Crítica | Uncharted 2: Among Thieves

Com o lançamento do esperadíssimo Uncharted 3: Drake’s Deception marcado para 1º de novembro e tendo jogado o primeiro Uncharted há mais de um ano, nada mais natural do que eu ter me dedicado a acabar Uncharted 2: Among Thieves agora, ainda que, para isso, eu literalmente tenha que ter pedido ajuda “dos universitários”, conforme deixarei claro lá pela frente.

Mas, antes de começar, alguns alertas: não sou um grande jogador de games, apreciando-os esporadicamente aqui e ali. Falta-me tempo para eles e, exatamente por isso, os jogos multiplayer nunca me interessaram. Não foi exceção com Uncharted 2. Apenas joguei a campanha, sem nem tocar no multiplayer que, dizem os especialistas, é sensacional. Também não sou daqueles que fica catando cada um dos troféus de jogos pois simplesmente tenho mais o que fazer, ainda que eu respeite quem faça isso. Assim, essa crítica é de um jogador casual apenas.
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Para quem não conhece Uncharted, o jogo trata das desventuras de Nathan Drake, um aventureiro que gosta de procurar relíquias pelo mundo. Em Uncharted 2, ele se envolve com antigos amigos que o levam a Shangri-lá. É uma estória muito bem escrita, cheia de traições, reviravoltas e descobertas inesperadas, que nos faz viajar pelo mundo na pele de Drake.

O primeiro Uncharted, apesar de não ser essa obra-prima que dizem por aí, é um jogo que definitivamente surpreende pelos excelentes gráficos que deixariam qualquer um boquiabertos. E a desenvolvedora Naughty Dog não desapontou em Uncharted 2. Os gráficos são ainda melhores, mais detalhados e, principalmente, mais variados. Enquanto em Uncharted os cenários variavam pouco entre florestas e templos, Uncharted 2 contém uma infinidade de ambientes diferentes que incluem, além de florestas e templos (são inevitáveis), trens em movimento, montanhas geladas, cavernas, vilarejos, museus e muitos outros.

Vai tentar fazer isso na vida real, vai!

Vai tentar fazer isso na vida real, vai!

Mesmo os “batidos” cenários de floresta são apresentados de outra maneira. Enquanto Uncharted continha uma certa linearidade, Uncharted 2 apresenta diversos níveis, forçando o jogador a prestar atenção em todos os lados e em várias alturas diferentes, além de permitir que uma mesma situação complicada seja resolvida de diversas maneiras diferentes. Isso sem falar nos detalhes de cada folha, de cada galho, de cada textura das roupas. Em termos gráficos, Uncharted 2 talvez seja o melhor exemplo da capacidade do PS3. Realmente nunca vi nada igual.

Apesar de eu ser normalmente ruim em videogame, um dos maiores problemas de Uncharted foi o quanto ele foi fácil. Certamente era um jogo longo mas muito linear nas missões e com inimigos simples de matar. Assim, resolvi já começar jogando na dificuldade hard, a mais alta do jogo antes de você abrir a crushing, quando consegue acabar na hard. E foi a escolha certa, pelo menos durante 99% do jogo. Jogar nas dificuldades mais baixas é desperdiçar o potencial desse excelente jogo. A inteligência artificial no modo hard fica realmente inteligente e não permite que você use truques “sujos” para acabar com seus inimigos. Além disso, com a quebra da linearidade total do primeiro jogo, a Naughty Dog faz com que você efetivamente pense para resolver determinada situação em que você está cercado por todos os lados.

Há até a introdução de um esquema de jogo que lembra, de longe, Splinter Cell: o modo stealth. Não é, na verdade, um modo separado mas sim uma escolha que a Naughty Dog dá ao jogador a todo momento. É possível escapar de muitas das situações apenas chegando silenciosamente por trás de um inimigo e nocauteando-o. Há apenas uma fase (a do museu, logo no começo) em que o jogador é obrigado a usar essa técnica para passar dela. Nas demais, é possível começar com stealth para limpar o terreno e, depois, sacar sua AK-47 para destroçar as tropas inimigas. Muito interessante por um lado mas estranho por outro pois a Naughty Dog optou por fazer um modo stealth bem capenga e simplista. Teria sido bem mais interessante desenvolver esse modo para realmente criar momentos interessantes no jogo. Na maioria das vezes, senti-me compelido a sair atirando. Mas diria que essa é uma reclamação menor e não afeta o jogo de verdade.

