Fora de Plano #22 | O Dia em Que o Plano Crítico se Tornou a Sociedade dos “Poeteiros” Vivos

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ATENÇÃO: Este é um relato verídico e cheio de palavrões, coisas politicamente incorretas e tretas do tipo “mamilos são polêmicos“. Se você ainda não tem idade ou suporte psicológico para apreciar a decupagem da zuera (ou “zueira” ou “zoeira” ou “zoera”, tanto faz), sugiro fortemente que não prossiga a leitura. Clique imediatamente nos links a seguir e vá para o tipo de texto apropriado para sua idade emocional.

  1. Tinker Bell — O Segredo das Fadas
  2. Tinker Bell e o Monstro da Terra do Nunca

Estou avisando! Se você é súdito do Império Semi-Ostrogodo do Mimimi Ocidental, não prossiga a leitura! Você está agora por sua conta e risco! Não digam que eu não avisei!

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querido diario-plano-critico

Guilherme é flagrado escrevendo em seu diário.

Começou sem querer, às 14h36 do dia 22 de Julho de 2016, quando eu, parafraseando Vinicius de Moraes, mandei para o Ritter um e-mail intitulado De repente, não mais que de repente‏, falando sobre a nossa agenda de publicações dos próximos dias. No e-mail, eu escrevi assim:

Faz-se da agenda um tsunami errante,
Do Plano Crítico um lugar contente;
Tudo lotado de próximo a distante,
De repente, não mais que de repente.

Sempre muito educado, portador de uma fineza de Trasgo Montanhês, Ritter Fan me respondeu:

Caralho, olha o que eu tenho que aturar… Poema de professor de férias…

Segunda não tá lotada. Tem 3 livros. Eles têm que ser deslocados. Só o meu vai entrar…

Com isso, só há 3 publicações…

Mala.

Sem alça.

Percebam o nível Stalinístico que o Ritter coloca a coisa toda. “Só o meu vai entrar” e por aí vai… A minha resposta imediata foi esta:

Certeza que você salvou meu poema.

E vai ficar recitando. hauhauhauhauahauhauahuahauhauah

Até este ponto do dia (14h41), tudo ia muito bem, obrigado. Foi uma gracinha típica de quem se conhece e trabalha há 5 ou 6 anos juntos — nunca sei direito se eu encontrei o Ritter bêbado, jogado na porta da Cinemateca, com dois cachorros lambendo a boca dele em 2010 ou 2011. Porém…

Fifteen Minutes Later...-plano-critico-bob-esponja

… ele me responde com um poema! E o que era para ser apenas uma zuerinha de leve, se tornou a temática de e-mails e mensagens no nosso grupo ultra-secreto pelas cinco horas seguintes. Dizia o Ritter, ao abrir a Porteira Poeteira:

Crítico arrombado,
Fica todo empombado;
Adam Sandler é milionário,
você não passa de um paspalho.

Aqui, o leitor precisa de um contexto. Como todo grupo de pessoas que produz material para um púbico diverso e dentro de várias manifestações artísticas, vocês devem imaginar que a gente tem muitos haters. Há poucas semanas, conversávamos sobre isso no nosso grupo e o Handerson levantou uma coisa que todos concordamos: o grande clássico validador de ofensas para nós, críticos, vem com o adjetivo “ARROMBADO”. Já aqui, vocês pegaram uma referência do poeminha do Ritter. A outra é a seguinte: uma leitora de um certo texto meu ficou muito chateada com a nota que eu dei para o o filme e fez um textão meio que me xingando. No final, ela disse isso:

O que diz sobre os filmes não é a crítica, arrogante, redundante e montada, e sim a bilheteria e Adam Sandler não deixa a desejar nesse quesito, por isso ele é rico e vc que escreveu o post provavelmente não tanto quanto ele, otário.

Booooooom, hein! Essa foi de lascar os beiços. Bem, eu fiz questão de grifar a parte final porque é a minha favorita, e agora nós a incorporamos, sempre que vamos ironizar sobre a postura de alguém que critica algo (nós mesmos!) com esta pérola da coerência. Estão sentindo esse perfume no ar?

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E o dia só foi melhorando. Após o Guilherme voltar do passeio com a mamãe (hoje ele foi comprar uma lancheira nova para levar para a escolinha, no segundo semestre) ele pediu uma coisa para mim. O Ritter vai e responde assim:

Não funciona,
pois ele é uma maricona;
Não merece nada,
já que peida na empada.

Minha resposta veio logo em seguida:

Funciona se eu quiser
você não manda em mim,
mesmo que ele seja um mané
você não pode tratá-lo assim.

E o Ritter:

Defendendo o amigo do peito,
Realmente não tem jeito;
Para o canto do acasalamento,
Falta só um momento.

