Lista | As Nossas 5 Histórias em Quadrinhos Favoritas

Histórias em quadrinhos são a fantasmagórica fascinação daquelas pessoas de papel, paralisadas no tempo, marionetes sem cordões, imóveis, incapazes de serem transpostas para os filmes, cujo encanto está no ritmo e dinamismo. É um meio radicalmente diferente de agradar os olhos, um modo único de expressão. O mundo dos quadrinhos pode, em sua generosidade, emprestar roteiros, personagens e histórias para o cinema, mas não seu inexprimível poder secreto de sugestão, que reside na permanência e imobilidade de uma borboleta num alfinete.

Federico Fellini

Você gosta de Histórias em Quadrinhos? Consegue lembrar qual foi a primeira vez que leu uma? Consegue lembrar quanto tempo conseguiu ficar sem ler uma, desde então?

A 9ª arte é daquelas coisas que quando você tem contato pela primeira vez e depois não consegue mais largar. A não ser que você seja um vilão niilista e sem coração disfarçado entre os humanos, odiando ou desprezando histórias em quadrinhos. Estamos de olho em você!

Parte da nossa equipe aqui do Plano Crítico é simplesmente fanática em HQs e já era de se esperar que a nossa lista de obras favoritas viesse mais dia menos dias, não é mesmo? Pois aqui está!

É importante lembrar que esta é uma lista de favoritos e não necessariamente de melhores. Sempre recebemos comentários que denotam uma clara confusão de alguns leitores para essas duas coisas. Portanto, repito: essas são as nossas HQs FAVORITAS, não necessariamente as melhores que lemos na vida! Nos diga o que achou das nossas listas individuais e comente quais estão no seu TOP5, quais das nossas favoritas você já leu, quais gostaria de ler, quais acha espantoso estar na lista de favoritos de alguém. Participe!

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Ritter Fan

Achei que tiraria de letra a missão de escolher cinco HQs favoritas para colocar aqui. Quebrei a cara. Essa foi, até agora, de longe, a lista mais difícil que já fiz, mesmo considerando que são HQs favoritas e não as melhores que já li (pode até haver overlapping, mas essa diferença é crucial).

Minha primeira versão da lista tinha 25 HQs. 25! Se eu mandasse para o Luiz Santiago, responsável pela organização dessa postagem, ele faria seu costumeiro vodu e isso não ficar bacana…

Assim, eu me auto-impus restrições, que são as que seguem: (1) só poderiam haver, no máximo, duas HQs de super-heróis mainstream; (2) caso houvesse duas HQs de super-heróis mainstream, elas teriam que ser de editoras diferentes; (3) só poderia haver uma HQ que fosse um arco de uma publicação ongoing atual ou antiga; as demais deveriam ou ser graphic novels ou minisséries e, finalmente, (4) não poderia haver repetição de autores, seja no roteiro, seja na arte.

Com base nisso, com ENORME sacrifício, cortei A Saga da Fênix Negra, A Morte de Gwen Stacy, Batman: Ano Um, Demolidor: A Queda de Murdock e até mesmo escolhas óbvias como Watchmen e Reino do Amanhã. Essas são as cinco que ficaram:

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Camelot 3000

camelot 3000

Camelot 3000

Roteiro: Mike W. Barr

Arte: Brian Bolland

Período/Editora: 1982 a 1985 (12 edições) — DC Comics

Falou em Lendas Arturianas, podem contar comigo! E, quando coloquei as mãos na publicação brasileira de Camelot 3000, lá na época de seu lançamento original por aqui [intervenção do Luiz Santiago: “no início do século XVI, quando eu era apenas uma criança de 2.670 anos“], não queria saber de outra HQ. Foi um desespero esperar até a minissérie acabar, mas não fiquei desapontado e eu a lia e relia incessantemente. Afinal de contas, como não amar uma HQ que lida com o Rei Arthur acordando de um sono profundo para cumprir uma profecia de que ele voltaria quando a Inglaterra mais necessitasse?

