Crítica | Metal Gear Rising: Revengeance

estrelas 3

Após um longo período de produção, que envolveu seu quase cancelamento, troca de desenvolvedor e, eventualmente, mudança no título de Metal Gear Solid: Rising para o péssimo Revengeance atual, finalmente chegou às nossas mãos o hack n’ slash de Metal Gear.

Quem já jogou os games anteriores da franquia sabe o papel dos ninjas ciborgues no universo de MGS. Primeiro tivemos Frank Jaegger com sua sanguinária aparição na ilha de Shadow Moses, em seguida vimos um copycat do ninja em Big Shell, uma roupa idêntica, porém um diferente usuário. No fim de Sons of Liberty ainda controlamos Raiden utilizando sua lâmina de alta frequência (uma katana futurista). O auge foi Guns of The Patriots, no qual Raiden retorna quase que inteiramente cibernético e completamente destruidor com sua espada.

Eis que surge Revengeance, uma mistura de Devil May Cry e Ninja Gaiden, no qual controlamos, novamente, Raiden – dessa vez nada amador. A trama se inicia com o protagonista em um país africano no qual protege o primeiro ministro. O meio-ciborgue, meio-humano faz parte de uma PMC (private military company) que visa a proteção de VIPs. Inesperadamente, contudo, um atentado contra a vida do primeiro ministro é realizado. Diversos ciborgues da PMC Desperado surgem e começam a assassinar toda a proteção ao redor. Cabe ao protagonista impedí-los.

Achou que nunca mais veria um desses?

Achou que nunca mais veria um desses?

Após uma breve perseguição que termina em cima de um trem em movimento, o primeiro ministro acaba sendo morto e, sem seguida, Raiden é facilmente derrotado por um dos membros de Desperado. Deixado sem um olho e um de seus braços (que já era mecânico, a missão do ninja falha completamente. A partir desse ponto, a história progride como o esperado: através da perseguição ao grupo inimigo que nada mais quer que incitar guerras em países pacíficos a fim de lucrar com o comércio de armas.

Após a breve introdução, o corpo de Raiden é reconstruído e, com isso, ganhamos diversas novas habilidades. Como dito anteriormente, o jogo é um hack n’ slash – é preciso derrotar os inimigos de certa área para avançar para a próxima. Isso pode ser feito através de combos que envolvem o ataque leve e o pesado da espada, por assassinatos mais sorrateiros ou com armas secundárias, como bazucas ou granadas. É claro que o game é inteiramente construído a fim de obrigar o jogador a lutar o maior número de vezes possível, fazendo parecer que o elemento stealth é um mero detalhe extra (apesar de, teoricamente, estarmos controlando um ninja).

O combate funciona da maneira mais frenética possível, com movimentos extremamente rápidos e situações dinâmicas. A mecânica de bloqueio funciona de maneira muito efetiva, garantindo a atenção do jogador em todos os momentos da luta, ao invés de simplesmente sair apertando todos os botões. Uma crítica que devo tecer a esse elemento do game, contudo, é a física dos inimigos que simplesmente ficam parados enquanto são atacados – seria de grande aproveitamento algo como em Devil May Cry, no qual eles são jogados para diferentes direções. Atrapalhando ainda mais o combate está a câmera que não acompanha efetivamente a ação, obrigando-nos a conserta-la constantemente (em um game frenético como este, não temos o luxo de fazer isso a cada momento).

A inovação no combate de Revengeance está no blade mode, em outras palavras, um modo no qual escolhemos a direção e o ângulo no qual iremos cortar o oponente. Se já não era óbvia, através desse elemento, a violência do game fica explícita, ao ponto que podemos fatiar um oponente em centenas de pedaços. Mas, além do gore, por que alguém desejaria fazer isso? Ao cortarmos determinado inimigo em certo ponto conseguimos tirar dele sua espinha cibernética que serve para recuperar a vida do protagonista.

Acredite, só cortar ao meio é uma gentileza nesse jogo

Acredite, só cortar ao meio é uma gentileza nesse jogo

Cada combate garante uma pontuação baseada nos combos, dano recebido, tempo, etc. Esses servem para comprar diversas melhorias e opções de customização, como roupas e espadas. Habilidades novas também podem ser adquiridas e permitem maiores combos e um aumento na dinâmica do game, além de nos dar um motivo para lutar.

Algo que deve ficar claro em relação a este jogo é: ele definitivamente não é realista – espere movimentos impossíveis, super-pulos e super velocidade. Em diversos momentos parece estarmos assistindo um anime em 3D. Apesar de contar com diversos elementos em comum com a saga Metal Gear, Rising soa como um game inteiramente à parte.

O maior problema do jogo é que eventualmente ele assume um tom de repetitividade, ao ponto que sua história não é tão envolvente quanto outras da franquia. A jogabilidade insere pontos imensamente inovadores, mas em última instância, quem gosta do gênero irá preferir games como DMC.

A versão para computadores, lançada no dia 09 de Janeiro de 2014, mantém todos os elementos do game, realizando leves melhorias no blade mode. O único problema dessa versão é seu limite de resolução que não chega sequer a 1600×900, não chegando, assim, à resolução de 1080p.

Metal Gear Rising: Revengeance é definitivamente uma aposta ousada de Hideo Kojima, que desejou se afastar um pouco de seu tactical espionage action. O game certamente não é ruim, mas irá logo cansar o jogador, seja fã da série ou não. No fim acabamos recorrendo a um diferente hack n’ slash ou outro Metal Gear.

Metal Gear Rising: Revengeance
Desenvolvedora:
 Platinum Games
Lançamento: 19 de Fevereiro de 2013 (Ps3, Xbox 360), 09 de Janeiro de 2014 (Pc)
Gênero: Ação
Disponível para: Ps3, Xbox 360, Pc.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.