Lista | Legion – 2ª Temporada: Os Episódios Ranqueados

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Com três episódios a mais que a temporada anterior, o 11º anunciado de surpresa, a 2ª Temporada de Legion consolida a viagem lisérgica de Noah Hawley, o showrunner que nos trouxe a improvável — e incrível — adaptação de Fargo para as telinhas. Mais do que isso, Hawley desafia nosso conceito de realidade e até mesmo mexe na concepção do próprio protagonista, colocando-o em uma incômoda posição vilanesca como parte do enorme cliffhanger da já autorizada próxima temporada.

No entanto, diferente do que vimos em 2017, talvez a expansão de oito para 11 episódios tenha afetado a coesão narrativa da temporada, com alguns episódios marcadamente “menos espetaculares” do que os demais, ainda que acima da média geral de séries do gênero (isso se pudermos de verdade enquadrar Legion como sendo uma série de super-heróis). Além disso, mesmo com mais espaço, ficou evidente o pouco aproveitamento de alguns coadjuvantes, notadamente Ptonomy e Melanie, que perderam quase que completamente sua relevância.

Por outro lado, foi alvissareiro conhecer a trágica “origem” de Syd e testemunhar a terrível volta física de Lenny, que cobra um preço pessoal assombroso e inesperado de David. E, claro, a vagarosa abordagem da própria natureza torturada e tortuosa do protagonista ganha o foco da temporada, juntamente como momentos de absolutos WTF salpicados em praticamente todos os episódios.

Uma série como poucas, Legion merece nosso ranqueamento tradicional de episódios. Claro que, como toda lista, ela é subjetiva do autor e existe para provocar discussões. Concorda? Discorda? Muito pelo contrário? Tem sua própria lista? Mande para cá e vamos conversar!

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III. Os Pontos Fora da Curva
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11º Lugar: Chapter 17

2X09

Mesmo com seus ótimos momentos, o capítulo, porém, nada realmente faz além de confirmar o controle mental de Melanie (como se isso fosse realmente necessário) e transportar (literalmente) Lenny do ponto A ao ponto B, tudo como preparativo para o potencial embate final com o Rei das Sombras no deserto, próximo ao templo Mi-Go. Em mãos menos hábeis, o episódio seria complicado de assistir, mas estamos falando de algo não só escrito como dirigido por Noah Hawley e que, por mais problemático que seja, sempre há algo de bom a extrair. No entanto, confesso que o showrunner está esticando um arco narrativo simples demais e que, para todos os efeitos, já deveria ter acabado. Com duas partes ainda pela frente, meu receio é que a mágica lisérgica de Legion se esvaia em um visual vazio e uma lentidão exacerbada.

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10º Lugar: Chapter 15

2X07

Em seu episódio mais fraco até agora, Legion aproxima-se do fim prometendo muitos acontecimentos em apenas quatro capítulos. Há tempo, sem dúvida, mas talvez a alteração estrutural da série, cuja primeira temporada só teve oito episódios, tenha permitido espaço demais para Hawley brincar em sua caixa de areia, criando desequilíbrios como o que vemos aqui. Mas tenho certeza de que foi apenas um pequeno soluço e que voltaremos já já à programação normal.

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9º Lugar: Chapter 10

2X02

Se o trecho inicial com a invasão de Farouk à Divisão 3 funciona magistralmente bem, quase que como um número musical telepático e violento, o restante parecem pedaços lisérgicos que, vistos de forma estanque, até cumprem sua função, mas que não geram um todo harmônico. Ao contrário até, a impressão que temos é de bonitas peças de um quebra-cabeças coladas em ordem aleatória somente porque Noah Hawley assim podia fazer.

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II. As Quase-Perfeições
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8º Lugar: Chapter 11

2X03

Mas, por mais que seja impossível desviar os olhos do episódio e por mais que a realidade consiga ser tão irreal, se espremermos, sai pouco caldo narrativo de Chapter 11. Claro, ainda estamos no terço inicial da temporada e as peças estão sendo arrumadas no tabuleiro. Só espero que o jogo comece logo para que ele seja desenvolvido sem pressa.