E se esse momento fosse muito no futuro, com a Terra sendo invadida por extra-terrestres comandados por Morgana Le Fey? E se Guinevere e os Cavaleiros da Távola Redonda fossem humanos contemporâneos que “despertassem” com o chamado de Arthur e do Mago Merlin não necessariamente na forma original?

E se, além disso tudo, Mike W. Barr e Brian Bolland lidassem, muito além de seu tempo, com questões como diversidade racial e sexual? Simplesmente não dá para parar de ler e só de escrever esse comentário aqui já me dá vontade de catar meu encadernado em inglês para reler essa maravilha!

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Batman: O Cavaleiro das Trevas

cavaleiro das trevas

The Dark Knight Returns

Roteiro: Frank Miller

Arte: Frank Miller, Klaus Janson, Lynn Varley

Período/Editora: 1986 (4 edições) — DC Comics

A história definitiva de Batman. A criação máxima de Frank Miller. A HQ que serviria de base para uma revolução dos quadrinhos até hoje seguida pelas grandes editoras, mas nunca verdadeiramente alcançada.

Isso é o que Batman: O Cavaleiro das Trevas significa para o mundo. Para mim, essa graphic novel, publicada originalmente em quatro partes é a razão pela qual eu leio quadrinhos de super-heróis. Impossível esquecer Bruce Wayne envelhecido, aposentado, voltado à ativa mais uma vez para lutar contra o mal usando meios extremamente violentos. Impossível esquecer Carrie, a Robin feminina. Batman à cavalo! A retratação de Jim Gordon! Oliver Queen sem braço!!! A morte do Coringa!!!! O épico espancamento de Superman por Batman!!!!!

Ok, deixa eu parar por aqui, senão vocês vão achar que sou fanboy do Frank Miller…

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A Liga Extraordinária – Vol. 1

a liga extraordinaria

The League of Extraordinary Gentlemen, vol. 1

Roteiro: Alan Moore

Arte: Kevin O’Neill, Benedict Dimagmaliw

Período/Editora: 1999 a 2000 (6 edições) — America’s Best Comics

A Liga da Justiça Vitoriana criada por Alan Moore e Kevin O’Neill não tem paralelo nas HQs. A quantidade de camadas que o escritor inglês conseguiu colocar em sua obra é impressionante, com citações tanto a obras literárias famosíssimas do final do século XIX como também a uma pluralidade de outras que exigem quase que uma escavação arqueológica para serem descobertas. O primeiro volume é um delicioso e vastíssimo baú de tesouros que merece – exige! – releitura anual para que novos detalhes sejam descobertos e outros sejam relembrados.

E o melhor é que ler A Liga Extraordinária incita a leitura das obras que serviram de inspiração. Desde a obrigatória releitura de 20.000 Léguas Submarinas e Drácula, como, também, o garimpo de todas as outras que estão lá, em cada página, em cada quadro.

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O Combate dos Chefes

o combate dos chefes asterix

Le Combat des Chefs

Roteiro: René Goscinny

Arte: Albert Uderzo

Período/Editora: 1966 (originalmente serializada, depois compilada em um encadernado) — Pilote

Asterix faz parte de minha vida de quadrinhos desde quando eu ainda não sabia ler. Meu pai me contava essas histórias e tinha todas da coleção. Herdei-a dele e continuei comprando os novos volumes que, hoje, tenho tanto em português como no original em francês em belíssimos álbuns com capa dura.

Dentre os até agora 36 volumes, aquele a que mais volto para me deliciar é, sem dúvida alguma, O Combate dos Chefes. E eu me escangalho de rir a cada nova leitura, seja pela hilária situação de Panoramix, que não para de gozar da cara de seus compatriotas, seja pela indignação de Obelix, seja pela preparação ao combate do título, que coloca Abracurcix contra Tomix, o chefe de uma aldeia próxima que foi assimilada pelos costumes romanos. Sensacional do começo ao fim.

