Lista | Doctor Who: Os Episódios Ranqueados do 4º Doutor

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O objetivo dessa lista é apresentar uma classificação pessoal dos episódios/arcos na Era do Quarto Doutor. Cada uma das classificações é acompanhada por um texto de impressões pessoais a respeito. Para ler as críticas dos arcos, basta clicar nos links que acompanham cada colocação. TODOS os arcos citados possuem crítica aqui no site. Abaixo, uma visão geral da minha temporada favorita desta era. E da minha equipe favorita. Para conferir os outros rankings, clique aqui.

  • Temporada favorita: 13ª (1975 – 1976)
  • Time favorito: Doutor, Romana II

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42º Lugar: The Power of Kroll

Arco #102

Considerando quem escreveu e considerando a temporada em que se encaixa, The Power of Krollé uma vergonha de arco. Não chega a ser uma história ruim, mas é, no sentido mais desgostoso da palavra, mediana, uma daquelas tramas que não se equilibram em sua proposta e se atropelam o tempo todo, desviando a atenção do público com duas grandes ações acontecendo em um mesmo enredo — ações desconexas e mal amarradas –, pontuadas aqui e ali de boas cenas cômicas e fuga da parte dos protagonistas. Pelo menos os objetivos comerciais da encomenda foram cumpridos. Já a qualidade com que isso aconteceu é outra história.

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41º Lugar: State of Decay

Arco #112

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Com ótimo início (apenas episódios 1 e 2), boas referências vindas do cinema e da literatura góticas e um enorme potencial desperdiçado, State of Decay é de uma mediocridade lamentável. E isso é ainda mais assustador porque estamos falando do meio da temporada, a última do 4º Doutor, que certamente merecia um melhor ano final. Que saudades do produtor Graham Williams! Partimos agora para o desfecho da estadia do Time Lord e seus companions no E-Space. Vejamos o que Warriors’ Gate nos reserva.

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40º Lugar: The Hand of Fear

Arco #87

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39º Lugar: Nightmare of Eden

Arco #107

Nightmare of Eden foi um arco de produção extremamente complicada para Doctor Who, contando com a demissão de seu diretor, Alan Bromly, ainda durante as filmagens, com o cargo sendo assumido pelo produtor Graham Williams, que sairia ao final da décima sétima temporada em virtude dos problemas encontrados aqui. A controvérsia foi tamanha que a equipe recebeu camisetas com o escrito “I’m Relieved the Nightmare is Over” (estou aliviado que o pesadelo acabou). Ao contrário do que muito se vê no cinema, com ótimos filmes contando com conturbadas filmagens, exemplo de O Poderoso Chefão ou Apocalipse Now, as dificuldades passadas na gravação do arco evidentemente afetaram sua qualidade e alguns desses defeitos perfeitamente justificam a demissão de Bromly.

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38º Lugar: Underworld

Arco #96

O bom deste arco é que os personagens são bastante críveis e a busca pelo banco genético de uma raça, de uma forma ou de outra, acaba prendendo o espectador; mas o exagero dos recursos técnicos aqui utilizados (e não havia necessidade disso!) quase colocam tudo a perder, embora não consigam, de fato, estragar o arco. O início e o fim de Underworld ainda trazem um bom alívio cômico, com o Doutor pintando e sendo desprezado ou minimizado por K9. Não há quem não ria com gosto.

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37º Lugar: The Horns of Nimon

Arco #108

The Horns of Nimon conta, portanto, com seus defeitos de produção e deslizes na atuação de determinados atores, mas, em geral, se traduz como uma aventura divertida de se assistir e que consegue nos prender de uma forma um tanto peculiar. A releitura sci-fi de Teseu e o Minotauro está longe de ser um dos melhores arcos de Doctor Who, mas traz divertidas referências e uma história que consegue nos deixar tensos e nos fazer rir ao mesmo tempo, se isso é um acerto, cabe a cada um de nós decidir.

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36º Lugar: Meglos

Arco #110

Não só os saltos temporais de um momento para outro, mas completa mudança de tom do roteiro tendem a nos irritar. A sorte é que não dá para negativizar toda a história, dado o bom começo e metade do desenvolvimento da saga. E além de tudo, é imperdível ver os efeitos toscos da máscara e luvas de Meglos utilizada por Tom Baker para fazer sua versão malvada. Assim como o 1º Doutor em The Massacre of St. Bartholomew’s Eve e o 2º Doutor em The Enemy of the World, o 4º Doutor ganha aqui uma versão fisicamente igual à sua (bem, ele fica meio “cactento” depois, mas em um primeiro momento, e no final, é igualzinho ao Doutor), mas com comportamento completamente diferente. Só por isso, Meglos já vale a pena.

