Entenda Melhor | O Fim da Era Stan Lee em Spider-Man

No início dos anos 1970, a configuração do editorial da Marvel contava com John Romita na Direção de Arte e Stan Lee como Editor-Chefe. Imagine o leitor a quantidade de trabalho que esses dois gênios artistas tinham para dar conta! Romita supervisionava o trabalho de todos os artistas da casa, desenhava a capa de algumas revistas, era responsável pela arte de algumas edições de Hulk, Capitão América e Vingadores, além de se ocupar fixamente com o desenho de Homem-Aranha. Stan Lee, por sua vez, fazia a editora funcionar e mantinha a supervisão de todo o trabalho para publicação, além de ser consultor para a maioria das decisões importantes das revistas que ele já deixara de escrever: Vingadores e X-Men, em 1965, deixadas a cargo de Roy Thomas; Demolidor, Capitão América, Hulk e Homem de Ferro, deixadas por Lee durante os cinco anos seguintes; e Quarteto Fantástico, em 1970.

Com a perspectiva de uma promoção digna de um rei (a Marvel estava disposta a dar a Lee o cargo de Publisher, e de fato o promoveu a esse posto em 1972), Stan Lee não sabia como agir em relação a essa nova realidade. Sem um plano bem estruturado, ele convidou Roy Thomas (o mesmo que assumira o roteiro das primeiras revistas que Lee “abandonara”) para um pequeno teste à frente da Amazing Spider-Man. Nas edições que vão do nº101 ao 105 (a edição de nº100 foi comemorativa, e marcou a saída de Stan Lee da revista), Thomas apresentou uma história pouco comum em se tratando de Spider-Man, mas a qualidade do produto era boa, de modo que a coisa pareceu agradar. O arco que se estabeleceu misturou um pouco de bizarrice com elementos de horror. Um novo modelo surgia para o Homem-Aranha.

Segundo o arco de abertura de Roy Thomas, Peter Parker é tomado por um questionamento mais forte que o comum. Sua vida não é exatamente um mar felicidade: Harry Osborn, seu amigo, tornou-se um viciado em drogas e a morte do capitão George Stacy parece afetá-lo de maneira muito forte. Ele pensa em assumir uma vida normal (para Peter Parker viver o Homem-Aranha deve morrer) e casar-se com Gwen Stacy. Para isso, ele tenta projetar um remédio que neutralize seus poderes. Mas a tentativa de Parker dá errado (é claro!) e ele acabada ganhando mais 4 braços, ou seja, seus poderes de aranha foram intensificados, não anulados. Agora, como um aracnídeo de 8 patas, ele tenta achar a cura entrando em contato com o Dr. Curt Connors (Lagarto). Na mesma aventura, passamos pelo vampiro Morbius e pelo Kraven. Uma saga de três partes muito emocionante e bem contada.

Após esse momento inicial, já com Stan Lee no cargo de Publisher da Marvel, algo muito interessante aconteceu: Roy Thomas foi promovido a Editor-Chefe (1972-1974). John Romita e Stan Lee voltam a desenhar e a escrever mais algumas edições de Amazing Spider-Man juntos, enquanto o presente desenhista, Gil Kane, passou para a equipe de Capitão América. A volta do antigo “inimigo de colégio” de Peter Parker do Vietnã (Flash Thompson) gerou o último arco da dupla Lee-Romita, um canto do cisne realmente emocionante, um clássico para ser lido e relido.

O nº111 da Amazing Spider-Man (agosto de 1972) já contava com o roteiro do jovem Gerry Conway. Um novo tempo surgia para a Marvel e para o Homem-Aranha. Era o fim da Era Stan Lee.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.