Especial | Andrei Tarkóvski

ANDREI TARKÓVSKI

Zavrazhye, URSS, 04 de abril de 1932

Paris, França, 29 de dezembro de 1986

Qual é a essência do trabalho de um diretor? Poderíamos defini-la como ‘esculpir o tempo’. Assim como o escultor toma um bloco de mármore e, guiado pela visão interior de sua futura obra, elimina tudo que não faz parte dela — do mesmo modo o cineasta, a partir de um ‘bloco de tempo’ constituído por uma enorme e sólida quantidade de fatos vivos, corta e rejeita tudo aquilo que não necessita, deixando apenas o que deverá ser um elemento do futuro filme, o que mostrará ser um componente essencial da imagem cinematográfica.

Andrei Tarkóvski

Andrei Arsenevich Tarkóvski é um dos diretores russos mais conhecidos no Ocidente e um dos mais aclamados de seu país. Pupilo do aclamado documentarista soviético Mikhail Rom e filho de uma geração de cineastas que viveram um momento de recuo da censura real-socialista para em seguida tornarem-se vítimas dela, com o recrudescimento do regime. Tarkóvski representou os dramas espirituais e as angústias mais evidentes de seu espaço e de si mesmo. Dele diz-se, por exemplo, que filmou Solaris como resposta ao 2001 de Kubrick; ou que seu nível de perfeccionismo na composição dos ambientes cenográficos era tamanho, que chegava a atrapalhar o andamento das filmagens.

 O fato é que Tarkóvski era sim um diretor rigoroso, e não esteve isento das feridas políticas da Guerra Fria, sendo obras como Solaris ou Stalker reflexões que podem perfeitamente ser interpretadas à luz dos acontecimentos históricos de então. O mesmo vale para o seu último filme, O Sacrifício, uma obra que traz como plano de fundo o terror da bomba e a possibilidade de uma nova grande guerra.

Dono de uma forte capacidade de pensar o tempo e ressignificar a arte, Tarkóvski fez de seu cinema um mergulho na alma do espectador, trazendo à tona elementos como a família, o par, o amor, a busca por um objeto artístico, a fé, a poesia, o medo. Muitos desses temas foram abordados em meio a crises pessoais e problemas do diretor com a Mosfilm (Estúdio) e com a burocracia do governo, uma relação difícil que culminaria com o exílio forçado do cineasta.

No exílio, ele faria três filmes; um documentário ao lado de Tonino Guerra, e dois longas: Nostalgia e O Sacrifício. Nas filmagens deste último, Tarkóvski viu manifestar-se os sintomas da doença que o levaria à morte: câncer. A pós-produção de O Sacrifício foi realizada enquanto o diretor estava internado, e a equipe de produção foi visitá-lo diversas vezes. Levavam o material do filme para que ele vistoriasse e desse o aval final.

Andrei Tarkóvski faleceu em Paris, em 1986. Em sua lápide, está escrito “Ao homem que viu um anjo“. Morria o diretor que passou “a vida dirigindo um único filme”, como ele mesmo gostava de afirmar.

 


Fase Universitária

Os primeiros passos de Tarkóvski começa com parcerias ao lado de alguns amigos da Universidade e depois realiza sozinho o filme filme de graduação de curso. Essa sua primeira fase é composta por dois curtas, Os Assassinos e Hoje Não Haverá Saída Livre; e por um média-metragem, seu primeiro filme verdadeiramente pessoal, O Rolo Compressor e o Violinista.

O Rolo Compressor e o Violinista – 1961

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Hoje Não Haverá Saída Livre – 1959

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Os Assassinos – 1956

 

Os Longas na União Soviética

Apesar de uma série de problemas com a burocracia estatal e dos estúdios, Tarkóvski conseguiu realizar cinco longas-metragens em seu país natal, antes de ir para a Itália e depois não conseguir mais retornar para casa (a sua época de exílio forçado). Esse período vai de A Infância de Ivan até Stalker.

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Stalker – 1979

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O Espelho – 1975

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Solaris – 1972

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Andrei Rublev – 1966

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A Infância de Ivan – 1962

 

Os Longas no Exílio

Primeiro na Itália, e em seguida, na Suécia, Tarkóvski realiza duas de suas obras mais angustiantes e muitíssimo pessoais, Nostalgia e O Sacrifício. Este último, foi o seu canto do cisne, realizado quando já o diretor estava doente e finalizado com ele em um hospital. Na Itália, o diretor realizara ao lado de Tonino Guerra, o documentário Tempo de Viagem, uma espécie de diário de bordo sobre a produção de Nostalgia.

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O Sacrifício

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Nostalgia – 1983

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Tempo de Viagem – 1983

 

Sobre o Diretor

Depois de Sergei Eisenstein, o diretor mais famoso da URSS foi Andrei Tarkóvski. Apesar de ter uma filmografia curta, sua obra é profunda e realizada com um alto nível de requinte estético e poético, características que influenciaram outros diretores e geraram diversas homenagens ao longo dos anos.

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Lista: Os Melhores Filmes de Tarkóvski

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Elegia Moscovita – 1987

 

Artigos

Aqui, o leitor poderá encontrar listas, textos contextualizado momentos do cinema no período de Tarkóvski e abordagens pontuais sobre sua obra, influências e herança para a sétima arte.

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Plano Histórico – Cinema Russo e Soviético

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Voz do Leitor – O Cinema Poético


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LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.