Crítica | Final Fantasy VIII

estrelas 4

Final Fantasy VIII foi lançado em 1999 para o Playstation e logo se tornou o game mais vendido da franquia, título que durou até FFXIII. Seguindo o estilo dos dois jogos anteriores, ele adota uma narrativa mais adulta em um universo tecnologicamente avançado – agora menos steam ou cyberpunk e mais realista.

Sua trama gira em torno de Squall Leonhart, um jovem relutante e taciturno que deseja fazer parte dos SeeD, uma força mercenária de elite que é contratada para ajudar pessoas de todo o mundo. O treinamento para entrar em tal grupo é realizado em Gardens, que nada mais são que academias militares – o protagonista pertence ao Balamb Garden. O game se mantém em missões ligadas a esse lugar até a revelação da verdadeira antagonista, Ultimecia, uma feiticeira que busca comprimir o tempo e tirar o poder de todas as outras feiticeiras.

A história de Final Fantasy VIII é única devido ao seu enfoque no romance entre o personagem principal e Rinoa, quem conhece na cerimônia de graduação SeeD. Squall logo tem sua mente ocupada pela garota e, ao longo do jogo, tem de salvá-la inúmeras vezes. Devido a esse ramo, em diversos momentos, FFVIII parece um drama adolescente. Além disso, um outro elemento inovador para a série é o fato de controlarmos uma equipe separada da principal em alguns momentos do jogo. Uma história paralela é contada ao mesmo tempo, a de Laguna, cujo tema musical é um dos mais famosos do game – The Man With the Machine Gun.

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Roubando magia de criaturas

As ocasiões que controlamos Laguna representam uma mudança de tom na história, em geral, nos tirando da seriedade de Squall e nos colocando junto do espírito brincalhão do personagem secundário. Ambas as narrativas, contudo, caminham gradativamente para um clima mais sério, com pouco espaço para o cômico.

A maior inovação do game, contudo, está em sua nova mecânica de melhoria de personagem. Os levels se mantém como costume da série, porém os bônus de level up são drasticamente reduzidos. O principal meio de aprimorar os heróis é através do sistema de Junction. É um sistema bastante complicado no início, porém nada que algumas horas de jogo não resolvam. Nele nós atrelamos a cada membro da equipe um Guardian Force (abreviado como GF), que nada mais é que um summon. Cada GF garante diversas habilidades e melhorias nos status. Esses monstros também progridem em nível através de Ability Points e podem ser invocados para lutar na batalha.

O sistema de Junction também representa uma grande mudança para a magia dentro do jogo. Nenhum membro da equipe já começa com alguma magia, elas devem ser sugadas de monstros ou lugares específicos chamados Draw Points. Cada magia sugada possui um número limitado de usos, o que substitui os magic points (MP) recorrentes da franquia.

Para que isso funcione apropriadamente os monstros também crescem em nível junto com o jogador, portanto, mesmo na área inicial, iremos encontrar criaturas que garantem um desafio mesmo após horas de jogo. Obviamente as magias que podem ser sugadas deles também são melhoradas de acordo com o level dos personagens.

O desejo pela inovação é claro no jogo e funcionou com o sistema de junction, porém a mecânica da magia irá fazer o jogador sonhar com o esquema de materia de FFVII.

Os limit breaks, introduzidos em FFVI como Desperation Attacks, retornam em FFVIII. Dessa vez, porém, é possível realizar um ataque normal mesmo com o limit pronto para ser utilizado. Assim como nos dois games anteriores, o ataque especial pode ser usado quando o jogador recebe uma quantidade específica de dano.

Um grande elemento atrativo de Final Fantasy VIII são seus gráficos. Pela primeira vez na franquia vemos modelos de personagens mais realistas (mesmo fora das batalhas) e em tamanho real. Isso acaba não se encaixando muito bem quando no overworld devido à proporção das cidades, mas ainda assim é um grande passo para a série. Além disso o grau de detalhe dos personagens foi aprimorado significativamente.

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A dança mais famosa de Final Fantasy

Não é possível falar dos gráficos do game sem ao menos citar suas cutscenes. Já vimos em FFVII apresentações com belos gráficos que nos mostram melhor como o jogo foi concebido, porém é em FFVIII que as animações dessas demonstrações ganham maior destaque. Isso já é notável desde a abertura do game, quando vemos movimentos fluidos na luta entre Squall e Seifer.

A trilha sonora do jogo contém diversas músicas de sucesso entre a série, como a já citada The Man With the Machine Gun e outras tão famosas quanto, como Don’t Be Afraid, Eyes On Me (o primeiro tema cantado de Final Fantasy) e Liberi Fatali (talvez a mais conhecida por ser a tocada no início do game).

Final Fantasy VIII não alcança o nível de seus dois antecessores. Possui uma história não tão envolvente e uma mecânica confusa e nem um pouco fluida. Ainda assim representa um grande avanço na área técnica, com belos gráficos, principalmente nas cutscenes. Dos games da franquia criados para o Playstation é o mais fraco.

Final Fantasy VIII
Desenvolvedora:
 Square
Lançamento: 11 de Fevereiro de 1999 (Japão), 09 de Setembro de 1999 (EUA)
Gênero: Rpg de Turnos
Disponível para: PS, PSN, Pc, Mac, Linux

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.