Lista | Black Mirror – Os Episódios Ranqueados

Black Mirror é uma série de televisão criada por Charlie Brooker, no formato de antologia, que, até o momento, possui quatro temporadas, além de um especial situado entre a segunda e a terceira. Trabalhando com o impacto da tecnologia em nossa realidade e estudando as relações e comportamentos humanos, o seriado, originalmente transmitido pelo canal britânico Channel 4, ganhou mais fama após a compra pela Netflix, o que garantiu sua enorme popularidade atual. Com seus episódios buscando embasamento sobre diferentes temáticas, não demoraria para que o Plano Crítico trouxesse para vocês, baseada na opinião daquele que vos escreve, uma lista, ranqueando todos os 19 episódios da série lançados até agora.

Para acessar os textos críticos de Black Mirror, feitos aqui no site, segue os links de nossas críticas:

Black Mirror – 1ª Temporada
Black Mirror – 2ª Temporada
Black Mirror – White Christmas (Especial)
Black Mirror – 3ª Temporada
Black Mirror – 4ª Temporada

19. Arkangel
(4ª Temporada, 2º Episódio)

Arkangel leva os espectadores para dentro de um mundo levemente alterado, se comparado com o nosso. Em substância, apenas a criação de um aplicativo que permite pais terem controle do que seus filhos estão comendo, sentindo, precisando e assistindo, 24 horas por dia. Dessa forma, Black Mirror cria seu debate sobre a linha tênue entre cuidado e obsessão. Para continuar lendo o texto, clique aqui.

18. Metalhead
(4ª Temporada, 5º Episódio)

O quinto episódio da quarta temporada de Black MirrorMetalhead, nos apresenta um ambiente efetivamente destruído pela tecnologia. Contudo, os vilões da vez não são mortos-vivos famintos por carne humana, mesmo que em muitos aspectos esse episódio lembre filmes de zumbis, como A Noite dos Mortos-Vivos. Para continuar lendo o texto, clique aqui.

17. Men Against Fire
(3ª Temporada, 5º Episódio)

Men Against Fire não é isento de relevância social. Este episódio fala sobre questões importantíssimas, extremamente humanas, sobre a natureza do homem, o qual, mesmo em conflito, tende a ter empatia pelo seu semelhante. O uso da tecnologia é bem feito, condiciando o ser a não enxergar pessoas, mas monstros. Contudo, o episódio tem uma hora de duração e não consegue sustentar essa temática de forma eficiente. No meio da história, tudo que era para ter sido contado já tinha sido, sobrando pouco de interessante a ser mostrado.

16. The Waldo Moment
(2ª Temporada, 3º Episódio)

The Waldo Moment não é um episódio ruim. Mas, em comparação com os demais que já haviam sido lançados, apenas não soou tão incrível quanto, no meio de uma narrativa não tão crível quanto poderia. Mesmo assim, independente do espectador comprar ou não essa história, é bem interessante notar que, alguns anos depois, a campanha de Waldo seria comparada por muitos com a campanha de Donald Trump. Diferentemente do episódio de uma série de TV, isso no entanto não foi ficção. No twitter de Black Mirror, enquanto Trump já encaminhava a sua vitória, veio a seguinte frase: “Este não é um episódio, não é marketing, é a realidade”. The Waldo Moment acabou sendo muito mais relevante do que era em sua exibição original.

15. Hated in the Nation
(3ª Temporada, 6º Episódio)

Por falar em Twitter, Hated in the Nation aborda esse tipo de tecnologia e faz um jogo interessante no quesito especulativo. As “abelhas” promovem um senso de apavoramento muito forte, por sinal. Porém, se a uma hora de duração de Men Against Fire (o que não é muito, mesmo assim) já soava cansativa, Charlie Brooker nos entrega, com o encerramento da terceira temporada, quase 90 minutos de mistérios que simplesmente não conseguiram me engajar da maneira que deveria. Pelo menos temos Kelly Macdonald nesse episódio, algo que nunca vai ser ruim.

14. Black Museum
(4ª Temporada, 6º Episódio)

Black Museum, sexto e último episódio da quarta temporada da série Black Mirror, não é isento de mensagem. Temos, na história de vingança de Nish (Letitia Wright), uma poderosa denúncia social, um comentário sobre a diferença de tratamento dado às classes sociais mais baixas. É uma história que dificilmente não será apreciada pelo público, pelo teor de relevância que exprime em seus últimos minutos e pela retomada de algo que a temporada não teve tanto, uma marca registrada da série: a imprevisibilidade costumeira. Para continuar lendo o texto, clique aqui.

