In Loco #3 | Doctor Who World Tour: Rio de Janeiro

No dia 18 de Agosto de 2014, estivemos no Doctor Who World Tour no Rio de Janeiro e, em nossa missão de trazer absolutamente tudo de Doctor Who para vocês, realizamos nosso segundo número da coluna In Loco baseado na série cinquentenária, seguindo o mesmo estilo de nossa matéria sobre o Doctor Who Experience em Cardiff. Devo ressaltar que os parágrafos a seguir não são uma cobertura do evento e sim nossas impressões sobre ele. Obviamente, todas as informações que achamos relevantes estão presentes em nosso texto, juntos de nossa paixão pela melhor série do espaço-tempo.

Este In Loco, dividido em quatro partes, aborda desde a Entrada até o Fim do evento, trazendo um pouco de tudo que presenciamos lá. As fotos foram tiradas por Marçal Mateus e Gabriel Kaizer, que foram muito simpáticos e nos deixaram utilizá-las para ilustrar bem a matéria. Vale lembrar que essas não são as imagens originais, foram reduzidas em tamanho para melhor compor a postagem – as originais apresentam qualidades superiores. Em nome do Plano Crítico, agradecemos, de corações, a Gabriel e Marçal por possibilitarem a composição deste In Loco, da imagem de capa (por Gabriel Kaizer) até as considerações finais.

Atualização: Inserimos dois vídeos na matéria, mostrando os principais momentos da entrevista e o discurso de Peter Capaldi no fim do evento.

Ao fim do texto encontra-se uma galeria com diversas fotos do evento. Divirtam-se!

A Entrada

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Filas, Filas e mais filas (foto: Marçal Mateus)

Cosplays, filas e esperas – com essas três palavras poderíamos resumir a entrada de qualquer evento do gênero e o DWWT não seria exceção não fosse a aparição de um Cyberman saindo das portas, ainda fechadas, do Vivo Rio. Obviamente grande parte das filas se dissolveu e o que vimos foi uma massa concentrada de fãs ensandecidos por fotos ou selfies com um ser que provavelmente só queria fazer alguns upgrades nas pessoas por ali. Chega a ser impressionante a quantidade de tempo que o pobre coitado dentro daquela roupa se manteve ali em meio aos gritos da multidão.

A presença do vilão clássico de Doctor Who, contudo, não foi a única “celebridade” a aparecer nesse pré-evento. A presença de Guilherme Briggs, amado dublador brasileiro, que emprestou sua voz a personagens como Cronk (A Nova Onda do Imperador), Cosmo (Padrinhos Mágicos) e Freakazoid estava entre os fãs. Também whovian, o dublador se mostrou sempre simpático, conversando e tirando fotos com todos aqueles (e foram muitos) que solicitaram, inclusive este que aqui escreve!

Hank Schrader e Deep Breath

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foto: Marçal Mateus

Muitos de vocês devem estar se perguntando “Hank Schrader?” e logo logo explicarei. Após atravessarmos os portões do Vivo Rio e entrarmos no auditório, fomos recebidos por um apresentador bastante entusiasmado, daquele estilo que se encaixaria muito melhor em festas de criança. A questão é: ele era absolutamente igual ao personagem Hank Schradder de Breaking Bad e quem percebeu isso, como eu, certamente teve um evento muito mais divertido. Infelizmente, seu modus operandi nos lembrava ninguém menos que Faustão (sim, o do Domingão), do qual tirava, inclusive, algumas falas! Resumindo: foram longos minutos de vergonha alheia.

Ainda assim, alguns sortudos (ou vorazes) conseguiram apanhar as camisetas do DWWT que Hank arremessou. Momentos inúteis a parte, tivemos ainda alguns quizzes, testando o conhecimento de DW, como “qual dessas bandas já apareceu em Doctor Who – Beatles, Rolling Stones ou Led Zeppellin?”. Onde quero chegar, contudo, é nas duas votações ocorridas. A primeira nos perguntava qual o vilão preferido, Dalek, Cyberman ou Weeping Angel. E a resposta dos fãs foi… CYBERMAN. Sim, arregale os olhos, fique surpreso e ache um absurdo porque os Daleks não ganharam (e deveriam ter ganhado). Já a segunda pergunta foi “qual o personagem histórico preferido que já apareceu em Doctor Who: Shakespeare, Churchill ou Van Gogh?”. A resposta foi Shakespeare (e foi certa), seguida de algumas reclamações, pois muitos amam o episódio fantástico com o 11º Doutor com o famoso pintor.

