Fora de Plano #10 | Stanley Kubrick

Experiências cinematográficas são sempre gratificantes. Não há um cinéfilo que não tenha uma boa história para contar, um depoimento sobre um diretor que lhe emocionou logo de cara ou um filme que marcou uma certa fase de sua vida. O cinema tem dessas coisas. E o mais legal é que nos faz guardar essa memória em uma espécie de HD externo: basta assistir ao filme novamente ou relembrar um certo diretor que a situação em questão volta à tona.

Foi pensando nisso que eu propus aos meus colegas aqui do PC a escreverem, juntamente comigo, um depoimento sobre a experiência inicial que tiveram ao descobrir a obra do diretor Stanley Kubrick, de quem estamos finalizando um Especial. O resultado vocês podem conferir abaixo.

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Luiz Santiago

Foi por rebeldia que eu conheci Stanley Kubrick.

Certo dia, ouvi uma conversa animada entre meus pais a respeito de um ‘Noitão’ que o saudoso Cine Belas Artes (SP) estava para exibir. Eu já tinha ido a um ‘Noitão’ antes, no mesmo ano, mas tive que sair mais cedo porque os filmes “pesados” estavam para começar e lá pelas 2h da manhã eu já estava dormindo e babando no ombro da minha mãe…

Não sei ao certo se o filme sobre o qual meus pais conversavam esse dia era do Kubrick ou se eles apenas lembraram do diretor, mas o fato é que duas coisas me intrigaram. A primeira, foi a notícia de que eu não poderia ir no ‘Noitão” daquela semana e a segunda, foram as palavras “Laranja Mecânica“, que eu pesquei da conversa. Como todo curioso adolescente de 16 anos, eu quis saber o que era aquilo. Eles me disseram que era um filme, mas… adivinhem! NÃO ERA PARA A MINHA IDADE!

Não preciso dizer que algumas semanas depois eu consegui convencer um primo a alugar o filme para mim e de maneira muito “fora da lei” consegui assisti-lo. Claro que fiquei fanático pela obra e, quando descobri, alguns dias depois, que era baseado em um livro, revirei as estantes de casa para ver se encontrava o volume. Eu queria lê-lo. Quase virei um Alex versão de cinéfilo paulistano. Foi divertido.

Aquele foi o ponto de partida para uma jornada que não se daria imediatamente após eu ver Laranja Mecânica. Mas foi o primeiro e notável contato com a filmografia de um diretor que estaria, anos depois, no meu Olimpo Cinéfilo.

Mais ou menos dois anos depois eu vi 2001: Uma Odisseia no Espaço, que para mim foi um marco definitivo na vida de admirador da sétima arte e a obra que me fez correr – agora sim – imediatamente atrás de tudo o que o Kubrick havia feito. Apenas De Olhos Bem Fechados e Medo e Desejo que eu vim ver bastante tempo depois. Já os curtas Os Marinheiros, O Dia da Luta e Flying Padre eu conheci apenas esse ano de 2014, uma década depois de ter visto o primeiro filme do diretor, mas… missão cumprida: assisti a todos os seus filmes, mesmo que tenha demorado 10 anos para isso.

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Rafael Oliveira

Meu primeiro contato com Kubrick foi algo bem por acaso. Estava no início da minha cinefilia, e como qualquer um nessa fase, a locadora se tornava minha 2° casa. Num momento qualquer dessas idas e vindas, peguei da prateleira o Glória Feita de Sangue de forma despretensiosa, e quando o filme terminou, já estava encantado e maravilhado com a capacidade do diretor em levar um filme não um filme de guerra, mas um filme sobre a guerra, até aquele nível. Nos dias seguintes, tanto o filme quanto o diretor foram meus objetos de pesquisa, e logo após aluguei mais três filmes de Kubrick: 2001: Uma Odisseia no Espaço, Dr. Fantástico e Laranja Mecânica. E partir daí, me rendi a grandiosidade de Stanley Kubrick.

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Guilherme Coral

Meu primeiro contato com Kubrick ocorreu na época que eu não sabia quem era Kubrick, para falar a verdade eu não sabia quem era ninguém da sétima arte. Fui assistir em fita de vídeo, junto à família, O Iluminado. Gostei do filme, mas na época não me marcou, apenas plantou uma semente que somente desabrocharia depois de certo tempo.

Alguns anos depois estava eu junto aos amigos quando um deles coloca para tocar Nascido para Matar – não é preciso dizer que rimos e rimos daquele treinamento (is that you, john Wayne? Is it me?). A partir dai surgiu aquela vontade de descobrir a filmografia do diretor, que eu conhecera ainda em minha ignorância. O resto é história.

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Ritter Fan

Meu pai, apesar de sempre ter gostado de filmes descerebrados de ação (um de seus favoritos era Comando Para Matar que, confesso, é um dos meus também…), era também amante de grandes exemplos da Sétima Arte. Foi ele que me apresentou a Fellini, com Noites de Cabíria, a Cacoyannis, com Zorba, o Grego e a Stanley Kubrick, com 2001 – Uma Odisseia no Espaço.

Ainda em tenra idade, odiei todos. Não queria ver histórias de prostitutas (pelo menos não uma que não tirava a roupa o filme inteiro), de gente grosseira que dança e de naves espaciais que não faziam nada a não ser girar pelo espaço. Mais tarde, quando em uma festinha de aniversário de um amigo, assisti, aterrorizado, a O Iluminado e, vendo o nome de Kubrick nos créditos, achava que já conhecia o sujeito e isso me levou de volta a 2001 e meus olhos se abriram.

Fiquei fascinado com a amanhecer do Homem, com o balé espacial e, claro, com o misterioso monólito que, hoje, é símbolo do nosso site. Não sei quantas vezes mais vi 2001 desde então, mas sei que minha filhas, ambas em tenra idade, já assistiram também com o mesmo ar revoltado que eu assistira lá atrás com meu pai.

Desnecessário dizer que, a partir daí, cacei todos os filmes de Kubrick e passei a procurar entender a visão desse grande diretor. Décadas se passaram e até hoje fico deslumbrado com cada detalhe que descubro a cada vez que assisto a uma obra dele.

Meu pai me apresentou a Kubrick. Nunca agradeci a ele, mas o faço agora, mesmo que postumamente.

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Sidnei Cassal

O primeiro filme que assisti do Kubrick foi 2001 – Uma Odisséia no Espaço, que pude ver pela primeira vez no cinema. Antigamente, os cinemas reprisavam filmes antigos importantes e de sucesso. Por isso vi na tela grande clássicos como E o Vento Levou, Doutor Jivago, Gilda, e tantos mais.

Bem por esta época comecei a ficar bem interessado em cinema, querendo ver de tudo, e lendo a respeito. Então estourou o sucesso de O Iluminado, e logo após Laranja Mecânica foi liberado pela censura brasileira, mas ainda com as ridículas “bolas pretas” nas cenas de sexo. Daí pra frente, fui atrás do resto que Kubrick havia produzido, os muito elogiados Barry Lyndon, Doutor Fantástico, Lolita, e assim por diante.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.