Lista | Arctic Monkeys: Os Álbuns Ranqueados

Arctic_monkeys plano critico banca completa

Foram quase 5 anos de espera, mas dia 5 de maio de 2018, finalmente, o sexto álbum da carreira dos britânicos do Arctic Monkeys estará entre nós. Tranquility Base Hotel & Casino marca o retorno da banda de Sheffield aos holofotes depois de conquistar um imenso sucesso mainstream com seu último lançamento, AM, em 2013. E em antecipação à nova obra do grupo, aqui no Plano Crítico resolvemos ranquear e comentar sobre os cinco álbuns de estúdio da banda. Embarque conosco na discografia dessa que é uma das bandas mais emblemáticas do rock desse segundo milênio!
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5 – AM

O álbum que elevou o Arctic Monkeys a um novo nível no mainstream, se tornando headliner de grandes festivais. O grande problema é que AM sofre do que gosto de chamar de “o caso Up”. Lembra de Up – Altas Aventuras? Se emocionou com aquela belíssima introdução? Pois o filme não é aquele início e o que é apresentado depois é bem diferente, embora parte do público confunda muito este início com o seu todo. É o mesmo caso de AM. A primeira parte do álbum garante uma sequência espetacular de canções (Do I Wanna Know?, R U Mine?, Arabella) que até ousaria dizer estar entre as melhores do grupo. Mas não se engane, o disco tem 12 faixas e, tirando as 4 primeiras, o resto em grande parte é insosso, de pouca personalidade e sonolento. É Alex Turner se preocupando mais com seu visual de Elvis moderno do que efetivamente colocar em seus som a sonoridade e atitude retrô-moderna proposta. Um disco inconsistente, com duas metades divergentes. Tinha tudo pra ser o álbum de rock da década, mas se prova apenas um coito interrompido.

Aumenta!: Do I Wanna Know?
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4 – Humbug

Se você procurar a definição do título do álbum no inglês britânico descobrirá que corresponde a um doce duro, geralmente com sabor de hortelã. Provavelmente a melhor forma de definir o sabor deste disco – por sinal, produzido por Josh Homme, do Queens Of The Stone Age – que subverteu todas as expectativas a respeito da banda. Uma banda nunca pode permanecer em sua zona de conforto, e Humbug justamente mostra a trupe de Alex Turner optando por novas sonoridades e influências, escolhendo rítmos mais espaçados, leves e contemplativos. Contrastando a euforia apresentada anteriormente pela banda, até hoje ainda leva muitos fãs a olharem de cara feia. Mesmo que contenha as faixas mais esquecíveis da banda, possui um valor indiscutível dentro de sua discografia.

Aumenta!: Crying Lightning
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3 – Suck It And See

Extremamente subestimado, Suck It And See possui um invejável catálogo de canções que, infelizmente, não conseguiram ver o mesmo poder de hit que seus outros álbuns. Só que isso não diminui seus méritos absurdos. Brick By Brick, Don’t Sit Down Cause I Moved Your Chair, The Hellcat Spangled Shalalala… temos aqui uma sequência de canções admiráveis, um disco consistente do início ao fim. Ainda marcaria o início de uma nova era para os Monkeys, uma vez que aqui já pode ser notada uma maior influência retrô e vintage nas guitarras, algo que seria ressaltado em AM anos mais tarde. Peca apenas pela falta de coragem em arriscar mais, já que o que vemos em grande parte já havia sido visto nos discos anteriores. Talvez seu maior mérito seja conseguir reunir um pouco de cada álbum da discografia da banda. Em resumo, um álbum de transição, embora isso não o faça menos prazeroso que seus antecessores.

Aumenta!: The Hellcat Spangled Shalalala
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2 – Favourite Worst Nightmare

Um álbum de reiteração. O Arctic Monkeys não entrega aqui algo muito diferente do que havia mostrado em sua estreia. Porém, entregam tudo com maior intensidade. Produção excelente, linhas de baixo mais pesadas e dançantes, guitarras ainda mais explosivas, Alex Turner no auge de suas performances e refrões feitos para serem entoados a gritos. Primeira parceria da banda com o produtor James Ford, que a partir daí voltaria em todo álbum do grupo. Aqui confirmam que vieram pra ficar e eliminam qualquer dúvida que pudesse haver sobre seu caminho ao estrelato. É a continuação perfeita dos hinos de juventude cantados em Whatever People Say I Am That’s What I’m Not. Uma verdadeira house party, daquelas feitas para deixar a casa em pedaços. Um dos melhores “sophomore” álbuns que o cenário do rock viu neste segundo milênio.

Aumenta!: 505
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1 – Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not

Não tinha como ser diferente, a estreia dos macacos árticos com Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not (candidato a um dos melhores títulos de álbuns da história) foi arrebatadora. Tudo o que há de mais marcante no indie rock é apresentado aqui: rock bem garageiro, uma ingênua rebeldia adolescente, guitarras dançantes, vocal com efeito lo-fi e uma bela inspiração nas bandas sessentistas. Como diria Alex Turner, basta colocar seus sapatos de dança e aproveitar o som único da banda, que sabia oferecer diversos aspectos de um bom rock’n roll, dissertando sobre a leveza da juventude e revelando Alex Turner como um dos grandes compositores de seu tempo. Música feita com atitude, sem apego a firulas, mas também sem precisar soar simplório. Basicamente a banda poliu e evoluiu de forma perfeita o indie rock elevado ao mainstream pelos Strokes em Is This It.

Aumenta!: When The Sun Goes Down

Concordam? Discordam? Sintam-se a vontade nos comentários!

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.