Lista | Brinquedos Que Simplesmente Precisam Virar Filmes

Transformers: O Último Cavaleiro, quarta e essencial continuação do filme que abriu as portas do blockbuster cerebral, está aí para provar que Hollywood não para de imaginar filmes diferentes, originais e inteligentes. Na verdade, o Cinema Moderno (repararam o C e o M maiúsculos para dar imponência e importância à expressão?) sofreu uma verdadeira revolução quando, de maneira muito quieta e discreta, sem qualquer alarde, o jogo conhecido no Brasil como Detetive (Clue, no original) foi adaptado em filme em 1985. É uma pequena pérola que ficaria esquecida nas brumas do tempo não fosse a sagacidade de Paul W. S. Anderson ao mostrar que adaptações de jogos, no caso videogames, poderiam fazer sucesso e, mais ainda, ser obras realmente boas. Afinal, Resident Evil e suas várias e absolutamente necessárias continuações são um marco dos anos 2000 e da Sétima Arte.

No entanto, o que veio mesmo coroar essa estratégia foi a chegada de Transformers ao cinema pelas hábeis mãos de Michael Bay, que mostrou que robôs podem atuar e que merecem Oscar, Emmy, Grammy, César, Palm D’Or, Leão de Ouro, MTV Award, Kikito e o que mais tiver de estatueta dourada que, colocada em cima de uma lareira, certifica a qualidade de algo! E, com isso, a porteira cinematográfica foi definitivamente aberta para brinquedos virarem filmes: G.I. JoeBattleship: A Batalha dos Mares, Bratz: O Filme, Max Steel e outros filmes de qualidade inegável .

Assim, resolvi imaginar que outros brinquedos absolutamente preciosos simplesmente precisam ser transformados em filmes nos próximos anos. Para começar, são brinquedos inesquecíveis, que nasceram perfeitamente prontos para virarem filmes inteligentes, engraçados e/ou dramáticos. É um manancial esperando para ser realmente aproveitado por Hollywood. Seguem minhas ideias, com direito a identificação de gênero, diretor e até mesmo uma ideia de “pitch de elevador”, já que qualquer criador tem pouquíssimas oportunidades de expor suas ideias a executivos de estúdios e um texto curto, capaz de transmitir o conceito no tempo equivalente a uma viagem de elevador, é o ideal para isso.

Vamos lá! E mandem suas sugestões de outros brinquedos e jogos que têm que virar filmes já!

Cubo Mágico: A Vingança dos Rubik

cubo magico

 

Gênero: Horror cerebral de sobrevivência.

Tagline: Seis lados, mil formas de morrer.

Pitch de elevador: Imagine A Origem encontrando-se com Jogos Vorazes e Hellraiser. Sim, aquele dos caras cheios de pregos na cara. Seis grupos de jovens, cada um deles com um figurino de uma cor, são transportados por seres horripilantes conhecidos como Rubik para uma ilha secreta flutuante em formato de cubo onde eles têm que desvendar diversos quebra-cabeças. Os que não conseguem, morrem mortes horríveis. Quem sobreviverá? Quem morrerá?

Diretor ideal: James Wan, o diretor do primeiro Jogos Mortais e que, depois, “originalmente” inaugurou outras duas franquias de horror, fez o sétimo episódio de uma franquia que é um horror e, em breve, dirigirá um filme de um super-herói cujo poder é falar com animais marinhos e cavalgar um cavalo marinho cor-de-rosa.

Possibilidade de continuação: 100%. Afinal, o cubo não é a única figura geométrica possível…Possa.

Pula Pirata: A Maldição do Baú no Fim das Águas Misteriosas de Salazar

pula pirata

 

Gênero: Aventura de “capa e espada”, com pitadas de comédia.

Tagline: Enfia a espada que eu pulo!

Pitch de elevador: Vejo esse filme como o Piratas do Caribe do século XXII, com uma pitada de Donkey Kong! Pense como seria interessante ter, por exemplo, Ryan Gosling, com toda aquela expressividade característica dele, com figurino de pirata. Só com isso o filme já faria milhões! Mas, voltando ao filme, Gosling faria o papel de Jump McBarrel, um pirata renegado que é largado à sua própria sorte pelo seu mentor Barba Papa (pense em Clive Owen) que se torna seu arqui-inimigo. Às portas da morte, ele ganha poderes especiais de uma misteriosa mulher (Taraji P. Henson, que já disse que topa!), que o permite pular grandes distâncias e se transformar em um torpedo humano. O filme seria recheado de efeitos especiais e em 3D, claro!

