Entenda Melhor | Venom – Referências e Easter-Eggs

Contém spoilers.

Venom inicia as aventuras de Eddie Brock, contando a sua história de origem, porque a Sony quis, porque quis, fazer um filme solo do personagem, mesmo sem a participação do Homem-Aranha – apesar de estar situado no Universo Cinematográfico do Aranha, uma das piores ideais para se ter sem envolver o próprio Cabeça de Teia. Trata-se de um filme extremamente mal recebido pela crítica – e por nós também -, que nem deveria existir. Parece ter sido lançado 15 anos atrás. Apesar de, em algum campo de possibilidades, ser conectado com o Universo Cinematográfico Marvel, a fita não quer saber disso, tendo uma abordagem extremamente auto-contida, nem mesmo referenciando o Homem-Aranha. Por que fazer isso? Como esperado, porém, há uma boa quantidade de referências na projeção – mas menos do que o normal, justamente por se ater a uma criação menor e não abrir o leque para outras oportunidades -, das mais óbvias até as mais obscuras. Como de praxe, nós reunimos todas as que achamos em nosso tradicional Entenda Melhor pós-filme.

Mas, antes de mergulharmos na mitologia do personagem, que tal ler nossa crítica do filme:

Venom: Crítica 

E se aventurar pelos quadrinhos que contaram com a participação do personagem, em títulos próprios, do Homem-Aranha ou de demais:

Venom: Quadrinhos

Temos, também, uma verdadeira mina com outros artigos sobre easter-eggs de filmes e séries que valem ser conferidos. Aqui:

Entenda Melhor: Easter-Eggs

Ou, mais do que tudo isso, que tal mergulharmos profundamente, com saudades, em todo o nosso material sobre o Universo Cinematográfico Marvel e além, em nosso mega-índice? Melhor do que ficarmos pensando e repensando a tristeza que é Venom. Basta clicar aqui:

Índice | O Universo Cinematográfico Marvel

Finalmente, venham conosco nesta jornada por todas as referências e easter-eggs que conseguimos encontrar!

I. Personagens

1. Eddie Brock

Edward “Eddie” Brock, interpretado por Tom Hardy, surgiu em Web of Spider-Man #18, revista de setembro de 1986, criado por David Michelinie e Todd McFarlane. Nos quadrinhos, o personagem entrou em um programa de jornalismo, em sua adolescência, também se envolvendo romanticamente com uma garota, Anne Weying. O personagem, embora ótimo atleta, justificando os gigantescos músculos que possui nas histórias – algo que Tom Hardy não tem -, decidiu optar pela sua carreira como jornalista. A rivalidade com o Homem-Aranha começou após ser, indiretamente, demitido por causa dele – explicação mais à frente. Uniria-se, em consequência, ao Venom, tornando-se um vilão, até começar a ser tratado como anti-herói, por volta de 1993. Foi interpretado por Topher Grace em Homem-Aranha 3, filme de 2007.

2. Venom

O Venom, como essa figura gigante e grotesca, apareceu primeiramente em The Amazing Spider-Man #300. Contudo, podemos tratar o simbionte alienígena que tornou-se o uniforme preto do Homem-Aranha como sendo o próprio, só que sem a fusão/simbiose com Eddie Brock. No caso, o personagem surgiu na clássica Guerras Secretas e manteve-se com o Homem-Aranha até The Amazing Spider-Man #258, quando foi revelado ser um organismo vivo.

Após fugir do laboratório do Edifício Baxter, residência do Quarteto Fantástico, acabou retornando em Web of Spider-Man #1, quando foi, aparentemente, destruído, em cena bem parecida com a de Homem-Aranha 3, onde Venom é um dos principais vilões, mas com uma aparência menos animalesca e mais humanóide. Sam Raimi manteve a aranha no peito, enquanto, aqui, o símbolo foi retirado, assim como qualquer conexão com o Aranha.

