Lista | As Aventuras de Tintim: Todas as Histórias Ranqueadas

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Criação máxima de Georges Prosper Remi, mais conhecido como Hergé, Tintim fez a sua primeira aparição em 10 de janeiro de 1929, nas páginas do Le Petit Vingtième, com a primeira parte do que mais tarde seria conhecido como Tintim no País dos Sovietes. Ao todo, o autor escreveu e desenhou, de forma completa 23 álbuns de histórias do personagem. O último deles, Tintim e a Alfa-Arte, 24ª álbum da lista, foi lançado em 1986 de maneira póstuma e inacabada, que por motivos agora claros, deixei fora a classificação abaixo.
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Tintim no País da Vergonha
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23º Lugar: Tintim no Congo

Mesmo sendo um álbum ruim, de tendência historicamente racista e de extremo mau trato aos animais (Tintim retira a pele de um macaco que ele abate e a veste para enganar outro macaco; e, na sequência, explode um rinoceronte! — as edições atuais mostram os quadros do rinoceronte aos pedaços de outra forma, mas até a primeira edição colorida, datada de 1946, ela existia, inclusive na primeira publicação do álbum no Brasil, era possível ver este acontecimento), Tintim no Congo é um verdadeiro documento para nona arte, uma obra que nos permite excelente discussão sociológica e que nos convida a raciocinar sobre o processo artístico e significados antropológicos que uma história infantil pode ganhar com o passar dos anos. Como se vê, não é algo para ser esgotado em uma única leitura.

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22º Lugar: A Ilha Negra

Na reta final, o absurdo do acavalamento de eventos e a sua qualidade contestável impressionam de maneira negativa o leitor, que já tinha se acostumado com um Hergé mais orgânico e cuidadoso com seus enredos. De todo modo, A Ilha Negra não chega a ser um álbum horrendo. Mas certamente está longe de figurar dentre os melhores já concebidos por Hergé.

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21º Lugar: No País dos Sovietes

De toda forma, o primeiro álbum de Tintim funciona como um registro histórico muito interessante de um desenhista e roteirista prolífico em seu nascedouro. Também funciona como o registro cômico de uma era de paranoia e sandices anti-comunistas que, mesmo eu, assumidamente de direita, me surpreendi muito lendo.

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Tintim na Terra do Básico ou um Pouco Mais
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20º Lugar: Tintim na América

Com uma linha de história atrativa e bom desenvolvimento dos acontecimentos paralelos na maior parte do tempo, Hergé fez de Tintim na América uma aventura deliciosa, uma acusação descarada e muito divertida ao modus operandi do crime organizado nos Estados Unidos, à ineficiência de parte da polícia e ao nó de valores antigos e modernos que acabavam gerando protestos e manifestações engraçadas, como a velhinha que puxa a alavanca do trem porque se compadece de um veadinho sendo perseguido por outro animal e acaba sendo multada por isso, quando o verdadeiro problema era um garoto amarrado no meio dos trilhos. Sem dúvida é o primeiro álbum do repórter que eu me lembro com carinho dos tempos de infância e que hoje, ao relê-lo, vejo que é de fato a primeira história de Hergé de que gostei de verdade.

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19º Lugar: O Caranguejo das Pinças de Ouro

A arte também recebe um cuidado bem maior do autor (lembrando que era um momento complicado de sua carreira, estando em um novo emprego e tendo que conquistar novos leitores num país em guerra), que representa com muitos detalhes as feiras marroquinas, o interior de algumas casas e empolgantes sequências de lutas e tiroteios. Dos pontos artísticos notáveis, temos a excelente representação de Tintim, Haddock e Milu à deriva e os quadros onde Tintim descobre o esconderijo de Allan Thompson e sua gangue. Embora não seja genial, O Caranguejo das Pinças de Ouro é uma divertida história, escrita em um momento de crise social e política na Europa, valendo também como documento e produto com sequelas de sua época.