Diretor ideal: Richard Donner. Fora dos holofotes há tempos, ele fará o filme por um lugar para dormir e duas refeições ao dia. É a chance do cara voltar a estourar no cinema, depois de Linha do Tempo e 16 Quadras. Lembre-se que ele dirigiu um bando de filme velho cheios de ação no passado e tem o jeito da coisa, ainda que esteja para lá de enferrujado. Mas veja, o importante é que quem vai mandar nessa porcaria é a produtora e o que nós falarmos ele faz.

Possibilidade de continuação: 100%. Vide Piratas do Caribe, que reaparece de tempos em tempos sem mudar nada..

A Vida e a Morte de Pinote, o Burrico Infeliz

pinote

 

Gênero: Filme cabeça francês fora de foco.

Tagline: Filme cabeça francês fora de foco não tem tagline, seu burro!

Pitch de elevador: A ideia é mostrar o fascinante mundo dos burros e criaturas semelhantes sob o ponto de vista dos próprios animais, mais ou menos como Robert Bresson fez em A Grande Testemunha, só que melhor, com um burro digital dublado por Jaden Smith. A história é simples: Pinote nunca foi domado e, por isso, é odiado tanto pelos humanos, que o consideram inútil, como pelos seus companheiros de raça, que o consideram esnobe. Mas, quando Pinote encontra Jubileu (alguém como a Elle Fanning, em papel para Oscar), condenada a uma cadeira de rodas por um terrível acidente, tudo começa a mudar e uma belíssima – mas trágica – amizade se forma.

Diretor ideal: Steven Spielberg. Afinal, quem mais sabe fazer filmes sentimentais com protagonistas equinos?

Possibilidade de continuação: 100%. Só trocar o burro por um primo dele, como o asno e arrumar um diretor mais barato..

Tetris: O Filme

tetris

 

Gênero: Ficção científica pós-apocalíptica.

Tagline: A melhor coisa vindo da Rússia desde o caviar.

Pitch de elevador: O planeta Terra de 2060 é invadido por uma raça alienígena misteriosa que chega em enormes naves formando figuras geométricas. A humanidade é dizimada e os poucos sobreviventes se reúnem em células de resistência por todo o mundo (para que quebrar a mufa com algo mais original do que isso, não é mesmo?). Uma dessas células, capitaneada por um programador de computador tímido, mas com uma mente brilhante (o ideal, aqui, seria o Michael Cera), descobre que o fluxo eletromagnético (ok, qualquer outro nome serve) gerado pelas naves aumenta quando elas estão próximas, desestabilizando-as. Um destacamento é mandado para unir duas das naves e o grupo descobre, depois de muitas baixas, que a humanidade pode retomar seu posto uma linha por vez.

Diretor ideal: Christopher Nolan. Custa caro, mas o filme precisa de um chamariz extra e o nome de Nolan sozinho convence qualquer mané a assistir qualquer filme, já que automaticamente todo mundo acha que, se tem Nolan, é obra-prima.

Possibilidade de continuação: 100%. Vide Independence Day: O Ressurgimento..

Pega Varetas: A Cura para o Sexo

pega varetas

 

Gênero: Drama não recomendado para menores.

Tagline: Pega, mas não encosta!

Pitch de elevador: Esse é Brokeback Mountain misturado com Shame e 50 Tons de Cinza para a nova geração, em que vários homens e mulheres de etnias distintas, se juntam em um grupo de ajuda para diminuir sua compulsão por sexo. O problema vem quando o grupo é separado por vários acontecimentos e um doloroso e delicado jogo para recuperá-los é colocado em funcionamento pelo psicólogo responsável (Idris Elba, em ponta misteriosa).

Diretor ideal: Nicolas Winding Refn. Ele ainda está barato, pois não consegue emplacar nada de verdade e tem forte apelo com a garotada que se acha modernosa.

Possibilidade de continuação: 100%, mas com um twist imprevisível. Um dos pacientes não se cura e, no segundo filme, vira um serial killer. Tem até título já: Pega Varetas: A Vareta da Morte..

Candy Land: A Terra dos Doces

candy land

Gênero: Fantasia infantil

Tagline: Uma doçuuuuura de filme! (assim, com vários Us mesmo!)

Pitch de elevador: Esse jogo é praticamente um filme esperando para ser feito e tem o mesmo tipo de atmosfera que, por exemplo, Oz: Mágico e Poderoso, todo colorido e bobalhão. Ou seja, vai vender ingressos como algodão doce… A história é simples: duas meninas lindas (pode ser Quvenzhané Wallis, de Indomável Sonhadora com talvez mais alguma outra de etnia diferente para cobrirmos todas as bases) têm que cruzar várias terras temáticas (cada uma de um tipo de doce, tipo Floresta de Pirulitos, Abismo de Gelatina e Planalto de Glacê) cheia de obstáculos e monstros apetitosos para chegar à sua casa e salvar a vovó diabética (Maggie Smith, para podermos escrever Harry Potter em algum lugar do pôster).