A grande diferença dos quadrinhos para as telas de cinema é que o personagem não tem relação alguma com o Homem-Aranha, nutrindo, como simbionte, a mesma rejeição que Eddie Brock nutre, justamente por ter sido rejeitado por Parker. A dupla perfeita para a vingança, portanto. Em Venom, a conexão na históriaé meramente com os demais simbiontes, sendo visto, por si, como um fracasso perante outros mais fortes, como o líder de seu bando.

3. Anne Weying

A primeira aparição da personagem, nos quadrinhos – interpretada, em Venom, por Michelle Williams – deu-se em The Amazing Spider-Man #375, revista que sugere a transformação de Venom, de um vilão para um anti-herói, retratada por definitivo posteriormente, em Protetor Letal. Sua presença é de extrema relevância, convencendo o personagem a desistir de sua vingança. Anne é advogada nas duas versões, assim como um antigo interesse amoroso do personagem, embora seja, por um tempo, um atual par romântico de Eddie Brock nesse filme, algo que é logo desfeito. Nos quadrinhos, por exemplo, foi apresentada como ex-mulher do antagonista. Sua versão super-poderosa será abordada mais para frente.

4. Carlton Drake

Carlton Drake, muito mais velho nos quadrinhos do que sua contraparte cinemática, interpretada por Riz Ahmed, também é líder da Fundação Vida, aparecendo, junto com a sua empresa, pela primeira vez, em The Amazing Spider-Man #298, pouquíssimo tempo antes do surgimento do Venom, duas revistas depois. A presença dele na história dos quadrinhos não é de extrema relevância, mas o envolvimento do personagem é direto em diversas ocasiões, como na minissérie Protetor Letal. As divergências vão além, visto que Carlton Drake, apesar de ter tornado-se, certa vez, realmente super-poderoso, através de um soro contendo o sangue do Homem-Aranha, nunca esteve envolvido com nenhum simbionte, o que acontece no filme.

5. Riot

Após apossar-se de várias pessoas, uma por uma, Riot, líder de seu grupo, finalmente consegue chegar ao seu destino: a Fundação Vida, tomando conta do corpo de Carlton Drake, em uma simbiose. O plano do personagem é retornar ao seu planeta natal e retornar com um exército de simbiontes para dominar o Planeta Terra. Nos quadrinhos, a história é completamente diferente. Carlton Drake, através do Venom, dá origem, através de experimentos torturantes, a cinco criações do personagem, como se fossem seus filhos, de certa forma. Dentre elas, que aparecem ainda sem nome em Protetor Letal, está Riot, um versão gigante e acinzentada do anti-herói.

6. Roland Treece

As disparidades são imensas nesse caso. Roland Treece, nos quadrinhos, criado por David Michelinie e Mark Bagley, é um antagonista importante da minissérie Protetor Letal, mas não um capanga de Carlton Drake, como mostra a sua versão cinematográfica, interpretada por Scott Haze. Nos dois casos, o fundador da Fundação Vida possui mais poder nas mãos do que Roland Treece, que, nesse escopo primeiro, no entanto, ainda é tão engravatado quanto o seu “chefe”, sem sujar as mãos para enfrentar o Homem-Aranha e, principalmente, o Venom. Os interesses do personagem também são mais particulares nos quadrinhos, investido no ouro existente em uma cidade esquecida pelo tempo, no subterrâneo de São Francisco. Nada a ver com o filme, não é verdade?

7. Donna Diego

Além de Riot e outros personagens, Grito era um dos filhos do Venom em Protetor Letal, com a diferença de ser uma versão feminina do simbionte. Ganhando mais espaço com o tempo, mas longe de qualquer proeminência significativa, o nome da personagem foi revelado ser Donna Diego, uma referência presente nos créditos do longa-metragem do Venom, onde a super-vilã é associada ao papel da atriz Michelle Lee, uma das pessoas que acabam carregando o simbionte do Riot, após o personagem fugir da aeronave da Fundação Vida. Depois de Jameson, encontrado “vivo” na cena do acidente, Donna Diego, já morta, também é abordada pelo vilão, naquela mais do que extensa introdução para a narrativa começar de vez.