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18º Lugar: Perdidos no Mar (Carvão no Porão)

Perdidos no Mar é uma história pouco usual de Tintim, seja pela profusão de personagens, seja pelo roteiro quase caótico e sem um foco narrativo ou quebra dramática bem estabelecidos. Todavia, de maneira paradoxal, é uma história muito divertida de se ler, com ação constante e bom humor o tempo inteiro, especialmente no que se refere à temporada de Abdallah em Moulinsart e, claro, tudo em torno do Capitão Haddock e do Professor Girassol. Talvez, para quem não conhece bem o mundo de Hergé e gostaria de ter uma visão ampla de sua criação, Perdidos no Mar seja a obra ideal. Para quem já conhece, a obra é um ótimo “elefante branco”, daqueles que você sabe que é estranho, mas mesmo assim, gosta.

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17º Lugar: Voo 714 para Sydney

Ainda bem que a arte não sofre dos males dessa mudança e o roteiro não deixa de perder a graça, mesmo no verborrágico final com as entrevistas na televisão. Embora não termine bem e não tenha um desenvolvimento totalmente elogiável, Voo 714 para Sydney é uma aventura curiosa de Tintim e com certeza traz muito pano para discussão entre os tintinófilos, já que é um dos álbuns mais queridos do público em geral e um dos mais criticados pelos mais chatos (como eu), do outro lado.

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16º Lugar: As Sete Bolas de Cristal

O roteiro de Hergé segue então por um caminho místico, relembrando a mesma maldição já citada em Os Charutos do Faraó e tendo como plano de fundo uma caçada a bandidos reais, atiradores e sequestradores com quem não temos muito contato, apenas suspeitas de quem são. E o mais intrigante aqui foi o aparecimento que ninguém conseguiria prever: o General Alcazar como atirador de facas no Music Hall Palace (o mesmo General que apareceu em O Ídolo Roubado). E ainda na esteira do retorno de personagens, temos o rouxinol milanês, Bianca Castafiore, a quem Tintim encontrara na Sildávia, em sua aventura para recuperar O Cetro de Ottokar.

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15º Lugar: No País do Ouro Negro

Começando com estranhas explosões de motores e terminando com uma intricada forma de impedir um golpe de Estado, uma guerra e a tomada da malha de exploração petrolífera de um país, Tintim no País do Ouro Negro consegue superar as sequências mais fracas e cenas que não levam para lugar nenhum, terminando como uma história bastante divertida e que o tempo inteiro nos deixa perguntando qual será o próximo problema a ser resolvido pelo jornalista/detetive topetudo. Uma colcha de retalhos textuais que acabou dando certo.

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14º Lugar: O Ídolo Roubado (A Orelha Quebrada)

A caça ao ídolo volta na reta final, com Tintim pedindo ajuda de um nativo para chegar à tribo dos Arumbayas, que acredita-se ter sido inspirada no povo Wayana, da Guiana Francesa. O desfecho é interessante e tem um bom ritmo de acontecimentos, mantendo o humor e a constante ação – que aliás, apresenta uma espantosa renovação a cada álbum. O único ponto desse campo que não gosto em O Ídolo Roubado é como Tintim escapa de um de seus raptores, quando interrogado em um barraco, numa noite de tempestade. O Deus ex-machina de Hergé sequer recebe um gancho satisfatório para a sequência seguinte, ou mesmo a tentativa de minimizar a “dose de impossível” para o que ocorreu.

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Tintim no Caminho da Grandeza
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13º Lugar: O Tempo do Sol

Apenas o tratamento dado aos Dupondt me incomodou um pouco, e talvez a participação do Professor Girassol, que mesmo após sair dos efeitos do narcótico, parece meio sedado, lento demais, um pouco escanteado, mesmo para um personagem coadjuvante. Os detetives ficam bobinhos quando passam a usar o método de Girassol para encontrar Tintim e Haddock, indo com o pêndulo para diversos lugares do mundo. Ao mesmo tempo que é engraçado, parece infantil demais, principalmente porque Hergé já havia dado importância e inteligência suficientes aos atrapalhados detetives para evitar que fizessem esse tipo de papel em histórias anteriores. Mas fora esses dois pontos, a trama transcorre sem maiores problemas e com um sabor de aventura todo especial.

