Lista | Momentos Bizarros da Filmografia de Luis Buñuel

Cuidado, leitor. Você está em um mundo delicado, agora. Coisas que desafiam a sua imaginação, o seu senso de vergonha alheia e esquisitice serão trazidos à tona. Você está prestes a ver uma seleção de cenas que LUiz & riTTER acham as mais bizarras (pense no conceito mais amplo para a palavra) da filmografia do genial, surreal e bizarro Luis Buñuel.

Como parte do Especial que organizamos em homenagem ao diretor, andamos pesquisando a memória e os velhos arquivos para encontrar coisas no melhor estilo “WTF?!”; aquelas cenas que você vê na tela e não acredita que alguém pensou em filmar aquilo – e tais cenas na obra de Buñuel podem ser unicamente bizarras ou a mistura de bizarrice + genialidade.

As fotografias selecionadas podem não ser visualmente repugnantes, assustadoras ou chocantes (no sentido comum), mas podem mexer com “aquela coisinha” na sua cabeça, “aquela coisinha” que só os surrealistas sabem o que é, onde fica e quais são as reações que causam em cada um dos espectadores.

Bem vindos aos momentos bizarros da filmografia de Buñuel!

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Mulher chupando dedão de uma estátua em

A Idade do Ouro

Algo super normal uma garota ir até uma estátua, e num rompante máximo de ardor sexual, chupar-lhe voluptuosamente o dedão do pé, não? Pois é, por mais que pareça um conto erótico escrito por alguém com mais de 60 anos, essa frase inicial pode ser “super normal” sim, tratando-se de um filme de Buñuel. No caso de A Idade do Ouro, há uma profusão de bizarrices a serem citadas, e eu quase coloquei a cena em que há uma vaca na cama, mas acredito que dentre as bizarrices apresentadas – uma vez que tem gente que realmente permite animais dormirem em suas camas, embora eu nuca tenha ouvido falar de ninguém ter permitido isso a uma vaca – optei por manter a sugestão do meu colega Ritter Fan: a mulher chupando o dedão da estátua; afinal de contas, isso é algo totalmente fora do comum (ou você já viu alguém fazer isso alguma vez?).

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Marquês de Sade como Cristo (ou vice-versa) em

A Idade do Ouro

Para quem não sabe, Buñuel, que teve educação religiosa, era “ateu, graças a Deus”. Sua iconoclastia veio ainda na adolescência, e seu afastamento da fé ficou ainda mais evidente quando se juntou à patota surrealista parisiense, nos anos 20. Em A Idade do Ouro ele filma essa cena que fez muita gente ter um ataque de nervos quando assistiu: o Marquês de Sade vestido como Cristo, e participando – em off – de orgias e de “coisas abomináveis” com seus companheiros. Imagine só o impacto que isso teve em 1930!

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Olho sendo cortado em

Um Cão Andaluz

Eu já ouvi muitos relatos e já li muitos depoimentos de pessoas que desmaiaram ao assistir a essa cena de Um Cão Andaluz. E não é pra menos. Uma sensação terrível de angústia, nojo e mais sei-lá-o-quê toma o espectador e torna essa uma das cenas mais poderosas já filmadas para a grande tela. Muita gente odeia o filme justamente por conta dessa parte, porque o olho cortado é mesmo de verdade, de um animal morto, mas a montagem e o enquadramento são perfeitos e o resultado é simplesmente inesquecível. Mas que dá aflição, ah, isso dá.

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Homem puxando pianos + tábuas dos 10 mandamentos + burros mortos em

Um Cão Andaluz

Mais uma bizarrice de Um Cão Andaluz, e uma das que deixa quase todo mundo louco para “entender” o que significa. A descrição da cena e a própria imagem já diz tudo: surrealismo na veia. Cada um vai fazer uma leitura diferente, mas falando sério, só mesmo Dalí + Buñuel pra conseguir criar uma imagem dessas (o roteiro do filme foi escrito pelos dois)…

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Cristo gargalhando em

Nazarín

Essa é a única cena “mal comportada” de Nazarín, um filme que, por incrível que pareça, agradou a um ramo da igreja. De qualquer forma, Cristo gargalhando é mesmo uma imagem engraçada, e no contexto do filme, choca o espectador, porque simplesmente não havia nenhuma indicação de que uma alfinetada maior iria aparecer, e eis que, a imagem de um quadro muda do semblante triste e abatido para esse que vocês estão vendo na foto.