8. Cletus Kasady

Na primeira cena pós-créditos de Venom, Eddie Brock vai de encontro a um terrível criminoso, responsável pela morte cruel de inúmeras vítimas. Cletus Kasady, criação também de David Michelinie, mas com Erik Larsen na arte, datando de março de 1991, na revista The Amazing Spider-Man #344, é interpretado por Woody Harrelson nesse pequeno trecho e estará presente em uma possível – mas difícil – continuação para o longa-metragem. Os populares o conhecem mais pelo seu eu super-poderoso: Carnificina, que surgiria não muito tempo depois, em The Amazing Spider-Man #361. Um completo psicopata, sem nenhum senso de moralidade, foi criado porque a Marvel não permitiu que o Venom fosse morto, enquanto Michelinie idealizava a constante redefinição do personagem nessa relação entre simbionte e hospedeiro. Erik Larsen afirma ter se inspirado no Coringa, da DC Comics.

9. Personagens Novos

O Dr. Dan Lewis, interpretado por Reid Scott, namorado de Anne Weying que tenta ajudar Eddie a se curar do simbionte, assim como a Dra. Dora Skirth, interpretada por Jenny Slate, a cientista que trabalha para a Fundação Vida e tenta impedir os avanços dos planos diabólicos de Carlton, são personagens novos, sem aparições prévias nos quadrinhos. Venom é tão “original”.

II. Citações a Personagens

1. Carnificina

O Carnificina, versão super-vilanesca de Cletus Kasady, é meramente referenciada, apesar de não aparecer fisicamente. Uma continuação de Venom sem classificação indicativa adulta será um fracasso, caso conte – e provavelmente contaria ou contará – com esse personagem em sua narrativa.

2. Barney Bushkin

Uma das cenas de Venom mostra o protagonista mandando mensagem para um homem chamado Barney Bushkin, editor do jornal Globo Diário, concorrente do Clarim Diário no material fonte, e, portanto, rival de J. Jonah Jameson nos quadrinhos. Eddie Brock, aliás, já trabalhou para essa empresa, que será explorada mais para frente nesse texto, assim como o envolvimento problemático do personagem com a editora. Barney Bushkin, nos quadrinhos, foi criado por Stan Lee e Steve Ditko, aparecendo pela primeira vez em The Amazing Spider-Man #27, edição que conta, apenas para termos de curiosidade, com o Homem-Aranha enfrentando o Duende Verde.

III. Locais, Eventos, Grupos e Empresas

1. Fundação Vida

A Fundação Vida surgiu nos quadrinhos em The Amazing Spider-Man #298, duas edições antes da primeira aparição do grandioso Venom. As duas versões entendem a necessidade da população mundial em sobreviver a perigos maiores, como a permanência da espécie, contudo, os quadrinhos, obviamente, são muito mais megalomaníacos do que o cinema, estendendo essa premissa por diversas linhas soltas. A empresa foi presença recorrente nos anos 90, recebendo menos atenção gradualmente através dos anos. Nos quadrinhos, aliás, a Fundação Vida também foi responsável pela criação dos cinco filhos do Venom, incluindo Riot, que tem uma origem completamente diferente no filme.

2. Globo Diário

O Globo Diário, nos quadrinhos, é um jornal nova-iorquino rival do conhecidíssimo Clarim Diário, aparecendo pela primeira vez em Mystic Comics #3, edição de junho de 1940. Eddie Brock, antes de tornar-se o Venom, trabalhou para o Globo, local onde acabou sendo demitido e condenado ao fracasso, depois de ser revelado como uma fraude quando o Homem-Aranha capturou o verdadeiro homem por trás de uma série de crimes. enquanto Brock, como jornalista, apontava ser outra a identidade por debaixo da máscara. A situação parece ser similar a desse filme, visto que também lidamos com um caso polêmico em Nova Iorque, contudo, Eddie parece estar em melhor termos com o jornal, presença menor, mas recorrente nos quadrinhos – o próprio Homem-Aranha já vendeu, curiosamente, fotos para o Globo Diário.