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12º Lugar: Tintim e os Pícaros

Tintim e os Pícaros é uma ótima aventura do tipo “Perigo na República das Bananas”, uma história que traz boas mudanças de comportamento nos personagens clássicos de Hergé e, a não ser pelo modo como foi finalizada, uma irretocável sequência de acontecimentos, com direito a militares burros, guerrilhas atrapalhadas, Carnaval como distração popular para causas políticas e, acima de tudo, plena demonstração de amizade. Um enredo cheio de referências pop e também aos quadrinhos (Mickey e Asterix, por exemplo) que marca o final da produção de Hergé, ao menos com ele coordenando o projeto do início ao fim.

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11º Lugar: A Estrela Misteriosa

A Estrela Misteriosa é uma boa aventura, uma busca científica instigante que traz um ponto de humor igualmente interessante, o profeta Filípulo (alguns religiosos não devem gostar muito dessa parte do álbum, mas quem conhece os discursos de fanáticos religiosos sobre o fim do mundo sabe que são iguaizinhos aos do profeta). Mais uma vez, retomo o discurso de que a leitura de uma obra deve ser contextualizada para que se entenda melhor o que foi retratado, como também a postura adotada pelo artista. O julgamento moral e ético a esse respeito cabe a cada leitor, mas antes, é preciso observar o autor e sua obra no tempo. No caso de Hergé, sua vida e sua obra posterior à Guerra (e mesmo no entre guerras, à exceção do racismo nas suas primeiras obras) dá todas as respostas necessárias.

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10º Lugar: O Caso Girassol

Como sempre, a arte traz uma grande riqueza de detalhes, especialmente nos quadros maiores, com destaque para a reunião de curiosos na frente do Castelo de Moulinsart e o maravilhoso quadro da invasão do carro à feira livre. No quesito narrativo, os melhores momentos do álbum são a apresentação do problema, o esparadrapo que gruda em todo mundo, e toda a sequência de resgate do Professor Girassol. Trata-se de uma aventura de socorro a um amigo, e desta vez, com um sabor irresistível de drama político.

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Tintim e a Dinastia da Excelência
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9º Lugar: Rumo à Lua

Os grandes quadros do foguete saindo da Sildávia, a visão da Terra vista do do espaço e toda a exploração na Lua – interrompida, infelizmente, pela ação do Coronel Jorgen, um velho conhecido de Tintim desde o caso do Cetro de Ottokar – são exemplos contundentes da aplicação de Hergé nos desenhos e na enorme atenção dada aos detalhes por quadro. É claro que essa atenção existia já nos primeiros álbuns do autor, mas desde a publicação de seu arco clássico, formado por O Segredo do Licorne e O Tesouro de Rackham, o Terrível, sua arte se tornou mais rica, ao passo que o roteiro mostrava características mais parecidas com aventuras do tipo Indiana Jones ou até mesmo James Bond (no caso desse Rumo à Lua e Explorando a Lua, essa característica detetivesca salta aos olhos).

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8º Lugar: Os Charutos do Faraó

Os diálogos diretos e um pouco mais longos em alguns momentos não incomodam tanto quando em Tintim no Congo, por exemplo. Eles são ágeis e tornam o álbum o tempo inteiro cheio de novidades e ação, especialmente porque aqui temos a incursão de personagens importantes para a mitologia das Aventuras de Tintim: os agentes Dupont e Dupond, e Rastapopoulos, o cineasta-mafioso por trás do cartel do ópio desmascarado por Tintim nessa aventura. O interessante é que a despeito da simpatia aparente, percebemos que Hergé planta uma série de pistas que nos faz chegar à conclusão de que este dono do Estúdio Cinematográfico Cosmos é, na verdade, um criminoso sagaz e que certamente dará as caras em aventuras futuras.

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7º Lugar: Explorando a Lua

Talvez a gigantesca sucessão de problemas, especialmente no segundo álbum, seja um ponto pouco natural da história a ser destacado como negativo. No início do texto eu citei a impressão de que algo errado parecia que estava para acontecer a qualquer momento, mas nesse caso, me refiro a outra coisa. Eventualmente os problemas acabam de fato acontecendo, e essas pequenas “paradas para resolver pequenos defeitos” quebram o ritmo da leitura e, em menor grau, da história. Porém sabemos que essa era uma estratégia amplamente utilizada pelo artista, algo que parece estranho reclamar a essa altura do campeonato, mas particularmente nessa aventura, essas quebras se destacaram ainda mais e de maneira não tão boa – talvez pelo deslocamento dos personagens ou pela própria característica científica do roteiro.