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35º Lugar: The Leisure Hive

Arco #109

The Leisure Hive marca o início da 18ª Temporada de Doctor Who, com um novo clima em cena a partir da entrada de John Nathan-Turner como produtor da série, que ficaria no cargo até o cancelamento do programa, em 1989. Essa estreia foi bastante polêmica, porque trouxe muitas mudanças, às quais Tom Baker e Lalla Ward protestaram veementemente, não escondendo o desagrado ou as duras críticas ao produtor por orientar um novo arranjo para o tema de abertura (com sintetizadores e pequenos adendos em tom menor); uma nova estética para os letreiros de abertura, com brilhantes focos de luz na tela e grande destaque para luz neon, bastante popular nos anos 80; e os pontos de interrogação no colarinho da camisa do Doutor, o que deixou Baker furioso, sentimento coroado pela nova cor do figurino e do cachecol.

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34º Lugar: Warriors’ Gate

Arco #113

A forma minimalista do desenho de produção do arco, a diversidade de figurinos e a forma como a trilha sonora é utilizada nos dá diversas impressões sobre esse lugar entre-Universos. Infelizmente, Romana II e K-9 II partiram. Agora está o Doutor e o chatinho do Adric na TARDIS e, até que fim, de volta ao nosso Universo, o N-Space. Daqui para frente, é a reta de preparação para a regeneração do Doutor.

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33º Lugar: The Invisible Enemy

Arco #93

O caminho seguido no desfecho do arco e a solução para o problema dão um impacto positivo no espectador, fazendo com que The Invisible Enemy fique acima da média e encerre mais momentos divertidos e aceitáveis do que erros e exageros. Este final também traz a adição de mais um membro para a tripulação da TARDIS, um presente que o Doutor recebe do professor Marius, o primeiro K9, que teve uma participação maravilhosa em toda a história, concentrando ótimas cenas de humor e sendo muito bem empregado nas cenas de ação, uma constante em sua linha do tempo, para falar a verdade.

Com um “novo” console da TARDIS (pena que aquele vitoriano e gótico se foi tão cedo!) e agora com um novo companheiro, o Doutor e Leela deixam a instalação médica e os problemas do vírus para encontrar-se, logo a seguir em uma história conceitualmente similar, Image of the Fendahl.

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32º Lugar: The Armageddon Factor

Arco #103

Aqui, chegamos ao fim de mais uma temporada, de mais uma saga, de mais uma companion (ou atriz que interpretava a companion). E como sempre, a cada grande final que a série nos traz, damos início a uma renovada esperança de viver novas aventuras na temporada seguinte. A Síndrome de Whovian que não se pode negar volta a atacar mais uma vez.

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31º Lugar: Full Circle

Arco #111

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Full Circle foi o primeiro arco com novidades + narrativa majoritariamente interessantes da era de John Nathan-Turner à frente de Doctor Who. Inaugurando a famosa E-Space Trilogy e apresentando Adric aos espectadores — que no arco seguinte já se tornaria companion — a história lança luzes sobre teorias estapafúrdias de “raça pura”, denuncia e critica a “ciência” que oculta seus dados e mais uma vez traz à luz o perigo que pode ser a obediência cega a qualquer tipo de norma/doutrina/regra/determinação tradicional da qual ninguém sabe a origem ou o por quê obedecer. Questionar, nesses casos, não é uma opção. E Full Circle mostra que esta deveria ser, na verdade, a primeira coisa a se fazer.

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30º Lugar: Shada

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Imagino que se fosse concluído, Shada teria um excelente resultado final. Se tomarmos como exemplo o primeiro episódio, que é realmente genial, podemos entender que o roteiro não cairia tanto de qualidade a ponto de o desenvolvimento da trama ser desprezível (hey, estamos falando de Douglas Adams!), pelo contrário, acompanharia de perto a ótima apresentação dos personagens.

De qualquer forma, temos uma série de produções posteriores que nos dão detalhes e versões instigantes sobre os eventos de Shada. Ao longo dos anos, o arco se tornou uma espécie de pérola misteriosa da série, o que explica a realização do webcast, o lançamento do audiodrama em separado e a novelização escrita por Gareth Roberts em 2012. Ao menos nesse caso a BBC e afiliadas não nos deixaram órfãos de detalhes. Quem dera fosse assim para todos os enigmas da série!