3. Michelinie & McFarlane

Os criadores do personagem principal de Venom – ao menos, em vista dos responsáveis pela revista de seu surgimento -, Todd McFarlane, na arte, e David Michelinie, no roteiro, são explicitamente homenageados no longa-metragem, visto que os seus sobrenomes compõem o nome do escritório de advocacia em que Anne Weying, interesse amoroso de Eddie Brock, trabalha.

4. Prédio Schuller

Randy Schuller, uma certa vez, sugeriu que o Homem-Aranha utilizasse um novo uniforme, além de dar ideia a uma história completamente nova, durante uma competição intuída a encontrar talentos desconhecidos para o mercado de quadrinhos. A história de Randy Schuller foi rejeitada pela Marvel Comics, considerada fraca, mas a ideia não, sendo prontamente comprada pela Casa das Ideias por um baixíssimo valor monetário de 250 dólares – muito menos do que, provavelmente, o inédito traje, substituindo o icônico vermelho e azul, valeria hoje. O uniforme preto logo estrearia, surgindo, cronologicamente, nas Guerras Secretas, mas, um pouco antes, seguindo a ordem de publicação das revistas, em The Amazing Spider-Man #252. O filme Venom homenageia-o ao nomear o prédio onde Eddie Brock mora de Schuller.

IV. Outros

1. Venom: Protetor Letal

Em entrevistas, a minissérie, datada de 1993, Protetor Letal foi referenciado como uma das fontes para a adaptação cinematográfica do personagem Venom. A minissérie, porém, é bastante diferente, sendo um clássico dos anos 90, ou seja, cheia de focos narrativos, os mais improváveis possíveis, distintos. As similaridades existem. Nos dois casos, estamos lidando com Eddie Brock em São Francisco, ao invés de Nova Iorque, além do personagem como anti-herói, não vilão. Carlton Drake e Roland Treece, em papéis completamente diferentes, também são figuras marcantes, atuando como dois dos antagonistas principais.

2. Guerra dos Simbiontes

A mesma coisa – adaptação extremamente vaga – acontece com o arco Guerra dos Simbiontes, também escrito por David Michelinie, colocando Venom – ao lado do Homem-Aranha e do Aranha Escarlate – para enfrentar um exército de simbiontes que chegam para dominar a Terra. Carnificina não está presente no longa-metragem, mas a ameaça presumida, caso Riot retornasse ao espaço, seria essa. As duas versões, porém, trabalham a relação entre Eddie Brock e Venom, sobre quem está com o controle sobre quem. No arco também temos a ideia de Venom como um ser ridículo em seu planeta-natal.

3. She-Venom

Como sugeri no texto sobre a personagem interpretada por Michelle Williams, os quadrinhos possuem uma versão super-poderosa da ex-esposa do protagonista deste filme, Anne Weying. Na ocasião, a advogada é ferida gravemente por um novo Devorador de Pecados – antagonista principal da icônica A Morte de Jean DeWolff -, ao passo que Eddie Brock, sem enxergar uma solução, transfere o simbionte para ela, que ganha esse visual bastante peculiar, além do nome She-Venom. Sua primeira aparição completa foi em  Venom: Sinner Takes All #3, de outubro de 1995, criada por Larry Hana e o artista Greg Luzniak. Já no filme, o simbionte também se apossa de Anne Weying, assumindo essa mesma forma, mas nenhum risco de morte é sentido.

4. John Jameson

O astronauta encontrado “vivo” – estava morto, mas em forma de hospedeiro para o simbionte Riot – é chamado de Jameson. Os leitores dos quadrinhos certamente não encararam esse nome sem nenhuma curiosidade. John Jameson, na mídia original, nada mais nada menos do que o filho do editor-chefe do Clarim Diário, J. Jonah Jameson, também é astronauta, sendo salvo pelo Homem-Aranha na primeiríssima The Amazing Spider-Man #1.