Chegamos, portanto, ao esperado momento, o episódio Deep Breath, cuja crítica vocês já podem encontrar bem aqui. Após centenas de gritos (presentes a cada referência), finalmente vimos o novo Doutor em ação. Não repetirei o que já disse na matéria sobre o episódio, portanto pularei para a abertura nova. Baseada naquela feita por Billy Hanshaw, vimos uma inteira reformulação, se distanciando bastante tanto das exibidas na série nova quanto na clássica. É um novo ciclo regenerativo para o Doutor e essa abertura caiu como uma luva. Meus sinceros parabéns a Billy e obrigado por nos trazer essa abertura fantástica!

Para assistirem o conceito criado por Billy Hanshaw, basta darem uma olhada no vídeo abaixo, lembrando que, aqueles que quiserem assistir Deep Breath na mais completa escuridão, devem passar longe do vídeo!

Moffat, Jenna e Capaldi

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Foto: Gabriel Kaizer

O momento que todos esperávamos, enfim, chegou e recebemos primeiro Steven Moffat, showrunner e principal roteirista da série desde 2008 (tendo escrito diversos episódios desde 2005, como o sensacional e famoso Blink e meu pessoalmente preferido Girl in The Fireplace). As perguntas iniciais se ativeram mais ao desenvolvimento da série, que nos levou a conhecer mais sobre o próprio homem por trás de tudo aquilo. Moffat é alguém extremamente tímido, algo que dava para ser visto claramente na própria entrada no palco. Ele afirmou jamais esperar algo como aquilo – estar diante de milhares de pessoas ao redor do mundo, em especial comparando com seu papel mais taciturno: se trancar em um quarto e lá escrever os novos episódios.

Vale lembrar que Steven também encabeça, juntamente de Mark Gatiss, a também ótima série Sherlock e, obviamente, perguntas sobre como ele organiza sua agenda vieram. Após gritos e gritos pelos fãs simplesmente terem escutado a menção à outra série britânica, o roteirista respondeu da maneira mais pé no chão possível: ele não organiza. É uma loucura total e na maioria do tempo ele não sabe dizer como consegue fazer tudo aquilo. Durante toda essa entrevista, impossível não se deixar levar pela simplicidade e senso de humor do showrunner, que acabam desmistificando aquela figura, nos fazendo crer que ele nada mais é que um de nós (com muito talento). Esse jeito único do autor transbordou na crucial pergunta, feita por um fã, que reproduzo, de memória, aqui: o que é mais importante, agradar aos fãs, agradar a si mesmo ou manter uma continuidade narrativa? A resposta somente serviu para aumentar nosso respeito pelo homem. Segundo Moffat, e concordamos, a única pessoa que certamente você agradará é a si mesmo. É impossível sabermos, ao certo, se os outros gostarão do que escrevemos, portanto, ele escreve para si mesmo e a continuidade, obviamente, acaba vindo junto.

Pouco tempo depois, após um vídeo mostrando todas as companions da nova série, Jenna Coleman, em seu vestido vermelho, entra no palco, com uma clara expressão de estar achando tudo aquilo muito divertido. Através das perguntas a ela direcionadas, a atriz demonstrou seu carinho pela série, mesmo estando nela há pouco tempo. Disse que, embora tenha contracenado poucos episódios ao lado de Matt Smith, na sétima temporada, foi uma despedida dolorosa, algo que claramente se transmite em Deep Breath com uma evidente naturalidade. Descobrimos também que, com o passar da série, o papel da companion acaba se adaptando ao ator, dando uma maior liberdade a cada um deles – há um pouco de Clara Oswald em Jenna e vice-versa.

Partimos, portanto, a um certeiro vídeo arranca-lágrimas, nos mostrando todas as regenerações de cada um dos 12 Doutores, de William Hartnell a Matt Smith, ao som de Vale Decem (tocada na regeneração do 10º em The End of Time). É muito interessante vermos a progressão de tal elemento na série, sua mudança ao longo dos anos e como cada processo regenerativo é, também, uma grande despedida ao ator que viveu o Doutor. Não podemos deixar de lembrar as palavras do nosso querido 9º Doctor: Before I go, I just want to tell you, you were fantastic. Absolutely fantastic. And you know what? So was I.

Os choros dos whovians, foram, então, apaziguados pela chega de Peter Capaldi que entrou pela plateia, bem no meio dos fãs. Os gritos não paravam e continuaram por bastante tempo depois dele subir no palco. Com gestos, o ator pediu silêncio e conseguiu por breves instantes, até todas as vozes se elevarem de novo. No fim, contudo, conseguimos ouvir as perguntas e respostas novamente. Neste ponto, o evento atingiu seu ápice, tendo os três juntos no palco, quando pudemos ver toda a sinergia existente entre o showrunner e os dois atores. Não é preciso dizer que as melhores perguntas foram deixadas para esse momento.