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29º Lugar: The Keeper of Traken

Arco #114

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O desenho de produção caprichou na organização do espaço, desde a inspiração para a estátua de Melkur, vinda de uma escultura de Umberto Boccioni, até a mistura de tecnologia e construção medieval que o palácio de Tremas tem, impressão fortalecida pelos figurinos e mescla na trilha sonora, especialmente nos episódios do meio do arco. A história poderia ser bem melhor se a composição para os Cônsules não fosse tão bobinha, a certo momento da narrativa; e mesmo as ações de luta contra o plano do Mestre tivessem um princípio mais “a cara do Doutor” e menos “a cara de Adric”. Todavia, independente desses impasses, The Keeper of Traken mostra, de fato, as mudanças conceituais tão pretendidas por John Nathan-Turner desde o início da 18ª Temporada. Antes tarde do que nunca.

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28º Lugar: Image of the Fendahl

Arco #94

Por ter uma apelo científico mais forte e um apelo místico que se entrelaça a essa visão racional das coisas, Image of the Fendahl é uma daquelas histórias que se encaixa bem na sociedade dos anos 1970 e tem maior proximidade com o espectador, pelo nível de verossimilhança, de possibilidade de existir. Ele também amplia o contato e a parceria entre o Doutor e Leela (já comentamos que o relacionamento entre Tom Bake e Louise Jameson melhorou muito após The Talons of Weng-Chiang) e traz uma aventura na Terra que, talvez por sua característica geral mais claustrofóbica — com ótima direção de George Spenton-Foster nos pequenos espaços –, mostra-se mais interessante do que as outras no mesmo cenário. Não é um arco livre de problemas, mas é muito divertido de se assistir.

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27º Lugar: Destiny of the Daleks

Arco #104

Douglas Adams faz uma boa estreia como editor de roteiros de Doctor Who e Terry Nation finaliza sua participação na série com uma aventura acima da média. Um problema de lógica e a busca pelo “pai dos Daleks” para resolver o problema é sim uma premissa interessante e, se não fosse pelo descuido de muitas partes da produção e mais rigor da direção e da montagem, o resultado seria muito, muito melhor do que já é.

Em tempo: das espécies escravizadas pelos Daleks e mostradas aqui, eu consegui identificar um Morestran (Planet of Evil), um Draconian (Frontier in Space), um humanoide vestindo o mesmo uniforme que Zila (The Robots of Death) e um com uma cabeça humanoide de Axon (The Claws of Axos). Como eu disse, a sensação de sequência canônica desse arco é enorme, o que faz com que o espectador perdoe boa parte dos erros em sua construção.

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26º Lugar: The Robots of Death

Arco #90

Em apenas quatro episódios é interessante observar como a dinâmica dos personagens do arco vai gradualmente se alterando. No início presenciamos uma série de pequenas brigas, o que já, ao estilo de Christie, dá qualquer um o motivo por trás da matança. Todos são possíveis culpados e desde o princípio sentimos uma evidente insegurança em relação ao local. A tensão se constrói, então, gradativamente com a inserção do Doutor. Inicialmente culpado pelos acontecimentos, enxergamos que alguns parecem apenas querer se livrar de um fardo, escolhendo um bode-expiatório. A situação não melhora com os robôs na jogada, com um visual estranhamente perturbador que faz cada um deles parecer e soar como um frio serial-killer.

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25º Lugar: Terror of the Zygons

Arco #80

Se dermos um desconto para o tratamento estereotipado dos escoceses nesse arco, todas as relações humanas, aliens e a atmosfera do arco funcionam muito bem. Ou quase. É preciso ter muita paciência e boa vontade para aceitar o desnecessário Skarasen, que não acrescenta quase nada à história e que na verdade faz o enredo se tornar estranho. É justamente quando a criatura aparece que o arco começa a tropeçar, tanto pela representação barata e bagunçada do monstro quanto pela barra forçada que permite a sua integração no enredo. Não fosse o Skarasen, Terror of the Zygons com certeza estaria entre os melhores arcos da era do 4º Doutor, porque os Zygons, por si só, formam um conceito de terror e dominação tenebrosos e muito, muito interessantes. Sem contar a incrível nave aparentemente orgânica, lembrando a que vimos em The Claws of Axos, cuja exploração ao longo dos episódios é primorosa.

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24º Lugar: The Deadly Assassin

Arco #88

O arco causou alguns problemas frente ao público mais velho, que reclamou da violência e cinismo na forma como a sociedade dos Senhores do Tempo foi representada (“nós temos que ajustar a verdade!“) e viam nisso uma má influência para as crianças, posto que Doctor Who era um show familiar. O curioso é que esta temporada foi diminuindo um pouco as incursões mais sombrias e em tese até mais violentas vista nos arcos da 12ª e 13ª Temporadas. Não que isso tenha desaparecido da série, mas nuances mais familiares e não repetição de temas abertamente agressivos passaram a ser cada vez mais frequentes a partir desta 14ª Temporada; pelo menos como mote principal dos arcos.

