Entenda Melhor | Em Qual Ordem Devo Assistir Star Wars?

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O Despertar da Força está finalmente chegando e não há melhor hora para rever os seis filmes de Star Wars, a dúvida que sempre fica, porém, é a seguinte: ordem cronológica ou de lançamento? Aqui nesse post eu irei explicar que a melhor maneira não é nenhuma dessas duas e sim uma terceira, que consiste em: IV, V, II, III e VI. Isso mesmo, sem o Episódio I! Alguns já devem conhecer esse esquema, é chamado de Machete Order, idealizado por Rod Hilton, e ele coloca as seis obras de forma que a narrativa toda gire em torno da jornada de Luke e a ascensão/ queda do Império.

Antes de entrarmos, porém, vamos contemplar as duas outras possibilidades.

Ordem de lançamento (IV, V, VI, I, II, III)

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Obi-Wan, Luke e C3PO tentando decidir em que ordem assistir a saga

 

Assistir Star Wars da maneira como ele foi originalmente lançado cria uma evidente ruptura na narrativa da saga. Primeiro acompanhamos a história de Luke Skywalker, vemos como ele se tornou um jedi e derrubou o Império. Logo em seguida, voltamos ao passado e descobrimos como a galáxia chegou a tal ponto, como Anakin Skywalker se tornou Darth Vader. Ouso dizer que essa é a ordem que mais diferencia  as duas trilogias, sentimos como se estivessem muito distantes uma da outra e o pior: assistir a trilogia original e logo após a nova apenas nos faz enxergar mais os deslizes de George Lucas, especialmente considerando A Ameaça Fantasma. Por outro lado, essa maneira de assistir cria um ciclo fechado em si próprio, ciclo este que vai ser prejudicado por O Despertar da Força, já que vamos ficar em um vai e vem que quebra a fluidez da história como um todo. Isso, é claro, sem falar na aparição de Hayden Christensen como fantasma da Força na edição especial de O Retorno de Jedi, que não faz o menor sentido para quem não assistiu a trilogia nova ainda!

Ordem cronológica (I, II, III, IV, V, VI)

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Palpatine se referindo aos defensores da ordem cronológica

 

Do I ao VIa saga assume um contexto bastante diferente. Não se trata mais da história de Luke e sim de Anakin, como ele se tornou um jedi, caiu e foi redimido – a jornada do herói do personagem em questão é a que ganha maior destaque e isso acaba ofuscando a de seu filho, que, pessoalmente, considero muito mais interessante. Basta enxergarmos, Vader é o clássico caso do anjo caído, enquanto Luke era um zé ninguém que quase entrou para a academia imperial, passou a fazer parte da aliança rebelde, quase caiu para o lado negro e, no fim, destruiu o Império. O conflito interno do personagem, gostemos dele ou não, é muito interessante e garante uma notável profundidade a ele. Assistir Star Wars com o foco em Vader certamente não é algo ruim, mas tira nosso enfoque de aspectos cruciais dentro do universo em questão, como a luta pela liberdade almejada pela Aliança Rebelde. Acima disso tudo, para quem é completamente “virgem”, essa ordem estraga totalmente a revelação de que Darth Vader é pai de Luke! E sim, quando eu assisti O Império Contra-Ataca, com meus seis anos de idade, eu não sabia disso, é um choque monumental.

A “Machete Order” (IV, V, II, III, VI)

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Chegamos, enfim, à maneira que mais faz sentido em termos de narrativa, especialmente considerando que iremos assistir a O Despertar da Força muito em breve. Começando por Uma Nova Esperança, somos inseridos no universo criado por George Lucas da melhor maneira possível. Com uma trama bastante simples somos apresentados à Força, ao Império, aos vilões e heróis e, é claro, ao objetivo central da trilogia: acabar com o Império. Os dois primeiros passos – IV e V – são óbvios e é a partir daqui que essa ordem mostra todo seu valor.

