Entenda Melhor | Run The Jewels

Desde 2013 uma dupla de rappers do cenário independente começou a alcançar elogios profundos da crítica e do público. Juntos, Killer Mike e El-P formam o Run The Jewels, a dupla de rappers mais elogiada dos últimos anos. Se você não os conhece, esse Entenda Melhor é sua chance de entender porque esses caras vem sendo tão elogiados assim.

.

Quem são?

.

run-the-jewels-51e6edbd4913d

El-P (esquerda) e Killer Mike (direita)

Run The Jewels é uma parceria iniciada em 2013 entre o rapper Killer Mike e o produtor e rapper El-P. Ambos já começavam carreiras no hip-hop no início do milênio, cada um lançando seus primeiros álbuns solos respectivamente 2003 e 2002. No entanto, foi a parceria dos dois em 2013 que fez com que alcançassem um sucesso bem maior com o disco Run The Jewels, que acabou virando o nome pelo qual o duo passaria a ser conhecido. Em um disco independente, sem censuras de gravadoras e disponibilizado gratuitamente para download, a dupla teve liberdade pra falar e fazer o que bem quisessem com o disco. Tamanha autenticidade recebeu retorno positivo e o disco figurou entre os melhores álbuns de 2012 pela crítica. Com o sucesso do disco, passaram a ser convidados para lineup de festivais e alcançando uma popularidade que fez com que a dupla tivesse mais dinheiro pra investir no sucessor do debut: Run The Jewels 2, álbum lançado em 2014. Com um investimento maior, várias participações especiais e toda liberdade possível (continuaram sendo independentes e liberando o disco para download) o disco decolou ainda mais, alcançando grandes elogios e aumentando seu número de fãs.

893c87d0

O sensacional pôster de divulgação da Fall Tour, com referência a Blade Runner.

.

Os álbuns

.

collage

Respectivas capas do primeiro e segundo discos

 

Run The Jewels fez a estreia de seu debut no dia 26 de julho de 2013.  O disco pegou a crítica de surpresa que o presenteou com grandes elogios. O álbum figurou em várias listas de melhores daquele ano e os dois rappers – não muito conhecidos por suas carreiras solos até ali – passaram a ter um reconhecimento bem maior. O disco merece sim todos os elogios que recebeu. Run The Jewels é pesado, agressivo, ousado e desconcertante. É tudo que o rap era quando foi desenvolvido: um estilo a margem da sociedade. Lembrando bastante o hip-hop de 80/90, é sem censura, cheio de palavrões, denuncia e brinca de maneira agressiva usando como base um pancada forte de sintetizadores. El-P mostra – assim como fez em seus discos solos – que sabe lidar com os aparelhos, fazendo com que seu trabalho como produtor seja ainda mais ressaltado em Run The Jewels.

A faixa homônima que abre o disco já mostra essa pegada pesada das ruas, servindo como um soco na cara do hip-hop sem atitude que vem dominando o cenário. Banana Clipper parece um duelo entre rappers, fazendo referências desde Star Wars a Chernobyl e contando com a participação especial de Big Boi. Sea Legs mostra rimas perfeitas que entram nos espaços certeiros de uma batida instigante. O mesmo acontece em A Christmas Fucking Miracle que fecha o disco com batidas fortes de rítmo lento, onde cada um tem sua vez de desfilar suas rimas e ainda encaixar um solo de guitarra espetacular ao final.