O homem apresentado no filme certamente não se trata do mesmo personagem a que somos familiares, sendo uma mera brincadeira com os fãs, sem pretensões maiores. Jameson também tornar-se ia, nos quadrinhos, um inesperado super-vilão: o Homem-Lobo. Nos cinemas, por sua vez, já contou com uma aparição integral, tendo sido interpretado por Daniel Gillies em Homem-Aranha 2, filme de 2004, dirigido por Sam Raimi.

Na série animada dos anos 90, curiosamente, a ida de John Jameson ao espaço foi realmente responsável pela vinda do simbionte à Terra nesse caso – diferentemente das Guerras Secretas -, assim como no longa-metragem, aproximando uma versão do personagem, a da animação, com essa “versão” cinematográfica, que, ao menos, pode ser considerada uma divertida referência mais que merecida ao personagem.

5. Rosto Dividido

A cena em que Eddie Brock aparece com a metade de seu rosto normal e a outro metade do rosto no estado animalesco do Venom é de um impacto visual que os quadrinhos estão acostumados a trazer, seja em situações de ameaça ou em situações de ataque, quando, no momento dessa imagem em destaque, o personagem está envolvido em uma brutal tortura. Dá para a sentir a dor, não é mesmo?

6. Separando Simbionte do Hospedeiro com Brutalidade

Durante o clímax do filme, Riot, o líder dos simbiontes, separa Eddie Brock de Venom brutalmente. Nos quadrinhos, esse acontecimento é recorrente, sendo capa de uma revista na qual Carnificina realiza o feito – Venom: Carnage Unleashed #3. Um simbionte por outro, o resultado é igualmente violento, embora longe de qualquer caráter gráfico. O longa-metragem poderia ter explorado mais essa violência sem necessidade de sangue, caso realmente tivesse que manter a censura de 13 anos, como foi o caso.

7. Olhos, Pulmões, Pancreas

A frase que aparece em um dos trailers da obra e reaparece durante o próprio filme, na qual Venom ameaça um homem, falando que vai comer os seus olhos, seus pulmões e seu pâncreas, é idêntica à proferida pelo personagem em The Amazing Spider-Man #374, direcionada, nesse caso, ao próprio Homem-Aranha, em edição anterior àquela em que o então vilão desiste de sua vingança contra o super-herói e, consequentemente, parte para São Francisco, dando origem à minissérie Protetor Letal. Bastante propício, não é mesmo?

8. Demissão de Eddie Brock

Os motivos para a mudança de Eddie Brock de Nova Iorque para São Francisco não são revelados profundamente, mas sugere-se que o personagem cometeu um grande erro em um jornal na cidade e se mudou para recomeçar sua carreira profissional. Nos quadrinhos, é revelado que, baseando-se nos acontecimentos de A Morte de Jean DeWolff, Eddie Brock foi demitido por ter noticiado e entrevistado uma pessoa que não era o verdadeiro Devorador de Pecados, antagonista da história. O Homem-Aranha descobriu a verdadeira identidade do sujeito e Brock caiu em profunda desgraça, embora não tenha se mudado para São Francisco por causa disso, mas em razão da sua desistência de vingar-se do super-herói.

9. Grito Wilhelm

Uma das marcas mais famosas do som cinematográfico, o Grito Wilhelm é um efeito sonoro costumeiramente usado com intenções cômicas, por ser completamente destoante da composição audiovisual de uma obra, como uma piscadinha para o espectador, acostumado a escutá-lo aleatoriamente durante as suas experiências com o cinema, quase sempre quando um personagem, provavelmente um figurante qualquer, cai de uma altura considerável – ou não. Star Wars: Uma Nova Esperança tornou-o ainda mais popular, durante a queda de um stormtrooper, embora o Grito Wilhelm também tenha sido usado em várias outras situações, como Caçadores da Arca Perdida, sendo a primeira aparição do efeito em um filme de 1951. O clichê cinemático, por excelência.

