Crítica | The Walking Dead – 1ª Temporada

estrelas 4,5


Com The Walking Dead eu quero explorar como as pessoas lidam com situações extremas e como estes eventos as mudam. 

Robert Kirkman – carta da 1ª Edição de The Walking Dead.

The Walking Dead: The Game segue a mesma a ênfase nas relações humanas dos quadrinhos. Nos mostra que o verdadeiro perigo desse universo não são os zumbis, e sim os próprios sobreviventes. O jogo surgiu como iniciativa da Telltale Games, que apresentou o projeto à Kirkman, o criador dos quadrinhos. Já familiar com os trabalhos do desenvolvedor, focada em contar uma boa história (como o próprio nome sugere), ele aceitou. Assim surge o jogo, inteiramente baseado nos quadrinhos originais, que mais tarde seria considerado game do ano.

A história é centrada em Lee Everett, um professor universitário que está a caminho da prisão quando todo o caos começa. Pouco depois de sair de Atlanta na viatura policial, o motorista atinge um zumbi (walker, como é chamado), provocando um acidente. O carro cai em uma ribanceira do lado da estrada e o protagonista perde a consciência. Quando acorda, o caos já está à sua volta. Logo aí vemos uma fidelidade ao material original. Assim. Como Rick Grimes, Lee estava sem contato com o mundo quando os mortos começaram a andar – mantendo não só o personagem na dúvida sobre o que de fato ocorre, como nós próprios. É importante que não vejamos o início de tudo, não só para gerar o tom de mistério, mas para mostrar que esse não é o objetivo da obra.

(quase) Pai e filha

(quase) Pai e filha

Após ter acordado e, por pouco, ter escapado de walkers, Lee avista uma pequena menina e a segue até sua casa. Na casa, a menina ajuda Lee a se desvencilhar de uma zumbi e logo se apresenta, Clementine. Lee toma como responsabilidade cuidar da garota, cujos pais morreram graças ao caos recente. O game progride sempre focalizando na relação pai-filha dos dois e como lidamos com as difíceis situações e escolhas apresentadas ao longo da trama. Logo já conhecemos outro grupo e cada fala ou ação afeta a interação entre os personagens. The Walking Dead: The Game de forma alguma é um jogo de ação. Ele contém seus momentos de tensão, mas em sua maioria se desenvolve através de diálogos entre os personagens.

Nesse ponto entra a ótima jogabilidade utilizada pela Telltale. Dentro do estilo point and click, o jogo apresenta diversas escolhas, seja através das conversas ou das próprias ações. Em cada diálogo temos em geral quatro opções de fala e cada uma delas afeta o jogo de forma diferente – você escolhe como o personagem vai agir. O interessante dessas escolhas é que, assim como na vida real, não tem como sabermos qual será o resultado, provocando a tensão em cada diálogo e ação. Importante ressaltar que não é possível refazer as escolhas, somente reiniciando o episódio ou o jogo inteiro.

Tudo o que você disser poderá ser usado contra você

Tudo o que você disser poderá ser usado contra você

Os leitores dos quadrinhos irão ficar contentes em descobrir que o clima encontrado na obra original se mantém nesse jogo. A morte é um elemento constante e, assim como em The Wolf Among Us (jogo mais recente dos mesmos desenvolvedores), é retratada brutalmente. Esse é um game pesado, muitas das escolhas não são nada agradáveis e a dose do inesperado sempre nos deixa com o coração frenético.

Os gráficos, assim como em outros games da Telltale, utilizam o estilo cell-shading. Para quem não conhece é uma espécie de quadrinhos em 3D, o que totalmente se encaixa com o game em questão, levando em conta o material original. A expressividade dos personagens é, em geral, muito bem garantida pelos olhos – principalmente os de Clementine. Os movimentos labiais e o resto dos movimentos faciais, contudo, deixam a desejar.

O game é dividido em cinco episódios e um extra, que faz o vínculo entre a primeira e a segunda temporada. As decisões feitas em cada episódio são levadas para o próximo e também para a outra temporada. Apesar de seguirem uma trama principal, cada um deles apresenta uma subtrama própria, colocando sempre em desafio os personagens do jogo. No final de cada um deles, é sempre deixado um cliffhanger, um elemento que nos deixa ansiosos para o próximo episódio.

Os roteiros dos games estão no nível dos cinematográficos (ultrapassando-os, dependendo do caso), The Walking Dead: The Game é uma das provas disso. É um jogo que conta uma história magistralmente, deixando-nos na ponta da cadeira do início ao fim. Possui um ótimo ritmo narrativo e uma gigantesca carga dramática, além da ótima jogabilidade. Em geral, leitores de quadrinhos irão se identificar de imediato com este jogo e os fãs do material original irão encontrar a melhor obra inspirada nos quadrinhos de Robert Kirkman. Mas se você não é nenhum desses, não se preocupe, é um game que se sustenta por si só.

The Walking Dead – 1ª Temporada (The Walking Dead – Season 1)
Desenvolvedora:
 Telltale Games
Lançamento: 11 de Dezembro de 2012
Gênero: Aventura
Disponível para: PS3, PC, Xbox 360, iOS, Mac, Ouya

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.