Lista | Doctor Who: Os Episódios Ranqueados do 12º Doutor

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O objetivo dessa lista é apresentar uma classificação pessoal dos episódios/arcos na Era do 12º Doutor. Cada uma das classificações é acompanhada por um texto de impressões pessoais a respeito. Para ler as críticas dos arcos, basta clicar nos links que acompanham cada colocação. TODOS os episódios e especiais citados possuem crítica aqui no site. Abaixo, uma visão geral da minha temporada favorita desta era. E da minha equipe favorita. Para conferir os outros rankings, clique aqui.

  • Temporada favorita:  (2015)
  • Time favorito: Doutor, Clara
  • Melhor personagem: Missy

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34º Lugar: Knock Knock

10X04

Quando sua série favorita anuncia uma participação especial, você tende a depositar altas esperanças no que virá dessa participação, correto? Principalmente se o convidado for um gigante da dramaturgia em seu país, como, por exemplo, David Suchet, que faz o papel do Landlord aqui em Knock Knock. E o que eu esperava que David Suchet interpretasse? Bem, uma versão do Doutor, como o Dream Lord, de Amy’s Choice. E vejam que eu nem coloquei O Curador ou o Valeyard na lista, dada a complexidade desses personagens. Deveria ser algo simples, que não precisasse de nenhum elemento externo para justificativas e que faria a participação de David Suchet em DW ser inesquecível. Infelizmente, não foi o caso. Seu episódio na série, para mim, foi o pior de toda a Era Capaldi.

doctor who plano critico

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33º Lugar: In the Forest of the Night

8X10

Assumindo o caráter isolado e descontinuado do episódio, fica mais fácil gostarmos de sua concepção. É claro que a direção e o roteiro não acertam muito (vejamos, por exemplo, coisas como a presença de uma única mãe procurando pelos filhos ou a forma como Sheree Folkson dirigiu as cenas externas), mas, ainda assim, há uma atmosfera capaz de agradar a maior parte do público, especialmente os mais jovens, já que o episódio parece um especial feito sob medida para o Children in Need, o “Criança Esperança” britânico.

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32º Lugar: Sleep no More

9X09

Sendo o primeiro capítulo uno de uma temporada formada por arcos de pares, Sleep No Morecarrega a estranheza do isolamento em relação à continuidade de uma grande trajetória, construída desde The Magician’s Apprentice, e este é, a meu ver, o verdadeiro ponto fraco da aventura. Mas fora isso, não existe nada (à parte o gosto pessoal de cada um) que justifique tamanho ódio em relação à trama, ou talvez possamos considerar também a necessidade patológica de explicação imediata que alguns espectadores possuem ou ainda, em alguns casos, o esquecimento de que novos modelos de se contar uma história e a ocorrência aventuras isoladas ou ‘de passagem’ dentro das temporadas são práticas recorrentes na série — no caso da primeira opção, uma das justificativas do por quê Doctor Who já dura 52 anos.

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31º Lugar: Flatline

8X09

A ideia do episódio é completamente ligada à ficção científica clássica e nos lembra bastante os grotescos vilões da Série Clássica que tanto amamos. E de uma forma bem estranha, esses vilões também nos lembram os Isolus de Fear Her, com a diferença de que os Isolus não eram necessariamente um ‘vilão’ como os Boneless.

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30º Lugar: The Caretaker

8X06

O episódio não decepciona em qualidade, apesar de suas estranhezas. É fato que poderia sim ter características mais marcantes e seu texto investir menos nos meandros enciumados da relação entre Clara e Danny, um porém que de alguma forma tem impacto negativo na ligação deles com o Doutor, mas, a despeito de tudo isso, temos em cena um capítulo ágil, divertido e revelador, inclusive com a volta de uma mal humorada e ocupada Missy ao final do episódio.

