o que é dito em The Forgotten (2008-2009), sabemos que o 8º Doutor esteve preso em um planeta que tem tudo pra ser Gallifrey, tanto pela luz alaranjada que entra pela cela (e pelo exterior alaranjado, quando ele foge), quanto pelo que ele diz no decorrer da história. Ou seja, antes dos acontecimentos de The Night of the Doctor, o 8º Doutor estava numa cela. E sabemos que durante isso havia uma guerra. Dá pra perceber o ressentimento surgindo no bondoso coração dessa encarnação do Doutor? E a pergunta que não quer calar: pra onde ele vai quando foge da prisão?

Como sempre, as dúvidas relacionadas ao Universo de Doctor Who fazem parte da graça e nos fazem gostar ainda mais da série. Com o Especial de 50 anos teremos algumas respostas a respeito dos eventos aqui abordados, mas não creio que todas as coisas serão esclarecidas, porque não me parece plausível que Moffat escreveria um roteiro inteirinho sobre a Time War. Não é a cara dele.

Diante desses dois prequels, podemos afirmar com certeza que a Time War estará em The Day of the Doctor, porém, não tenha dúvida: nós vamos querer [muito] mais.

Doctor Who – The Last Day (UK, 2013)
Showrunner: Steven Moffat
Roteiro: Steven Moffat
Direção: Jamie Stone
Duração: 4 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.