Lista | Doctor Who: Os Episódios Ranqueados do 6º Doutor

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O objetivo dessa lista é apresentar uma classificação pessoal dos episódios/arcos na Era do Sexto Doutor. Cada uma das classificações é acompanhada por um texto de impressões pessoais a respeito. Para ler as críticas dos arcos, basta clicar nos links que acompanham cada colocação. TODOS os arcos citados possuem crítica aqui no site. Abaixo, uma visão geral da minha temporada favorita desta era. E da minha equipe favorita. Para conferir os outros rankings, clique aqui.

  • Temporada favorita: Não dá para escolher
  • Time favorito: Doutor, Peri

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11º Lugar: Revelation of the Daleks

Arco #142

Revelation of the Daleks plano critico doctor who

No final, o Doutor originalmente dizia que levaria Peri para Blackpool (uma das áreas de Lancashire, Inglaterra), mas devido ao cancelamento do arco The Nightmare Fair, que deveria ser a abertura da 23ª Temporada (totalmente remodelada, depois do corte), a produção editou a palavra “Blackpool”, deixando apenas um frame congelado do Doutor, uma péssima forma de finalizar uma temporada, mesmo que sejamos bonzinhos e levemos em consideração a surpresa do que poderia ser aquele lugar não dito. Após a finalização do arco, os espectadores já estavam sabendo que passariam 18 meses sem um único episódio de Doctor Who e a onda de más notícias continuou, com o anúncio da Produção Executiva de que o show teria ainda mais cortes no orçamento, que a temporada não seria estendida, apesar do encurtamento dos episódios (mantiveram-se encomendados 14 capítulos de 24 minutos) e em breve viria à tona a ideia de um tema único que ligasse todo o vigésimo terceiro serial, a exemplo da saga da Chave do Tempo, na 16ª Temporada. Uma era de muitas brigas de bastidores e contagem lenta para o cancelamento da série definitivamente começava.

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10º Lugar: The Ultimate Foe

Arco #143d: The Trial Of A Time Lord

O final não traz o 6º Doutor se regenerando. A notícia da demissão de Baker veio apenas depois que o arco havia sido filmado e o ator se recusou — com toda a razão que uma pessoa já pode ter na BBC — a assinar um contrato de mais 4 episódios e voltar para filmar apenas a cena de regeneração. Apenas em 2015, Baker aceitaria o convite da Big Finish para protagonizar uma história que explicasse a sua regeneração, trama lançada na antologia The Sixth Doctor: The Last Adventure.

É de se lamentar o enorme desrespeito que Grade e Powell tinham para com a série e com o ator protagonista. Ainda bem que o Universo Expandido nos deu inúmeras oportunidades de ver o 6º Doutor em incontáveis aventuras após essa partida reticente e, melhor ainda, que ele tivesse uma merecida e decente regeneração. Mesmo assim, por não ser algo estabelecido na TV, fica a grande mácula na história da BBC em relação à sua série de maior importância. Que vergonha!

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9º Lugar: Attack of the Cybermen

Arco #137

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Ver o 6º Doutor em ação é muito bom, assim como é instigante a sua relação com Peri. Pena que essa tentativa dos Cybermen em apagar uma parte da linha do tempo e impedir a destruição de Mondas é bagunçada demais. Existem alguns pontos positivos, mas eles se perdem em meio à avalanche de personagens e desejos de cada um, principalmente com a confusa inserção dos nativos de Telos, os Cryon. A produção deveria aprender que em alguns casos, menos é mais.

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8º Lugar: Mindwarp

Arco #143b: The Trial Of A Time Lord

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Apesar de alguns momentos confusos, o arco traz boas referências ao clássico A Ilha do Dr. Moreau e dramas de ficção científica com cientistas loucos e suas manias de transplante de cérebro. Visualmente, tudo funciona bem, talvez com um certo exagero na representação saturada da fotografia para o planeta Thoros Beta. Já as filmagens em interiores são ótimas, dando uma visão escura, suja e com misto de tecnologia para a sociedade dos Mentors, mantendo algo que já conhecíamos dela (a busca incessante por lucro) e adicionando a mania de experimentos, nessa ocasião, para estender a vida de Kiv, então líder de seu povo.

O final da saga nos faz ver o Doutor com grande ira, prometendo o revés a quem quer que tenha alterado a Matrix e feito sua presença em Thoros Beta uma grande tragédia para Peri. Um pouco acuado e aparentemente sem muita alternativa, o Time Lord deverá apresentar sua defesa e ela virá com uma aventura de seu próprio futuro (!), já ao lado de uma nova companion, a incrível Melanie Bush.

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7º Lugar: The Mysterious Planet

Arco #143a: The Trial Of A Time Lord

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No fim das contas, mesmo com a enrolação e a interrupção da ação central do episódio para mostrar as discussões do julgamento (e claro, esta é uma armadilha de roteiro, não teria como ser diferente visto que a produção colocara de lado a possibilidade de um episódio só para estabelecer as prévias  do julgamento e coisas do tipo) temos, no todo, uma boa primeira parte desta reta final para o 6º Doutor. A ideia de troca de companion já havia sido estabelecida ainda na preparação para a temporada e a substituição de Peri por Mel já estava em pauta. O relacionamento entre o Doutor e a americana parece encontrar, nessas últimas aventuras, uma série de rusgas, algo que a meu ver não tinha no início, não da forma como os vejo do arco passado para este arco. Talvez esse esgotamento já fosse um prenúncio do fim, que estava próximo.