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6º Lugar: As Joias da Castafiore

Tenho apenas uma ressalva quanto ao final da história, mas sei que isso também fazia parte do exercício narrativo de Hergé, que, junto com todos os ingredientes que citei no parágrafo de abertura, propôs trazer um final simplório, até medíocre para a história, isso porque ele sabia que o leitor iria cobrar algo mais rebuscado, numa espécie de compensação ou seguimento dos não-mistérios apresentados no decorrer do álbum. Mesmo que eu não tenha gostado dessa escolha, devo dizer que foi uma opção interessante e que não pareceu totalmente desencontrada da proposta geral da trama. As Joias da Castafiore é um álbum especial de Tintim, um daqueles sob medida para quem gosta de aventuras de suspense, só que dessa vez, Hergé está disposto a trollar todo mundo.

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5º Lugar: O Lótus Azul

Mas esses elementos não comprometem a qualidade do álbum, que é um dos mais politicamente engajados de Hergé (que se põe claramente contra a atuação europeia no tratamento aos chineses e também contra o imperialismo japonês), ação que lhe rendeu diversas críticas quando a história foi lançada. Eis mais um motivo para se ler O Lótus Azul: o mesmo artista criticado (embora anos depois) por ter sido ‘racista’ em Tintim no Congo, recebe em seu tempo, críticas porque defendeu os amarelos e criticou os europeus. Vejam só o que o tempo pode trazer para as ideias de uma pessoa.

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4º Lugar: Tintim no Tibete

Tintim no Tibete é uma história notável. Do roteiro aos desenhos, ela tem consistência e apelo social e de relações humanas muito fortes, não é à toa que inicia a década de 1960 com uma mensagem propícia à aquele momento da História. A viagem de Tintim ao Tibete foi para encontrar algo; assim como o autor procurava à época que escreveu, e assim como o mesmo autor nos impulsiona para que procuremos. Um sentido. Vê-se logo que se trata de uma história filosófica em seu grande ideal, mas sempre divertida e fácil de ser lida, uma verdadeira obra-prima de Hergé.

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3º Lugar: O Segredo do Licorne

A pesquisa de Hergé para os modelos dos navios e mesmo imagens de batalhas, nomenclaturas antigas para partes das naus, quadros, roupas e cores aparecem perfeitamente representados. Rackham, o Terrível foi outra parte bem feita da lição de casa do autor. Ele foi baseado em um verdadeiro pirata, John Rackham (ou Calico Jack). O pirata tem data e local de nascimento desconhecidos, mas foi executado em Santo Jago de la Vega, Jamaica, em novembro de 1720.

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2º Lugar: O Cetro de Ottokar

O Cetro de Ottokar é, ao lado de O Lótus Azul, uma pérola dentre As Aventuras de Tintim nos anos 1930. É um álbum já maduro do autor, que traz consigo o seu aprimoramento artístico — os desenhos feitos da Sildávia são maravilhosos, além da muito eficiente diagramação — e uma forma bastante inteligente de encarar e representar criticamente o mundo em que vivia. Além disso, é possível retirar do álbum elementos de sobra para uma discussão interessante sobre arte e política, ainda mais quando estamos falando de uma história em quadrinhos feita para crianças.

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1º Lugar: O Tesouro de Rackham, o Terrível

O aparecimento de um novo personagem, o Professor Trifólio Girassol, deu à história um nível de humor simplesmente inesquecível. Todos os eventos conseguem se adequar a atmosferas dramáticas particulares, mas o humor está como plano de fundo para todas elas. Hergé conseguiu, em apenas 62 páginas, criar uma cadeia de acontecimentos com personagens de diferentes constituições psicológicas (o raivoso Haddock, o certinho e diplomático Tintim, os atrapalhados Dupond e Dupont e o surdo Professor Girassol) inseridos em situações distintas, o que demanda um grande esforço de lapidação textual e corte de tudo o que é supérfluo na narrativa.

TINTIN-RACKHAM-O TERRIVEL PLANO CRITICO

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.