Eu gostaria de chamar a atenção de todos para o fato de quase todos sermos homens adultos: o Ritter no alto de seus 2,56 Bilhões de anos, eu com meus 29 e o Guilherme com 9 anos (sim, ele é um adulto de 9 anos. Não pergunte). E sim, nós reservamos um tempo do nosso dia para ficar trocando poeminhas da sala do Guilherme de 5ª Série (sim, eu sei que agora a divisão é por “ano”, então é “5º ano” e não mais “5ª série”, mas “5ª série” é muito mais icônico, muito mais divertido e muito mais Guihermino do que “5º ano”).

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Fotos raras do Guilherme dançando para a mamãe.

Como se não bastasse, o Gui propôs, logo hoje, para ser responsável por um Especial sobre filmes e programas de TV que falassem de Fadas, e que ele seria o chefe de toda a operação, já querendo começar com críticas por episódio de algo que ele chamou de “o maior clássico de todos os tempos e de toda a história da TV“, Caça Talentos (1996 – 1998), aquela série infantil com a Angélica que interpretava a Fada Bela. Sobre isso, Ritter comentou:

Você é o chefe,
mas é um crítico mequetrefe;
Decida o que quer,
E não mete a colher.

Não contente, o Guilherme mostrou a sua incompetência em forma de poema, dizendo isso aqui para mim no Facebook:

Luiz Santiago, comentário para tu
Na crítica de classic Doctor Who
Pois veja rápido, agora, e responde
Não seja prepotente, não se esconde.

Esse poeminha do Guilherme tem uma referência a outro hater meu (falarei dele mais adiante) que virou piada entre nós. Mas por enquanto fiquemos com o “diálogo” que se seguiu, a partir da minha resposta:

A pessoa é tão tapada
que deixa um comentário
mas não localiza o responsável
de QUAL episódio fala.

Na sequência, o Sr. Guilherme respondeu, referindo-se ao meme-hater-interno que eu já falei para vocês:

O que terá a dizer para mim
Quando do Adam Sandler eu lembrar?
Creio que este será o estopim
Para o seu estado de lixo despontar.

Como a minha resposta seguinte mergulha fundo em referências ao hater de que falei há pouco, vou revelar o caso. É rápido. Em um certo texto meu, um leitor escreveu simplesmente isso, em caixa alta: SEU BOSTA LIXO PREPOTENTE DO CARALHO. Ouro puro, não é mesmo? Esta frase acabou virando piadinha entre eu, o Guilherme e o Ritter, e utilizamos isso frequentemente, muito mais do que a referência ao Adam Sandler. Agora sim vocês vão entender a minha resposta:

Você é mesmo um imprestável,
lixo, prepotente do caralho,
acha que eu não sei o seu negócio
de ficar acusando o sócio
quando na verdade se acoloia,
com os mano do morro, os noia.

a zuera-e-poderosa-em-você

Daí, por algum motivo, o bonitão começou a atacar a minha profissão com inverdades. Não é mole?

Tem Duas férias por ano
E assim mesmo não escreve,
Se diz sócio, gerente, dono,
Quando é só um mequetrefe.

E já que o negócio era profissão, eu não podia deixar de falar da mamata (que ele jura que é trabalho) onde o Guilherme passa algumas horas o dia, depois da escolinha:

Só consigo ver o recalque
mas não entendo porquê,
pois eu não “trabalho” num parque
o tempo todo vendo TV.

Então, dos confins do inferno, o Lucas Nascimento nos aparece com o seguinte comentário: “WHO WON? WHO’S NEXT? YOU DECIDE“. Para quem não sabe, ele estava se referindo a um dos melhores canais do Youtube, o ERB (Epic Rap Battles), do qual deixo uma das minhas batalhas favoritas: James Bond vs Austin Powers.

Daí o Ritter, escreve:

Agora tem gente escrevendo em inglês
Mas não sabe nem falar português
Tira onda de bom
Mas só gosta de Pokémon.

E eu:

A incompetência é tanta
e tanta é a falta de decência
que o poeteiro da cabeça branca
não manja nada das referências.

E o Ritter:

Professor de férias
só sabe fazer pilhérias
Devia trabalhar mais
E deixar Gandalf em paz.

Então eu enterrei a espada na fuça do Dragão:

Estou de férias e contente:
a macacada fica louca.
Pelo menos eu não to à toa
no meio do expediente.

britney-plano-critico-work

Pouco tempo depois, mais uma prova de incompetência é relatada em poema (percebam o que eu tenho que suportar desses inúteis todos os dias). O infeliz do… adivinhem quem? Me escreve:

Comentário em Piada Mortal
foi mal
mas respondi mesmo assim,
pois era para mim.

Em seguida eu devolvo, com a referência que vocês já vão entender:

Bosta lixo
prepotente do caralho,
como faz isso
com meu comentário?

E em um grande exercício de fingimento maligno, Ritter responde:

Assim eu fico magoado,
Completamente desolado;
Você é uma pessoa malvada,
Sempre dando patada.

Minutos depois, eu falo da organização das duas críticas de lançamento que publicamos no dia:

Por motivos de hype
e quantidades de fãs,
colocarei a crítica do Lucas
antes da crítica do Tarzan.