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Y: O Último Homem

y o ultimo homem

Y: The Last Man

Roteiro: Brian K. Vaughan

Arte: Pia Guerra, Goran Sudzuka, Paul Chadwick

Período/Editora: 2002 a 2008 (60 edições) — Vertigo Comics

A maxisérie Y: O Último Homem é um dos melhores trabalhos já encerrados do brilhante Brian K. Vaughan, responsável também por Os Leões de Bagdá e da outra maxisérie atualmente em andamento, Saga. Em Y: O Último Homem, o autor imagina um mundo em que, como o título deixa claro, só existe um último ser humano do sexo masculino.

Paraíso? Muito ao contrário. Mas essa distopia que ele cria é muito diferente de cenários pós-apocalípticos. Há muito conteúdo ali e Yorick (o Y) é o fio condutor que faz o leitor navegar por situações incríveis e surpreendentes, que dificilmente poderíamos imaginar. Apesar de ter 60 números, o trabalho de Vaughan é fluido, lógico e muito bem estruturado, sem qualquer solução de continuidade. É uma daquelas obras que merecem estar na estante de qualquer colecionador de HQs que se preze e que merece a releitura de tempos em tempos.
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Luiz Santiago

Que coisa mais difícil é escolher 5 histórias em quadrinhos favoritas! Eu ainda me pergunto por que invento essas coisas para a gente fazer aqui no site, porque sempre acaba me fazendo quebrar a cabeça e ficar com remorso e matutando até os dias seguintes de publicada a tal lista: será que eu deveria ter colocado isso ou aquilo na lista? Será que eu gosto mais dessa ou daquela obra? E as perguntas não param, até que eu concluo que indiquei as “favoritas certas” só para na lista que vem começar a perguntar tudo de novo. Ó vida, ó céus.

Eu comecei a ler quadrinhos muito cedo, a partir das histórias do Maurício de Sousa. De vez em quado pegava os gibis da Disney, mas gostava mesmo era dos Almanaques do Cebolinha, das histórias do Louco, da Turma do Penadinho, Chico Bento, Piteco e Horácio. Na adolescência fui um viciado (daqueles bem viciados mesmo) nas histórias do Homem-Aranha e dos X-Men. Mas aí as trevas de Gotham entraram na minha vida. E… parece brincadeira mas depois de começar a ler Batman eu comecei a procurar quadrinhos “que não tivessem super-heróis”. Só pra constar, o Batman (ao lado do Demolidor) é (são) o meu super-herói favorito. Vai entender…

A escolha do quinteto abaixo, como já disse, foi terrivelmente difícil. Terrivelmente. E eu vou parar de escrever senão começarei a lamentar por que esta não é uma lista de 50 favoritos. Vamos lá.

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O Incal

o incal

L’Incal

Roteiro: Alejandro Jodorowsky

Arte: Moebius

Período/Editora: 1981 a 1988 (6 edições) — Les Humanoïdes Associés

O Incal é a inclusão mais recente de uma HQ à minha lista de favoritos. E que HQ, senhoras e senhores! O que Jodorowsky e Moebius fazem com a concepção de tempo, viagens espaciais, humanismo, misticismo, filosofia, magia, religião, tarô e inúmeras outras manifestações culturais e comportamentais é algo simplesmente maravilhoso. E eu me arrependo profundamente de ter comprado o volume publicado aqui no Brasil pela Devir, com as 6 edições da série, e ter demorado tanto para lê-lo.

Já no primeiro volume da saga, O Incal Negro, eu entrei em um estado de graça que durou a leitura dos seus tomos. E o final, com a fixação de um loop temporal, me deixou de queixo caído. Sabe quando você lê o final de uma série e fica rindo sozinho, com cara de besta, olhando para o nada, com o livro na mão? Então, eu estava exatamente assim (ao cubo) quando terminei a leitura do sexto livro do Incal, o que me fez reiniciar a leitura da mesma edição, para não deixar escapar nada e reviver tudo de novo. Que viagem!

