Lista | Distopias Onde Passaríamos Férias

Um dos temas mais recorrentes da cultura pop atual é a distopia – Jogos Vorazes, Divergente, The Walking Dead, The Last of Us, Legend, Uma Noite de Crime são apenas alguns exemplos de obras dessa temática. A verdade é que o distópico está presente no cinema desde seu princípio. Com Metrópolis (1927) já vimos as críticas sociais metaforizadas através de um futuro não tão distante.

Obviamente, com o próprio nome já diz, são futuros nada ideais nos quais nenhuma pessoa em plena sanidade gostaria de viver. Mas e se pudéssemos passar apenas alguns dias nesses lugares? Será que não poderíamos tirar um pouco de proveito de toda essa malevolência condensada?

Vamos, portanto, deixar nossa ética e moral de lado por uns instantes e sonhar as possibilidades! Puxem aquela dose de humor negro do âmago de suas almas, adicione uma pitadinha de maldade e quando entrar no espírito leia o que nós do Plano Crítico (que por ora deixamos a moral de lado) faríamos em certos futuros.

Ritter “Hit-and-run” Fan

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Corrida da Morte – Ano 2000 (Paul Bartel, 1975) – Quem nunca quis sair atropelando um bando de pedestre mal educado que passa na sua frente de carro fora do sinal, nos lugares mais improváveis, somente para você ter que frear ou desviar seu carro loucamente. Quem nunca quis sair do carro com um taco de baseball para estourar a cabeça dessa gente? Quem nunca quis jogar seu carro contra o carro de outro motorista que dá uma fechada em você? Ninguém? Só eu? Tem certeza? Ok, então sou eu mesmo o sociopata que gostaria de conhecer esse futuro/passado alternativo onde o esporte mais famoso é a corrida através dos EUA em que ganha quem atropelar mais gente. Ah, claro: nem preciso dizer que essas férias seriam como motorista, não pedestre, não é mesmo? Doente, eu? Talvez. Mas pelo menos sou sincero.

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 O Vingador do Futuro (Paul Verhoeven, 1990) – Um futuro onde taxista não conversa com você, é um robô e sabe o caminho? Pode contar comigo! E, de brinde, ainda é possível fazer o implante de qualquer memória que você quiser, transformando-o em qualquer tipo de personagem? E, se você tiver grana ainda pode ir para Marte? Sério, quem não quer uma coisa dessas? E, se a Sharon Stone ainda novinha for sua esposa/namorada, eu não volto de lá…

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WALL-E (Andrew Stanton, 2008) – É claro que não estou falando em passar férias na Terra do futuro de Wall-E, mas sim em Axiom, a nave/resort gigantesca onde você não tem que levantar de sua espreguiçadeira para absolutamente nada e, ainda por cima, pode comer todas as porcarias de fast-food que você conseguir imaginar. Claro que essas férias teriam que ser curtinhas, só para desestressar, caso contrário você vai voltar com tanto colesterol que terá que ir para outro futuro – o de Elysium – para passar por aquela maquininha milagrosa que eles têm por lá. Ei, até que não é uma má ideia…

Luiz “Dad-Killer” Santiago

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Idiocracia (Mike Judge,  2006) – Gente burra, de mal gosto, que só pensa em futilidades, preguiçosa e alienada já tem por todos os lados, e olha que a gente ainda está em 2013. Ainda falta algum tempo para 2505, mas confesso que embora uma parte da humanidade tenha crescido, a outra só regride. O filme Idiocracia tem esse plot da perda de QI e absoluta imbecilização da humanidade no futuro, onde a justiça é feita por ogros que mais parecem líderes de torcida organizada, os serviços públicos parecem a oficialização dos serviços públicos brasileiros e o entendimento que cultura da população mundial é exatamente o que as comédias e maioria das produções da Globo Filmes e programas da estirpe de Pânico na TV entendem como divertimento. As sementes da idiocracia estão por todos os lados. As fanatic fangirls de Justin Bieber que o digam.

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Lunar (Duncan Jones, 2009) – Depois de toda essa babaquice de desinformados sobre testes em animais (os ativistas que comemoram ter defendido os direitos dos animais com uma bela de uma churrascada), volta à tona a necessária conversa bioética e o que fazer quando se usa a vida de um animal (racional ou não) para o bem da ciência. Lunar, dentre outras coisas, trabalha uma dessas facetas dentro de uma sociedade plenamente desenvolvida. Só que dessa vez, o buraco é mais embaixo. Qualquer coisa que eu diga ou relativize aqui sobre o filme vai dar um spoiler do tamanho do mundo, então me abstenho de mais comentários. A problematização é: num futuro distópico, a ciência é privilegiada em detrimento da vida, seja ela animal ou não; sintética ou não. Pelo menos não há aí diferenciação de espécies.