Diretor ideal: Tim Burton. Pode ser uma escolha estranha e pode ser que tenhamos que oferecer algum papel para Johnny Depp ou Helena Bonham Carter, mas Burton sabe fazer aquele visual pasteurizado alegre/triste. Basicamente, queremos que ele imite Alice no País das Maravilhas e faça a mesma quantidade de grana.

Possibilidade de continuação: Duh!.

O Destino de Jenga

jenga

 

Gênero: Filme desastre.

Tagline: Ihhhhh, desabou!

Pitch de elevador: Aqui a ideia é evocar o clássico Inferno na Torre, mas com menos drama e mais efeitos especiais destrutivos, cheio de explosões e mortes fantásticas. A trama é o que há de menos importante aqui. Basta arrumar a premissa de um prédio que, por qualquer razão, começa a desabar (não se preocupe, não será um ato terrorista) e Brad Pitt, um engenheiro desacreditado, tem que salvar as pessoas que não conseguiram evacuar o prédio a tempo com a ajuda do chefe dos bombeiros da cidade vivido por Samuel L. Jackson.

Diretor ideal: Brett Ratner, Esse é um diretor que nunca fez nada bom; portanto não é caro, mas sabe mexer com filmes de alto orçamento e com efeitos especiais.

Possibilidade de continuação: 100%. Mas vamos escalar o negócio: no lugar de um prédio, o filme seguinte lidará com o desabamento de um quarteirão inteiro!.

Amarelinha: Caindo em Desgraça

amarelinha

 

Gênero: Ficção científica bíblica.

Tagline: No Inferno, todo mundo pode ouvir você gritar.

Pitch de elevador: Em uma remota cidade do interior dos Estados Unidos, a batalha final entre o Céu e o Inferno terá lugar. No Céu, anjos tentam resgatar a alma de quem tenta alcançá-los, mas o Inferno é tentador demais e o jogo entre as duas forças terá como pivô uma criança (alguém como Sunny Pawar, o Saroo jovem de Lion, a única coisa boa do filme) e um jovem padre que perdeu a fé (Daniel Radcliffe).

Diretor ideal: Francis Lawrence. Ele fez Constantine, exatamente o tipo de atmosfera que precisamos, mas sem a parte “cabeça”.

Possibilidade de continuação: 100%. O Inferno vai querer vingança depois da derrota que sofre. Mais efeitos especiais, orçamento mais baixo e diretor mais porcaria..

Dança das Cadeiras: A Nobreza sem Lugar

chairs

Gênero: Musical histórico.

Tagline: Dance, dance, revolution!

Pitch de elevador: Pense só em Keira Knightley (insossa, mas a galera gosta…) fazendo uma disputada dama da aristocracia francesa do século XIX contracenando com Chris Hemsworth (o Thor! – não, atuar bem não é requisito aqui, mas tem que ter cara-de-pau para sair cantando do nada), um nobre falido que precisa recuperar a honra de sua família por meio de um engenhoso jogo de mudanças na balança do poder no melhor estilo Frank Underwood. E, tudo isso, cantado!

Diretor ideal: Tom Hooper. Escolha óbvia aqui: sabe tudo sobre musical, sobre filmes históricos e sobre movimentos – muitos movimentos! – de câmera.

Possibilidade de continuação: 100%. É só transformar uma saga de gerações, com o segundo filme acontecendo logo antes da Primeira Guerra Mundial..

A Saga de Hipo Gula Gula

hippo

 

Gênero: Desenho animado 3D em computação gráfica (para depois ser refilmado em live-action, como é moda agora).

Tagline: Comer bem é tudo de bom.

Pitch de elevador: Rei Leão só que com hipopótamos e, no lugar da mensagem da vida que se renova, dá lição de como se alimentar bem ao seguir a vida de um hipopotaminho comilão que fica obeso e tem que emagrecer para livrar sua mãe das garras dos magérrimos guepardos.

Diretor ideal: Eric Darnell. Ele é especialista em hipopótamos – e outros bichos – animados e não faz nada muito arriscado.

Possibilidade de continuação: 100%. O hipopotaminho cresce sadio, mas tem três filhotes glutões. Pronto, tudo a mesma coisa de novo!

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E aí, gostaram? Que outros brinquedos ou jogos vocês gostariam de ver nas telonas?

*Lista originalmente publicada em 25 de março de 2013. Republicação com diversas alterações e atualizações, além de inclusão das taglines e possibilidades de continuação, além de novas imagens.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.