13. Crocodile
(4ª Temporada, 3º Episódio)

Um dos mais sombrios episódios de Black MirrorCrocodile quase conseguiu ser um episódio ruim, pela ausência de interesse que o espectador pode ter assistindo-o, na sua primeira parte. Aos poucos, enquanto cresce o clima de tensão e conflito, o público certamente se verá engajado pelo capítulo, para o bem ou para o mal, visto que estamos diante de uma narrativa que não teme o macabro em sua conclusão e que, por tal, pode resultar em duas perspectivas opostas na forma como essa história será encarada. Para continuar lendo o texto, clique aqui.

12. Fifteen Million Merits
(1ª Temporada, 2º Episódio)

Essa distopia de ficção científica é uma crítica espetacular à cultura de reality shows da atualidade. A uma massa de pessoas, que sustenta seu ganha pão na possibilidade de libertação pela fama e celebridade. A história não é contada da melhor forma, falta algum guia que nos leve ao caráter hipotético desse navio de forma mais avassaladora, mas as performances da dupla protagonista e a ideia por detrás da narrativa sustenta essa provocante embarcação de Charlie Brooker de forma eficiente. Aliás, esta é a primeira história imaginada para Black Mirror, apesar de ser situada como segundo episódio da primeira temporada.

11. White Bear
(2ª Temporada, 2º Episódio)

Um thriller sufocante que evidencia o alienamento social e critica profundamente uma sociedade sustentada no ódio e na vingança, estas usadas como entretenimento. Diferentemente de Shup Up and Dance, White Bear tem um papel interessante em nos deixar com empatia pela protagonista, apesar de seu passado tenebroso. No outro episódio citado e comparado, é difícil, depois das revelações, que continuemos nos importando com o adolescente ou até sentindo algum resquício de pena do que aconteceu com ele. Levando a breve análise para fora da ficção, a situação que vivemos, o alarme da paranoia coletiva, justificada pela violência hedionda, mas fomentadora de um desequilíbrio no pensamento político-social tremendo, foi definitivamente muito bem transposta para as telas.

10. USS Callister
(4ª Temporada, 1º Episódio)

Com o primeiro capítulo da quarta temporada de uma de suas séries mais populares, a Netflix opta por investir em um formato mais cinemático, cheio de efeitos especiais, menos sóbrio do que outros capítulos já vistos. Assim como Playtest da terceira temporada, a natureza dos videogames é abordada de maneira cínica, com os desenvolvedores de títulos de realidade aumentada criando verdadeiros pesadelos para os personagens apresentados. Para continuar lendo o texto, clique aqui.

9. Playtest
(3ª Temporada, 2º Episódio)

A realidade aumentada já chegou em nosso mundo, mas não nesse nível. Surpreendendo-nos, Playtest molda um mundo de forma bastante crível, pincelando regras e dicas importantíssimas para a conclusão explosiva e emocionante da história. Quando pensamos que estamos vendo um determinado nível de imersão nos jogos, o roteiro nos desestabiliza completamente, em uma sucessão de reviravoltas que não ficam repetitivas, apesar de quase caírem nesse problema. A música tocada nos créditos casa perfeitamente com o final do episódio, destruindo completamente o alicerce de segurança que construímos no capítulo. Pode não ser o melhor episódio de Black Mirror, mas foi, até agora, o que mais me impactou.

8. Nosedive
(3ª Temporada, 1º Episódio)

Nosedive é a porta de entrada que o público da Netflix tem para a série, após a compra de Black Mirror pelo serviço de streaming. E que porta de entrada sensacional! Com a criação de uma sociedade no qual a popularidade na internet das pessoas definem suas classe sociais, Brooker enfia um facão na ferida de uma realidade nossa não muito distante dessa ficcional. É uma crítica poderosa à maquiagem que criamos em frente ao celular, à cultura de imagem fomentada pelo Instagram, Facebook, e tantas diversas redes sociais cultuadoras de poses manipuladas por meio de muito fingimento.

7. The National Anthem
(1ª Temporada, 1º Episódio)

A narrativa de um político influente sendo forçado a ter relações sexuais com um porco é perturbadora. A estreia de Black Mirror na televisão não poderia ter sido mais acertada, neste capítulo que nos joga para dentro do mesmo mundo que vivemos. Uma brincadeira com a nossa própria realidade, que, em situação parecida, provavelmente lidaria com o evento de maneira similar. Isso é o mais sensacional de The National Anthem. É um episódio que não fala do futuro, fala do agora, e fala de maneira tão verossímil, com um discurso tão provocante, que eu temo profundamente que algum dia uma história do tipo se repita. Vai ser nojento, pavoroso, desgostoso. Mas vai todo mundo assistir.

