Lista | Obras Nada Óbvias de Alan Moore Que Você Deveria Ler

Em comemoração ao 60º aniversário de Alan Moore, o mago dos quadrinhos (e na vida real também, já que ele se auto-proclama como sendo um), resolvi montar uma lista rápida de obras dele que todo mundo deveria ler. No entanto, não esperem que essa lista contenha coisas como Watchmen, V de Vingança, Monstro do Pântano, A Piada Mortal e outros trabalhos dele que todo mundo diz que leu, mas que duvido que tenha lido de verdade… (e, se você não leu, pare tudo AGORA e corra atrás do prejuízo!!!). Meu objetivo, aqui, é fugir do lugar-comum para trazer obras do cabeludo e barbudo escritor de Northampton que aqueles que conhecem também provavelmente não leram e, tenho para mim, muita gente – a não ser os verdadeiros conhecedores de quadrinhos – nunca nem ouviram falar.

Fique, então, com as 10 obras de Alan Moore que você deveria desesperadamente procurar para ler (sem contar com as mais óbvias e consagradas, claro) e, depois, colocar orgulhosamente em sua estante para, ato contínuo, poder bater no peito orgulhoso dizendo para todos que leu (mesmo que não tenha gostado, o que não é nenhuma obrigação) e, em seguida, escrever sua própria lista! Tudo é cíclico, não é mesmo? Bom, mas chega de enrolação. Vamos lá (a ordem é estritamente cronológica):

Future Shocks (1980 a 1983)

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O que é: São histórias curtas publicadas na famosa revista britânica 2000 AD sobre os mais diversos assuntos (normalmente muita ficção científica e coisas loucas). Não foi Alan Moore que criou Future Shocks, mas sim seu semi-xará Steve Moore, em 1977 (os dois não têm relação de parentesco).

Por que ler: Steve Moore foi o cara que literalmente tirou Alan Moore da obscuridade total, permitindo seus primeiros e reais avanços no mundo dos quadrinhos. O trabalho de Moore (o Alan) em Future Shocks se deu entre 1980 e 1983 e pavimentou o caminho que o autor seguiria dali para frente. Ler Future Shocks de Alan Moore é entrar na mente em formação de um dos grandes – e mais loucos – autores de quadrinhos que o mundo já viu.

Marvelman/Miracleman (1982 a 1984)

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O que é: Marvelman é um personagem criado em 1954 por Mick Anglo como uma cópia do Capitão Marvel da DC. Era um jornalista que ganhava poderes atômicos dados por um astrofísico, depois de falar “Kimota” (foneticamente, é “Atomic” ao contrário). Ganhou o nome Miracleman nos EUA por questões judiciais e, hoje, é de propriedade da Marvel Comics.

Por que ler: A versão original é ridícula. O bacana é o que Alan Moore faz com o personagem em 1982. Ele pega o cara, quebra em pedacinhos, coloca no liquidificador e o reconstrói completamente, sem apagar o que veio antes, mas inserindo camadas e camadas de aspectos sombrios e personalidades perturbadas. É literalmente o que Moore viria a fazer com o Monstro do Pântano a partir de 2004.

Stan Lee: Blinded by the Hype – An Affectionate Character Assassination (1983)

alan moore stan lee essay

O que é: Uma carta de amor a Stan Lee em forma de artigo. Uma carta de ódio à indústria de quadrinhos ANTES do próprio Alan Moore passar maus bocados. Uma visão do futuro. E não é quadrinhos, ok? Esse é o primeiro de três trabalhos dessa lista sem imagens. Acha difícil ler alguma coisa assim? Ora, eu sinto muito…

Por que ler: Impressionante a visão profética de Alan Moore aqui. Ele claramente sabe da importância de Stan Lee para o estado à época da indústria e consegue mais claramente ainda já ver os problemas sérios que o próprio Lee inadvertidamente causaria, problemas esses, porém, que Moore não consegue evitar com suas obras e que acabaram transformando-o em um ermitão que só sabe reclamar da indústria para dizer o quanto ele é bom (sim, Moore é claramente egocêntrico e adora falar de si próprio como se fosse superior aos demais, o que em grande parte ele está certo, mas não totalmente, além do fato de que esse discursozinho azedo ser chato pacas). Quer ler? Clique aqui então (somente em inglês).

A Balada de Halo Jones (1984 a 1986)

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O que é: Uma HQ de ficção científica sobre a personagem título que vive no século 50 e que foi publicada originalmente a partir de 1984, na famosa revista britânica 2000 AD.

Por que ler: É uma das melhores histórias seriadas de Moore em sua fase inicial na 2000 AD e a que plantou sementes do que um dia viria a fazer em suas futuras obras. Os conceitos sci-fi são extremamente inteligentes, não deixando nada a dever a Star Trek, por exemplo.