Mesmo depois de um enfrentamento insosso entre o Doutor e o Mestre no último episódio, fica-nos a curiosidade pela sobrevivência do vilão, que entra em sua TARDIS disfarçada de relógio e também parte do planeta, assim como o Doutor. O Universo, como bem observou Castellan, não era grande o bastante para os dois renegados. E o futuro deixaria isso bem claro para nós.

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23º Lugar: Robot

Arco #75

Um ponto interessante a se destacar é que após a saída do Doutor, Sarah e Harry do QG da UNIT, eles não vão direto para a aventura em The Ark in Space. Há um espaço aí em que se incluem uma série de aventuras do Universo Expandido e que acontece uma pequena tragédia temporal. Por algum motivo até hoje não esclarecido, alguns eventos da linha do tempo vividos por sua encarnação passada simplesmente desapareceram. E para que o Universo continue existindo normalmente, o 4º Doutor precisa revivê-los. É por isso isso que existem diversos quadrinhos protagonizados pelo 3º Doutor e a mesma história vivida pelo 4º Doutor. O “mais novo” só estava revivendo (sem ter consciência disso) eventos pelos quais já havia passado. Mais adiante, em sua timeline, isso aconteceria com Shada. Mas a iniciativa veio de sua 8ª encarnação. Pois é. Se fosse simples não seria Doctor Who, certo?

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22º Lugar: Horror of Fang Rock

Arco #92

O mais interessante ainda é o fato de que o alien vai eliminando um a um dos presentes no farol como parte de uma experiência macabra antes da dominação do planeta. A guerra contra os Sontarans é citada e a Via Láctea (e a Terra, principalmente) é vista como um importante ponto estratégico. Poucas vezes uma invasão se mostrou tão orgânica na Série Clássica, especialmente ao se tratar de um vilão com aparência e modus operandi estranhos. Como já citei anteriormente, o final da história e a exposição um tanto ridícula desse alien (o Rutan) estraga um pouco a boa linha dramática, mas nada muito grave. E recitando versos do poema Flannan Isle, de Wilfrid Wilson Gibson, o Doutor e Leela partem deixando o local livre de uma de suas lendas, a Besta de Fang Rock. Começava uma nova temporada, uma nova era de produção e mais um novo momento de criações e mudanças para Doctor Who.

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21º Lugar: The Masque of Mandragora

Arco #86

Os cenários são ainda mais detalhados e melhor aproveitados do que em The Time Warrior — só para citar um exemplo de outra aventura medieval ocorrida na fase de Sarah Jane como companion –, tanto nos figurinos quanto na decoração dos interiores do castelo, o detalhe das armas, a pequena vila com sua feira e os ambientes mais afastados, com florestas e templos. O único impasse nesse ponto são as cenas dentro do mosteiro dos adoradores de Demnos, que começa de forma interessante mas vai perdendo o interesse porque a ação da Mandragora Helix às vezes parece perdida ou mal aproveitada ali. Todavia, o resultado final do arco é ótimo. Uma aventura do Doutor em um período histórico onde a mentalidade supersticiosa estava caindo e uma nova forma de ver o mundo, pelo menos em parte, surgia.

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20º Lugar: The Creature from the Pit

Arco #106

É compreensível que dificuldades de produção tenham marcado The Creature from the Pit, afinal, trata-se da primeira produção de uma nova temporada, com nova equipe e novas propostas em pauta. Sabemos que nem tudo se saiu muito bem no desenvolvimento da história, mas o resultado final do arco é muito, muito bom, o que me deixa surpreso ao saber que esta aventura está na “lista negra” de muitos whovians pelo universo a fora. Particularmente, acho uma trama divertida, que trata “intrigas palacianas” e tendências de monopólio econômico sobre matéria prima de forma cômica, propositalmente afetada (e há ironia bem calculada nisso) e cheia de reviravoltas. Decerto, um daqueles arcos que traz todos os ingredientes — fracos e fortes — da era do 4º Doutor.

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19º Lugar: Logopolis

Arco #115

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A partida do 4º Doutor é emocionante, com fortes especulações a respeito do Vigia, que se une a ele, mas não causa aquela tristeza infinita que tivemos em regenerações posteriores. Mesmo motivada por um terrível acidente e em um contexto de vida ou morte para o Universo — essa parte do roteiro é um tanto confusa, mas não impossível de entender — a mudança de corpo vem como algo natural, algo para o qual ele e também nós já se preparava, esta, inclusive, parte de suas últimas palavras: “It’s the end… but the moment has been prepared for”. Depois do fim, nos sobra a velha nostalgia, a vontade de querer voltar e ver tudo de novo e a pulsante curiosidade de ver o que este novo corpo do Doutor pode fazer. É incrível como Doctor Who consegue aplicar um pouco de sua dinâmica de mudanças constantes e aceitação de personalidades também aos fãs. A cada nova regeneração, companions e outras mudanças, nós também mudamos. E isso é simplesmente maravilhoso.

