Lista | Advogados Sacanas do Cinema

Eles estão por toda parte. Defendendo ou acusando quem deve e quem não deve, os advogados são uma espécie de ser humano à parte (seriam eles seres humanos? O que comem? Quais são seus hábitos? De onde vieram? Para onde vão? “Advogados: um mistério insolúvel“, nesta sexta, no Globo Repórter).

Sambando na cara da hermenêutica e com uma facilidade quase alienígena de encontrar buracos onde não existem, eles conseguem feitos que até Zeus duvida. E é sobre essa espécie de gente (prevejo processos) que o Plano Crítico montou uma pequena lista sobre advogados. Só que dessa vez o nosso foco não é nos advogados bonzinhos, os Demolidores da vida. Agora é a vez dos sacanas, dos advogados herdeiros dos ensinamentos de Duas-Caras.

Participaram dessa lista Ritter “Pacta Sunt Servanda” Fan e eu, Luiz “Habeas Corpus” Santiago.

E  Então vamos lá! Silêncio. Todos em pé. Começaremos o julgamento…

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Indicações de Ritter “Pacta Sunt Servanda” Fan

Advogado do Diabo (1997)

Escolha óbvia? Pensem novamente. Ainda que, claro, John “O Diabo em Pessoa” Milton, vivido por Al Pacino tenha que entrar em qualquer lista dessa natureza e considere-o aqui de corpo e alma, o que quero mesmo é falar de seu pupilo, Kevin Lomax, vivido por Neo, digo Keanu Reeves. O cara tem a pachorra de defender um pedófilo que ele sabe que molestou as crianças e, ainda por cima, ao levar uma das vítimas para o tribunal, ele a ataca cruelmente, desacreditando-a completamente. Isso é que é um advogado dedicado ao seu ofício. Não é à toa que Milton o coloca debaixo de suas asas satânicas…

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Conduta de Risco (2007)

Tá bom, George Clooney, dizem, é bonitão. E é verdade, ele é o “mocinho” do filme que leva o nome de seu personagem. Mas leiam nas entrelinhas. O cara é escorregadio como se tivesse mergulhado em um balde de vaselina. Ele consegue qualquer coisa para qualquer pessoa que pagar (o que não é nada demais para os políticos brasileiros, mas não estamos aqui falando dessa outra raça, não é mesmo?). Ele é o advogado para quem John Milton (ele de novo) corre quando tem problemas com o barbudo lá em cima!

O Poder e a Lei (2011)

O advogado Mickey Haller (Matthew McConaughey) é completamente antiético, ao ponto de usar um cliente seu que lhe deve dinheiro como motorista de seu carro, um Lincoln, que é também seu escritório (daí o nome do filme no original – The Lincoln Lawyer). A ideia de escravizar clientes garante um lugar para Haller nessa lista.

A Firma (1993)

Nesse caso, o único advogado com algum resquício de ética é Mith McDeere (Tom Cruise). Ele é otário, é verdade, mas, pelo menos, mantém um resquício de humanidade. O resto todo é feito de material tóxico que deveria ser enterrado no lado escuro da Lua. Assim, quem entra na lista não é uma pessoa, mas sim o escritório inteiro.

Corpos Ardentes (1981)

Ned Racine (William Hurt) é imbatível na arte de sacanear as pessoas. O cara não só tem um caso com uma mulher casada que jã não é flor-que-se-cheire como trama o assassinato do marido dela, esconde as pistas para lucrar com isso e, ainda por cima, tenta se livrar da própria mulher. É por isso que fazem piadas com advogados…

 

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Indicações de Luiz “Habeas Corpus” Santiago

O Mentiroso (1997)

Filme que já fez muito marmanjo e muita criança rolar de rir, O Mentiroso é mais um dos filmes que Jim Carrey interpreta… Jim “Clown” Carrey, e isso sempre garante uma sessão divertida, tamanha a capacidade do ator em fazer caras, bocas e sabe-se mais quantas classificações existem para expressões faciais malucas. Em O Mentiroso ele vive um advogado sacana que devido a um pedido de aniversário do filho não consegue mais mentir. E aí está a graça do filme, porque toda a sacanagem do personagem é transformada em matéria bruta para o humor do roteiro, que descamba em uma coleção de cenas insólitas de tribunal! Já pensou se todos os filhos de advogados fizessem o mesmo pedido?

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.Chicago (2002)

Billy Flynn é o advogado sacana por excelência, com um QG profissional fixo na penitenciária feminina de Chicago. Richard Gere canta, dança e faz de Renée Zellweger um ventríloquo, numa das sequências mais inventivas do filme. O legal nesse personagem é que todo mundo sabe o que ele é e o que ele faz, e ainda assim, busca sua ajuda para casos complicados. Cercado por mulheres, dinheiro e vitórias nos tribunais, Billy Flynn é o príncipe dos sacanas, um enganador de primeira categoria, uma versão dos milhares de advogados sacanas que vemos gritando “objeção!” por aí!

O Júri (2003)

O bacana em O Júri é que não apenas os advogados são sacanas ou corruptos (ou pelo menos uma parte dos advogados e juristas), mas há corrupção e ações sacanas por todas as partes, e aí eu incluo pessoas que fazem o ato e pessoas que se deixam corromper. O suspense é construído em torno de uma quebra com esse ciclo vicioso, e claro, sempre que há gente mal-intencionada fazendo negócios, há perigo por perto, o que alguns personagens vão descobrir na marra. Ah, e só um adendo: a famosa “cena do banheiro” (não é nada disso que vocês estão pensando) com  Gene Hackman e Dustin Hoffman é realmente muito boa, mostrando duas personagens de peso em um embate de peso.

Uma Vida Marcada (1948)

É comum que em filmes noir apareçam corrutos, sacanas e bandidos das mais diversas espécies. O advogado aqui em questão é dos mais descarados possível. Ele oferece dinheiro para um dos personagens e insiste em acordos que beneficiariam o seu lado da moeda. Na lista dos nossos sacanas-da-lei ele seria um peixe pequeno, mas mesmo assim não deixa de ser um peixe, e daqueles venenosos.

O Pagamento Final (1993)

Um dos meus filmes favoritos do De Palma, traz Sean Penn no papel de um advogado sacana, que faz exatamente o que eu falei no texto de abertura da lista: trabalha como uma fuinha procurando buracos e falhas legislativas para conseguir o que quer. O resultado, evidentemente, é uma obra que vai abalar os dois lados, tanto dos mocinhos quanto dos bandidos.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.