Em um intervalo extremamente curto, cientes do que provocaram no público e crítica com o lançamento de seu debut, o duo voltou mais ambicioso no ano seguinte pra fazer a continuação da saga: Run The Jewels 2. Muito mais agressivos e mais ousados, o segundo disco possui basicamente a essência do anterior, mas com aura e poder bem maiores. Você olha no Spotify e vê “Explicit” para quase todas as faixas do álbum, tamanha a vontade da dupla de falar o que bem quiser. O trio de faixas iniciais Jeopardy/ Oh My Darling Don’t Cry/ Blockbuster Night Part 1 mostra uma intensidade incrível de batidas pesadas e rimas inteligentes, fazendo você se sentir em um carro no melhor estilo Velozes e Furiosos. Aí chega Close Your Eyes (And Count To Fuck) com sua crítica social mostrando pegada máxima de agressividade com a participação espetacular de Zach De La Rocha, com direito ao vocalista do Rage Against The Machine virar quase um instrumento com a remixagem de sua voz por toda a faixa. Ainda há faixas bem diferentes como o ótimo R&B no refrão de Early com participação de Boots ou a pornográfica Love Again com parceria de Gangsta Boo. Angel Duster fecha o disco com “um pequeno brinde aos que são ninguém” (A Little Toast To The No Ones), criticando pessoas com poder, fazendo referência desde Igreja até a rainha.

.

O logo símbolo da dupla

.

Parte da popularidade do Run The Jewels com certeza veio de seu estilo. A capa feita para o primeiro disco conseguiu grande notoriedade através de simples gestos: uma mão fechada segurando uma corrente de ouro e a outra apontando para ela. Esse passou a ser o símbolo da dupla que ganhou uma grande popularidade, chegando a ser ilustrada em diversos lugares e feito não só pelo público, mas por artistas também. Quando a dupla pediu Nick Gazin pra desenhar a capa do disco, o  artista não tinha ideia do que fazer mediante a um nome que até hoje ele não sabe o que significa (Run The Jewels?). No entanto, Mike fez questão que o desenho envolvesse gestos manuais, então Nick teve a ideia. Foi aí que surgiu o símbolo onde aparentes mãos de zumbis fazem o famoso gesto da dupla. E o mesmo voltou para o segundo disco, só que com mãos enfaixadas como múmia e com um fundo vermelho.

O símbolo ganhou proporções ainda maiores quando recentemente virou capa de revistas da Marvel, figurando na face das edições Deadpool #45 e Howard The Duck #2. Como Axel Alonso, editor chefe da editora, contou a Rolling Stone, ele teve a ideia após ver seu filho fazer o gesto como comemoração quando fez um touchdown em um jogo de futebol americano na escola. Hoje o símbolo é uma espécie de mascote para a banda, assim como é Eddie para o Iron Maiden ou o Dropout Bear para Kanye West. No website do grupo você pode encontrar diversas artes que o público já fez do símbolo, seja pinturas de ruas ou até ornamentos de Natal.

rtj_on_marvel.0

Rocket Raccon, Howard The Duck, Deadpool e Thanos fazendo o símbolo da dupla…

 

collage

A esquerda, o encontro da dupla com Jimmi Page, de onde saiu uma campanha viral pra uma parceria entres os três. A direita, o encontro da dupla com Jack White e Zach De La Rocha

Meow The Jewels? Run The Jewels 3?

.

O que se sabe sobre Run The Jewels é que a dupla não para. Vem fazendo diversos shows em festivais americanos e trabalhando em novos projetos. Run The Jewels 2 mal foi lançado e o público já pede pelo Run The Jewels 3. El-P já anunciou que estão começando a discutir e trabalhar sobre o terceiro disco, mas que no momento estão se dedicando mais a shows e turnês.

Agora a ideia mais bizarra: fazer uma versão remix do álbum Run The Jewels 2 apenas com samplers de miados de gatos. Como El-P disse, essa ideia louca veio em um momento onde estava chapado e pensou: “que tal fazermos o álbum com uma versão de miados de gatos?”. A ideia soa tão engraçada quanto soa inovadora e estúpida ao mesmo tempo. O fato é o que o disco está sendo trabalhado, se chamará Meow The Jewels, será bancado com ajuda dos fãs e terá todo o lucro direcionado para a caridade.

Os álbuns do duo são liberados para download grátis no website do Run The Jewels. Se você ainda não escutou os discos, não deixe de conferir essa excelente dupla de hip-hop.

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.