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29º Lugar: The Girl Who Died / The Woman Who Lived

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O amor do Doutor pela vida é colocado mais uma vez no centro do palco e sabiamente a roteirista insere Clara nos momentos finais apenas, como um suspiro de alívio para o espectador, que, enfim, enxerga o perigo de se colocar dois imortais viajando lado a lado. O ser humano é necessário e somente assim a humanidade do Doutor pode (e deve) ser mantida, caso contrário, corre o risco de se tornar o que a mulher que sobreviveu se tornara.

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28º Lugar: Thin Ice

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O problema de Thin Ice é que exceto as suas ótimas introdução e finalização, não existe grande preocupação em tornar a trama relevante num duplo aspecto: em si mesma e para a temporada. Claro que isso pode ser bem amarrado lá pelos últimos episódios, mas pelo menos aqui, os acontecimentos parecem isolados, como uma espécie de filler de luxo, para ser franco. A diferença é que estamos falando de algo muitíssimo bem dirigido (é a estreia de Bill Anderson na série), muitíssimo bem atuado e com uma direção de arte, figurinos e fotografia novamente impecáveis.

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27º Lugar: Smile

10X02

Smile é uma daqueles “episódios de atores”, com um estonteante trabalho visual, boa direção e roteiro que não consegue fazer uso correto do vilão ou das forças contrárias, a longo prazo. A premissa é boa, mas interrompida em um de seus melhores momentos, e pior, com uma ideia brotada do nada. Contudo, no âmbito de arquitetar a relação entre personagens, o episódio funciona muitíssimo bem. Bill e o Doutor é uma excelente dupla e Nordole é um contraste moral e particularmente interessante, servindo como superego para o Doutor, que agora parece ter encontrado o ânimo e o impulso certo para ignorar um juramento e sair viajando pelo espaço, sem que haja emergências envolvidas.

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26º Lugar: The Pilot

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Para os novatos, esse funciona como um perfeito ponto de partida, explicando o que deve ser explicado, sem exagerar no cansativo didatismo. Já, para os veteranos da série, não há como não notar a dinâmica diferenciada, que traz um novo ar para o seriado, que, como já dito antes, é pautado na renovação. Além disso a questão sobre o que há de diferente com o Doutor é deixada no ar para ser desenvolvida ao longo da temporada.

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25º Lugar: The Pyramid at the End of the World

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A ideia de que os Monges precisam ser pedidos para ajudar — condição muito bem comparada à dos vampiros, no próprio episódio — dá um significado muito maior ao que Bill faz no final do capítulo e isso, tanto do ponto de vista positivo quanto negativo. Notem que o consentimento precisa vir de alguém com poder e ter uma “motivação pura”, o que é muito interessante de se imaginar, pois movida pelo amor, uma pessoa deve abrir mão de sua própria liberdade para entregar alguma coisa ao domínio absoluto dos metamorfos humanoides com pele decrépita e vestidos com robes vermelhos, lembrando monges (pela fala de um deles, parece esta não é a forma original da espécie). É assustador e ao mesmo tempo um conceito muito bem arquitetado, pois tira dos personagens a composição extrema de um vilão como um mal absoluto do qual é impossível fugir.

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24º Lugar: Listen

8X04

Moffat prova mais uma vez que pode acender debates calorosos e nos mostrar pontos de vista e medos da forma mais criativa e instigante possível. Mesmo que tenha se desequilibrado ao arquitetar a trama de Listen, ele sem dúvida contribui para tornar a 8ª Temporada de Doctor Whoainda mais interessante e dar ainda mais importância à sensacional Clara [Boss]wald, cuja timeline alterada pelo Doutor passa a ser, novamente, objeto de especulações.

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23º Lugar: Empress of Mars

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O roteiro não é muito exato ao falar dos destinos dos soldados vitorianos ainda vivos. Com o deslocamento da imagem para a disposição das rochas na superfície de Marte, o assunto do interior da caverna é parcialmente esquecido e não ganha um merecido tratamento final, logo é dado por encerrado. De pronto, outro “problema” aparece, a TARDIS com Missy dentro. Não fosse pela finalização confusa (exceto a última cena, entre o Doutor e Missy, que pode ser vista de todos os modos possíveis, dada a grande da atuação da dupla), este episódio teria uma posição muito melhor no montante da temporada. Mesmo assim, é uma boa incursão do Gatiss na série. Uma que planta a semente da regeneração que se aproxima.