O Império Contra-Ataca traz um dos maiores cliffhangers da história do cinema, Luke descobre que Vader é seu pai, Han é congelado e levado para o Palácio de Jabba e somos deixados nessa expectativa conforme o filme se encerra com a frota rebelde se distanciando. Tudo isso é resolvido em O Retorno de Jedi, mas antes de irmos para lá, agora que descobrimos quem é Vader, vamos ter um flashback e descobrir sua história – um detalhe interessante é que a nave médica no final de O Império Contra-Ataca é vista indo para a esquerda, o que narrativamente falando pode simbolizar uma jornada para o passado, justificando um flashback, isso sem falar no momento contemplativo de Luke e Leia que olham para a galáxia pela janela.

Voltamos, portanto, ao Episódio IIPor que II e não I? Simplesmente porque A Ameaça Fantasma não acrescenta NADA de útil à saga e ainda nos livramos de Jar Jar Binks e um podracing extremamente longo. Mas por que o Episódio I nada acrescenta? A resposta é simples, todas as informações ou acontecimentos de destaque dele podemos extrair direto de sua continuação. No início de Ataque dos Clones já sabemos que Anakin é aprendiz de Obi-Wan, aliás, já sabemos disso desde Uma Nova Esperança (mais um motivo pelo qual é importante começar por ele). Padmé é colocada como senadora da República logo no texto de abertura. O Chanceler Palpatine também é introduzido nas cenas iniciais, junto do conselho jedi com Yoda e Windu. O romance de Anakin e Amidala ainda é colocado logo no princípio e se torna muito mais fácil de aceitar quando temos nossa imaginação para construir o que veio antes e não um filme que mostra que ela é uma grande pedófila. Mesmo a vida de escravo de Ani é revelada através de um diálogo com Watto, o que já estabelece a personagem de sua mãe e justifica a ira do jedi posteriormente.

Ani criança cabisbaixo porque foi deixado de fora

Ani criança cabisbaixo porque foi deixado de fora

O posterior, A Vingança dos Sith, é o caminho óbvio, finaliza o flashback mostrando a queda de Skywalker. Aqui encontramos o que poderia ser considerado único defeito dessa “Machete Order” – na cena do parto de Padmé, descobrimos que Luke é irmão de Leia, o que estraga a revelação do Episódio VI. A verdade, porém, é que a revelação apenas é transferida para o Episódio III e trabalhada novamente no último filme da saga. O final, com Owen e Beru olhando para os dois sóis de Tattooine cria um vínculo direto com a trilogia original e nos transporta de volta para O Retorno de Jedi, no qual a saga, de fato, se encerra.

Assim, após assistir a criação do Império e como Anakin foi manipulado, vamos para o desfecho. O interessante é que, colocando os episódios IIIVI lado a lado temos os dois clímax da saga juntos, além de ter o início e o fim do Império próximos um do outro. O mais importante do flashback, contudo, eu diria que é o distanciamento que ele cria entre O Império Contra-AtacaO Retorno de Jedi, que permite uma maior sensação de passagem de tempo, que nos faz acreditar mais no crescimento de Luke (que se torna um cavaleiro jedi), dá o tempo para a criação da nova Estrela da Morte e, é claro, o tempo para Han ficar preso na carbonita. O término da saga, então, cumpre sua função de mostrar como a liberdade foi restaurada e como Luke superou as tentações do lado negro, redimindo seu pai e acabando com o Imperador.

 Considerações finais

Yoda também não botou fé nessa ordem inicialmente

Yoda também não botou fé nessa ordem inicialmente

Naturalmente não há uma ordem certa para se assistir Star Wars, esta que apresentei aqui é apenas a que considero melhor. Vale a pena a experiência! Antes de encerrar, contudo, preciso dar uma sugestão: procurem assistir as versões de cinema da trilogia original – velhos VHS, DVDs ou até mesmo alguns fan-edits, uma delas, particularmente interessante, é a Harmy’s Despecialized Edition, que recria as versões originais com som e imagens remasterizadas. Com isso, nos livramos do NOOOOO de Vader em O Retorno de Jedi e Hayden Christensen como fantasma da Força no desfecho.

Que a Força esteja com vocês!

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.