Crítica | Uncharted: Drake’s Fortune

Não sou viciado em games, como já disse algumas vezes, tanto que, até agora, só revisei cinco no total (Resistance, Resistance 2, Call of Duty 4, Batman e Wolverine). Uncharted é meu sexto jogo completo desde que comprei o PS3.

Uncharted é um jogo de terceira pessoa com elementos de plataforma, de tiro e de resolução de problemas contando uma estória tipo “Indiana Jones”. Você controla Nathan Drake, aparentemente um descendente de Sir Francis Drake e que procura pelo tesouro de seu antepassado. A estória é interessante mas bastante linear, com apenas uma estranha mas não tão inesperada reviravolta ao final (mais sobre isso adiante, sem spoilers).
Logo de cara, esse jogo deslumbra pelos visuais impressionantes. Apesar de ser um lançamento de 2007, em meus olhos amadores é de tirar o fôlego o que a desenvolvedora Naughty Dog conseguiu fazer. As paisagens – e há muitas – são de cair o queixo em termos de detalhes e os mapas são extensos.
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Outro ponto que é absurdo nesse jogo é o trabalho de vozes e a naturalidade com que as falas são ditas, combinando exatamente com as alterações nas faces e corpos dos personagens. Definitivamente, coisa de outro mundo.
A jogabilidade também é ótima e intuitiva, com variações de estilo de jogo bastante fluidas e sem necessidade de se forçar o roteiro. O modo “escalada” é particularmente sensacional.
Se fossem só por esses três fatores, no meu livro o jogo seria perfeito. Acontece que Uncharted peca em outros dois quesitos e eu mesmo me estranhei pensando neles quando acabei o jogo.Explico: sou, como disse, um jogador amador, que pega um jogo aqui e ali para vagarosamente, nas horas vagas, jogar um pouco. Assim, sempre espero que os jogos não sejam tão complicados e que eu não tenha que quebrar a cabeça solucionando mistérios e achando caminhos. Gosto de um pouquinho de dificuldade, mas tentar passar da mesma fase 300 vezes é coisa de maluco (com todo respeito). Minhas filhas cansam de reclamar que eu sou péssimo – e sou mesmo – em jogos do Mario Bros. pois eles são todos construídos no conceito de tentativa e erro e minha paciência é sempre infinitamente menor que a de Mario e Luigi…Bom, voltando a Uncharted, exatamente por ter essa característica de jogador eventual é que fiquei surpreso ao acabar o jogo e concluir que ele foi fácil demais. Os quebra-cabeças somente são difíceis para aqueles que teriam dificuldades em atravessar a rua no sinal verde. Quando Nathan entra em uma sala que, aparentemente não tem saída, é só ele mexer ou pular ou atirar no único objeto que não combina com a “decoração”. Isso acontece uma, duas, três vezes. Lá pela décima quinta vez, o negócio começa a ficar bem chato. Lá pela trigésima vez, você está xingando a falta de imaginação dos roteiristas. Custava eles olharem um pouquinho para os jogos da franquia Zelda ou mesmo para o último jogo do Batman para se inspirarem um pouquinho?
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Eu disse que havia dois quesitos em que Uncharted apresentava problemas. O segundo, no entanto, também tem relação próxima com a simplicidade. Diferentemente de jogos de mundo aberto, em que se pode passear em qualquer lugar, Uncharted tem um caminho específico a ser seguido. Até aí tudo bem, compreensível. O que não dá para entender é a necessidade de a Naughty Dog quase que fazer como em Mágico de Oz e criar uma “yellow brick road” para o personagem seguir. É literalmente impossível se desviar do caminho ou se perder. Você é “empurrado” de volta para o jogo. Isso acabou tirando muito da dificuldade e, principalmente, das possibilidades.

Mas uma mudança no esquema de jogo, lá pelo finalzinho, quase me fez esquecer dos problemas acima, pela simples coragem da Naughty Dog em fazer o que fez. De um jogo de plataforma em terceira pessoa, eles pulam para um jogo de sobrevivência do tipo “atire antes de perguntar” que é de tirar o fôlego. Ainda que não seja uma surpresa total, tendo em vistas as pistas que são dadas ao longo da estória, a maneira pela qual a desenvolvedora executou a ideia quase cria um jogo novo, refrescando a mesmice que, nesse ponto, já era nauseante. A Naughty Dog quase conseguiu se redimir, quase.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.