Fora de Plano #26 | Comic Con Experience 2016

A Comic Con Experience 2016 veio e já deixa saudades. Neste Fora de Plano procuramos oferecer o nosso olhar sobre o evento, passando nossas impressões sobre seus diferentes aspectos. Nossa intenção aqui não é mostrar o que foi exibido em cada um dos painéis, isso vocês podem encontrar em diversos outros sites por aí, e sim oferecer a sensação de como é estar presente lá, do que vale a pena conferir e o que pode ser dispensado, dependendo, é claro, de seus próprios gostos.

Leiam, portanto, o que nosso redator, Pedro Cunha, veterano do evento e nosso editor, Guilherme Coral, que foi pela primeira vez, tem a dizer sobre a maior convenção geek da América Latina, anotem nossas dicas para o ano que vem e nos deixem seus comentários, tenha você participado da CCXP deste ano ou não!

Se vocês querem ver mais fotos do evento, acessem nosso perfil no Instagram (@planocritico), basta clicar aqui.

Um “veterano” na CCXP 2016

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Em 2014 ocorreu a primeira edição da Comic Con Experience, também foi no mesmo ano que inaugurei minha participação nesse tipo de evento da cultura geek, pop ou nerd (dê o nome que você desejar). Na sua edição número um, a CCXP impressionou, não só em seu tamanho, mas na grande quantidade de colaboradores. Vimos grandes Estúdios, com convidados de peso. Foi deslumbrante para qualquer amante de Marvel, DC, Star Wars, Anime, séries, cinema e quadrinhos participar da já distante inauguração do evento.

Em 2015, o evento, que já era grande, aumentou. Não apenas em seu tamanho, mas em sua relevância. Provando que a “nerdice” não é algo de nicho, o evento rompeu barreiras e se tornou um grande colaborador para o mercado da área. Contribuir para a arte nacional, esse talvez seja o maior trunfo da convenção. Nesse ano, o Artists’ Alley, que já era grande na edição anterior, duplicou de tamanho, inflando toda a produção de quadrinhos nacionais.

Nessa última edição, tive a oportunidade de ver uma convenção que amadureceu, aprendeu com seus erros, e soube abraçar seu enorme público. Uma das maiores alterações do evento ocorreu justamente no Artists’ Alley, agora as mesas dos artistas ficam no centro do pavilhão. Apesar dessa ser uma decisão comercial, ela mostra muito o que a CCXP é um local que fala sim de cinema, séries e derivados, mas a convenção tem como seu coração os quadrinhos.

É obvio que o evento cansa, vemos um local que é lotado de gente, e é de pessoas que se compõe as filas, essas que são muitas, sempre grandes e intermináveis. Porém, até na espera a CCXP brilha, é ali que o “networking” nerd é feito, e já que todos falam a mesma língua, a comunicação ocorre com muita facilidade. Todavia, se você não quer pegar filas, recomendo o Auditório Ultra, um local que criadores de internet, quadrinhos, séries e etc se encontram para dar dicas para os novos padawans. O auditório foi algo que descobri esse ano, ele sempre esteve lá, mas foi só em 2016 que pude descobri-lo. Nele vemos um conteúdo digno de Auditório Principal, mas com bem menos espera.

Que venha 2017, e que esse lindo evento continue alimentando e sendo muito importante para os geeks, nerds e simpatizantes de todo o Brasil.

Um olhar “virgem” sobre a CCXP

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Ao contrário do Pedro, que me acompanhou no evento,a edição deste ano foi minha primeira. Apesar de já ter ido em outras convenções no Brasil, eu sinceramente não fazia ideia do que encontraria ali. Fiz a questão de não estudar o mapa do lugar, para chegar como se estivesse assistindo um filme pela primeira vez, sem assistir nenhum dos trailers. Naturalmente eu sabia quais eram os convidados, mas isso de alguma forma me preparou para o que eu veria ali.

O primeiro espanto é a fila de entrada, um negócio kilométrico com milhares de pessoas ansiosas para entrar no evento, algo que felizmente burlamos. Desde já pude enxergar que: se você detesta filas com todas as suas forças, esse definitivamente não é o evento que você está procurando. A fila, contudo, é maior para quem não recebeu os ingressos em casa ou parra quem não os retirou previamente, portanto, programem-se antes de ir! De toda forma, se você é do tipo que faz amizades em filas de banco, não irá encontrar problemas aqui, como já enunciado pelo Pedro.