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18º Lugar: City of Death

Arco #1o5

O primeiro arco de Doctor Who a ser filmado fora da Grã Bretanha, City of Death é uma daquelas histórias às quais o espectador simplesmente se apaixona e não apenas porque se passa em Paris, a cité de l’amour, cujo título faz uma discreta brincadeira (cité de la mort em francês). O arco conta com um roteiro redondo ao extremo, tornando praticamente impossível não admirarmos sua estrutura, além, é claro, de trazer um aspecto da viagem no tempo ou, mais precisamente, sobre o tempo em si, visto com pouca frequência em produções audiovisuais.

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17º Lugar: The Talons of Weng-Chiang

Arco #91

As semelhanças com o modus operandi de Jack, o Estripador, as referências a Pigmaleão e A Importância de Ser Prudente fazem de The Talons of Weng-Chiang um amálgama de uma época cuja essência foi perfeitamente capturada pelo diretor David Maloney, tanto na forma como ele guiou os atores, como na forma utilizada para representar as ações de cada facção em cena. Particularmente não gosto dos ratos gigantes porque eles ficam soltos na história e o início do arco é mais lento do que deveria, mas isso não tira o divertimento. E como se não bastasse, a aventura apresenta-nos a excelente e cativante dupla Jago e Litefoot, que ganhariam grande destaque no Universo Expandido da série anos depois. Isso sim é que é uma forma poderosa de se terminar uma temporada!

Em tempo: a partir de 2005, com a “nova onda whovian” que se espalhou pelo mundo após o retorno da sérieThe Talons of Weng-Chiang foi redescoberto e acabou gerando algumas polêmicas para os novos espectadores, que reclamam da forma [preconceituosa e estereotipada] como os chineses são retratados aqui. Particularmente vejo essa retratação como parte do espírito da época em que a ação acontece, assim como o trato do professor Litefoot em relação a Leela. Não vejo preconceito algum aqui. E vocês?

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16º Lugar: The Brain of Morbius

Arco #84

A parte menos interessante do arco é justamente a da ressurreição de Morbius num corpo monstruoso, mas em compensação, a relação do Doutor com a Irmandade e o modo como as coisas terminam valem muito a pena. Elisabeth Sladen se mostra uma atriz incrível, distanciando-se dos padrões de companion feminina frágil para uma ativa assistente do Doutor, que diversas vezes salva o dia, arriscando-se, mesmo em grandes dificuldades a fazer alguma coisa pelo seu adorado amigo. A química entre Tom Baker e Sladen é um atrativo à parte, e percebemos como essa ótima relação entre os atores é utilizada no roteiro para criar um tom humorístico nos momentos certos do arco, culminando situações que arrancam boas risadas do espectador.

The Brain of Morbius é uma história de terror B com um interessante componente místico, uma aventura do 4º Doutor e Sarah Jane que abriria as portas para definir algumas relações futuras do famoso Time Lord com a Irmandade de Karn, um dos momentos mais difíceis de sua vida e de crise por todo o Universo, em The Night of the Doctor.

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15º Lugar: Planet of Evil

Arco #81

A direção de David Maloney volta-se para o aproveitamento do excelente cenário natural de Zeta Minor, com árvores e espécies de plantas de diversos tamanhos, cavernas e buracos, névoa e a tal criatura de anti-matéria que surpreendentemente funciona na concepção e em parte da representação, ganhando apenas uma exagerada importância na reta final da obra, afastando a boa colocação que tivera nos primeiros episódios. O mesmo podemos dizer para ação do Doutor e Sarah no planeta, que começa muito bem, mas depois se mescla a uma urgência megalomaníaca — quando a parte de O Médico e o Monstro entra nas referências do roteiro –, não deixando toda a importância de lado, mas assumindo um caminho que força problemas atrás de problemas, cansando o espectador, que se vê diante de intermináveis idas e voltas na ação do Doutor contra a criatura e a tal equipe de resgate.

A ganância do homem, a busca por sucesso a qualquer custo e a dificuldade de algumas corporações ou grupos de pessoas recuarem de suas metas, mesmo quando descobrem que não estão fazendo o bem para ninguém são questões trabalhadas com bastante eficiência em Planet of Evil, mais um arco de Doctor Who que nos mostra as muitas faces que podemos ter, dependendo do nosso interesse em jogo.