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6º Lugar: Terror of the Vervoids

Arco #143c: The Trial Of A Time Lord

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No momento em que Terror of the Vervoids foi produzido, a relação entre John Nathan-Turner, o showrunner de Doctor Who na época, e o editor de roteiros, Eric Saward, estava cada vez mais complicada. A contratação da atriz Bonnie Langford para interpretar a nova companion do Doutor não foi bem recebida nos bastidores e apenas JNT via com bons olhos a adição de Bonnie à série, primeiro pelo fato de ser uma atriz conhecida no Reino Unido, devido sua participação na série Just William (1977 – 1978) e no programa musical/de dança The Hot Shoe Show (1983 – 1984); segundo, porque ela apresentava um grande contraste em relação às companheiras recentes do Senhor do Tempo, tanto em nacionalidade (novamente uma britânica desde Sarah Jane) e em personalidade, não só vestindo a carapuça da “donzela em perigo” mas mostrando fortes traços feministas, além de uma propensão típica dos anos finais da década de 1980, que foi a febre  fitness.

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5º Lugar: The Twin Dilemma

Arco #136

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Embora não seja exatamente memorável em termos de enredo (mas a aventura é engajante em muitos momentos, o que faz o arco estar bem acima da média), The Twin Dilemma cumpre o papel de chocar o público na apresentação do 6º Doutor, com seu figurino espalhafatoso — que JNT assumiria ter sido um erro — e ações mais duras e notadamente aliens. A TARDIS tinha um novo piloto e quase ninguém sabia exatamente como reagir a ele. Este é, inclusive, um dos motivos que alguns espectadores e críticos apontam como “início do fim” da era clássica de Doctor Who. O que vocês acham?

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4º Lugar: The Mark of the Rani

Arco #139

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Brincando com a História da Inglaterra, Pip e Jane Baker escrevem aqui uma caçada interessante, especialmente pela criação de Rani e pela leitura mais que arguta que ela faz da relação de amor e ódio entre o Doutor e o Mestre, que dessa vez começa disfarçado de espantalho. Mais uma saga de renegados de Gallifrey com personalidades e intenções completamente diferentes. Uma prova de que certas semelhanças culturais e compartilhamento de algumas ações não fazem as pessoas serem igualmente boas ou más. Há uma linha tênue aí que normalmente é deixada de lado por muitas pessoas, acarretando inúmeros problemas de julgamento de caráter. O 6º Doutor que o diga.

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3º Lugar: Timelash

Arco #141

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Foi bem doloroso ver a forma de dominação dos personagens, especialmente de Peri, que está bem nesse arco, embora grite mais do que deveria. Também é de se questionar a postura de Herbert e do Doutor ao falar da americana, algo do tipo “ela é só uma garota!“, mas considerando que estamos falando de um jovem do século XIX e um Time Lord já marcado pela morte de pessoas queridas — de modo que ele colocaria até Kamelion para fora, se fosse o caso — a cena ganha outros contornos e compreendemos a postura dos dois.

Sem explicações finais forçadas e com uma fantástica mistura de humor negro e indicações literárias, Timelash é uma história rápida e instigante, uma daquelas que sabemos ser desprezada por uma parte considerável do fandom da série, mas que ganha, de tempos em tempos, pessoas que se colocam na linha de frente para defendê-la. Como eu, na presente crítica.

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2º Lugar: Vengeance on Varos

Arco #138

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Marcado por valores de opressão social, sociedade punidora, mudanças constantes de poder e controle de massa através da TV, este arco é uma interessante aventura em diversos níveis, tanto teórico quanto prático. O roteiro tropeça em exageros ou mudanças rápidas do rumo das coisas, como o inexplicável cancelamento de invasão a Varos, sem nenhum impasse diplomático maior ou a pobreza na ligação dos dois cidadãos que assistem a TV e fazem comentários idiotizados a respeito da programação e da situação em que vivem, um deles claramente descontente e resignado, enquanto a outra é alienada e totalmente entregue às ordens do sistema, as mesmas que tornam sua vida ainda pior (me lembra muito pessoas que defendem propostas, políticos, partidos e governos que estão transformando a vida de todo mundo em um imenso lamaçal de retrocessos). O bom é que os vilões aqui não são plenamente vilões, eles possuem camadas que às vezes nos confundem. Como os cidadãos, políticos e outros donos do poder que tão bem conhecemos nas sociedades em nosso tempo.

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1º Lugar: The Two Doctors

Arco #140

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O final do arco é triste, desalentador mesmo, chegando até a emocionar um pouco. Talvez por que o Doutor está ligado àquele acontecimento e por estar perto de sua outra encarnação, as consequências de ter sido parcialmente um Androgum irá ter reflexos apenas na personalidade do 6º Doutor, que já ao final da aventura declara que se tornou vegetariano e de maneira bastante infame, impõe a mesma dieta a Peri (desaprovo veementemente essa ação forçada).

The Two Doctors é uma aventura sensacional. Seu ritmo e construção de personagens, o encontro entre as duas encarnações, a bela interação entre os companions e os bons momentos de ação individual parecem funcionar de maneira afinadíssima aqui. Existem pequenos impasses como o 6º Doutor ser mandão a ponto de impor coisas sem dar alternativa a Peri ou a forma meio boba como os Sontarans são vencidos, mas esses pontos não diminuem o valor do grande encontro. Pena que seria o último da Série Clássica (isso… se não contarmos o “outro Doutor”, o Sr. Valeyard, em The Trial of a Time Lord). Um excelente arco no meio de uma temporada e de uma era problemática para a série.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.