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Última ceia dos mendigos em

Viridiana

De toda a seleção de cenas e bizarrices aqui expostas, esta é a minha favorita. Primeiro, porque sou fascinado pelo filme, depois, porque toda a sequência que leva a essa representação da Santa Ceia, com os mendigos fazendo festa na casa depois da saída dos donos é algo para ficar na memória. A música, a imagem, os atores, tudo nessa construção polêmica (que a igreja odiou, diga-se de passagem) é genial. Louvável bizarrice de Buñuel!

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Cabeça no sino em sonho de

Tristana

Essa cabeça no sino é cena de um sonho que Tristana tem, num momento chave de seu desenvolvimento pessoal no filme. Um sonho com pontos surrealistas e que marcam, dentre outras coisas, as indicações bizarras que Buñuel foi espalhando pela película, todas ligadas ao desejo (reprimido) e à realização do desejo (quase sempre envolto em culpa). O resultado? Bem… esse é um dos exemplos.

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Pessoas não conseguindo sair da sala de jantar em

O Anjo Exterminador

O argumento desse roteiro de Buñuel é um dos mais conhecidos e um dos mais notáveis da sua carreira. Um grupo de burgueses vão jantar na casa de uma socialite. Tudo ocorre mais ou menos bem, até a hora em que começam a se despedir e… ninguém consegue mais sair da sala de jantar. É isso mesmo. Eles estão “condenados” a (con)viver ali até sabe-se quando. O resultado, já se pode imaginar, é aterrador. Grandiosa crítica de Buñuel à burguesia e também à igreja, na cena final.

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O Diabo-Mulher tentando Simão em sua coluna em

Simão do Deserto

Um filme curtinho do diretor já em sua fase laureada. Silvia Pinal interpreta maravilhosamente o papel do Diabo, tentando o pobre do Simão, em sua alta coluna, no meio do deserto. Aliás, essa foi a indicação do meu caro Ritter Fan inicialmente, mas essa foto de uma das tentações da mulher-Diabo, Simão está em sua coluna (essas cordas em volta dele é para que não caia). O filme inteiro é pontuado de bizarrices, algumas pequenas e outras bem grandes, até engraçadas. Infelizmente está é uma obra pouco conhecida do mestre, mesmo já tendo sido lançada no Brasil a algum tempo.

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Manequim feminino queimando, no crime-fetiche de Archibaldo em

Ensaio de um Crime

Revi esse filme recentemente, para o nosso Especial, e relembrei o quão cruel Buñuel é com o protagonista. Essa cena da manequim queimando é um dos momentos bizarros do filme, que não são muitos, mas os que aparecem são simplesmente fenomenais.

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A freira-Cristo em

A Via Láctea  ou  O Estranho Caminho de S. Tiago

A Via Láctea é uma coleção de histórias em diversos tempos, por assim dizer. As indicações religiosas do filme com certeza fizeram cristãos (principalmente católicos) condenarem Buñuel (de novo) às chamas mais potentes do inferno. Olhando para a cena retratada a cima – ótima, por sinal – não é de se espantar, não é mesmo?

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A sala-sanitário em

O Fantasma da Liberdade

Atenção a todos os arquitetos e/ou designers de interiores! Este aqui é uma das pérolas da segunda fase francesa de Buñuel, e como a maioria de suas pérolas, repleta de bizarrices e críticas a tudo quanto é instituição social que se possa imaginar. Como não dá para comentar muita coisa sem soltar spoilers, peço apenas para você imaginar em que tipo de contexto uma sala-sanitário estaria em um filme. Quem sabe isso não vira moda daqui a… quanto anos?

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Homem torturado dentro do piano em

O Discreto Charme da Burguesia

 Como eu disse acima, as pérolas de Buñuel na segunda fase francesa são extremamente críticas. A imagem do homem sendo torturado em um piano e a contradição com o nome do filme é o bastante para fazer qualquer um querer ver ou rever a obra. Sem pudores, meias-palavras e meandros, Buñuel vai direto ao ponto e não poupa ninguém, vide o desfile de críticas apresentados aqui, e olhem que esta é apenas uma pequena seleção! Aliás, ele tinha uma coisa com pianos, porque se vocês bem lembram, lá em Um Cão Andaluz, ele colocou burros mortos

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LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.