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22º Lugar: Time Heist

8X05

Nesta história, o Doutor e Clara se tornam ladrões do banco mais seguro – e mortal – do Universo, o Banco Karabraxos. Usando os vermes de memória (aqueles que apareceram em The Snowmen), um misterioso homem denominado “O Arquiteto” criou um intricado plano de roubo que envolverá não só o Doutor e sua companion mas outros dois parceiros de crime: Psi, um cyber-humano, e Saibra, uma metamorfa.

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21º Lugar: Robot of Sherwood

8X03

Esse tipo de episódio histórico ou fantástico geralmente incomoda alguns espectadores, que deixam escapar o modelo sequencial narrativo da Nova Série. Desde a era T. Davies há uma normatização interessante para as temporadas, com capítulos que servem como ponte para algum momento no futuro ou apenas para mostrar uma situação isolada do Doutor e que citam um elemento qualquer da história como plano de fundo na temporada. Esta é a categoria principal de Robot of Sherwood e para avaliá-lo com justiça, é preciso levarmos em consideração o ambiente dramático em que se encontra, o híbrido entre história, fantasia e ficção científica. Assim, o final terno e algumas sequências bem conhecidas do grande público estarão no seu devido lugar. Para o ambiente e para o tipo de história que temos aqui, não poderia haver uma abordagem diferente.

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20º Lugar: Oxygen

10X05

À primeira vista, Oxygen parece um capítulo besta sobre zumbis espaciais. Cheguei a revirar os olhos várias vezes no começo, achando que este seria o caso. Mas não foi. Houve surpresas e caminhos fora do óbvio no texto. Mais adiante, tudo apontava para alguém boicotando os sistemas, mas acabou que não era nada disso. Outra boa surpresa. Mesmo que nem toda a dinâmica de personagens funcione com fluidez, não há más representações de nenhum deles (a cômica e ao mesmo tempo ácida exposição de Dahh-Ren, um homem azul — o ator disse em entrevista que o personagem não é alien, é um humano com genética diferente –, chamando Bill de racista, é gloriosa!), mesmo no final um tantinho anticlimático, antes das cenas na sala do Doutor, na Universidade.

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19º Lugar: The Lie of the Land

10X08

Visual e conceitualmente sombrio, The Lie of the Land volta ao tema da falsa percepção de mundo, introduzido em Extremis; concluindo o arco dos Monges com um misto de anticlímax, crítica social e apreensão. Mais que qualquer outra coisa, o que falou mais alto aqui foi o significado desses eventos para o Doutor, Missy e Bill.

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18º Lugar: Deep Breath

8X01

Por mais que suas, já citadas, sobrancelhas, aliadas às sempre presentes veias na lateral da testa, nos transmitam uma aparência de raiva, aos poucos enxergamos aquela velha benevolência marcante do senhor do tempo. É a paixão pela raça humana, o entusiasmo perante o desconhecido e, é claro, a imprevisibilidade que continuam no personagem e, rapidamente, nos permitem reconhecer e dizer: esse é o Doctor. Capaldi, portanto, imprime em sua representação uma distinta personalidade, mas que, jamais, se distancia do que vimos ao longo dos cinquenta anos da série – comparemos com os doutores mais recentes ou até mesmo com os mais antigos. Neste ponto não podemos deixar de ressaltar a própria paixão do autor pela série cinquentenária e seu profundo conhecimento sobre ela toda, desde os tempos de William Hartnell, que o possibilita imprimir sobre sua interpretação elementos de todos os doze (sim, incluo John Hurt nessa contagem, por motivos óbvios) que o precederam.