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14º Lugar: The Stones of Blood

Arco #100

Primeira e única aventura terráquea da saga Key to TimeThe Stones of Blood é um terror B com elementos históricos que não negam as raízes de Doctor Who. A história é divertida e em parte aterradora, compreendendo sequências de ficção científica misturadas ao terror, acompanhadas por uma excelente trilha sonora e isolamento de cenários (na Terra e no hiperespaço) que cumprem muito bem o seu papel de tornar tudo ainda mais ameaçador. Os pequenos momentos bizarros, como as horrendas rochas ambulantes, os Ogri, e a estranha atuação da atriz Susan Engel (Vivian) na segunda parte da história acabam tendo pouco peso negativo diante da quantidade de coisas boas que temos a considerar aqui. No final, prevalece o charme clássico da série.

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13º Lugar: The Androids of Tara

Arco #101

Ao final de The Androids of Tara não vemos o Doutor saindo do Planeta, mas ele e Romana já estão com o segmento da chave do tempo e fica claro que estão prontos para partir. Três coisas, no entanto, nos deixam pensativos, curiosos ou interessados em saber mais a respeito: a Grande Besta de Tara que aparece no início e assusta Romana: o que foi aquilo?; como K9 foi resgatado?; e… e aquele Zodíaco com 16 casas?

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12º Lugar: Revenge of the Cybermen

Arco #79

Revenge of the Cybermen finaliza a 12ª Temporada clássica de Doctor Who que, juntamente com os arcos Robot (#75), The Ark in Space (#76), The Sontaran Experiment (#77) e Genesis of the Daleks (#78) formam uma temporada inteiramente ligada a uma única linha de viagem, trazendo-nos a primeira vez da série clássica em que uma temporada inteira foi interligada e pensada para se estruturar sob a mesma base. Na era do 3º Doutor, especialmente os arcos com o Mestre, havia uma colocação mais sutil dessa fórmula, porém nunca tal uso de cliffhanger foi utilizado como motor de andamento para os episódios e nunca uma temporada inteira se mostrou tão bem costurada como esta 12ª.

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11º Lugar: The Sontaran Experiment

Arco #77

Dando continuidade a The Ark in Space, que, inclusive, é referenciado diversas vezes ao longo do arco, The Sontaran Experiment nos traz a segunda história a ser composta apenas de de dois capítulos – a primeira tendo sido The Rescue –, escolha que funciona tanto a favor quanto contra a narrativa aqui estabelecida. Primeiro temos a quebra de uma estrutura exageradamente dilatada, geralmente presente nos arcos de seis episódios; segundo, porém, nos é passada a sensação de que tudo isso nada mais é que um simples filler, preenchendo o espaço entre duas histórias maiores, algo, também, naturalmente provocado pelo fato de que a história em questão fora criada justamente para isso.

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10º Lugar: The Ark In Space

Arco #76

O que mais agrada na resolução do problema em pauta é a ausência de um Deus ex machinacolocado no último episódio e o aproveitamento do tempo a favor da narrativa, não apenas no final, mas em todo o arco. Se a sequência da falta de oxigênio no começo é um tantinho mais longa do que deveria, esse problema não volta a aparecer, a não ser que o espectador não goste dos vilões, pois nesse caso, ficará fácil escolher as “piores partes” da história e, evidentemente, a mudança de sua qualidade. Para mim, no entanto, The Ark In Space (que me trouxe boas lembranças de The Ark, da era do 1º Doutor) é uma das histórias mais desenvoltas, objetivas e bem dirigidas até este momento da série clássica. E ela já carrega muitos indícios da nova abordagem da produção de Doctor Who, tanto no tema quanto na representação dele, questões que, na minha opinião, alcançariam o seu clímax ainda nesta temporada, em Genesis of the Daleks.

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9º Lugar: The Face of Evil

Arco #89

Ao longo da história, Leela ganha espaço e vai conquistando o espectador. Não é de se espantar que a atriz Louise Jameson tenha conseguido mudar a linha de produção e segurar-se na série ao final do último episódio. Sua interpretação de Leela é doce e ao mesmo tempo decidida, violenta — é paradoxal, mas quem viu o arco sabe o que estou falando — e disposta a defender com unhas e dentas o que acredita ser certo. E convenhamos que a composição do espaço de seu planeta, a trilha sonora assustadora do arco, a fotografia escura e pontualmente avermelhada para as tomadas externas e tendências quase laboratoriais para as internas ajudam a torná-la ainda mais exótica e ao mesmo tempo familiar. É esse jogo de extremos e contrastes que faz a selvagem e impositiva garota se tornar uma das mais importantes companions da série, com um longevo futuro ao lado do Doutor nos arcos e no Universo Expandido, até morrer, milhares de anos depois (pelo menos na forma como a conhecemos) na Trilogia da Morte de Leela, feita para a série The Companion Chronicles.