Ao contrário dos ativistas de restaurante, que defendem cachorros mas se esquecem que aquele caviar delicioso, aquele salmão no azeite, a picanha com alho, o passarinho na gaiola, o tigre e elefante de circo, o cão caçador criado em apartamento também são fruto de maus tratos animais. E, só para finalizar, há um nome histórico que define o grupo de pessoas defensoras da vida e dos benefícios plenos para uma espécie de ser vivo e não estão nem aí ou se mobilizam a favor de qualquer outra espécie viva. O engraçado é que pelo menos esse grupo histórico de pessoas, até que se prove o contrário, não comia a carne dos seres vivos que eles não importavam que matassem.

Embora dentro de um contexto fora do planeta Terra e em outro e distópico tempo, Lunar traz à tona a complexa discussão sobre o uso da vida para e pela ciência. Assistam.

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Uma Noite de Crime (James DeMonaco, 2013) – Uma sociedade em que você, num único dia, pode matar quem quiser e não ser preso? Tá brincando! Se eu vivesse nesse mundo, eu teria uma lista de pais de alunos meus que seriam eliminados da maneira mais cruel possível, assim como a corja de políticos da nossa nação (eu seria parte de um grande time de pessoas, na verdade), alguns jogadores de futebol, humoristas sem graça, funkeiros, pessoas que acham que Beethoven é só o nome de um São Bernardo, qualquer um que defenda Sucker Punch, putz, a lista é longa!

Confesso que, mesmo diante do absurdo eu juro que não acho impossível haver alguma coisa do tipo daqui a algumas centenas de anos. Uma espécie de “licença para matar”? Me parece algo perfeitamente possível num futuro distópico.

Guilherme “there is no spoon” Coral

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Batalha Real (Kinji Fukasaku, 2000) – Que colégio nunca foi agraciado com aquele miserável cujo único prazer é encher a paciência de qualquer alma viva? E aquele genérico grupo de metidos à besta que acham que o mundo está nas mãos deles e por isso saem pisando em deus e o mundo? Com o Battle Royale Act tais problemas são resolvidos! Agora você pode matar cada um deles sem problemas. É claro que isso implica em mais 30 adolescentes sedentos por sangue no seu encalço, mas pensemos positivamente, não é?

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Matrix (Andy Wachowski, Lana Wachowski, 1999) – “Eu sei kung-fu” – essa frase já explica porque férias no universo distópico de Matrix seriam ótimas. Imagine! Você poderia aprender praticamente tudo em meros instantes, ver todos os filmes já produzidos, comer nos melhores restaurantes, desafiar as leis da física, absolutamente qualquer coisa e de quebra ganha roupas estilosas! A parte ruim é ser perseguido por programas de óculos escuros e terno que podem fazer tudo isso só que melhor (exceto, é claro, se você for o escolhido), mas hey! Na pior das hipóteses é só atender o telefone e dar o fora.

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Blade Runner (Ridley Scott, 1982) – Quer dizer que eu posso ter um andróide que tem todas suas memórias forjadas que seria essencialmente o que eu quisesse?  Count me in! Imagine só:  a mulher/ homem dos seus sonhos – exatamente da maneira como você quer que ele/ ela seja – ao seu alcance. Estamos falando, sem dúvidas, de sérios problemas éticos e morais, mas são aquelas suas merecidas férias, duramente conquistadas, não são? Só, por favor, não deixe descobrir que é um replicante, ver a Sean Young chorar já foi difícil, imagine sua pessoa ideal.

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Looper: Assassinos do futuro (Rian Johnson, 2012) – Essas não seriam exatamente férias para se descansar, e sim para ganhar uns trocados. Imagine, para ganhar uma bela grana tudo o que você precisa fazer é ir para um campo no meio do nada e dar um tiro em um pobre coitado que foi mandado do futuro. Sim, você teria que viver com sua consciência pesada por toda sua vida lembrando da pessoa com o capuz que você matou, mas nada é de graça, não é? O único porém é ter que correr antes de ter de matar a si mesmo – especialmente se o seu “eu” do futuro for o Bruce Willis!

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.