Pudemos descobrir, enfim, como foi a recepção de Capaldi ao papel. Segundo ele, quando recebeu a ligação de Moffat, ele aceitou de imediato, sem qualquer hesitação, e a mesma reação veio de Jenna Coleman. O problema, contudo, é que Peter não poderia falar, ainda, para ninguém. Com isso, o ator passou dias e dias repetindo para si mesmo na maior incredulidade: “I’m Doctor Who! I’m Doctor Who!”. A paixão de Peter pela série logo se tornou evidente e partimos para suas memórias de infância, no frio da Escócia, assistindo a cinquentenária série ainda no seu começo, lá nos tempos de Hartnell quando tinha ainda cinco anos. Para ele tudo aquilo funcionava como uma fuga da realidade, para um universo com infinitas possibilidades. O ator, então, colocou em palavras sua surpresa em descobrir que, aqui no Brasil, bem distante do frio com o qual estava acostumado, o sucesso era enorme.

E Capaldi não teve medo em admitir que todo esse gosto por DW afetou sua carreira até então, afirmando viver um pouco do Doutor a cada papel que interpretava. Em outras palavras, ele estava sendo o time-lord desde sempre! E é justamente isso que vemos em sua encarnação do 12º, uma grande mistura de todos os outros que o antecederam.

Dito isso, fomos para uma pergunta crucial, direcionada aos três entrevistados: qual o seu vilão preferido de Doctor Who? A melhor resposta veio de Moffat, que colocou os Daleks em primeiro lugar e afirmou que qualquer um que dissesse o contrário estava errado. Sem dúvidas nós concordamos e achamos que qualquer um que pense o contrário corre o sério risco de ser exterminado! Brincadeiras à parte, fomos para a resposta de Jenna, que colocou o Silence/Weeping Angels como seus preferidos, dando voz aos milhares de espectadores recentes que, definitivamente, não são obrigados a conhecerem os cinquenta anos da série para acompanhá-la. Por fim, chegamos a Capaldi, que, após uma piada interna entre os três entrevistados, envolvendo os Chumbleys (vilões do 18º Arco, Galaxy 4, do primeiro Doutor),  também escolheu os Daleks, “obviamente” (em suas próprias palavras). Os saleiros gigantes ganharam!

Mas aqui devo entrar em um ponto citado agora há pouco e que também surgiu no evento, dito pelas três celebridades em palco. Uma das melhores características de Doctor Who é que todo episódio é como um novo começo. É uma série que constantemente recomeça. Portanto, podemos acompanhá-la desde suas origens em 1963 ou simplesmente pegar um episódio lançado em 2014, sem qualquer medo. Cabe a qualquer um decidir o que fará.

Chegamos, enfim, rápido demais, à última pergunta. E com ela foi pedido a cada um dos três para liberar um pequeno teaser dessa nova temporada. A primeira veio do próprio Senhor do Tempo: trust no one (não confie em ninguém). E nossa atenção imediatamente se virou para o novo personagem, Danny, que fará sua aparição em breve. Em seguida, Jenna liberou uma única palavra, tiny (minúsculo), abrindo mais dúvidas ainda. Por fim, Moffat decidiu deixar centenas de fãs em desespero, dizendo simplesmente death (morte), gerando, automaticamente, milhares e milhares de especulações. O que vocês concluiriam com esses três teasers?

Abaixo segue o vídeo oficial com diversos momentos das perguntas direcionadas a Moffat, Jenna e Capaldi.

O Fim

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Foto: Gabriel Kaizer

Todas as coisas boas, eventualmente, acabam (menos Doctor Who). Como ainda estamos sujeitos às leis do espaço-tempo, fomos obrigados a dizer adeus a Jenna, Peter e Steven, mas, antes, o próprio Doutor decidiu mandar um recado para todos aqueles que não puderam estar ali presentes. Virado diretamente para a câmera, Peter agradeceu a todos por aquele apoio, demonstrando novamente sua incredulidade ao ver o estrondoso sucesso da série. Com essas palavras demos adeus aos três, já com aquele gosto de quero mais e ainda mais ansiosos para a oitava temporada, desejando, desde já, pelo dia 23, quando poderemos assistir novamente Deep Breath. Segue abaixo o vídeo com o discurso de Capaldi:

Agora, para terem um gosto maior do que foi este evento, fiquem com uma galeria de fotos, tiradas por Marçal Mateus e Gabriel Kaizer, a quem, mais uma vez, agradecemos pela permissão de utilização!

 

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.