E o Ritter:

Não tente me culpar
por não conseguir se segurar,
se a barriga tanquinho do sujeito
faz seu coração bater mais forte no peito.

blafêmea

As horas passam. Ao tentar me lembrar que eu deveria fazer a chamada para a crítica de Homem Animal: Nascido Para Ser Selvagem, o Ritter tem a audácia de me vir com essa:

Apesar de estar postado
seu Homem Animal não foi programado
O horário vai passar
E a cobra vai fumar.

Mas eu, como sou uma pessoa MUITO RESPONSÁVEL, já chutei as orelhas do Filisteu:

Não se avexe, meu amigo
isso já está na grade,
com meus horários alternativos,
estava almoçando tarde.

Quer dizer… nem tão responsável assim. Na verdade, eu cometi um mínimo, um pequeníssimo deslize na hora da publicação dessa crítica no nosso FB e comentei com o Ritter e o Guilherme, daí o Ogro do Cão respondeu:

Isso é o que dá
Deixar as coisas pra lá,
Mais responsabilidade é preciso
Para evitar improviso.

Então eu dei o Xablau:

Perceba, Ivair
no comentário inválido,
o quanto se pode ouvir
da petulância do cavalo.

Novamente, Ritter prova sua incompetência memística, parece que estava numa caverna lá em Paulo Afonso:

Agora você viajou na maionese bonito,
Com palavras sem qualquer sentido,
Aprenda a escrever melhor
E depois volte para levar a pior.

Mas eu não deixei barato:

Logo se vê que este infame,
sem saber nada dos memes
fala como um errante,
sem medo de perder os dentes.

E o Ogro:

Incitar violência
Não é resposta para incompetência,
Se meus dentes você tocar,
Sem seus dedos poderá ficar.

homem-aranha-plano-critico-refletir

Na reta final da jogada, eu publiquei um gif impublicável (era da Inês Brasil, então imaginem…) que representava os hábitos noturno do Guilherme (é um gif do futuro). Aí, mais uma vez, o Ritter começa a me atacar, tudo sem mais nem menos:

Agora fiquei angustiado
com os hábitos internéticos do Luiz Santiago.
O que será que ele para seus alunos fala,
Nas raras vezes em que ele rala.

Então eu respondi:

Quando a pessoa só acessa
e nem sabe o que viu,
a realidade é essa:
se assusta com a Inês Brasil.

Então, também dos confins do inferno, o Handerson veio provocar:

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Daí o Ritter desembesta, como boi no cio:

Uma pena que hábitos escusos
Disfarçados fiquem com versos confusos,
Luiz Santiago tenta, mas não consegue jamais
Mostrar ao mundo que escrever é capaz.

O Handerson-Briguinha continuou a provocação com o comentário: “Ah, num creio, vai deixar barato, Luiz Santiago?“. E foi minha vez:

É fácil ver quando o recalque
toma conta do indivíduo:
ele quer vencer no grito
falando do que não sabe.

E provoquei o Handerson:

O Handerson incendiário,
não está aqui à toa,
vamos mostrar ao salafrário
com quantos paus se faz uma canoa.

O Ritter também partiu pra cima:

Handerson Ornelas o fogo ateia
Achando que imune é à peia
Quero ver agora que saiu queimado
Tentar fugir acabrunhado.

E eu finalizei:

Handerson Ornelas está descrente,
do que o aguarda no futuro,
a ira dos que dominam o mundo
sabe de nada, o inocente.

cavalo-na-chuva-plano-critico

Daí ele só pode vir com essa desculpa sem eira nem beira (estamos abusando de gírias antigas, algum problema?): “Até faria uma rima, mas sou de exatas“. Então o Ritter acabou com a raça dele, um verdadeiro fatality:

Desculpas é tudo o que leio
nessa conversa cheia de receio
Pare um pouco e pense
E digite aquilo que vier, exatamente.

Por fim, eu tive a brilhante ideia (claro, né, eu sempre tenho as brilhantes ideias) de reunir a nossa brincadeira do dia em uma postagem especialmente para vocês:

Ridículos, eis um dilema:
seria viável
reunirmos nossos poemas
num Fora de Plano engraçado?

O Ritter já mandou:

Se nosso amigo Guilherme
Parar de agir como um verme
E poemas começar a escrever,
Então publicar no site temos obrigação de entreter.

Mesmo com a indireta, o Verme-Guilherme mudou de assunto e ainda veio escrevendo EM PROSA! Olha a pachorra do cachorro! O Ritter não perdoou e finalizou com isso:

Em prosa entender eu não consigo,
Por mais que se esforce o amigo,
Quando finalmente em verso você escrever
Conversar poderemos nos atrever.

E assim terminou a nossa Aventura Poeteira do dia!

Sem querer, passamos a tarde e o começo da noite fazendo rimas pobres, passando vergonha (agora ainda mais!), mas nos divertindo bastante. Espero que vocês também tenham se divertido!

Comentem, e divulguem essa última maravilha da poesia Universal! Aposto que vocês não são mais os mesmos depois de ler tanta pérola poética! Isso vocês só tem aqui, no Plano Crítico!

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.