Uma sensacional mistura de tecnologia, selvageria, efeitos de viagem no tempo e aspectos diversos da origem de uma religião ou seita, The Face of Evil apresenta Leela em uma história bem escrita e abarrotada de bons momentos. O ano de 1977 começava para Doctor Who com o pé direito.

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8º Lugar: Genesis of the Daleks

Arco #78

Genesis of the Daleks perfeitamente se enquadra como um dos típicos momentos quando nossos olhos não acreditam no que veem. A origem dos clássicos vilões de Doctor Who é aqui contada pela primeira vez e é feita de forma sombria, criando fortes paralelos com o nazismo – algo inerente à própria caracterização das criaturas – e, sobretudo, trazendo importantes questionamentos que definem, de uma vez por todas, quem é o Doutor. O pesado clima que perdura por todo o arco é já introduzido na cena de abertura, que, após ter sido reescrita por David Maloney – fora considerada pesada demais para crianças pelo próprio Terry Nation, que roteiriza a história.

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7º Lugar: The Invasion of Time

Arco #97

Como disse ao início do texto, o meu lamento é que parte dos personagens são abandonados sem muitas justificativas ao longo da história. Mesmo que alguma diretriz de ação seja dada a eles, o escanteamento não combina com a importância elevada que possuem em dado momento do arco, o que gera um desequilíbrio no andamento. Já o outro incômodo é para a edição do último capítulo, que possui erros imperdoáveis, o maior deles, quando o Doutor passa de um corredor para a porta da TARDIS em um corte seco. Nem a decência de colocar um fade e suavizar essa passagem como uma ação diegética o editor Chris Wimble teve. Todavia, estes erros acabam sendo perdoados porque não interferem com mão de ferro na composição geral de qualidade da trama.

O final da história nos traz a despedida de Leela e de K9. O Doutor não leva essa despedida para o lado emotivo — ele claramente está emocionado, mas parece que não quer pensar muito a respeito — e quebra a quarta parede olhando para a câmera com cumplicidade, após trazer uma caixa que nos indica um futuro companion, K9 Mark II. Um louvável final para uma movimentadíssima temporada.

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6º Lugar: The Ribos Operation

Arco #98

Lançando mão de um humor adorável e brincando com a persona do “bandido simpático”, aqui representada pela dupla Garron e Unstoffe (criados com inspiração nos personagens de Shakespeare) e que ganha na figura do Doutor mais um excelente representante. O único ponto negativo de Ribos Operation é o tratamento dado ao personagem Graff Vynda-K (que nome legal de se falar!) na reta final da aventura e também os desnecessários gritos da vidente, que, afora este detalhe, foi muito bem utilizada como elemento mítico da sociedade local, além de nos deixar a dúvida sobre a verdade de seus habilidades.

A busca pela Chave do Tempo começa de maneira brilhante. Romana é uma personagem apaixonante (que figurino sensacional, não é mesmo? Tão espalhafatoso quanto o do Doutor, o que faz uma ótima combinação) e a atriz Mary Tamm a representa com brilhantismo que muitas vezes suplanta até Tom Baker. The Ribos Operation foi, até agora, a melhor estreia de temporada da era do 4º Doutor.

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5º Lugar: Pyramids of Mars

Arco #82

Os episódios 3 e 4 são os melhores do arco, tanto em composição de cenários (aqui, a direção de arte traz muitos exemplos da cidade dos Exxilons, em Death to the Daleks, muito bem lembrada por Sarah) quanto no jogo entre o Doutor e o deus-entidade-alien que queria ser solto. Eu confesso que, ao final da busca do servo de Set pelo Olho de Hórus, eu estava com as mãos suadas de tensão. A aventura — pelo seu lado de horror, sci-fi– e fantasia/suspense — é realmente bem construída e bem amarrada. O arco traz ainda citações saudosas de Vicki e Victoria e uma piadinha maldosa de Sarah quando ouve o famoso nome da companion e não tem certeza de qual Victoria o Doutor estava falando…

Pyramids of Mars é uma história fenomenal.

Em tempo: aqui nós temos o mais selvagem debate sobre a datação dos eventos da UNIT em Doctor Who. Para maiores informações sobre a datação dos eventos e os esquemas de organização, leia a segunda parte da crítica de Spearhead From Space.

