Fora de Plano #11 | Doctor Who: A Era do 1º Doutor

Depois de finalizarmos as críticas de TODOS os arcos do 1º Doutor, é hora de comentarmos um pouco — e de forma pessoal — sobre nossa relação com esse vovô irascível que ele foi. Nesta edição da Fora de Plano, teremos dois depoimento, o meu e o da nossa fiel leitora Yoana Carmo. Então vamos lá.

Depoimento de Luiz Santiago

Eu comecei a ver a Série Clássica de Doctor Who enquanto ainda assistia aos episódios Especiais do 10º Doutor (lembro que vi o primeirão da Clássica no mesmo dia em que vi The Waters of Mars). Meu fanatismo e paixão pela série, é claro, só aumentaram.

Confesso que foi um choque enorme ver o tom de abordagem dos roteiros e a diferença do 1º Doutor para os Doutores da Nova Série. O modo como ele tratava os primeiros companions, a relação com os alienígenas, o assustados 1º encontro com os Daleks, tudo era novidade e ao mesmo tempo deliciosamente familiar. Mas depois do choque inicial é quase impossível não gostar desse velhinho. A mudança que ele vai tendo com o passar dos arcos, a emocionante (para o personagem e para o ator, como pudemos ver em An Adventure in Space and Time) partida dos companions, tudo vai marcando o caminho para que, ao final da Era, cheguemos à conclusão de que, por mais que nos afeiçoemos a um ou outro Doutor, sempre haverá um favoritismo para todos. Pelo menos eu acho que sim, e posso dizer isso depois de ver toda a Nova Série e estar finalizando, agora em julho de 2014, a era do 2º Doutor.

Agora vamos aos meus arcos favoritos dessa era (classificados em ordem de produção): An Unearthly ChildThe Daleks, The Edge of DestructionMarco PoloThe AztecsThe SensoritesThe Dalek Invasion of EarthThe Chase, The Time Meddler, Mission to the UnknownThe Ark, The Celestial ToymakerThe Gunfighters e The Tenth Planet.

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Depoimento de Yoana Carmo

Comecei a ver a série Clássica de Doctor Who logo após terminar a série atual. Peguei a primeira temporada e decidi que veria todos os episódios da série, então comecei pelo primeiro arco do 1º Doctor: An Unearthly Child. Esse que então se tornou um dos meus arcos preferidos, principalmente pelo primeiro episódio que apresenta todos os personagens de forma sensacional, como pela relação que o Doctor tem com Ian e Barbara durante ele, rende muitas risadas, que pelo menos para mim foi uma ótima apresentação do que viria. Mas devo destacar que o roteiro da estória que desse arco (depois do primeiro episódio), deixa a desejar, principalmente quando você descobre o arco sensacional do Marco Polo, que está todo em reconstrução.

As primeiras impressões que tive do Doctor de William Hartnell foram estranhas. Acostumada à personalidade do , 10º e 11º Doctor, levei de certa forma um susto ao perceber ele não era amigável.

Em nenhum momento essa personalidade ranzinza, grossa e com um tom enorme de superioridade me desestimulou ou me deixou sem ânimo para acompanhar a série. Achava engraçada a forma com que tratava seus acompanhantes, Ian e Barbara, nos primeiros arcos.

Dado o susto inicial com sua personalidade, os corações do Doctor vão amolecendo e, junto, minha admiração por ele (e pelo ator Hartnell), só aumentam. Ele acaba adotando essa imagem de avô (graças à sua neta, Susan, que o chama de avô o tempo todo) que acaba se tornando nostálgica, pela maneira como é interpretado, seu tom de voz, trejeitos, fisionomia. No final da sua era, quando o momento da regeneração chegava, posso dizer sem vergonha que me emocionei. Sua figura é muito forte e, em pouco tempo (vi a era dele numa maratona rápida), se transformou muito amada por mim.

Entre estórias que mais me encantaram na era do 1º Doctor, posso destacar: An Unearthly Child, The Daleks, Marco Polo, The Keys of Marinus, The Sensorites, The Dalek Invasion of Earth, The Chase, The Ark, The Gunfighters, The Savages, The War Machines e The Tenth Planet. Acho que posso dizer que todas me agradaram, sempre coloco a série clássica no contexto de 1963, e a capacidade de escrita, direção, criatividade e recursos que eles tinham na época me impressionaram muito.

Algumas coisas me incomodaram: como a TARDIS sempre tem problemas, o papel da mulher muitas vezes é deixar o homem resolver tudo e ficar encolhida no canto com medo (se você for pensar que isso é em 1963, pra sociedade da época faz sentido, mas às vezes é exagerado), ou arcos com episódios que nem precisavam existir e que só acrescentam enrolação.

A era do 1º Doctor é única, digo isso, pois quando a era do 2º Doctor começa, vemos o programa sair do educativo para, literalmente, chegar no lugar que vemos hoje em dia, com personagens recorrentes, os Time Lords e entre outros. O 1º Doctor é mais do que especial e desde sua primeira aparição nos entregou o personagem que até hoje existe dentro de cada regeneração, uma atuação emocionante de William Hartnell. Todas as características estavam lá: excentricidade, inteligência, humor, senso de justiça e proteção. A Série Clássica me conquistou no seu primeiro episódio, e desde lá tem sido uma jornada incrível e emocionante acompanhar tudo o que foi feito.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.