Crítica | République

estrelas 4

O game surgiu através de Ryan Payton, que se cansou de reclamar da ausência de “jogos de verdade” para dispositivos moveis e decidiu, enfim, fazer um. Com influencias claras de jogos como Metal Gear Solid e Resident Evil, foi concebido République.

A trama acompanha a personagem Hope, que vive em um Estado totalitário semelhante ao visto em 1984 – câmeras em todos os lugares, livros proibidos, etc. No inicio do game, Hope é capturada e presa por ter lido um desses livros considerados ilegais. Prestes a sofrer uma lavagem cerebral, ela consegue nos contatar para pedir ajuda. Dito isso, cabe a nós hackear as diversas câmeras de segurança do local e outras formas de segurança eletrônica para ajudar Hope a escapar.

A jogabilidade funciona de maneira bastante simples. Nossa forma de acesso à todas as câmeras, computadores e portas se dá através do celular de Hope. Mas se ela foi presa, como manteve o celular? Felizmente um dos guardas simpatizou com a menina e decide ajudá-la também, começando por entregar a ela o celular. Esse mesmo suposto aliado nos passa os básicos do jogo.

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Estados totalitários e seu medo de livros

Com o celular em mãos, devemos nos transferir de câmera em câmera (clicando em ícones que aparecem na tela) para ter um melhor ponto de vista para guiarmos a fugitiva. O ideal é mante-la fora de vista o jogo inteiro, já que poucas são as armas de defesa disponíveis. A primeira que conseguimos é um spray de pimenta que, obviamente, tem um efeito temporário – para emergências somente. Assim que vimos uma oportunidade para que Hope se movimente, basta clicar no lugar da tela que você deseja que a menina se movimente para.

Em alguns pontos, contudo, a personagem se move sozinha,  que acaba facilitando demais o jogo e nos passando uma sensação de que não estamos fazendo efetivamente nada de relevante. Felizmente, tais momentos são escassos – em geral ela só se move quando mandamos.

Um fator muito interessante do game é a maneira como nos transferimos de câmera a câmera e hackeamos outros dispositivos. Através de um ícone no canto da tela, entramos em um modo que revela elementos de interesse no local. Esses vão desde jornais que transmitem um pouco da história da République até portas que podem ser abertas ou fechadas. Ao entrarmos nessa visão (semelhante ao detective mode da série Arkham de Batman), o tempo é pausado, nos dando oportunidade para planejarmos a nossa estratégia.

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O poder do Big Brother

Por enquanto o jogo parece muito fácil? Não se deixe enganar, além da dificuldade da furtividade ainda existe um problema relacionado a toda essa empreitada hacker – celulares tem bateria limitada. Dessa forma, quando a bateria está prestes a acabar, perdemos muitas das habilidades, podendo somente abrir algumas portas e passar de câmera em câmera. O celular, porém, pode ser recarregado em certos pontos do game.

Além da jogabilidade inovadora, o que mais chama atenção em République são seus gráficos impressionantes. Basta uma primeira olhada no game para se deslumbrar com um visual, até então, ausente em dispositivos móveis (não levando em consideração 3DS, PSVita). Eles chegam a se equiparar até com alguns jogos da geração atual. Isso fica ainda mais evidente com o ótimo trabalho de lip-sync do game, contando ainda com dubladores de nome, como David Hayter e Jennifer Hale.

Assim como jogos da Telltale, République é divido em episódios, portanto não se estranhe se a história não efetivamente acabar. Felizmente existem diversos colecionáveis secretos que podem ocupar bastante o tempo de jogabilidade.

République é um jogo de destaque para iOS, com a dimensão de ports como Knights of The Old Republic, mas feito pensando nas funcionalidades do dispositivo. Ele contará com uma versão para Pc e Mac, mas se tiverem a oportunidade, joguem em algum aparelho com iOS, somente assim poderão desfrutar a total experiencia do game, além de garantir uma boa imersão – afinal, Hope fala conosco através de seu celular. Mesmo com seus defeitos, é um gigante entre os games de aparelhos móveis.

République
Desenvolvedora:
 Logan, Camouflaj
Lançamento: 19 de Dezembro de 2013
Gênero: Aventura
Disponível para: iOS

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.