A entrada da CCXP, felizmente, nos faz esquecer da provação anterior. Para quem entra pela entrada principal já será recebido pela Artists’ Alley, o que descobri, em minha virgindade, ser o ponto alto do evento. E já explico o porquê. Os convidados internacionais em suas palestras definitivamente são um grande atrativo, mas para chegar neles você precisará perder quase toda a convenção na espera de outra colossal fila e, ao entrar no auditório, ficara no meio de milhares de pessoas para ouvir algo que será noticiado, no máximo, um dia depois do evento. A menos que você consiga ficar lá na frente verá tudo por um telão, então, convenhamos: para que? Não é melhor aproveitar o que a CCXP tem melhor a oferecer, aproveitando melhor o seu tempo?

Na Artists’ Alley encontramos dezenas de artistas talentosos, muitos que não deixam nada a desejar quando comparados com os maiores nomes do mercado de quadrinhos. Aqui faço um apelo para conhecerem esses roteiristas e ilustradores que estão ali presentes, prestigiem seus ídolos como Frank Miller ou Quitely, mas não se esqueçam dos brasileiros ali, que trazem artes incríveis. Sinceramente, prefiro gastar meu dinheiro com uma ilustração original desses caras do que dar mais de cem reais para conseguir um autógrafo. Não vá só pelo que os outros dizem ou pelo que vai parecer uma honra ter em sua parede, observe aqueles artistas talentosos que ainda não tem o renome que merecem ter, deem uma chance a eles, garanto que irão se surpreender.

Mas vamos sair um pouco desse centro do evento.

Em volta temos os inúmeros stands das diversas empresas que ajudam a compor o evento, vendendo desde camisetas até estatuetas cuja perfeição é refletida três vezes no preço (culpem nossa economia, não o evento, naturalmente, que nada tem a ver com isso). Mesmo se você não for comprar nada, isso daqui ainda é o paraíso dos nerds. Vemos figurinos, trailers, bonecos de ação, todos sendo exibidos, dando aquele gostinho do universo amplo no qual estamos inseridos, mais que o suficiente para encher o cartão de memória de sua câmera.

Esses stands contam com uma produção surpreendente, desde o da Netflix, com suas atividades nas quais você consegue pôsteres de seus programas originais somente por participar, até o da Disney, nesse ano te´matica de Rogue One, com alguns figurinos do filme sendo exibidos, além da Estrela da Morte pairando sobre o lugar e os AT-ATs olhando para o lado de fora do stand. Definitivamente se você está em busca de material licenciado, estamos falando do melhor lugar para se encontrar – desde Funkos até camisetas, tudo você pode encontrar aqui, contanto que não tenham esgotado, é claro. Infelizmente, algumas filas aguardam os consumidores antes de poder pagar pelos produtos, então, se você planeja comprar algo, recomendo que o faça logo que os portões se abram.

Dito isso, a alma do evento é e sempre será as pessoas ali presentes. Dificilmente, em nosso dia a dia, estaremos presentes em um ambiente no qual todos contam com gostos similares. Dito isso, a CCXP é o lugar perfeito para o geek fazer novas amizades. Mas, além disso, toda a atmosfera do lugar é composta por esses milhares de pessoas, desde os cosplayers, até o fã empolgado que encontra o que queria ali dentro, ou que se depara com aquele cosplay perfeito de um amado personagem. Os sorrisos nos rostos daqueles que percorrem o saguão da convenção definitivamente não tem preço e, por mais que você esteja cansado depois de percorrer aquele lugar por horas e horas, sempre vai encontrar aquela energia extra na expressão dos fãs ali presentes.

No fim, quem faz a experiência valer a pena somos nós. Para quem quer participar dos painéis e explorar toda a convenção, ir em mais de um dia é essencial, portanto não deixe de se planejar e de enxergar o que você realmente quer ver ali no evento. Desde o Artists’ Alley até os inúmeros stands, a CCXP definitivamente é uma experiência única, feita para o público geek – ainda temos muito caminho pela frente em termos de evolução, mas estamos falando de um evento que melhora a cada ano que passa e que já, certamente, vale o ingresso, visto que, ao menos no Brasil, não temos nada que seja, de longe, parecido. A Comic Con Experience 2016 foi épica e que venha o ano que vem!

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.