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17º Lugar: Mummy on the Orient Express

8X08

A direção Paul Wilmshurst aqui é ainda mais exigente do que em Kill the Moon e nos mostra um ótimo aproveitamento do espaço claustrofóbico do trem/laboratório – aliás, a mudança foi uma grata surpresa, seguida em alto estilo pelo tom do roteiro e pela excelente fotografia de Ashley Rowe, que conseguiu bons resultados tanto no estilo vintage, quase sépia e com filtros quentes do Expresso Oriente Espacial, quanto no estilo branco-azulado e neutro do laboratório que Gus preparou para que o Doutor e o grupo de cientistas capturassem o Foretold, a Múmia-Soldado.

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16º Lugar: Kill the Moon

8X07

Kill the Moon, portanto, tem um papel gigantesco na criação de um significado canônico para a série. Lembram-se de todas as citações do 10º e 11º Doutores sobre o Império Humano? De onde isso veio? Ora, nós sabemos que, na timeline da série, em 2039, os mexicanos foram à Lua tentar extrair minérios. Em 2049, uma missão desesperada foi até o satélite com uma nave modificada de um museu, porque os humanos não se importavam mais com a exploração o espaço. E depois da descoberta de que a Lua era o ovo de um dragão ou libélula espacial gigante, a humanidade voltou novamente os seus olhos para os céus. Percebam a importância do capítulo na continuidade de uma mitologia construída nessa nova fase do show! E o mais interessante: há algo muito misterioso em todo o discurso do 12º Doutor ao fim. Ele não parece muito feliz em constatar o que acontece após essa “redescoberta dos céus” pelos seres humanos. Há ainda muita coisa para ser explorada a partir daqui.

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15º Lugar: Dark Water / Death in Heaven

8X11 e 12

Dirigido por Rachel Talalay (Continuum 1X06: Time’s Up) e escrito por Steven Moffat, o díptico trouxe a festejada revelação sobre Missy e fechou a trama de Danny Pink (possivelmente Handles?) e Clara, três pontos de grande expectativa. Em Dark Water, fomos introduzidos a uma nova versão dos Cybermen, criados por Missy, e no episódio final os vimos efetivamente em ação, trama que parece não ter agradado uma parte do púbico, em tese, porque o desfecho de sua história, com a explosão da nuvem polinizadora, foi desinteressante e “impossível”, dentro do ambiente da série.

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14º Lugar: The Return of Doctor Mysterio

Especial de Natal 2016

 Um dos episódios de Natal mais diferentes, e ainda assim, mais interessantes de toda a série, com uma soberba fotografia noturna; direção de arte certeira, sem carregar muito nenhum cenário — mesmo o quarto de Grant, quando criança –; efeitos especiais bons a maior parte do tempo; boas interpretações e a “conclusão” da história do Doutor após sua vida de casado. Um Natal heroico, apesar da dor, e necessário para o Doutor e para todos nós, especialmente em um ano absurdamente troll como 2016.

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13º Lugar: Twice Upon a Time

Especial de Natal 2017

Twice Upon a Time é um epílogo inspirado e bem construído da Era Capaldi, que abraça sua identidade como Especial de Natal ao mesmo tempo em que seleciona cuidadosamente linhas narrativas focadas no momento que o personagem vive, não apenas celebrando o que veio antes mas efetivamente oferecendo um fechamento à altura dos melhores momentos de sua duração

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12º Lugar: The Eaters of Light

10X10

Com uma trilha sonora de batalha mesclada de horror e um episódio que funciona como uma pequena viagem do Doutor para provar a Bill alguma coisa e, no meio do caminho, encontram a resposta para um grande mistério da humanidade (eu realmente estou impressionado com a organicidade do enredo de Rona Munro), além de um belíssimo final, The Eaters of Light nos dá aquilo que sempre gostamos de ver em Doctor Who: boas histórias bem dirigidas, produzidas e atuadas.

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11º Lugar: Last Christmas

Especial de Natal 2014

O Doutor está de volta com Clara Oswald e mais animado que nunca para viagens pelo tempo-espaço. Um sólido especial de Natal, despretensioso e divertido como deve ser, trazendo um roteiro engajante com momentos memoráveis e ótimas atuações. Pode não trazer grandes mudanças como alguns esperavam, mas contou com a necessária coesão dentro de si mesmo e em relação à temporada anterior, além disso, vimos o Doutor “pilotando” o trenó do Papai Noel com o entusiasmo de uma criança, que, por si só, já valeu o episódio.

