Entenda Melhor | Os Vingadores
No dia 27 de abril estreia nos cinemas brasileiros um dos lançamentos mais aguardados do grande público para esse primeiro semestre. O filme Os Vingadores surge, enfim, depois de uma neurótica campanha de marketing, e representa a grande cartada da Marvel depois de investidas particulares nas histórias desses heróis. Nessa edição do Entenda Melhor, abordaremos o conceito e o contexto dos Vingadores, da sua criação à atual adaptação para os cinemas.
Os Vingadores não surgiram como um experimento artístico para a Marvel. Em 1961, Stan Lee e Jack Kirby já haviam modificado a percepção do que eram as Hqs com o lançamento do Quarteto Fantástico, e a onda de novas criações só aumentou com a aparição do Incrível Hulk, no ano seguinte, seguido da criação de personagens importantíssimas da editora: Thor, Homem-Aranha, Homem-Formiga e Homem de Ferro. Já se especulou bastante sobre Os Vingadores serem uma resposta à Liga da Justiça da DC Comics. Independente disso ou não, as duas criações são um reflexo da cultura e do mundo belicista e potencialmente ameaçador que fora os anos da Guerra Fria, em especial o período de meados do século passado.
A Liga da Justiça da DC Comics surgiu no início de 1960, inspirada pela Sociedade da Justiça de duas décadas antes (veja a relação das guerras e o tipo de heróis gerados por delas). Criada por Gardner Fox e tendo seis membro fundadores (no pré-crise: Superman, Batman e Mulher Maravilha & Lanterna Verde, Caçador de Marte e Flash), a Liga da Justiça tinha por objetivo prevenir e combater as ameaças ao planeta Terra, dentre outras funções heroicas, salvadoras e política e socialmente corretas e bem aceitas.
Os Vingadores, por sua vez, surgiram no final de 1963, criados por Stan Lee e Jack Kirby, na mesma safra em que foram criados os X-men. A equipe dos Vingadores tinha a seguinte formação inicial: Homem de Ferro, Thor, Vespa e Homem-Formiga. A primeira história que vivem juntos foi denominada A Chegada dos Vingadores. A história é interessantíssima e conta como o grupo ganhou mais um de seus membros: após a primeira grande batalha contra Loki (o deus da mentira, meio-irmão de Thor), os Vingadores unem-se ao Incrível Hulk e juram lutar juntos para o bem de muitos. O time inicial ficaria completo quando o príncipe submarino Namor joga em mares quentes o corpo de Steve Rogers, o Capitão América, que desde os anos 40 estava preso em um bloco de gelo. Obviamente Namor não fazia ideia do que tinha acabado de promover, mas a volta do Capitão América deu maior unidade e importância aos Vingadores, especialmente quando ele assume o posto de líder do grupo.
De cara, os Vingadores tinham o mérito de terem sido os primeiros recrutados pelo governo dos Estados Unidos para enfrentar desafios impossíveis para qualquer Exército, ou seja, estava formada a equipe dos “heróis mais poderosos da Terra”, capazes de enfrentar ameaças cósmicas ou divinas, coisas inalcançáveis pela tecnologia humana. Quem não se lembra do primeiro grande atormentador do grupo, o Barão Zemo, que surge dos confins da América do Sul, forma a equipe dos Mestres do Terror, cria o importantíssimo Magnum e dá o empurrão necessário para que a história se tornasse uma febre entre nerds e fãs de HQs.

No filme que estreia no próximo dia 27, há duas das personagens que não são do time original dos Vingadores: O Gavião Arqueiro e a Viúva Negra. O primeiro juntou-se ao grupo em 1965, com o nome de Hawkeye e a segunda apareceu em 1973, inicialmente apenas como membro secundário, tendo aos poucos ganhado a devida importância importância.
As histórias e aventuras dos Vingadores começaram com os clássicos dos anos 60/70, atravessaram as bizarrices dos anos 80/90 e apresentam hoje um novo caminho, com abordagens interessantes e dignas do nome de “clássicos contemporâneos”. É por isso que a cotação para o enredo do filme tem sido alta. Mesmo que o diretor e os setores técnicos não consigam exercer com competência a sua tarefa, acredita-se que o filme terá potencial para não ser de todo desprezado: ele é produto de uma nova abordagem da própria Marvel, e a empresa o tratará como tal. É claro que não podemos e nem devemos comparar a força de uma história em quadrinhos com a de uma história cinematográfica. É bom deixarmos de lado o encantamento gerado por grandes histórias como a do clássico A Guerra Kree-Skrull (1971), ou a do divisor de águas na minissérie Guerra Civil (2006), ou ainda a da histórica O Esquadrão Sinistro (1969), mas dada a importância e o zelo com que a empresa tem revestido o filme, é bem provável que o espectador veja algo realmente interessante na tela.
Os Vingadores já ganharam uma série de TV em 2010, escrita por Mark Parsons e Caroline Farah, série de bastante sucesso, com adaptação de aventuras seminais do grupo e um grande número de vilões. A versão cinematográfica que está por vir promete seguir os mesmos passos, mas elevá-los até a Lua. Com direção de Josh Whedon (criador das séries Buffy, Firefly, Angel e Dollhouse), Os Vingadores tem inspirado mais euforia do que dúvidas. É visível que o estúdio e as distribuidoras não tem economizado em produção e divulgação. Com elenco estelar e já muito conhecido do grande público, resta-nos esperar pela chegada do longa. Se for realmente um bom filme, considerarei um presente de aniversário da Marvel: poucas pessoas poderão falar o mesmo do dia em que comemoraram os seus 25 anos. Que venha o 27 de abril!