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4º Lugar: The Seeds of Doom

Arco #85

Tom Baker e Elisabeth Sladen mais uma vez completam a tarefa de ótimos parceiros de trabalho e ambos receberam bons diálogos e ações separadas e em conjunto, dando a oportunidade de o público entender e aproveitar cada um deles em missões paralelas. Como a dominação Krynoid se expande rápido e ganha a aparência da dominação à la Os Pássaros, de Alfred Hitchcock, a reta final da aventura é desespero puro, tanto no tipo de ameaça apresentada (intensificada pela excelente trilha sonora), com basicamente toda a flora local já dominada e controlada pela espécie alienígena, quanto na ação, gênero que assume o ritmo do arco atribuindo ao terror uma sequência rápida e explosiva de eventos onde organizações estatais e militares, estufas de um grande colecionador de plantas e estudos botânicos se misturam. O Doutor prova que faz jus o título de presidente da Intergalactic Floral Society e interfere com propriedade no crescimento e reprodução descontrolada da espécie invasora.

Embora exagerado na linha de consciência ambiental — mostrando o lado da “vingança das plantas” — The Seeds of Doom é uma excelente história de terror e ação B expondo uma invasão incomum, cujo vilão (feito do que sobrou da produção de The Claws of Axos) é ao mesmo tempo familiar e estranho para nós. Um fechamento de temporada tenebroso, como este 13ª ano de Doctor Who deveria ser.

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3º Lugar: The Sun Makers

Arco #95

Ao contrário do arco Image of the Fendahl, K9 possui aqui uma grande participação, ajudando Leela e os cidadãos rebeldes a fugir de uma série de obstáculos e colocando um bom número de guardas do governo para dormir. E é com K9 que temos o elemento cômico que põe fim ao arco, após a TARDIS partir de Plutão. O Doutor e o cão de metal estão jogando xadrez, com uma entediada Leela acompanhando os movimentos no tabuleiro. O Doutor está visivelmente perdendo e, ao invés de seguir o jogo, mexe com alguns botões da nave para que ela dê uma guinada e derrube todas as peças… Eis aí uma atitude bem à maneira de um Time Lord se livrar de um probleminha envolvendo seu próprio ego.

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2º Lugar: The Pirate Planet

Arco #99

Tom Baker e Mary Tamm estão excelentes juntos, muito bem acompanhados por um elenco de idades variadas e com funções bem definidas. Existem momentos dessa relação que nos causam bastante estranheza, como as cenas em que os os Mentiads se unem para ouvir o Doutor e destruir o painel que segurava a porta principal e bloqueava-lhes o poder; ou mesmo a maquiagem pesada e afetação do grupo dos Mentiads. Mas considerando o tipo de seres que eram, e que não são humanos, a estranha impressão pode se dissipar um pouco mais rápido.

Divertido, fortemente crítico ao processo de geração de riquezas para algumas companhias comerciais e cientificamente exigente — é sabido que o texto de Adams aqui foi praticamente todo editorado por Anthony Read, porque era extremamente complexo, com a presença dos Time Lords e diversos paradoxos temporais –, The Pirate Planet pode ter suas estranhezas mas é um arco muito bem escrito e dirigido, cheio de surpresas, narrando com grande qualidade a segunda parte de uma longa jornada. Uma aventura inesquecível.

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1º Lugar: The Android Invasion

Arco #83

O início da história é mais sombrio que o seu desenvolvimento, com um clima de terror no ar (lembra um pouco essa “chegada de alguém estranho” em O Homem de Palha) que vai aos poucos se diluindo ao enredo principal, já comentado aqui. A constituição dos Kraals é bem feita, tanto na máscara e corpo quanto nas motivações. Em um momento ou outro eles podem parecer meio bobos, mas eu consegui relevar isso diante do corpo do arco, que dá sentido a esse comportamento. O mesmo vale dizer do trabalho de desenho de produção, que é soberbo. Desde a outra aventura de Terry Nation com o 4º DoutorGenesis of the Daleks, a direção de arte vem mostrando cenários e figuração de monstros admiráveis, vide a incrível roupa e nave dos Zygons, todo o espaço geográfico de Planet of Evil e o notável trabalho gótico misto de mitologia e história visto em Pyramids of Mars. O aproveitamento das locações e a boa direção de Barry Letts nos espaços internos faz com que a história flua bem e esteja perfeitamente interligada do começo ao fim.

Apesar de pequenos problemas de gravação — Tom Baker ficou doente no processo — o resultado final de The Android Invasion é excelente, o segundo melhor roteiro de Terry Nation em Doctor Who. A química entre Tom Baker e Elisabeth Sladen é cada vez mais apaixonante e a brincadeira que eles vivem fazendo de “levar pra casa” e “deixar de ir” nos dá algumas pistas para o futuro, calcando com bastante antecedência a inevitável separação entre os dois em The Hand of Fear.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.