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A Trilogia Nikopol

a trilogia nikopol

La Trilogie Nikopol

Roteiro: Enki Bilal

Arte: Enki Bilal

Período/Editora: 1980 a 1992 (3 edições) — Les Humanoïdes Associés

O sobrenome sérvio do quadrinista Enki Bilal faz qualquer brasileiro rir um pouco, de forma sacana. Eu não conhecia o autor até ler na internet a notícia de que iam lançar A Trilogia Nikopol aqui no Brasil, isso em 2012. Ao ler a sinopse da história, me interessei muito pela ideia de uma distopia nos moldes mais amplos de organização social e geopolítica que se possa imaginar. E fiquei ainda mais impressionado com a sagacidade do autor em emprestar de eventos históricos reais (antes ou em andamento entre os anos 1980 e 1992) para criar a sua aventura.

Eu li os três volume da trilogia em três dias, me segurando para não acabar tudo de uma vez. Cada página era uma surpresa, um ataque, um deus egípcio antropomorfizado, uma sátira a grandes estadistas americanos e europeus, uma busca do indivíduo por ele mesmo em um mundo tenebroso. A trilogia funciona como um retrato exagerado de um futuro fantasioso da Terra, onde muitas coisas parecem ser possíveis. E isso torna tudo ainda mais assustador.

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Os Companheiros do Crepúsculo

os companheiros do crepusculo

Les Compagnons du Crépuscule

Roteiro: François Bourgeon

Arte: François Bourgeon

Período/Editora: 1984 a 1990 (3 edições) — Casterman

Um dos meus piores namoros serviu pelo menos para uma coisa: me fazer descobrir Os Companheiros do Crepúsculo, por indicação e insistência. Eu cursava o primeiro ano de História e, como qualquer universitário no primeiro ano, vivia dormindo e sonhando em ler tudo (por osmose, que fosse) relacionado aos temas do curso. Fui então apresentado (quase forçado a ler) a Os Companheiros do Crepúsculo em um momento bastante propício, durante a pesquisa e escrita de um trabalho sobre a Guerra dos 100 Anos (1337 – 1453). Meu recorte era para produções que retratassem o momento e eu acabei ficando apenas com o cinema. Mas foi aí que comecei a ler essa saga de Bourgeon e, quando terminei o primeiro livro da trilogia, O Sortilégio do Bosque das Brumas, deixei o cinema de lado e fiz um trabalho apenas sobre a saga, tamanha a riqueza e excelência com que o autor constrói sua história dentro desse período.

Tudo em Os companheiros do Crepúsculo transpira História (factual, crítica ou fantasiosa). O trânsito entre a mentalidade medieval (com todos os seus medos, lendas e imaginário popular) e a nova era vinda com o fim da Guerra dos 100 Anos é mostrada tanto em detalhes visuais — e a riqueza dos desenhos é tão absurda que choca. Bourgeon era artista de vitrais de catedrais, só para vocês terem uma noção… — quanto em elementos que de fato aconteceram ou fizeram parte de uma literatura/história oral da Idade Média. A trama tem gnomos, guerra, vilas e feudos, laços de suserania e vassalagem, viagem no tempo… (sim, viagem no tempo!), tem de tudo! É sem sombra de dúvida a abordagem mais criativa em HQ sobre a Idade Média que eu já tive a oportunidade de ler.

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Watchmen

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Roteiro: Alan Moore

Arte: Dave GibbonsJohn Higgins

Período/Editora: 1986 – 1987 (12 edições) — DC Comics

Eis aqui um clássico que eu demorei muito pra ler. E só tomei coragem depois de compartilhar isso com Ritter Fan e quase fazê-lo ter um ataque do coração. “Você tem que tomar vergonha e ler isso já!” disse ele. Ou algo assim. E eu já tinha a edição completa em casa então nada justificava a enrolação. E comecei a ler. E enlouqueci.