A Voz do Fogo (1996)

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O que é: O primeiro “romance sem imagens” (Sim, é um livro! Eu nunca disse que essa lista ficaria restrita a HQs!) de Alan Moore. Não dá para resistir, não é mesmo?

Por que ler: Se a resposta ao “o que é” acima não foi suficiente para justificar a leitura, pare de ler essa lista e ajoelhe no milho no canto da sala já! Mas sério, trata-se de uma obra muito interessante passadas ao longo de 6 mil anos e várias encarnações de 12 pessoas. Lembra alguma coisa – mal comparando – o recente filme A Viagem (Cloud Atlas), mas muito mais inteligente.

Supremo: A História do Ano (1996 a 1997)

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O que é: A brincadeira séria de Alan Moore com o personagem criado por Rob Liefeld para a Image Comics, em 1992. Moore já havia escrito histórias do herói, mas ganhou liberdade sem precedentes quando o personagem foi comprado pela Maximum Press. Com isso, um personagem escrito para ser uma versão egoísta do Superman ganhou contornos novos nas mãos de Moore.

Por que ler: Se você gosta de Superman, essa é a melhor história do personagem sem o personagem. Se você – como eu – não gosta do Superman, essa é melhor crítica de Superman sem Superman para estragar tudo. Ou seja, tem para todos os gostos aqui e a meta-história criada por Moore é absolutamente fantástica.

Promethea (1999 a 2005)

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O que é: Uma história publicada em 32 números sobre Sophie Bangs, uma estudante em uma Nova Iorque alternativa que encarna o espírito de uma entidade chamada Promethea cujo objetivo é trazer o apocalipse. Misticismo, ficção científica e ciência se misturam em um universo próprio e instigantes.

Por que ler: Alan Moore faz um trabalho fenomenal aqui, mas é a combinação e a experimentação com a arte que faz dessas HQs (várias vezes republicadas em encadernados e omnibus) uma das coisas mais lindas de se ver. Se você acha que o trabalho de referências visuais de Moore/Gibbons em Watchmen é fenomenal, então saiba que elas são fichinha perto do que Moore, J.H. Williams III e Mick Gray fazem em Promethea.

Alan Moore’s Writing for Comics (2003)

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O que é: Outro livro de Moore na sua lista? Se você acabou de pensar essa pergunta, mesmo que por um segundo, só tenho uma coisa a dizer: NO SOUP FOR YOU!!! Trata-se, como o nome deixa claro, de um manual sobre como escrever quadrinhos, sob a ótica de Alan Moore, o que significa muita ironia e sarcasmo e uma desconstrução de tudo que ele constrói.

Por que ler: Se você já leu os trabalho de Will Eisner e de Scott McCloud (existem diversos outros, mas considero esses e o de Moore os melhores) sabe o que esperar. Mas Moore é esperto e trata de demover o leitor da ideia de um roteiro linear e, no final, espeta a indústria de quadrinhos e os autores “padrão” com uma vivacidade impressionante. Não tem como não se divertir.

Albion (2005 a 2006)

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O que é: Um mundo onde personagens de quadrinhos realmente existem e são descobertos depois de um tempo e internados em uma espécie de sanatório.

Por que ler: Em uma espécie de Watchmen ao contrário, Moore tenta reviver, usando muita meta-linguagem, personagens britânicos obscuros de quadrinhos de uma outra era. Os desenhos são de Leah Moore (filha de Alan) e seu marido John Reppion. Uma curiosidade totalmente desconhecida do escritor e uma leitura no mínimo curiosa, já nos estertores da relação de Moore com a DC Comics (a minissérie, publicada em 6 edições, saiu pelo selo WildStorm da DC).

Lost Girls  (2006)

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O que é: Uma graphic novel pornô soft (aposto que já ficou interessado!) usando o conceito de A Liga Extraordinária, que reúne três protagonistas de obras literárias famosas: Alice Fairchild, de Alice no País das Maravilhas; Dorothy Gale, de O Mágico de Oz e Wendy Darling, de Peter Pan.

Por que ler: Melinda Gebbie, esposa de Moore, desenha esse álbum gráfico e produz talvez sua mais sensacional e detalhada arte. Cada spread dá vontade de arrancar, enquadrar e pendurar na parede (mas aí eu imagino o que minha esposa e amigos achariam ao ver três mulheres em um bacanal na sala de jantar e logo desisto da ideia). Isso sozinho já justificaria a leitura. Mas o intrigante e, por vezes, lisérgico texto de Alan Moore casado com os aspectos pornográficos de personagens tão pudicas do imaginário popular, torna tudo mais delicioso.

Bom, é isso aí galera! Quero ouvir seus comentários e saber se alguém tem mais alguma sugestão sobre o que ler de Alan Moore que não sejam as escolhas óbvias.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.