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10º Lugar: The Husbands of River Song

Especial de Natal 2015

Os erros deste episódio encerram-se nos personagens secundários — entre aparição, tratamento e encerramento, com exceção do rei Hydroflax, o melhor deles –, mas mesmo nesses casos, os erros não são totais. Isso faz desse Especial um “capítulo final” bem conduzido, harmonioso, bonito e realmente muito bom, sem ‘milagres estranhos’ que justifiquem o [re]aparecimento de River e o preenchimento mais que louvável de uma história que conhecíamos desde a primeira vez que a vimos. Uma feliz história de Natal, quase como um conto de fadas maluco.

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9º Lugar: Into the Dalek

8X02

I am not a good Dalek. You are a good Dalek

Rusty, para o Doutor

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8º Lugar: Extremis

10X06

De nova sonic screwdriver, pegando por um tempo a capacidade de enxergar de suas futuras regenerações (possivelmente gerando algum problema) e fazendo referências a um dos Papas mais odiados da Igreja Católica, Bento IX; além de citações diretas a Grand Theft Auto (Nardole) e Super Mario (Doutor), Extremis problematiza a verdade e a racionalidade, mais uma vez colocando o personagem em uma crise existencial e sentimental justamente no momento em que ele precisava estar mais distante delas. As coisas não andam fáceis para este Time Lord.

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7º Lugar: Under the Lake / Before the Flood

9X3 e 4

Inteligente, angustiante, bem escrito, bem dirigido e bem produzido (a variação de locação; o uso da trilha sonora como criação de atmosfera e depois como narrativa; os figurinos e a fotografia que muda de abordagem sensitiva do primeiro para o segundo capítulo bastariam para fazer este arco superior, pelo menos neste aspecto, ao arco que o antecedeu), Under the Lake & Before the Floodtrouxe para o público um paradoxo sem ter que explicar seu funcionamento simplesmente com Wibbly wobbly, Timey Wimey. A justificativa se enquadra em uma teoria já existente na ficção científica e não foi necessário rebootar o Universo ou fazer mágica para que as coisas acontecessem.

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6º Lugar: Hell Bent

9X12

Hell Bent que carrega a grande polêmica da temporada, não necessariamente pela produção — é preciso ser muito, mas muito ignorante em linguagem audiovisual para não reconhecer a excelência de produção do episódio, especialmente na direção de fotografia e na direção de arte –, mas pelo conteúdo. Remodelar a morte da Clara (que sim, agora é uma espécie de zumbi e sim, vai voltar para o Corvo algum dia, mas pelo visto ainda vai viajar muito ao lado de Ashildr/Me, quase como uma extensão do papel do Doutor que ele sabia interpretar tão bem… Clara Who?) e não fazer uma “história de Time Lords” certamente são duas das grandes mágoas de alguns espectadores e eu entendo perfeitamente esse descontentamento. Mas daí até a negativização plena do episódio porque ele não trouxe o que o maior hype de marketing (embora não de narrativa da temporada) deu a entender, é um pouco… exagerado.

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5º Lugar: The Magician’s Apprentice / The Witch’s Familiar

9X01 e 2

Lançando mão de atributos cinematográficos, grandes efeitos especiais, ritmo interno e externo bem orquestrados e um elenco de tirar o fôlego — as interpretações já vinham em um nível bastante alto desde os primeiros episódios da 8ª Temporada, mas este arco de abertura da 9ª Temporada traz um novo status para o elenco de Doctor Who, o status de “vamos fazer seu queixo cair até o pé” –, Steven Moffat e toda a equipe de produção envolvida na série cumprem a promessa de que nós deveríamos esperar por uma temporada de alto nível, bem maior que o datemporada anterior.