10. Tootsie

Em determinada cena do filme, Eddie Brock diz que poderia fingir ser uma mulher e não perde tempo para fazer uma referência à Tootsie. A aclamada comédia, de 1983, foi dirigida por Sidney Pollack, contando com Dustin Hoffman em um papel no qual seu personagem tem que levar a farsa do fingimento de ser uma mulher adiante.

12. Kriptonita

Nenhuma referência ao Homem-Aranha? Tudo bem, porque parece que a Sony parece estar com a moral suficiente para mandar uma referência ao Homem de Aço, citando a kriptonita explicitamente, em um diálogo no qual a pedra esverdeada é comparada com as fraquezas do Venom, fraqueza ao som e ao fogo.

13. Stan Lee

Stan Lee aparece em mais um cameo, no final do filme, mesmo que nunca tenha se envolvido, criativamente, com Venom e seu universo. O quadrinista aparece com um cachorro, interagindo com Eddie Brock.

14. Halteres

No apartamento de Eddie Brock, podemos perceber alguns halteres pelo chão, em uma clara alusão a sua contraparte nos quadrinhos, gigantesca – diante do contexto de sua criação e da característica artística de seu criador, Todd McFarlane -, sempre aparecendo enquanto levanta alguns pesos, fissurado por musculação, como estivesse se mostrando ao leitor ordinário. O instrumento é até mesmo usado como arma. Podemos esperar uma versão monstruosa de Tom Hardy na continuação?

15. Chocolate

Como os quadrinhos acabariam mostrando, o canibalismo de Venom, comendo a cabeça de pessoas, não é uma característica que existe em decorrência de sua vontade por matar gente, mas em razão de uma substância presente nos cérebros das pessoas, também encontrada em outro alimento: chocolate. A última cena do filme, no mercadinho, referencia isso.

16. Ron Lim Herbal

O nome do quadrinista Ron Lim, embora não tenha se envolvido em muitas histórias do Venom, sendo mais reconhecido por outros trabalhos, como a participação na Trilogia do Infinito, aparece em uma loja de ervas, no final do filme – Ron Lim Herbal.

17. Cura do Câncer

Os cientistas da Fundação Vida, como aponta o filme, estavam, inicialmente, buscando uma cura para o câncer, uma referência aos quadrinhos do Universo Ultimate, onde os pais de Peter Parker e Eddie Brock desenvolveram o uniforme de simbionte pensando no mesmo objetivo que, um dia, a organização liderada por Carlton Drake possuiu.

V. Cena Pós-Créditos – Homem-Aranha no Multiverso

Na segunda cena pós-créditos de Venom, um curto segmento de Homem-Aranha no Aranhaverso, previsto para ser lançado no final desse ano, é exibido. A cena mostra Miles Morales – sua primeira aparição se deu em Ultimate Comics Fallout #4, olhando o túmulo de Peter Parker. A sala, nesse momento, ficou em choque. Porém, não estamos falando do Peter Parker que conhecemos. No Universo Ultimate, o personagem, também referenciado como o Homem-Aranha original, morre em Ultimate Spider-Man 160, em um arco conhecido como A Morte do Homem-Aranha, e Miles Morales, que também adquiriu poderes aracnídeos, assume o manto, tornando-se protagonista da revista.

Homem-Aranha no Aranhaverso trabalha com várias dimensões paralelas e, por algum motivo, o Peter Parker do Universo Regular, o 616 – possivelmente, com traços do personagem de Tobey Maguire -, acaba parando no Ultimate – ou como quer que seja nomeada essa linha dimensional. Um vilão também aparece na breve cena: Gatuno. O personagem, nessa versão apresentada, é o tio de Miles Morales, Aaron Davis – interpretado por Donald Glover, em Homem-Aranha: De Volta ao Lar. Já o encontro entre essas duas versões do Homem-Aranha, Miles Morales, do Ultimate, e Peter Parker, do Regular, aconteceu também nos quadrinhos, durante o percurso da minissérie Homens-Aranha. Eu estou empolgado. E vocês?

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.