Um outro aspecto que me chamou a atenção nessa continuação foi como a Naughty Dog aumentou, em muito, a integração entre as cutscenes e a ação do jogo. Os famosos e detalhados “filminhos” são de tal forma embutidos no jogo que parece que o jogador ainda está controlando Nathan Drake. E há, também, pequenas cutscenes que nem poderiam ser chamadas disso pois elas servem para realmente dar profundidade à experiência que é jogar Uncharted 2.

Deixe-me ilustrar o que estou dizendo. Na primeira fase do jogo, vemos Drake ferido sentado em uma cadeira de um vagão de trem que está pendurado em um penhasco. A missão é escalar o trem por fora para escapar de lá. Assim, o jogador tem que usar a característica escalada de Drake e, enquanto no primeiro Uncharted, isso era mecânico e, depois de um tempo, realmente chato, em Uncharted 2, pequenas cenas são acrescentadas a todo momento para aumentar a dificuldade. Canos se partem, partes do trem caem em cima de você, portas se abrem. Tudo é tão integrado ao jogo que mal percebemos que estamos vendo “cenas não jogáveis”. E isso acontece das mais diferentes formas por todo o jogo, a todo momento. O cuidado da Naughty Dog foi realmente incrível.

Vejam, eu tenho um escudo!

Vejam, eu tenho um escudo!

Não há muitos quebra-cabeças em Uncharted 2. Aliás, essa é uma alteração muito bem vinda pois em Uncharted, essa partes eram muitas e todas fáceis demais, não dando nenhuma sensação de realização. Agora, com exceção de um grande quebra-cabeças que é fantástico não pela dificuldade mas sim pela originalidade e gráficos suntuosos, não há quase mais nada, a não ser alguns tão óbvios e rápidos que nem dá para chamá-los de quebra-cabeças.

Já falei da variedade de cenários mas não explorei o assunto com mais detalhes. Esse aspecto do jogo, juntamente com os incríveis gráficos, é que faz Uncharted 2 realmente ser muito superior ao primeiro. É muito bacana travar lutas e tiroteios em densas florestas tropicais mas é muito mais interessante quando isso é intercalado com uma eletrizante fuga por uma cidadela devastada ou uma impressionante e longa ação em cima de um trem em movimento. Junto com a variedade de cenários, temos uma enorme variedade de armas (que convenientemente aparecem quando você precisa) e, também, de alvos, com especial destaque para os helicópteros. Ah, já ia me esquecendo: em determinado momento, temos que fazer Drarke pular de caminhão em caminhão, sendo que todos estão em movimento em uma perseguição ao lado de um penhasco. É como controlar Indiana Jones naquela perseguição a cavalo aos nazistas em Caçadores da Arca Perdida.

Aqueles que leram meus comentários com atenção repararão que eu disse que minha escolha de jogar na dificuldade hard foi certeira em 99% do jogo. Pois bem o 1% que sobra fica para a última batalha, contra o “chefe” final. Não vou contar detalhes sobre ela mas posso dizer que suei a camisa, joguei dezenas e mais dezenas de vezes e não consegui matar o desgraçado. Daí a tal “ajuda dos universitários” (obrigado!). Sem ela, minha pouca paciência não teria permitido que eu acabasse integralmente com o jogo. Eu sei que isso é um cheat mas paciência. Não me arrependo de ter jogado no hard nem de ter pedido arrego.

Uncharted 2 é altamente recomendado, um dos grande títulos do PS3. Agora é aguardar Uncharted 3 que, conforme críticas por aí, é ainda mais incrível.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.