Especial | Federico Fellini

FEDERICO FELLINI

 

Rimini, Itália, 20 de janeiro de 1920

Roma, Itália, 31 de outubro de 1993

Federico Fellini nasceu e criou-se em Rimini, uma comuna da região de Emília-Romanha, no norte da Itália. Ele era o mais velho de uma família de três irmãos, sendo ele, o irmão do meio (Riccardo, que trabalharia com Federico em Os Boas-Vidas e Noites de Cabíria) e Maddalena (que só aos 62 anos iniciaria a sua participação em uma obra cinematográfica, no segmento La neve sul fuoco, de Sempre aos Domingos, 1991).

Os Fellini passaram todos os anos do fascismo em Rimini. Foi durante esse período que Federico desenvolveu uma enorme paixão pelas tirinhas e histórias em quadrinhos publicadas nos jornais de sua cidade, em especial, Il Corriere dei Piccoli. Personagens como Mickey Mouse; Mandrake, o mágico; Flash Gordon; O Gato Félix e Buck Rogers eram os seus favoritos.

Juntando a paixão pelos quadrinhos e pelo desenho, Fellini iniciou a sua carreira artística aos 17 anos, como desenhista. Ele começou com uma série de caricaturas de artistas famosos que via no Cinema Fulgor de Rimini, e conseguiu que em 1938 o jornal Domenica del Corriere publicasse os seus primeiros trabalhos (ele então estava com 18 anos). Em 1939, mudou-se para Roma com sua mãe e sua irmã e viveu do dinheiro de seus desenhos nos primeiros anos que passou na cidade.

Com a liberação da Itália em junho de 1944, Fellini e alguns colegas abriram a Funny Face Shop, que oferecia caricaturas aos soldados aliados. Mesmo quando se tornou cineasta, Fellini continuou desenhando, fazendo a caracterização de todas as suas personagens e cenários, ou cenas do roteiro que gostaria de destacar. Todos esses desenhos já foram reunidos e publicados em um livro.

Um fato interessante é que Fellini teve um projeto maldito em sua carreira, A Viagem de G. Mastorna, filme que ele nunca realizou por uma série de impedimentos (incluindo um ataque cardíaco), mas que transformou, junto com seu amigo Milo Manara, em uma história em quadrinhos, publicada apenas em 1996. O mundo felliniano já se fizera presente na obra de Milo Manara em 1990, com Viagem a Tulum, álbum onde o artista cria uma história baseada em desenhos, cenários e informações dados por Fellini, após uma visita ao México.

Quando iniciou na direção, em 1950, com Mulheres e Luzes, Fellini já tinha escrito 16 roteiros para diversos diretores e com diversos parceiros de escrita (seu primeiro texto para o cinema foi escrito em 1942, para o filme I cavalieri del deserto). A partir de Abismo de um Sonho (1952), o diretor assumiria sozinho os seus projetos. Era o início de uma louvável carreira no cinema e que agora você pode conferir detalhadamente nas análises feitas para este Especial.

.


Anos 50: Índice completo

Nesse primeiro momento da carreira de Fellini, percebemos ainda a forte presença do neorrealismo, mas já despontavam também a fantasia, o espetáculo, o circo, as relações quase niilistas entre as personagens. Do prêmios e nomeações dessa década, destacamos o Leão de Prata recebido por Os Boas-Vidas no Festival de Veneza (e também sua nomeação ao Oscar de Melhor Roteiro); o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro dado a A Estrada da Vida; o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro dado a Noites de Cabíria e o prêmio de Melhor Atriz dado a Giulietta Masina no Festival de Cannes pelo mesmo filme.

Anos 60: Índice completo

Essa década começa com um filme que se tornaria ícone na história do cinema, criaria um verbete para o ramo de publicações fotográficas de artistas e tornaria Fellini ainda mais conhecido do público: A Doce Vida. O filme ganhou o Oscar de Melhor Figurino em Preto e Branco, e foi indicado para as categorias de Direção, Direção de Arte e Roteiro, além de ter levado a Palma de Ouro em Cannes.

Oito e Meio recebeu dois Oscars: Melhor Figurino e Filme Estrangeiro, mas também foi indicado para as categorias de Direção de Arte, Diretor e Roteiro. Outro destaque é Julieta dos Espíritos, indicado a 2 Oscars: Direção de Arte e Figurino; e vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Satyricon deu a Fellini mais uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor, além de abocanhar mais um Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Constam também aqui os médias-metragens As Tentações do Dr. Antonio e Tobby Dammit, além de um documentário feito para a NBC.

Anos 70: Índice completo

Aqui há a alternância de filmes populares e outros pouco conhecidos, como o documentário circense Os Palhaços.

Roma foi recebido com entusiasmo pelo público mas dividiu a crítica. O filme recebeu o Grande Prêmio Técnico em Cannes e o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro. Amarcord deu a Fellini mais um Oscar de Melhor Filme Estrangeiro além das indicações a Melhor Diretor e Roteiro. O filme também foi premiado com o Globo de Ouro de Melhor Filme, além de ter recebido indicação para a categoria de Filme Estrangeiro. Casanova foi premiado com o Oscar de Melhor Figurino e recebeu indicação ao prêmio de Melhor Roteiro. A década termina com Ensaio de Orquestra, um filme subestimado do diretor e o último que ele faz ao lado de Nino Rota, seu amigo e compositor favorito, que viria a falecer em abril de 1979.

Anos 80: Índice completo

Essa década marca o desencanto de Fellini com a máquina cinematográfica. Seus projetos começaram a ser cada vez mais rejeitados e a influência da televisão foi um grande fator para isso, algo visível nas críticas realizadas em seus últimos filmes desse período. Temos aqui Cidade das Mulheres; o magnífico E La Nave Va (Globo de Ouro de Melhor Filme); Ginger & Fred, premiado com os Globos e Ouro de Melhor Ator (Marcello Mastroianni), Melhor Atriz (Giulietta Masina) e Melhor Filme, além da indicação a Melhor Filme Estrangeiro.  A década termina com Entrevista, mais uma cutucada de Fellini ao modelo de produção da televisão, mas ao mesmo tempo uma espécie de reconciliação com essa mídia, uma retomada de sua carreira e uma reflexão sobre sua obra. Por ocasião do filme, ele recebeu o prêmio de 40º aniversário no Festival de Cannes, além de uma nomeação ao César de Melhor Filme Estrangeiro.

 

Anos 90: Índice completo

Um único filme: A Voz da Lua, sua última produção. O filme foi a sensação no David di Donatello Awards daquele ano, recebendo diversas indicações e vencendo algumas. No início de 1993, oito meses antes de sua morte, Fellini foi premiado com o Oscar Honorário por sua carreira.

Artigos relacionados: Índice completo

Para dar conta da carreira de uma grande mestre do cinema, é necessário fazer algumas abordagens e pesquisas, de modo que nessa parte do nosso Especial nos dedicaremos a textos diversos sobre a obra de Fellini. Listas, artigos, críticas de outros materiais serão o complemento para essa finalização desse nosso Especial.


LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.