Crítica | The Last of Us

estrelas 5

The Last of Us é um survival-horror exclusivo para PS3, baseado no livro A Estrada, do autor americano Cormac McCarthy. Ele nos coloca em um futuro distópico, no qual o mundo foi destruído por uma praga, a Cordiceps – um fungo que toma controle do sistema nervoso, tendo o objetivo único de espalhar a infecção. Nesse universo, grande parte da civilização humana foi infectada ou morta e o que restou sobrevive em zonas de quarentena seguradas pelo exército, em pequenas sociedades ou gangues. Fazemos parte desse universo hostil através de Joel, um contrabandista, já na faixa dos cinquenta anos, que tem a missão de levar Ellie, uma menina em plena adolescência, através dos Estados Unidos em busca dos Fireflies, um grupo de resistentes.

O jogo transmite constantemente o mesmo clima de seu material de origem. Há uma frequente sensação de desolação e perigo que são cuidadosamente balanceados com momentos de maior descontração – piadinhas da Ellie, Joel lembrando como era o mundo há vinte anos. Em várias partes do jogo nos são apresentados cenários estonteantes com a natureza tomando de volta as antigas cidades e essas sequências são imprescindíveis para nos dar um pouco de relaxamento do resto da constante tensão.

O Retorno da Natureza

O motion capture, voice acting e lip-sync do game são impressionantes, nos passam a nítida impressão de estarmos vendo pessoas de verdade, um filme. As expressões dos personagens garantem um grau de dramaticidade raríssimo em qualquer outro jogo, nos aproximando, tornando íntimos e nos importando com Joel e Ellie. Isso é corroborado pelo alto grau de profundidade presente em todos os personagens.

O design dos inimigos é impressionante, assim como sua inteligência artificial. Os cordiceps são aterrorizantes e são divididos em quatro categorias: runner, semelhante a um zumbi, grunhe e corre atrás do jogador se percebido; clicker, com um nível um pouco mais avançado da infecção – tem a face toda coberta por fungos o que os torna cegos. “Enxergam” através de um barulho que fazem semelhante a um “click”, daí o seu nome. Temos também os bloaters, estes são os mais infectados. Eles tem o corpo todo coberto de fungos – são seres enormes que lançam nuvens de toxinas no jogador. E, por fim, o lurker que é, pessoalmente, o que mais assusta, já que ele fica ou correndo de um lado para o outro ou escondido, esperando para um ataque surpresa.

A situação é pior do que parece

A situação é pior do que parece

O maior perigo do jogo, contudo, são os próprios humanos, como já é deixado claro desde a introdução. Embora os infectados assustem mais e nos deixem mais tensos, são os humanos que nos fazem passar a maior dificuldade. Como dito no próprio jogo, eles são imprevisíveis. Enquanto um infectado tem um objetivo claro, o do homem tem uma gama de possibilidades desconhecidas.

The Last of Us, nos coloca em diversas situações contra os infectados e outros sobreviventes e cada uma delas totalmente diferente uma das outras. Nenhum encontro é igual, nenhuma estratégia sempre dará certo – é preciso pensar e, muitas vezes, repetir, para alcançar o objetivo da melhor maneira.

A jogabilidade é bastante simples, controlamos Joel em uma visão de terceira-pessoa. Os controles são fáceis de se acostumar, não sendo repletos de detalhes confusos e a câmera é totalmente controlável pelo jogador, permitindo uma visão de 360º em volta de Joel. Para facilitar a furtividade e criação de estratégias, nosso personagem conta com uma habilidade, o listening mode, que o permite ouvir os inimigos à sua volta, “enxergando” através de paredes pelo som.

 A história é dividida em capítulos demarcados por cada uma das quatro estações do ano. Dentro desses seguimos um objetivo que geralmente se apresenta no início de cada capítulo. The Last of Us não é um jogo de mundo aberto, se encaixando em um estilo semelhante ao introduzido em Resident Evil 4.

O jogo apresenta um sistema de upgrade de armas e criação de itens bastante interessante. Podemos melhorar nossos equipamentos utilizando peças encontradas ao longo da história e também criar itens como bombas de fumaça, minas de proximidade, melhorar armas brancas colocando pregos em bastões por exemplo. Esses itens criados e armas aprimoradas garantem um alto grau de personalização da experiência, podemos agir mais na surdina, passando por inimigos sem que eles nos vejam ou investir pesadamente em armas e matar qualquer adversário que apareça. Qualquer um dos inúmeros modos do jogo é incrivelmente divertido.

Além dessa customização, o game possui diversos níveis de dificuldade, que vão do Easy até o desafiador Survivor, este último é liberado após o término do game. Recomendo que comece do Normal, mas que não deixe de experimentar o modo Survivor, este consegue passar uma sensação única de escassez e sobrevivência– você se sente na obrigação de não deixar nada para trás e cada item tem sua crucial importância em determinada situação. Os inimigos se tornam mais inteligentes e resistentes de acordo com a dificuldade. Vale ressaltar que a habilidade de ouvir os inimigos não está presente na última dificuldade.

Não, isso não é Jogos Vorazes

Não, isso não é Jogos Vorazes

Após terminar a história é possível iniciar um New Game Plus que permite reiniciarmos o jogo com todas as melhorias feitas no anterior. Só é possível conseguir todos os troféus do jogo terminando em todas as dificuldades mais de uma vez. Cada troféu libera skins para utilização durante o jogo, essas alteram o visual de Ellie e Joel.

O modo multiplayer do jogo, embora seja dispensável, é bastante divertido. Nele podemos escolher entre duas facções: Fireflies e Caçadores. Como outros jogos, podemos escolher uma classe que melhor se encaixa com seu estilo no início de cada sessão. O objetivo é eliminar a outra equipe ou destruir seus suprimentos. O modo é bastante simples mas conta uma customização de personagem e um sistema de níveis que conseguem prender a atenção do jogador.

The Last of Us é definitivamente um dos melhores exclusivos de Ps3 e um dos melhores jogos dessa geração de vídeo-games. É uma experiência incrível que merece aproveitada ao mínimo uma vez. O game consegue prender sua atenção desde sua introdução e vai fazer com que você queira jogá-lo por inteiro imediatamente após terminá-lo. Mas esteja preparado, ele conta com uma carga dramática intensa e sem dúvidas irá tirar algumas lágrimas até do mais durão.

The Last of Us
Desenvolvedora:
 Naughty Dog Software
Lançamento: 14 de Junho de 2013
Gênero: Ação
Disponível para: PS3

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.