Lista | Os Melhores Filmes de Akira Kurosawa

Um dos diretores japoneses mais conhecidos do público, Akira Kurosawa foi autor de uma obra ímpar, pontuada por longos e inesquecíveis filmes, a maioria, de grande influência para o Ocidente, e também por ele influenciados. Essa troca de influências trouxe uma grande riqueza para as obra de Kurosawa, que filmava as questões próprias de seu país mas não se furtava em utilizar modelos narrativos e evocar correntes cinematográficas de outras terras.

Para homenagear esse cineasta, realizamos uma lista com os principais filmes desse diretor. A lista é composta por indicações individuais de Luiz Santiago (Sanjuro Kuwabatake) e Ritter Fan (Taketoki Washizu), além dos convidados especiais Adriano de OliveiraGuilherme Santiago e Lucas Thulin.

Vamos à lista.

#15. Dodes’ka-den (1970)

Por sua luz e suas imagens, este, que é o primeiro filme em cores de Korusawa, foi comparado à pintura de Mondrian e do primeiro Kandinski. Uma comovente crônica sobre o cotidiano de uma favela de Tóquio, com episódios e personagens que se entrelaçam. Entre eles, o menino que mendiga, nos fundos de um restaurante, o alimento para ele e seu pai juntos visualizam a casa de seus sonhos, a tímida jovem que faz flores artificiais para sustentar o padrasto alcoólatra, o “maquinista” de um imaginário trem, que imita o som(Dodes’ka- Den…Dodes’ka- Den…) das rodas sobre os trilhos. Tudo à margem da metrópole, que mesmo invisível, sufoca essas vidas excluídas.

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#14. O Barba Ruiva (1965)

A história se passa em um hospital de caridade, na cidade de Edo (atualmente Tóquio), no Japão do século XIX. Um médico jovem e arrogante e um piedoso professor têm um tumultuado relacionamento na clínica em que trabalham. O professor, que é diretor da clínica, tenta ensinar a seu amargurado médico residente a respeitar e apreciar as vidas de seus pacientes desamparados.

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#13. Sanjuro (1962)

Depois de superar todos os desafios de filme anterior, Yojimbo, o samurai Sanjûrô Tsubaki (Toshirô Mifune) une-se a um grupo de jovens idealistas que estão determinados a acabar com a corrupção que há em sua cidade. Porém, este cínico samurai está muito aquém dos conceitos ideais que esses jovens têm de um nobre guerreiro.

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#12. Sonhos (1990)

Mais do que histórias, Sonhos é um desfile de imagens maravilhosas. Dividido em oito capítulos – oito sonhos diferentes que dialogam entre si – o filme traz a peculiaridade contemplativa do cinema do Japão, a música característica e os figurinos exóticos aos olhos do ocidente. Lidando com medos e vontades subconscientes, o filme traz desde um passeio por entre pinturas do holandês Vincent Van Gogh até o recorrente pesadelo nacional com a radiação nuclear. A beleza da natureza e o horror de sua destruição, bem como tradições milenares, são os elementos que arremessavam Akira Kurosawa a níveis cada vez mais altos de criatividade.Sonhos certamente encherá seus olhos. E não se surpreenda se também arrebatar sua mente e coração.

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#11.  A Fortaleza Escondida (1958)

Ambientado no Japão do século XVI, o filme narra a história de um poderoso homem que escolta uma bela princesa fugitiva em meio ao território inimigo a caminho de casa. Em sua viagem, cruzam dois medrosos fazendeiros, que estão tentando retornar para casa depois de fugirem da Guerra Feudal. Principal inspiração de George Lucas para criar o seu “Star Wars“, combinando humor, drama e muita ação.

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#10.  Homem Mau Dorme Bem (1960)

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Uma história que remete ao Hamlet de Shakespeare. No Japão do pós-guerra, um jovem tenta se utilizar de sua posição no coração de uma empresa corrupta para expor os homens responsáveis pela morte de seu pai. No dia de seu casamento, vários rumores e comentários circulam entre os presentes, que cinco anos antes, o pai de Nishi morreu após cair de uma janela do andar do edifício da empresa. Muitos duvidam de um suicídio. Nishi tentará investigar sobre um possível assassinato de seu pai. Obra-prima do mestre, um roteiro elegante e a música de Sato, como sempre magnífica.

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#9. Yojimbo (1961)

Um samurai desempregado (Toshirô Mifune) chega a uma cidade à procura de um trabalho, só que esta se encontra dividida entre dois mercadores rivais. O samurai oferece os seus serviços para ambos, envolvendo-se em sangrentas batalhas e aproveitando-se totalmente da situação. Inspirou obras famosas, como Por um Punhado de Dólares, de Sérgio Leone, e Kill Bill, de Quentin Tarantino.

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#8. Kagemusha (1980)

Shingen, um poderoso Senhor da Guerra, torna-se lendário como o lema que decora os seus estandartes: “veloz como o vento, silencioso como a floresta, feroz como o fogo, inalterável como a montanha“. Em meio a uma grande guerra, Shingen, seriamente ferido, ordena ao clã que use algum sósia para o substituir caso faleça – para manter a sua morte em segredo, evitando assim o ataque dos seus inimigos. Mas este é um vulgar criminoso que tem de aprender a transformar-se num grande líder e comandar um exército de 25.000 leais guerreiros Samurai… Drama épico sobre conflitos feudais no Japão do século XVI, Kagemusha ganhou o grande prêmio do Festival de Cannes 1980, e é considerado um marco na carreira de Akira Kurosawa.