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4º Lugar: World Enough and Time / The Doctor Falls

10X11 e 12

Desde o seu primeiríssimo episódio solo, Deep Breath, o 12º Doutor demonstrou algo que nenhuma outra encarnação havia demonstrado de maneira tão aberta, tão intensa e tomando isso de maneira tão forte para a sua vida, do começo até o fim. Nesta dupla de episódios finais da 10ª Temporada de Doctor Who, as mesmas inquietações de identidade do passado voltam a assombrar o Doutor, mas não necessariamente com seu questionamento sobre ser ou não ser um homem bom. Nestes momentos finais de sua vida, ele não está exatamente preocupado em mergulhar nos elementos morais que tanto tempo passou considerando. Aqui, o Time Lord parece abraçar de tudo um pouco, desde sair lutando em campo contra os Cybermen, citando os lugares onde essas criaturas apareceram, destruíram coisas e foram vencidas pelo Doutor; até doces momentos de demonstração de bondade e esperança, mesmo quando não existem reais chances de vitória. A busca do Doutor não é mais no campo dos conceitos externos que marcam o seu comportamento. A inquietação dele agora é ontológica. Ele cansou de jogar o jogo da renovação e recusa-se a se regenerar.

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3º Lugar: Face the Raven

9X10

A partida de algum acompanhante do Doutor é sempre algo grande em Doctor Who. Nós sabemos que nem todos são amados e que muitas vezes há uma grande expectativa para que alguém diferente passe a fazer parte das aventuras, mas no caso de partidas bem feitas, como é o caso desta que temos em Face the Raven, uma marca sentimental e o contexto de toda uma vida parecem vir à tona e dialogar conosco, um diálogo intenso e ao mesmo tempo muito simples que o roteiro de Sarah Dollard consegue desenvolver sem tropeços, partindo de uma aventura em andamento do Doutor e Clara fugindo do “segundo mais belo jardim em todo espaço-tempo” e chegando a uma rua-armadilha em Londres, espaço que acabou fazendo alguns fãs se lembrarem do Beco Diagonal da saga Harry Potter…

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2º Lugar: The Zygon Invasion / The Zygon Inversion

9X07 e 8

Escrito por Peter Harness e Steven Moffat (apenas em The Zygon Inversion), o arco traz a UNIT de volta e problematiza a situação de Osgood, cuja participação aqui é incrível, dada a atuação de Ingrid Oliver, uma entre as grandes pérolas do elenco. Porém, mais do que qualquer problematização sobre a morte de uma das Osgoods em Death in Heaven, estes episódios são um excelente exemplo de como uma invasão alienígena poderia acontecer em nossos dias, concepção que o roteiro transforma em ação pura, mostrando diferentes lugares ao redor do globo e atribuindo missões específicas a cada grupo de personagens, culminando com um testamento antibelicista maravilhosamente bem escrito, um dos mais emocionantes discursos vistos em Doctor Who que teve a sorte de ter um ator como Peter Capaldi para interpretá-lo. Aquela sequência ficará na memória do público da série por muito, muito tempo.

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1º Lugar: Heaven Sent

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Não há dúvidas que Heaven Sent foi o mais intenso e tecnicamente o mais aprimorado episódio de toda a temporada. Peter Capaldi apresentou um de seus melhores momentos na TV, em uma atuação digna de prêmios, e toda a equipe de produção trabalhou com afinco para que o modelo de episódio-monólogo funcionasse bem. A fotografia típica dos filmes de terror e a grande cereja do bolo, a trilha sonora sinfônica de Murray Gold, fecharam o ciclo com chave de ouro. E da solidão intimista, daquilo que deveria ser o “pré-paraíso dos Time Lords”, o Doutor passa, ardendo de raiva, para o “inferno dos Time Lords”, a Matrix, após sua chegada em Gallifrey. Este não é apenas o melhor de toda a temporada, mas, até agora, o segundo melhor episódio de toda a série, perdendo apenas para Inferno, da Era do 3º Doutor.

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Agora é com você! Quais é a sua ordem de episódios favoritos dessa era tão cheia de divergências de opiniões entre os fãs da série? E em última análise, o que vocês acharam da Era Capaldi, como um todo? E dele, como Doutor?

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.