Acho curioso que Watchmen esteja em tantas listas de quadrinhos favoritos de leitores pelo mundo afora. E vejam bem que eu escrevi favoritos e não melhores. A forma como essa história impressiona a maioria das pessoas é sempre interessante porque gera interpretações diferentes e reações sempre em superlativos. E com o passar do tempo eu acabei achando interessante até as reações dos haters. Sei lá. Vai ver que é o encosto do Comediante…

O que me fascina nessa história é a facilidade com que Alan Moore mistura padrões de heróis já existentes e brinca com suas realidades, tanto no passado quanto no presente e até de forma metalinguística. Os múltiplos diálogos e a jornada com final de forte apelo moral e ético são fascinantes. Uma história para reler de tempos em tempos.

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Daytripper

daytripper

Roteiro: Fábio Moon e Gabriel Bá

Arte: Fábio Moon e Gabriel Bá

Período/Editora: 2010 (10 edições) — Vertigo

De todas as minhas favoritas — dessas cinco e de uma lista estendida até 10 ou 20 — Daytripper é a que mais apelo pessoal/sentimental tem para mim. Ela não só é favorita porque é uma excelente história. Mas também porque toca em questões particulares, ao longo dos meus anos de vida, quase como a história do narrador/personagem que acompanhamos ao longo das edições. E isso é tudo o que eu consigo escrever sobre ela. De resto, assumo a persona da queridíssima (truta forte) Roberta Miranda: não sei mais o que dizer, só sentir.

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Anthonio Delbon

No mínimo 15 HQs lutaram seriamente por essa lista. E dependendo do meu humor, a resposta certamente seria diferente. Não cresci lendo HQs em geral, nem Turma da Mônica. Meu primeiro contato foi apenas com o mangá de Dragon Ball e fiquei por ali mesmo. Os super-heróis, conhecidos de outras mídias, só vieram em leitura mais tarde, assim como outros mangás. Quadrinhos independentes, também confesso, não são os meus favoritos e ainda ando descobrindo aos poucos (Persépolis e My Friend Dahmer são minhas preferências por enquanto). E, por fim, vou trapacear um pouco e colocar um sexto colocado aqui: Superman: Entre a Foice e o Martelo. Futuro distópico, reinterpretação de personagens clássicos sem perder suas essências, ótimo roteiro…só assim pra me fazer gostar de Kal-El.

Mas tenho uma lembrança curiosa, de qualquer modo, em ter lido uma história da Mônica arranjada pelo moço que cortava meu cabelo na esquina de casa e me deparado com o personagem Do Contra. Foi ele que mais me fascinou, de longe, muito mais do que qualquer outro. Ele deve ter moldado minha personalidade, em contínua construção e que conta com a colaboração das seguintes histórias:

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Batman: A Piada Mortal

a piada mortal batman

Batman: The Killing Joke

Roteiro: Alan Moore

Arte: Brian Bolland, John Higgins

Período/Editora: 1988 — DC Comics

As cinco posições poderiam ser ocupadas por histórias do Batman. Tirando os clássicos de Frank Miller, a linda Asilo Arkham e o detetivesco Longo Dia das Bruxas, “sobra” a clássica Piada Mortal de Alan Moore e Brian Bolland, minha primeira leitura de Graphic Novel que logo me mostrou o porquê dessa mídia ser o que é. Essa obra é muitíssimo mais do que uma simples perseguição envolvendo Batman, Coringa e Gordon, daquelas que tinha me acostumado como leigo dos quadrinhos. É um verdadeiro estudo do sentido de ser do vilão e da complexa relação desses personagens, ainda que em poucas páginas e feita de maneira bem sutil pela dupla criativa, o que só aumenta meu amor por essa história. As transições de Bolland entre o passado e o presente do Palhaço do Crime, o final polêmico recém-entregue por Grant Morrison e o indescritível roteiro de Moore fazem dessa icônica obra a escolha número um a ser levada para a vida. Recomendadíssima!