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7º Lugar: Chapter 9

2X01

A reserva que eu tenho sobre o episódio, e que é uma herança da temporada anterior, está justamente em David e seu status como Legião. Afinal, este é o nome da série e o personagem, nos quadrinhos, não é apenas um mutante super-poderoso, mas esquizofrênico, e sim alguém que também abriga centenas de personalidades diferentes (e com poderes diferentes) dentro de sua mente, algo que foi apenas ventilado anteriormente, mas jamais desenvolvido. Não há pistas, no episódio, sobre esse aspecto, e creio que isso seja algo essencial não porque eu quero fidelidade aos quadrinhos, mas sim porque simplesmente espero que o próprio nome da série seja justificado. Caso contrário, era mais fácil batizá-la de algo como Pscycho Batshit Crazy Mutant Smorgasbord.

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6º Lugar: Chapter 16

2X08

Ao longo do episódio, o roteiro lida com uma subtramas que nos conta trechos da origem do Almirante e líder da Divisão 3. É curiosa a escolha do momento para isso, pois a quebra de ritmo é inevitável, mas parece iniciar os preparativos para um papel mais relevante para o mutante amplificado ciberneticamente que, agora, tem Ptomomy “vivendo” lá dentro em uma fascinante representação de sua mente que mais uma vez mostra a originalidade dos conceitos abordados por Hawley.

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5º Lugar: Chapter 19

2X11

Depois de um cliffhanger WTF com o orbe que, agora, aprendemos que foi enviado por Carey, tivemos um cliffhanger completamente esperado para a vindoura 3ª Temporada. David, revelado como vilão, espetacularmente liberta Lenny, desaparecendo em seguida. Será que a próxima temporada terá o Rei das Sombras como “mocinho”? Seja como for, ficou claro que Noah Hawley tem um plano muito bem definido para sua série e, mesmo considerando alguns pouco episódios nesta temporada menos do que espetaculares, tenho certeza que será um deleite ver o que ele fará agora.

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I. As Perfeições
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4º Lugar: Chapter 12

2X04

É tão impressionante a quantidade de informações que Hawley consegue fundir em um episódio enganosamente simples de “resgate” da dama em perigo que de dama em perigo nada tem, que a revelação ao final de que Lenny está de volta fisicamente à Divisão 3 perde até o impacto. O fogo da história de Syd sem dúvida brilha mais intensamente.

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3º Lugar: Chapter 13

2X05

Não sei o que será dessa volta de Lenny (de duas Lennies, na verdade!) e o quanto essa revelação bombástica ao final desequilibrará David, levando-o ao caminho do futuro aterrorizante e sombrio que ele mesmo viu, mas uma coisa é certa: Aubrey Plaza merece todo o destaque possível. Se já tínhamos material de sobra para admirar na série, a inserção efetiva de Lenny na história é, sem dúvida alguma, mais uma escolha acertada de Hawley.

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2º Lugar: Chapter 18

2X10

O penúltimo episódio da temporada foi um primor de WTF? com propulsão narrativa. Um episódio que mostra que Noah Hawley, mesmo tendo nos brindado com capítulos menos do que perfeitos ao longo desta 2ª temporada, não é um showrunner qualquer. O problema – se é que isso é um problema – é que, agora, a expectativa pelo desfecho aumentou tremendamente…

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1º Lugar: Chapter 14

2X06

Dan Stevens, lógico, é o grande destaque do episódio. Tivemos um grande foco nas mulheres mais importantes da série nos dois episódios anteriores e, agora, é a vez do protagonista brilhar em seus múltiplos papeis dele mesmo. Vemos o Haller que conhecemos da “nossa” realidade em todos os Hallers ali, seja no office boy telepata que se torna um bilionário com complexo de deus ou o doente mental que se torna paraplégico quando seu poder se manifesta violentamente em um episódio policial e assim por diante. Katie Aselton também está muito bem em suas variações, mantendo uma bela química com Stevens até mesmo na fria e doentia cena em que a versão bilionária do personagem usa seu poder para fazer sangrar o nariz da versão perua e deprimida de Amy.

Mais uma vez, Noah Hawley assombra com a qualidade de seu texto e com o que ele nos proporciona a cada novo episódio. Legion pode ser pouco reconhecida, mas quem a assiste não simplesmente assiste TV, experimenta audiovisual.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.