Crítica | SteamWorld Dig: A Fistful of Dirt

estrelas 4

Na segunda metade da década de 2000 passamos a ver um aumento exponencial na quantidade de indie games (jogos independentes, não ligados a uma grande desenvolvedora). Isso se deu graças aos novos métodos de distribuição, possibilitados pelo avanço da internet. A popularização de tais jogos, contudo, veio através da Steam e Xbox Live Arcade, que passaram não só a publicar, como a incentivar a produção de tais games. SteamWorld Dig é um desses jogos.

O game utiliza uma história extremamente simples, colocando seu foco quase que inteiramente na jogabilidade em si. As influências de SteamWorld são claras: Castlevania (no caso os metroidvanias), Minecraft, Terraria e até Dark Souls.  Controlamos um robô a vapor que herdou uma mina de seu avô. Tal mina se situa embaixo de um pequeno vilarejo estilo velho-oeste com, à princípio, três habitantes também máquinas. Ao longo do jogo, através de pequenos diálogos e referências visuais, percebemos que estamos em mundo pós-apocalíptico no qual os humanos se exterminaram pela guerra.

Dentro dessa premissa o jogo nos dá um objetivo: cavar. Devemos explorar a mina, indo cada vez mais fundo e enquanto o fazemos mineramos pedras preciosas. Estas podem ser vendidas no vilarejo para que possamos comprar melhorias para nossos equipamentos. Além disso, nossa barra de experiência nada mais é que a quantidade de dinheiro que coletamos em cada empreitada na mina. Com o passar dos níveis, liberamos mais melhorias para o personagem.

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Cavar, cavar e cavar

Mas nem tudo são flores em SteamWorld, as profundezas da mina estão repletas de criaturas e outros perigos que visam sua destruição. Assim como as pedras que quanto mais fundo mais valiosas ficam, os inimigos também crescem em dificuldade. E aqui entra a influência de Dark Souls/ Demon’s Souls – se formos destruídos na mina, deixamos cair tudo o que coletamos e para reavê-los, devemos descer até o mesmo ponto e coletá-los, sem antes morrer.

Um outro elemento também aumenta significativamente a dificuldade do jogo. Durante todas as nossas explorações carregamos uma lanterna, a qual diminui gradualmente o nível da luz até se apagar completamente. À princípio eu acreditava que se a luz se extinguisse o personagem seria devorado por centenas de criaturas, mas a verdade é mais simples do que isso: se a luz acabar, você não irá enxergar e acredite, em uma mina isso é dizer muito. Quando chegamos a esse ponto tudo o que nos resta são os poucos postes de luz presentes na mina. A lanterna é automaticamente recarregada na superfície e também pode ser melhorada a fim da luz durar mais tempo.

É de se esperar que precisemos de novos equipamentos quanto mais fundo pretendemos chegar, para isso, ao longo do jogo, ganhamos novos equipamentos e habilidades. Esses são ganhos através das missões que são nos dadas na vila, que se resumem a: chegue a tal ponto na mina. Parece simples, mas quando chegamos nos deparamos com uma entrada para uma área diferente. Esta é repleta de puzzles a serem resolvidos para que enfim cheguemos à nossa nova habilidade ou equipamento.

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Steambots western

Se você acha que logo irá se enjoar de toda a ambientação subterrânea, não se preocupe, quando alcançamos certo nível de profundidade descobrimos um novo “cenário”. Com esses, acabamos descobrindo o que aconteceu ao velho mundo e o destino da raça humana. Com esses avanços no jogo, novos cidadãos acabam se mudando para a vila, que está prosperando graças ao personagem principal. Esses novos moradores abrem diversos novos negócios na vila que aumentam ainda mais a quantidade de melhorias disponíveis.

Todos esses elementos são muito bem representados pelos belos gráficos em 2D desenhados. A caracterização dos robôs e inimigos é ótima – simples e criativa. A ambientação dos diversos níveis da mina dão um elemento de mistério ao jogo que é corroborado pela trilha sonora, também simples, que lembra em diversos pontos Fallout: New Vegas. Vale ressaltar que as versões para Pc, Mac e Linux possui gráficos retrabalhados em HD.

O game, porém, não é perfeito. Ele não oferece muitas horas de jogo (em geral 6 a 10 horas), acabando muito rapidamente. A ausência de poder minerar enquanto pula realmente faz muita falta, ao mesmo tempo isso aumenta o nível de dificuldade e planejamento do game, não sendo necessariamente um ponto negativo. Além disso o jogo iria muito se beneficiar de um modo multiplayer cooperativo e de pequenos detalhes como a alteração do visual quando melhoramos a picareta ou a armadura de nosso personagem.

SteamWorld Dig é surpreendentemente bom e completo pelo seu tamanho/ preço. Definitivamente será apreciado por todos os fãs dos jogos que o influenciam. Como eu já disse, o game poderia ser mais longo, mas isso não irá estragar a experiência de minerar nesse universo pós-apocalíptico. Definitivamente vale a empreitada.

SteamWorld Dig
Desenvolvedora:
 Image&Form
Lançamento: 08 de Agosto de 2013 (3DS), 5 de Dezembro de 2013 (Pc, Mac, Linux)
Gênero: Plataforma
Disponível para: 3DS, Linux, Mac, Pc

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.