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Demolidor por Brian Michael Bendis, Alex Maleev e Matt Hollingsworth

demolidor

Darevedil Vol.2

Roteiro: Brian Michael Bendis

Arte: Alex Maleev, Matt Hollingsworth

Período/Editora: 2001 – 2006 (51 edições) — Marvel

É meu herói favorito, desenhado pelo meu artista favorito. Mas é o roteiro de Bendis que garante esse período do Demolidor no vice-campeonato. Com construções bem-feitas, versatilidade no storytelling, excelente uso do universo de Murdock e respeito às origens do personagem – refiro-me, obviamente, ao Frank Miller – o Daredevil do roteirista é ótimo exemplo de como um personagem dos quadrinhos pode render discussões intensamente humanas. E os quatro anos da dupla ainda são continuados pela quase tão excelente época de Ed Brubaker à frente da Cozinha do Inferno. Para o segundo lugar, entretanto, não há dúvidas: Bendis e Maleev.

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Marvels

marvels

Roteiro: Kurt Busiek

Arte: Alex Ross

Período/Editora: 1994 (4 edições + edição #0) — Marvel Comics

Fiquei em uma dúvida cruel entre Marvels e Reino do Amanhã, simplesmente pelo fato de ambas terem a magnífica arte de Alex Ross e deste não poder se ausentar da minha lista de jeito nenhum. Apesar de contextos bastante diferentes, ambas são obras que homenageiam a história de Marvel e DC – mesmo não sendo um leitor da velha guarda, elas me fascinaram logo de primeira. Acabei optando pela história de Kurt Busiek por preferir os heróis da Marvel aos da DC, portanto ver do Capitão América na Segunda Guerra à maior tragédia na vida de Peter Parker, passando pelo preconceito sofrido pelos X-Men, meu grupo de heróis favoritos, tudo sob a ótica de um mero fotógrafo, realmente marcou minha ainda tímida trajetória nesse universo.

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Samurai X

samurai x

Rurouni Kenshin

Roteiro: Nobuhiro Watsuki

Arte: Nobuhiro Watsuki

Período/Editora: 1994- 1999 (28 edições) — Shueisha

Talvez pela nostalgia da infância. Meu ponto favorito são os anti-heróis e o contexto político. Por mais que seja uma história clássica de um herói proteger os fracos e oprimidos, os coadjuvantes e as motivações envolvidas dão um charme todo especial pra essa HQ.

Além dos estilos samurais e duelos emocionantes, o embate de filosofias também sempre deu à história de Kenshin Himura um tom mais profundo do que a maioria dos mangás e animes que consumia quando menor.

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Watchmen

watchmen alan moore

Roteiro: Alan Moore

Arte: Dave GibbonsJohn Higgins

Período/Editora: 1986 – 1987 (12 edições) — DC Comics

Dispensa apresentações. Em quinto lugar não pela qualidade inquestionável, mas porque sinto que ainda não a captei por inteira. A cada releitura algo novo e fascinante surge das páginas. É sempre prazeroso ler essa obra-prima de Alan Moore e se pegar vendo os inúmeros lados e a densidade que cada personagem traz para uma rica história.

A primeira vez que li lembro de olhar no rosto de Rorschach e entender, mesmo vendo ali uma mera mancha preta, o que se passava pela sua cabeça. Watchmen é sensacional.

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Handerson Ornelas

Persépolis

persepolis

Persepolis

Roteiro: Marjane Satrapi

Arte: Marjane Satrapi

Período/Editora: Pantheon Books (EUA) e Cia das Letras (Brasil) – 2000

De longe minha graphic novel preferida. Aqui, a genial autora árabe Marjane Satrapi faz uma autobiografia ao mesmo tempo que nos dá um excelente background histórico sobre a Revolução Islâmica. Tudo é feito com tanto esmero, desde seus traços simples até as boas doses de humor em meio a um grande clima dramático. Muita coisa Marjane me ensinou com as mudanças em sua vida, sua independência e as dificuldades ao ir pra outro país. Li o livro pouco antes de uma grande mudança na minha, que foi ir pra faculdade, morar sozinho. Mal eu sabia que alguns anos depois eu estaria também em outro país, enfrentando uma nova cultura, o que me lembraria mais ainda aquele livro. Em suma, Persépolis teve muito a me acrescentar.