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#7. Viver (1952)

Inquestionavelmente uma das melhores obras do mestre Akira Kurosawa, Ikiru (Viver) apresenta a visão da compaixão, mostrando a beleza da vida de um homem a partir da explosão de sua morte. Takashi Shimura interpreta Kanji Watanabe, um idoso burocrata com câncer no estômago forçado a buscar o significado de sua existência nos seus dias finais. Narrado em duas partes, Ikiru mostra os questionamentos de Watanabe no presente, através de uma série de retrospectivas de sua vida. O resultado é um olhar multifacetado da vida e suas perspectivas, num complexo retrato de um homem incompreendido e cheio de conflitos.

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#6. Céu e Inferno (1963)

Perto de resolver uma situação crítica em sua empresa, para a qual reservou uma grande quantia em dinheiro, o executivo de uma fábrica de sapatos descobre que seu filho foi raptado. O valor do resgate pedido pelos sequestradores se aproxima do dinheiro que tem em mãos para o seu negócio. Porém, quando resolve salvar a vida do filho, ele tem uma grande surpresa. Mais um eletrizante filme de Akira Kurosawa.

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#5. Ran (1985)

Japão, século XVI. Hidetora (Tatsuya Nakadai), o poderoso chefe do clã dos Ichimonjis, decide dividir em vida seus bens entre seus três filhos: Taro Takatora, Jiro Masatora e Saburu Naotora. Com o primeiro fica a chefia do feudo, as terras e a cavalaria. Os outros dois ficam com alguns castelos, terras e o dever de ajudar e obedecer Taro. No entanto, Hidetora exige viver no castelo de alguns deles, manter seus trinta homens, seu título e a condição de grão-senhor, mas Saburu, o predileto, prevendo as desgraças que viriam com tal decisão, se mostra contrário à decisão paterna. Assim é expulso do feudo e acaba sendo acolhido por Nobuhiro Fujimaki, que se mostra impressionado com sua decisão de contrariar o pai e casa-o com sua filha. Hidetora vai ao seu castelo, que agora é de Taro, e não é bem recebido, pois seu primogênito é encorajado por Kaede, sua mulher, para ter liberdade para tomar decisões e chefiar o feudo. Kaede quer vingar a morte dos pais, que foram mortos por Hidetora em um incêndio, e guarda muito rancor e igual rejeição. Hidetora sente isso quando vai ao castelo de Jiro e assim se vê isolado em seu ex-império e bem próximo da insanidade.

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#4. Dersu Uzala (1975)

Drama contemplativo realizado por Kurosawa quando exilado do Japão. A Rússia financiou a história, que é ambientada no fim do século 19, e narra a aventura de um explorador e cartógrafo russo na Sibéria, onde pretende mapear toda a região. Para isso, ele conta com ajuda de um caçador mongol, e uma grande amizade nasce dessa aventura. O filme foi premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

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#3. Trono Manchado de Sangue (1957)

Baseado na obra Macbeth, de Shakespeare, Trono Manchado de Sangue é a história de Washizu e Miki, dois samurais que, durante uma missão, têm uma visão sobre uma velha senhora no meio da floresta. Ela profetiza um ambicioso futuro, o que faz com que os samurais fiquem com isso na cabeça e, inconscientemente, comecem a agir para que ele se torne realidade. Sangrentas guerras, ambição e loucuras se entrelaçam perfeitamente nesse que é um dos melhores filmes do mestre Kurosawa.

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#2. Rashomon (1950)

O filme descreve um estupro e assassinato através dos relatos amplamente divergentes de quatro testemunhas, incluindo o próprio criminoso e, através de um médium (Fumiko Honma), a própria vítima. A história se desvela em flashbacks conforme os quatro personagens — o próprio bandido (Toshiro Mifune), o samurai assassinado Kanazawa-no-Takehiro (Masayuki Mori), sua esposa Masago (Machiko Kyō) e o lenhador sem nome (Takashi Shimura) — recontam os eventos de uma tarde em um bosque. Mas é também um flashback dentro de um flashback, porque os relatos das testemunhas são recontados por um lenhador e um sacerdote (Minoru Chiaki) para um grosseiro plebeu (Kichijiro Ueda) enquanto eles esperam por uma tempestade em uma portaria arruinada.

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#1. Os Sete Samurais (1954)

No século XVI, durante a era Sengoku, quando os poderosos samurais de outrora estavam com os dias contados pois eram agora desprezados pelos seus aristocráticos senhores (samurais sem mestre eram chamados de “ronin“). Kambei (Takashi Shimura), um guerreiro veterano sem dinheiro, chega em uma aldeia indefesa que foi saqueada repetidamente por ladrões assassinos. Os moradores do vilarejo pedem sua ajuda, fazendo com que Kambei recrute seis outros ronins, que concordam em ensinar os habitantes como devem se defender em troca de comida. Os aldeões dão boas-vindas aos guerreiros e algumas relações começam. Katsushiro (Ko Kimura) se apaixona por um das mulheres locais, embora os outros ronins mantenham distância dos camponeses. O último dos guerreiros que chega é Kikuchio (Toshiro Mifune), que finge estar qualificado mas na realidade é o filho de um camponês que almeja aceitação. Um filme para todos os espectadores. Uma obra-prima de valor Universal.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.