Fora de Plano #02 | Dose de Realismo Explode o Universo Crepusculete

Creio quem a essa altura todos já estão a par do caso envolvendo o “casal crepúsculo” Robert Pattinson e Kristen Stewart, e o diretor de Branca de Neve e O Caçador, Rupert Sanders. Para os “desinformados”, vazaram fotos da atriz e do cineasta em momentos, digamos, tórridos. Poucos instantes depois, a crepusculete-mor assumiu o caso, com a seguinte declaração:

Estou profundamente triste pela dor e constrangimento que causei às pessoas próximas a mim e a todos que foram afetados. Esta indiscrição momentânea comprometeu a coisa mais importante na minha vida, a pessoa qu eu mais amo e respeito, Rob. Eu o amo, eu o amo, eu sinto muito.

Este seria apenas mais um acontecimento por trás das cortinas de Hollywood e que viraria notícia em tabloides, sendo esquecido em uma semana, não fossem as reações desmedidas de adolescentes ao redor do mundo. Ora, não é novidade que fãs da autointitulada saga nutrem algo passional que vai além da ficção, logo, até mesmo vídeos chorosos no Youtube, páginas afirmando que tudo não passou de montagem e ações afins não são exatamente novidades, porém, não deixam de preocupar.

Os adolescentes sem qualquer traço cultural pareceram esquecer os limites entre realidade e fantasia, relembrando o fatídico caso recente sobre o atirador em Colorado, na sessão do filme Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. E antes que atirem pedras por essa comparação, reiteramos que em pouco divergem. Tudo bem que nenhuma crepusculete (termo usado na Internet para intitular fãs desmedidos) matou alguém, mas assusta a maneira como reagem a um fato envolvendo pessoas que eles jamais conheceram e que não tem qualquer relevância sobre a sociedade. Casos de traição sempre aconteceram no mundo do cinema, e esta questão deveria estar unicamente ligada à vida pessoal dos envolvidos. Mas a massiva fome de futilidades, alimentada por paparazzi e principalmente pelas agências, redes e editoras que pagam caríssimo por fotografias comprometedoras, tornaram a vida pessoal das celebridades um universo paralelo.

Não bastasse a enlouquecida postura de algumas pessoas ante seus ídolos, as inutilidades da sociedade do espetáculo ganharam status de “importância máxima”. Existem programas de televisão especializados em dissecar a vida pessoal de artistas, e também revistas, jornais, páginas e páginas na internet que são verdadeiros stalkers e vigilantes da moral alheia, contemplando cada passo em falso e tornando a vida das celebridades “grandes eventos”, mas cuja importância para a vida de qualquer ser humano é um zero absoluto.

Não obstante, jovens fanáticos pela saga Crepúsculo e pelos seus protagonistas no cinema se esquecem que essas pessoas são adultas e livres, e que estão sujeitas a qualquer coisa que envolve a existência de uma pessoa comum, desde fazer sexo até atropelar um animal numa rodovia. O apreço à arte parece perder espaço na vida de uma grande parcela da nova geração. O que existe hoje é uma crescente falta de identidade que impulsiona garotinhas e garotinhos (quero crer que os adultos estão livres disso) a espelharem suas vidas nos passos desses artistas. Os valores da família perderam força. A escola é apenas uma obrigação chata. O que vale agora é imitar o ator bonitão e a atriz sensual. Mas aí está o problema: e quando essas pessoas falham?

Sem nenhuma outra base, adolescentes e jovens querem que Robert Pattinson e Kristen Stewart, ou qualquer outro artista, tenham uma vida irrepreensível, e que se mantenham no Olimpo do “bom-moço” e “boa-moça” tão sustentado pela massa de filmes hollywoodianos. Eles se esquecem que há uma diferença colossal entre o mundo que está na tela e o mundo real, e com isso, se martirizam e não querem crer que a pessoa que construíram para si, fugiu aos moldes da perfeição. Soma-se a isso o modelo de entretenimento em vigor e a desintegração da família. O resultado? Jovens e adolescentes sem orientação alguma, sem limites e extremamente egoístas, que acham que no mundo real, as pessoas são como os bonequinhos e soldadinhos dos seus jogos de videogame, que podem ser controlados ao seu bel prazer. E nós sabemos o que crianças mal educadas fazem quando alguma coisa que elas querem não dá certo: elas choram, esperneiam, gritam, berram, e “ficam de mal” daqueles que frustraram os seus planos.

Pois é, leitores… a única coisa que podemos tirar desse fútil caso de adultério é mais uma confirmação de que muitos de nossos jovens estão perdidos, vítimas de uma sociedade que, não bastasse transformar as pessoas em objetos, lucram muito com elas e as tornam demasiadamente interessantes para uma enorme quantidade de pessoas. É tempo de começar a temer o futuro.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.