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Maus

maus

Roteiro: Art Spielgman

Arte: Art Spielgman

Período/Editora: Pantheon Books (EUA) e Cia das Letras (Brasil) -1986-1991

Um relato impressionante sobre o holocausto e, ao mesmo tempo, uma biografia e autobiografia. Art Spielgeman contando a história da vida de seu pai ao mesmo tempo que conta parte da sua com uma sensibilidade incrível. Tudo isso com ótimas metáforas (judeus são ratos, alemães são gatos, americanos são cachorros) e uma carga dramática bastante pesada, mas não excessiva, com alguns excelentes toques de humor do quadrinista. Maus está entre uma das maiores obras literárias já escritas. Sem mais.

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Homem-Aranha: A Última Cartada do Duende

a ultima cartada do duende homem aranha

Amazing Spider-Man Vol. 1 – #122

Roteiro: Gerry Conway

Arte: Gil Kane

Período/Editora: Marvel Comics – julho de 1973

A edição seguinte à morte de Gwen Stacy é provavelmente a melhor história do Aranha que já li. Roteiro simples, ideia impactante e bem desenvolvida. Depois que Gwen morre, o que Peter sente é um vazio, uma certa depressão que o deixa cego. Essa cegueira é o que faz A Última Cartada do Duende ser tão bom. Um excelente roteiro onde você sente a raiva transbordando o herói que vai incessantemente atrás do Duende procurar vingança. E o melhor é que tudo é feito sem pretensões, um ar dramático sem exageros como foi na Última Caçada de Kraven. É tão fantástica que influenciou o primeiro filme da trilogia de Sam Raimi.

 

Toda Mafalda

toda mafalda quino

Roteiro: Quino

Arte: Quino

Período/Editora: Martins Editora (Brasil – 2012)

Os personagens do argentino Quino estão entre os mais carismáticos que já vi. É difícil escolher entre clássicos dos quadrinhos como Mafalda, Mônica e Peanuts, mas há algo nos personagens de Quino que fazem deles únicos. Principalmente toda a forte crítica que ele fez a problemas globais (de guerras e política a problemas ambientais) sempre com uma ótima dose de sarcasmo, cheio de tiradas engraçadas. Seus personagens são extremamente sólidos: a consciente Mafalda, o pensativo Miguelito, o capitalista Manolito, a materialista Susanita e por aí vai. Quino sabia fazer humor e educar ao mesmo tempo. Tal qualidade merece infinitos méritos.

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Turma da Mônica – Laços

turma da monica lacos

Roteiro: Lu Cafaggi e Vitor Cafaggi

Arte: Lu Cafaggi e Vitor Cafaggi

Período/Editora: Panini Livros – Graphic MSP (2013)

Eu tinha que prestar uma homenagem nessa lista aos personagens de Maurício de Sousa que tanto estiverem presentes na minha infância. E esta será selecionando a melhor homenagem já feita a turma da Mônica. Na série de graphic novels que vem saindo pelo selo, Laços responsabilizada pelos irmãos Cafaggi, tem uma certa doçura, inocência e beleza que poucas vezes você encontra. Fantástica…

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Jilan Zmeya

Preacher

Preacher

Roteiro: Garth Ennis

Arte: Steve Dillon e Glenn Fabry

Período/Editora: 1995 – 2000 (63 edições) — Vertigo Comics

A obra definitiva de Garth Ennis é simplesmente espetacular. Muitos já devem ter ouvido falar de Preacher e devem achar que se trata apenas de uma outra demência criativa de Ennis. Sinto desapontá-los, Preacher é uma das obras mais significativas da nona arte.
Quando comecei a ler, simplesmente não consegui parar. Preacher é inebriante, viciante em meio aos seus toques de insanidade, banalidade da violência em meio a poesia das ilustrações do afiadíssimo Steve Dillon que expressam, junto ao texto, verdadeiras frustrações e desejos dos personagens. Tudo é muito lógico e te cativa pelo carisma dos diversos personagens que acompanham Jesse em sua jornada para acertar as contas com Deus.
Para quem estava em dúvida sobre Preacher, eu lhe afirmo, essa HQ é uma obra para se ter em casa e com orgulho. Não se trata de uma história descerebrada para irritar cristãos. Ennis, talvez em sua melhor fase, escreve com maestria e atinge com precisão cirurgica nas suas críticas ácidas carregadas de humor negro. Simplesmente leiam!
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Asterios Polyp