6. The Entire History of You
(1ª Temporada, 3º Episódio)

Nós já vimos essa história antes. Ela não é original. Mas Black Mirror conta-a de uma forma tão extraordinária que é impossível não nos assustarmos com a dualidade das propostas transmitidas. Por um lado Liam é extremamente paranoico, e isso definitivamente foi uma das causas da destruição de seu relacionamento, mas, por outro, sua mulher mentiu para ele diversas vezes. É impossível não sentirmos, apesar de suas atitudes moralmente questionáveis, ciumentas e impulsivas, pena do rapaz e de tudo que ele passou, revivendo memórias antigas através de um aparelho tecnológico, tão imaginativamente sensacional quanto degradante.

5. Be Right Back
(2ª Temporada, 1º Episódio)

O luto trabalhado por Black Mirror. A primeira história de amor que somos encorajados a acompanhar, embora o pano de fundo triste seja realçado e evidenciado à medida que passamos da dor para a aceitação, da aceitação para a saudade eterna. Aliado a tudo isso, Domhnall Gleeson e Hayley Atwell em uma sintonia absurda. Um relacionamento que teve um fim – e um recomeço – angustiadamente doloroso.

4. Hang the DJ
(4ª Temporada, 4º Episódio)

O amor já foi abordado em Black Mirror outras vezes. Dentre todas, a maior aproximação que pode-se fazer com este episódio da quarta temporada é com o capítulo San Junipero, da terceira, devido o teor otimista que se é apresentado, além de toda a conjuntura do desenvolvimento de um relacionamento. Por isso, o maior acerto de Hang the DJ, antes mesmo de comentarmos sobre o seu teor crítico ou sua criatividade narrativa, está na capacidade de Charlie Brooker em criar outro casal extremamente crível, com muita química. Para continuar lendo o texto, clique aqui.

3. Shut Up and Dance
(3ª Temporada, 3º Episódio)

Sabe quando um produto audiovisual cria uma reviravolta que muda toda a nossa percepção dele, se revisto novamente? White Bear fez isso. Shut Up and Dance também faz a mesma coisa, porém de uma maneira muito mais intensa, ainda melhor. No meio de uma ansiedade constante, somos levados a acreditar em Kenny – interpretação sensacional de Alex Lawther, como uma vítima completa daquele jogo sujo de chantagens. Ele continua sendo uma “vítima”, mas a nossa visualização daquele garoto muda completamente. Um episódio extremamente ambíguo, questionador, que nos faz pensar na natureza da justiça feita pela próprias mãos ou, no caso, pelo próprio celular, além de trazer a essência de Black Mirror para o mundo atual, permanecendo ainda assim perturbadora. Devastador.

2. White Christmas

black-mirror-white-christmas-plano-critico

Muito antes de Black Museum repetir sua fórmula, White Christmas trouxe a antologia para dentro da antologia, amarrando um storytelling rico em conteúdo de maneira invejável. Apesar da quarta temporada ter desgastado a temática absurdamente, os cookies são uma das melhores ferramentas para estudo de personagem e mensagem já criadas pela série, permitindo ao roteiro ir para caminhos completamente diferentes. No mais, acima de tudo isso, temos Jon Hamm. Isso não poderia dar errado e não deu.

1. San Junipero
(3ª Temporada, 4º Episódio)

Black Mirror pode não ser perfeita, mas seu ápice certamente é. San Junipero não só conversa com a morte, um dos assuntos mais delicados de todos, como fala de eutanásia, coma, religião e outros assuntos verdadeiramente relevantes. Essa história de amor, protagonizada por um casal homossexual, é tão poderosa, tão complexa, que não poderia se encontrar em outro lugar, senão no primeiro. É um capítulo completamente humano, apesar do teor tecnológico que persiste nessa primeira imaginação verdadeiramente esperançosa da série, a qual dialoga com diversos componentes da fé do ser diante da vida e da morte. É um dos grandes episódios já feitos na história da televisão, na história dos streaming.

#########

O que acharam da lista? Lembrando que as posições indicam minha preferência, sendo que muitos episódios de qualidades aproximáveis ficaram em posições consideravelmente diferentes devido o próprio caráter de uma lista ranqueada. Que tal nos mostrar nos comentários suas próprias listas? Estou ansioso em lê-las.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.