aterios polyp

Roteiro: David Mazzucchelli

Arte: David Mazzucchelli

Período/Editora: Julho de 2009 – Pantheon Books

David Mazzucchelli sumiu por anos do mercado de HQs. Não ilustrou simplesmente nada por quase uma década. O motivo? Ora, Asterios Polyp. Uma das melhores HQs da década! Depois de esbanjar seu talento em Batman: Ano Um, Mazzucchelli retornou em 2009 com esta pérola modernista. Dessa vez, tanto arte quanto roteiro são de sua autoria e digo para vocês, ele simplesmente arrebenta.
Asterios ganhou 3 dos 4 Prêmios Eisner que ele concorreu. Foi um fenômeno na época e continua relevante e atual hoje. Mazzucchelli mostra nesta graphic novel porque os quadrinhos ainda são uma forma competente e original para transmitir uma história. O que ele faz nas páginas de Asterios é impossível de replicar em qualquer outra mídia.
Para quem quer conhecer melhor a história, a graphic novel traz a história de Asterios, um arquiteto insuportável. Porém, após perder esposa, trabalho e casa, Asterios se vê obrigado a deixar sua cidade e partir por um jornada para compreender sua própria existência. Entretanto, todos os fatos são narrados pelo seu irmão que morreu durante a gravidez de sua mãe. É genial.
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Maus

maus

Roteiro: Art Spielgman

Arte: Art Spielgman

Período/Editora: Pantheon Books (EUA) e Cia das Letras (Brasil) -1986-1991

Art Spiegelman entrou para a história com essa graphic novel de drama sobre os campos de concentração durante o regime nazista na Segunda Guerra Mundial. Com sua sensibilidade monstruosa, Art retrata os judeus como ratinhos e os nazistas como gatos tornando-os inimigos naturais desde sua origem, além de reforçar ainda mais a relação de opressão que ocorria na época.
Spiegelman traz nos dois volumes de Maus, as histórias de seu pai que sobreviveu ao Holocausto. Assim como Mazzucchelli, Spiegelman elabora uma linguagem única que só funciona nas HQs.
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Retalhos

retalhos

Blankets

Roteiro: Craig Thompson

Arte: Craig Thompson

Período/Editora: Julho de 2003 — Top Shelf Productions

Craig Thompson faz aqui uma graphic novel autobiográfica. É uma obra tão sublime, com tantas passagens que se assemelham com tantas coisas que o leitor já vivenciou em algum momento, que é impossível não ser fisgado pela obra. A história é tão emocionante que é capaz de faze-lo chorar. Sim, uma história em quadrinhos que consegue te emocionar a esse ponto. Não é para qualquer um. Retalhos já é considerada uma das obras mais importantes da década. Se não leu, leia.
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Um Contrato Com Deus

um contrato com deus

A Contract with God

Roteiro: Will Eisner

Arte: Will Eisner

Período/Editora: 1978 – Baronet Books

Não é preciso apresentações para Will Eisner. O gênio que superou os limites entre balão, quadrinho e diagramação. Considero Um Contrato Com Deus a obra mais relevante de Eisner. Um modo de escape para liberar suas frustrações com a perda de um filho seu, assim como o personagem do primeiro conto. A obra é profunda, visceral. Traz a luz do dia contos de miseráveis — aliás, Eisner é o mago em fazer contos de cidadão diversos em meio ao cotidiano caótico da cidade grande. A obra é fantástica, brilhante e possui uma delicadeza incrível. Porém, suas histórias são cruas, tristes e muitas vezes não terminam com finais felizes, mas suas conclusões edificam o leitor. A mensagem de cada história é poderosíssima e clara como o dia.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.